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Boards of Canada 2013: “—— / —— / —— / XXXXXX / —— / ——”

BoC-2013

Depois da dupla francesa, é a vez dos irmãos escoceses fazerem mistério. O lendário Boards of Canada, um dos pais da chamada IDM e talvez o maior nome da música eletrônica ambiente deste século (James Blake tem que comer muito feijão com arroz ainda), deu sinal de vida. Sem lançar nada desde 2006, os irmãos Michael Sandison e Marcus Eion lançaram, neste Record Store Day, um único 12 polegadas, na nova-iorquina Other Music. No disco, batizado com o enigmático nome de —— / —— / —— / XXXXXX / —— / ——, só se ouve uma coisa:

“9-3-6-5-5-7”.

Foi o suficiente para fazer fãs saírem à caça, principalmente no site especializado 2020k e no fórum Twoism, onde já cogitaram que o número sejam coordenadas geográficas, um código de cores, uma letra em ASCII (“m”, que se for a quarta letra de uma palavra com seis, como o título pode indicar, pode ser, por exemplo, a época em que o disco será lançado – “summer”?). Vale a pena acompanhar a discussão (em inglês) nos comentários de um vídeo em uma conta do YouTube que pode ser um perfil falso da banda – apenas pelo simples fato de ter surgido uma anotação com o nome do disco aos 4:20 do vídeo:

Outro jogo começou. Imagine se houver outros discos em lojas espalhadas pelo mundo que ainda não foram encontrados… Vi na Fact.

Vida Fodona #375: “Get Lucky”

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Daquele jeito…

Jean Michel Jarre – “Zoolookologie”
Hot Chip – “Over and Over”
Donna Summer – “I Feel Love”
Pulp + James Murphy – “After You (Soulwax Remix)”
Rita Lee – “Lança Perfume”
Doobie Brothers – “What a Fool Believes”
Darryl Hall & John Oates – “Kiss on the List”
Tim Maia – “A Fim de Voltar”
Blondie – “Rapture”
Chic – “Everybody Dance”
David Bowie – “Let’s Dance”
Daft Punk + Pharrell Williams – “Get Lucky”
Michael Jackson – “Rock With You”
Rolling Stones – “Miss You”

Bora!

Smiths 8-bit

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O canadense Jairus Khan fez essa versão de “Bigmouth Strikes Again” de brincadeira, mas não é que ficou legal?

Astrolábio – Coma

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Não há nada de novo no som do Astrolábio – projeto que começou pelas mãos dos arquitetos e instrumentistas Arthur Mei e Pedro Cornetta, ambos obviamente apaixonados por Pink Floyd. O som no EP Coma (que pode ser baixado no site de sua gravadora, a Sinewave) é uma peça musical dividida em quatro partes e conduzida pelo andamento hipnótico de sequências de acordes ao piano acompanhadas de solos épicos com a mesma queda para o blues elétrico que David Gilmour. Baixo e bateria, neste caso, ficam em segundo plano e funcionam mais como coadjuvantes para definir intensidade do que protagonistas, como no Pink Floyd. Ocupando o espaço entre a guitarra e os teclados, texturas sonoras analógicas e efeitos vintage ajudam o grupo a entrar em uma viagem que descrevem, em inglês, disposta a guiar “the visitor through strange landscapes created by surrealistic collages, in a mystical and scientific journey to the center of yourself”. Maior blá-blá-blá. Mas dê uma chance ao som:

A descrição – que ganha forma de narração na faixa “Imagens En Mouvement”, dita por Nathália Rodrigues – é melhor compreendida quando descobrimos que Coma é a trilha sonora para um filme de mesmo nome, dirigido pelo próprio Pedro Cornetta, metade da banda. veja abaixo:

Mesmo assim, falta alguma coisa. Talvez seja o primeiro passo rumo a um amadurecimento mais autoral e menos formulaico. Mas é um bom começo.

Daft Punk: Random Access Memories faixa a faixa

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Seguimos à espera do disco novo do Daft Punk, com um pingo de esperança que “Get Lucky” seja mais épica em sua versão do álbum e com um tanto de desconfiança que toda a chegada da nova faixa seja um bem arquitetado viral. Isso não diminui a expectativa em relação ao disco novo – muito pelo contrário. E o que dizer quando surge uma entrevista dada à seção Obsession, do Le Nouvel Observateur (em francês, mas devidamente traduzida para o inglês pelo site Sodwee, abaixo) em que a dupla descreve faixa a faixa todo o novo e ainda não vazado Random Access Memories? Manipulando seu próprio tempo, o Daft Punk consegue nos levar de volta àquela época em que a música demorava para atravessar fronteiras e suas descrições e impacto chegavam antes, na forma de palavras. Leia a descrição das faixas abaixo – citando as participações de Giorgio Moroder, Chilly Gonzalez, Panda Bear e Juliana Casablancas – e veja se não dá ainda mais vontade de ouvir o disco – e se alguém se dispor a traduzir para o português, eu publico aqui.

 

Caetano Veloso sobre o Ecad: “Se não pode mexer, não anda”

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Caetano escreveu sobre as batalhas sobre o Ecad em sua coluna do Globo deste domingo. Eis o trecho:

A carta assinada por muitíssimos compositores, músicos e cantores, em tom de defesa do Ecad contra uma suposta manobra sinistra para destruí-lo, não contou com minha assinatura, e eu ia escrever e-mails para, pelo menos, Fernando Brant, Ronaldo Bastos e Abel Silva, mas a estreia do “Abraçaço” em Sampa, logo em seguida à estreia carioca no Circo Voador e a uma apresentação em Fortaleza, não me deixaram cabeça nem energia para nada. Quando eu ia escrever, a carta ainda não tinha as assinaturas que exibe hoje. Eu ia explicar minha pausa para ponderação. Como o assunto é notório, faço-o aqui.

Há um projeto de lei no Senado esperando para ser votado em urgência. O Ministério da Cultura tem uma proposta que é bastante próxima da que é feita no PLS129. Falei brevemente com a ministra em São Paulo; ouvi demoradamente, já no Rio, um assessor seu que me pareceu muito claro. Conversei com Leoni, Tim Rescala, Gil, Emicida, li os artigos de Ivan Lins e Sérgio Ricardo. Os manifestos dos defensores da manutenção do modus operandi atual do Ecad são pouco ou nada técnicos — e são alarmistas: querem acabar com o Ecad e deixar tudo voltar ao caos que era antes, tal como Ipojuca Pontes fez com a Embrafilme. “O Ecad e o Direito do Autor: mexeu nisso, tudo desaba”, diz Abel. Tendo a pensar que é hora de arrefecer os ânimos e tentar pôr Leoni e Bastos pensando juntos, para ver se aproveitamos a oportunidade de andar com o tema. Nem o Ministério nem o PL propõem a extinção do Ecad. Ambos enfatizam a necessidade de supervisão (o PLS129 propunha que feita pelo Ministério da Justiça; o Minc tomaria a tarefa para si).

Não creio que Abel ou Fernando estejam protegendo vantagens indevidas; tampouco creio que Tim Rescala e Ivan Lins estejam lutando pelo poder das emissoras de TV. Suponho que seja hora de amadurecer a conversa. Nunca fui bom nisso de contas, administração, leis. Mas tenho vocação para o centro e, eu que já pedi que Silas Malafaia intermediasse um diálogo entre quem não admite que o assassino de Lennon seja louvado como o enviado da Santíssima Trindade e o pastor que propôs isso, acho que posso pedir que Sérgio Ricardo e Fernando Brant se entendam. Não é “se mexer, desaba”; é “se não pode mexer, não anda”.

No resto da coluna ele ainda fala sobre a escritora Agustina Bessa-Luís. A íntegra está aqui. Não tenho dúvidas de que a melhor coisa desse Caetano indie pós-Cê é o seu reencontro com o texto. O colunista Caetano Veloso está em ponto de bala, talvez em sua melhor fase. Acho louvável que sua estética atual se dedique ao risco e à descoberta, mas o resultado final ainda me parece filhote daquela vanguarda de plástico que gerou discos estranhos nos anos 80 como Velô e Caetano (de 1987) – mas ainda assim é melhor do que ficar na mesma ou, pior, virar mero intérprete, como havia sido em sua década anterior, dedicada a songbooks. Seu retorno ao texto, por outro lado, é exemplar, como no texto acima.