Trabalho Sujo - Home

O novo filme de Jason Reitman

men-women-and-children

Filho de Ivan Reitman (diretor de sessões da tarde clássicas como Caça-Fantasmas 1 e 2, Dave – Presidente por um Dia, Irmãos Gêmeos, Um Tira no Jardim de Infância e Space Jam), Jason Reitman aos poucos vem se firmando como um dos diretores-cronistas desse início de século, pai de alguns filmes que cutucam veias específicas de nossos dias, como Juno, Obrigado por Fumar, Amor Sem Escalas e Jovens Adultos. Seu novo filme, Homens, Mulheres e Crianças, parece vir como um bom comentário sobre nossos dias digitais, veja:

Mas a Gi Ruaro assistiu ao filme no London Film Festival que está rolando essa semana, não gostou e, desapontada, pediu para escrever um texto sobre o filme pra cá. É a velha história: a internet sendo tratada como um universo à parte, não como parte de nós. Fala Gi:

Voyager. Em 1977, NASA enviou uma sonda para o além-sistema-solar. Dentro desta sonda, Carl Sagan fez a curadoria da cultura de nosso planeta azul para o infinito e além. O material é feito para durar bilhões de anos e para que um dia seja encontrado por alguém ou algo ou sei lá. Quem sabe? Estamos lidando com uma escala de tempo e distância que não podemos imaginar. Músicas, ‘olá’ em 59 línguas diferentes, o som das ondas na praia e do vento nas árvores. O som de um beijo. Uma foto da Terra como um pontinho azul. Nossa existência.

Assim começa Men, Women & Children, o novo filme de Jason Reitman. Mas o filme não é sobre Sagan, Voyager ou o universo, é sobre o nosso mundo conectado e as consequências em nossos relacionamentos. Realmente estamos vivendo uma revolução tecnológica e Hollywood ainda não conseguiu capturar em filme como usamos mídias sociais no cotidiano. Então que maneira melhor de demonstrar isso do que reduzir o zeitgeist a uma série de histórias sobre a classe média americana, com educação superior, branca, hétero e egoísta?

O filme tem seus méritos. Talvez seja a primeira vez que vemos World of Warcraft retratado como uma mídia social, que falam sobre as consequências de thinspo na autoestima de meninas, que casais são mostrados jogando Words With Friends na cama, trolling, sexting, cultura de celebridades, paranoia dos pais preocupados com segurança online, pornografia, “let’s occupy Facebook with art”, e “rape culture” – tudo em um só filme. Só faltou #gamergate. Mas ao tentar abordar tanta informação, o filme virou isso mesmo: um monte de referencias perdidas num emaranhado de clichês americanos.

Talvez seja esse o verdadeiro zeitgeist: Hollywood, Jason Reitman e o personagem da mãe preocupada (Jennifer Gardner, mais insípida que nunca) realmente não conseguem acompanhar as importantes mudanças que comunicação online traz a nossa cultura e vida social. Ou ainda, o processo de filmar é longo demais para sobreviver um mundo sempre a busca do Ello perdido.

Dá pra perdoar alguns detalhes, mas nossos avós já estão no Facebook e e vamos continuar fingindo que “os jovens estão fora de controle”? Que videogames são do mal? Que tumblr é só uma plataforma para selfies? Que a grande experiência de viver está offline? Sério mesmo? Sérião, Jason?

O filme é tão desconectado da nossa conectividade (perdão pela pieguice) que é difícil analisar a atuação de Adam Sandler, ou a narração de Emma Thompson falando “titty fuck cum queen” com sotaque britânico, ou Hank de Breaking Bad perdidão.

E que o Carl Sagan tem a ver com tudo isso? Sei lá. Ele não gostou da adaptação de Contatos com Jodie Foster, questionando a ressonância emocional e veracidade do roteiro. Mas esse, esse é o filme que Carl estava esperando. Hashtag só que não.

Dinheiro pixelado

dinheiro-noruega-50

E por falar em Noruega, esse é o verso das novas notas de coroas norueguesas, que devem começar a circular em 2017 – tudo pixelado. A versão foi uma proposta de uma parceria entre a empresa de arquitetura Snøhetta e o estúdio de design The Metric System. Do lado de frente, imagens tradicionais que remetem à cultura do país. Na parte de trás, paisagens do litoral escandinavo pixeladas de acordo com o valor das notas e a intensidade na Escala de Beaufort, que mede a força dos ventos. Vale dar uma sacada no PDF divulgado pelo Norgens Bank, em que eles mostram os desenhos finalistas para este novo dinheiro.

dinheiro-noruega

Vi no Brainstorm9.

O disco de estréia de André Paste

andre-paste-shuffle

E o menino André Paste cresceu. Lembro quando o conheci: estávamos no auge da Gente Bonita quando um moleque ainda menor de idade, vindo de Vitória, no Espírito Santo, me adicionou no MySpace, linkando mixtapes que misturavam Amy Winehouse com Companhia do Pagode, nitidamente influenciadas pela fase mashup de João Brasil. Trouxe Paste para tocar em São Paulo pela primeira vez (em 2009, no Vegas) e de lá ele foi pro mundo: tornou-se conhecedor de tecnobrega, integrou a Avalanche Tropical, fez dupla com o Dago e agora, cinco anos depois de pisar em São Paulo pela primeira vez, ele lança seu primeiro disco solo.

Mas ao contrário do previsto Shuffle passa longe do oba-oba e da putaria típicas de suas discotecagens – ele prefere baixar os BPMs e convidar velhos amigos (João Brasil, Silva, We Are Pirates) para um disco pensativo e com um quê melancólico, mesmo com as brincadeiras tipicamente brasileiras (como convidar Waldo Squash da Gang do Eletro para seu “Réquiem para Tiësto” ou chamar Mozine, da banda de hardcore Mukeka di Rato, para ler o “Horóscopo”). Do disco todo, pinço a new rave “Cosmos”, que além de conversar com discos importantes de 2014 como o Our Love do Caribou e o It’s Album Time do Todd Terje ainda tem o trunfo de ser a primeira coisa envolvendo o Holger que eu consigo gostar.

Bati um papo por email com o André sobre o disco novo, que segue na íntegra ao final do post e pode ser baixado por aqui:

Quando você teve a ideia de lançar um disco solo? Por que um trabalho autoral?
Essa ideia tá na minha cabeça há uns três anos, não tem aquele lance de que antes de morrer você tem que escrever um livro, plantar uma árvore e ter um filho, então, eu só queria ter um disco hahaha era meu único desejo até agora.

O disco também foge do clima alto astral das suas discotecagens pra preferir um caminho mais downtempo…
Eu quis fazer um disco good vibe, sem me prender muito a bpm’s altos. Na real as músicas aconteceram naturalmente, chegou um momento que eu percebi que o disco estava ficando mas downtempo, mas eu curti.

As participações especiais já estavam definidas quando você começou a compor o disco?
Já, o conceito do disco, de convidar vários amigos vindos de formações musicais diferentes veio antes da composição dele. Queria juntar pessoas que gosto no disco.

O disco vai sair num formato físico? E como vai ser o show?
Vai sair em CD físico sim, em mais ou menos um mês já esta pronto. Estou esperando o lançamento pra começar a formatar o show, mas quero fazer poucas apresentações, vão ser shows bem pontuais.

Quais seus próximos passos, depois desse disco?
Não sou muito de fazer planos não, vou deixar acontecer naturalmente daqui pra frente.

 

Todos os discos das Sleater-Kinney relançados em vinil!

Sleater_StartTogether_1500

Um dos grupos mais subestimados dos anos 90, o trio Sleater-Kinney está sendo revisitado por sua gravadora Sub Pop numa caixa com os sete discos de sua carreira lançados em vinil na caixa Start Together. A caixa com sete discos também vêm numa versão colorida, como postou a guitarrista Carrie Brownstein, hoje uma atriz de sucesso no seriado Portlandia, em sua conta no Instagram.

sleater-kinney-vinil

Lindaço, hein. Resta saber se isso pode ser um aceno pra volta da banda. Não seria nada mal…

BNegão e o Sítio do Picapau Amarelo

bnegao

Nessa onda de artistas pop fazendo shows para o público infantil, um das mutações mais legais é o tributo que o BNegão e seus Seletores de Freqüência fazem para a trilha clássica do Sítio do Picapau Amarelo – a começar pelo rapper vir fantasiado de Tio Barnabé, num cosplay inacreditável. O grupo se apresenta com essa formação mais uma vez nesse fim de semana do dia das crianças no Teatro Paulo Autran nos dias 11 e 12 de outubro, a partir das 18h, e o Bernardo descolou cinco pares de ingressos para quem quiser ir no show de domingo, além de um MP3 em que a banda revisita a Cuca pelos riffs do Black Sabbath.

Pra ganhar o ingresso é só responder aí na área de comentários qual é o seu personagem favorito do Sítio do Picapau Amarelo e porquê até às 19h dessa sexta. Publico o resultado em seguida.

E aqui tem um vídeo com a banda tocando outra música clássica do programa, “Saci Pererê” do Jorge Ben: