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Ouviram o disco novo do Pink Floyd?

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The Endless River, o disco novo do Pink Floyd, é mais um prego no caixão da banda do que propriamente uma despedida com chave de ouro. Umas sobras de gravações foram transformados num álbum (felizmente) instrumental, cuja única música com letra ganhou um clipe cuja breguice visual destoa do resto do disco – que é esquecível por um lado mas longe de ser constrangedor (como esse clipe).

Para uma banda que exaltou a amizade de um velho companheiro em dois discos perfeitos – Dark Side of the Moon e Wish You Were Here, ambos sobre Syd Barrett -, Endless River parece mais um acanhado pedido de desculpas feito por David Gilmour por não ter se imposto contra a pressão que Roger Waters exercia sobre o velho amigo e tecladista Rick Wright nos últimos dias do Pink Floyd como um quarteto. A gravação de The Wall, no final dos anos 70, foi marcada pelo ego gigante de Waters, que pegou tão pesado com Rick que, no disco seguinte, Final Cut, o tratou apenas como músico contratado – e não fundador da banda. Anos após a morte de Wright, em 2008, Gilmour vem com esse disco em homenagem ao amigo para tentar apagar a própria mágoa em relação à amizade que viu desfazendo-se quando o Pink Floyd ainda era uma banda importante musicalmente.

A dúvida é saber se vai haver turnê desse novo disco… Será… que não?

Daft Punk ao vivo em vinil

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E a dupla francesa de homens-robô irá reunir seus dois discos ao vivo (batizados apenas de Alive 1997 e Alive 2007) em uma caixa quádrupla de luxe em vinil, que já está em pré-venda. Além dos quatro vinis, a caixa ainda conta com um livro de 58 páginas com fotos tiradas durante as duas turnês.

Mark Ronson + Bruno Mars

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Mark Ronson está dando as últimas polidas em seu próximo disco e mais uma vez convidou vários vocalistas para cantar hits – desta vez autorais e não versões. A primeira faixa a dar as caras é a deliciosa “Uptown Funk”, gravada com o Bruno Mars.

Refletor #009: O dia em que pousamos em um cometa

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Nesta quarta-feira uma sonda espacial vai tentar pousar num cometa, num feito histórico (se der certo, claro). Falei sobre isso na minha coluna do Brainstorm9 dessa semana – e o que isso tem a ver com a ficção científica.

Pousar num cometa
A Agência Espacial Europeia celebra um feito futuro apostando na ficção científica

Um mago e sua aprendiz tentam criar um sistema solar em miniatura a partir da manipulação da matéria através da mente. Trabalhando em um deserto rochoso, os dois fazem planetas e estrelas nascerem a partir da concentração, reunindo conjuntos de pedras flutuantes que, com a gravidade, tornam-se pequenos planetas. Mas algo está faltando…

Essa é a sinopse do curta Ambition, dirigido pelo polonês Tomek Bagiński e estrelado por Aidan Gillen e Aisling Franciosi. Filmado na Islândia, o filme foi exibido pela primeira vez no dia 24 do mês passado, durante a mostra Sci-Fi: Days of Fear and Wonder (Ficção Científica: Dias de Medo e Admiração), que foi realizada no British Film Institute, em Londres.

O curta é uma coprodução entre a Platige Image (a produtora de Bagiński) e a Agência Espacial Européia (ESA). O motivo da agência ter se envolvido no curta é revelado na metade da história, quando, ao cogitarem um dos motivos do nascimento da vida no planeta Terra, seus dois protagonistas lembram de um passado que ainda não aconteceu. Eles mencionam a Missão Rosetta, da própria ESA, que foi lançada há dez anos e no próximo dia 12 de novembro – também conhecido como amanhã – deve conseguir atingir seu propósito: pousar em um cometa.

Segundo os idealizadores da missão, a intenção do acontecimento é reunir informações e dados que possam falar mais a respeito da origem do sistema solar, da água em nosso planeta e, portanto, da formação da vida. Pode ser uma data histórica caso o pouso aconteça de acordo com o planejado.

“Tantas coisas poderiam ter dado errado”, diz o personagem de Aidan Gillen, conhecido por séries como “The Wire” e “Game of Thrones”. “Por um bom tempo, as origens da água e da própria vida em nosso planeta seguiram como um mistério completo. Foi quando começamos a buscar pelas respostas fora da Terra. Nos voltamos para os cometas. Um trilhão de bolas celestiais de gelo, poeira e moléculas complexas que sobraram do nascimento de nosso sistema solar. Eram vistos como mensageiros da morte e da destruição e ainda assim tão encantadores. Precisávamos pegar um deles: um plano incrivelmente ambicioso.”

A previsão é que a Missão Rosetta lance a sonda Philae para o centro do cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko quando estiver a uma distância de 22 quilômetros de distância, às 5:35 no horário de Brasília, amanhã. Pode ser um feito histórico que pode mudar o que conhecemos sobre a vida, o universo e tudo mais.

Pode ser apenas uma tentativa, já que alguns segundos de erro de cálculo podem colocar todo o trabalho a perder. Mas o importante é que foi feito. E, mais do que isso, que foi imaginado. Como o personagem principal do curta bancado pela ESA, alguém pensou num plano incrivelmente ambicioso. Tão ambicioso quanto pousar na Lua, decifrar nosso DNA ou desenvolver a inteligência artificial.

Ideias que começaram nos livros, nos filmes. A relação entre a ciência e a ficção científica talvez seja o melhor exemplo do ditado “a vida imita a arte”. São inúmeros casos de leitores que começaram a se interessar por física, química, biologia, matemática, astronomia e outros ramos da ciência a partir do contato com as especulações cogitadas por autores de épocas diferentes.

O polonês Wernher von Braun, a cara da NASA durante os anos de conquista espacial, só cogitou a viagem para o espaço após ler os livros de H.G. Wells e Jules Verne e termos como “robótica” e “ciberespaço” apareceram pela primeira vez em clássicos do gênero (“Eu, Robô” de Isaac Asimov e “Neuromancer” de William Gibson, respectivamente).

E talvez toda a magia suposta no curta – que faz dois humanos recriarem o sistema solar como num laboratório – não seja nada mágica. Afinal, como dizia outro mestre da ficção científica, Arthur C. Clarke, “qualquer tecnologia suficientemente avançada é indistinguível de magia.”

Eis a importância do pequeno filme: instigar a imaginação e a criatividade dos cientistas do futuro.