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A experiência religiosa de Philip K. Dick

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A editora Aleph, que vem construindo um belo catálogo de ficção científica, acrescentou mais um volume essencial à bibliografia do mítico Philip K. Dick ao lançar pela primeira vez a obra Valis, em que o escritor romantiza a revelação psicodélica-religiosa que mudou completamente sua vida em um livro que deu um novo rumo aos seus livros. A edição traz de brinde a HQ A Experiência Religiosa de Philip K. Dick, escrita e desenhada por Robert Crumb, que eu havia traduzido de brincadeira no começo desse século – e o velho compadre Mateus, que incentivou a tradução, letreirou o quadrinho e a hospedou em seu Ovelha Elétrica (ela está lá até hoje). Ao saber que o quadrinho já havia sido traduzido, a editora pediu para que eu desse um tapa na versão original para incluí-la como extra em Valis, oficializando assim a sexta obra de Crumb que participei da adaptação para o Brasil.

30 anos de Neuromancer, por William Gibson

E por falar na Aleph, a editora está lançando uma edição comemorativa do marco zero do cyberpunk, o Neuromancer de William Gibson, primeira obra de ficção científica a vislumbrar o futuro com a presença da internet. Um dos atrativos dessa nova versão é uma introdução escrita pelo próprio Gibson para o aniversário de 30 anos do livro, lançado em 1984, que reproduzo abaixo:

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“Fico muito feliz que a edição de 30 anos de Neuromancer esteja sendo publicada no Brasil no século 21. Em 1984, o ‘Brasil no século 21’ era tema de ficção científica. Em 2014, o Brasil é um país que pulsa pleno de futuro, o futuro do verdadeiro século 21.

A história de Neuromancer se passa principalmente nas semirruínas do que ainda chamamos de nações “desenvolvidas”, porque essas eram as nações que eu conhecia suficientemente bem para que pudesse, a partir delas, lançar minhas extrapolações. Nações como o Brasil e a Índia eram cartas fora do baralho para mim, mas esses países são verdadeiros curingas do mundo hoje, ricos em possibilidades, muitas das quais, pelo que temos visto, ainda permanecem completamente imprevisíveis. Em breve, as maiores cidades do mundo não estarão nas nações outrora “desenvolvidas”.

O Brasil, em Neuromancer (ou o “além-mar” em Neuromancer, já que o país praticamente não está lá) queria sugerir algo assim: outro mundo, um lugar inteiramente distinto, onde a tecnologia pode ter se desenvolvido de uma forma diferente. Essa perspectiva continua nas duas sequências do livro e em minha obra posterior. Os personagens não visitam o Brasil, mas coisas interessantes emergem de lá, vindas a partir de um conjunto completamente diferente de possibilidades.

O fato de que leitores do século 21, vivendo em nações como o Brasil, ainda estejam dispostos a ler um romance de ficção científica anterior ao telefone celular e em que aparelhos de fax ainda estão presentes, me encanta. Para mim, Neuromancer nunca foi sobre “como o futuro seria”, mas sobre o que fazemos, como espécie, com as ideias que temos a respeito do futuro. É um romance sobre como a tecnologia nos modifica, ou fracassa em suas tentativas de nos modificar, geralmente de maneiras que os desenvolvedores dessa tecnologia sequer são capazes de antecipar.

O futuro imaginado em Neuromancer é um ato de improviso, um acidente complexo, pós-heroico, pós-mitológico. É justamente aí, eu acho, que o livro ainda funciona, apesar de sua tecnologia inevitavelmente obsoleta. E é por isso, eu acho, que nosso verdadeiro futuro pertence especialmente a lugares como o Brasil, lugares onde se trabalha necessária e concretamente com o improviso, com o complexamente acidental, todos os dias.

Em um novo mundo, talvez, meu estranho velho livro se torne um livro novo. Contexto é tudo. E eu invejo o de vocês.

–William Gibson
Vancouver, 25 de julho de 2014

Taí a capa do disco novo dos Racionais MCs, que chama-se Cores e Valores

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Eis a capa do sexto disco dos Racionais MCs, que chama-se Cores e Valores e deve ser lançado oficialmente nesta terça-feira. Eles já descolaram um teaserzinho pra ir aquecendo, saca só:

O grupo já liberou a íntegra da faixa “Quanto Vale o Show?” e, em tese, a ordem das faixas do novo disco seria essa aqui: segue a íntegra do disco para quem quiser ouvir:

O grupo pôs o disco à venda via Google Play ao preço de R$ 9,99 e a ordem das faixas é esta:

1) “Cores & Valores”
2) “Somos o que Somos”
3) “Cores & Valores – Preto e Amarelo”
4) “Trilha”
5) “Eu Te Disse”
6) “Preto Zica”
7) “Cores & Valores – Finado Neguin”
8) “Eu Compro”
9) “A Escolha que Fiz”
10) “A Praça”
11) “O Mau e o Bem”
12) “Você Me Deve”
13) “Quanto Vale o Show?”
14) “Coração Barrabaz”
15) “Eu Te Proponho”

A fonte é o André Camarante.