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Charli XCX na passarela

Eis “SS26”, mais uma página do novo capítulo que Charli XCX está escrevendo depois de fechar sua fase Brat no ano passado e misturar o ocaso desta com seu entreato cinéfilo (em que esteve envolvida na produção – e em diferentes papéis – de SETE filmes na virada do ano passado para esse). No novo single ela mantém a textura rock que explorou no anterior, “Rock Music”, mas sem os beats ou os efeitos que vinham no refrão desta. A textura de guitarras e o riff roqueiro seguem presente, mas o ritmo é lento (beats quase discretos) e a canção é quase uma balada pop num contexto rock. E as referências à moda são extramusicais – ela desfila na passarela do clipe depois de abençoada pela ex-editora-chefe da Vogue Paris Carine Roifield como se estivesse numa semana da moda e embora o título aluda a uma referência deste universo (“primavera-verão 2026”), a faixa não fala sobre moda como a anterior falava sobre rock. Aos poucos ela aplaina seu discurso para tentar pegar na veia da contemporaneidade deste ano e em breve deve soltar mais pistas do álbum que está preparando na encolha.

Assista abaixo:  

A Pedra Filosofal de Jorge Ben Jor

Desde que A Tábua de Esmeraldas foi redescoberto nos anos 90 há um clamor por uma versão ao vivo do disco, algo que seu autor, o imbatível Jorge Ben Jor, sempre achou desnecessário. Seu Acústico MTV, lançado há quase um quarto de século, chegou a bater na trave, como outros projetos que pediam que ele voltasse ao violão ou pelo menos ao repertório daquele disco e parece que o mais perto que conseguiram chegar foi anunciado nesta quinta-feira, quando foi revelado o projeto Alquimia Popular Brasileira, que vai trazer o mestre em um show inédito no estádio do Palmeiras no dia 17 de outubro. Não se sabe se será um show único ou se outras datas poderão ser anunciadas. Só dá pra saber que os ingressos começam a ser vendidos entre os dias 25 e 27 de maio. E por mais que tenha “alquimia” no título e que a campanha toque músicas do clássico disco de 1974, na imagem do cartaz Jorge aparece como sempre com sua guitarra elétrica. Em todo caso, imperdível.

Paulo Miklos intérprete

Ao cogitar seu quinto disco solo, Paulo Miklos resolveu atacar de intérprete e transformou a seleção das canções do novo álbum em uma “playlist afetiva” – daí o título Coisas da Vida, pinçado da conhecida faixa de Rita Lee (uma das escolhidas), do álbum que lança nesta sexta-feira. “As escolhas são muito pessoais e elas vêm de diferentes experiências de vida – e de momentos e épocas diferentes também”, explica o eterno titã. “Incluí a primeira música que eu aprendi no violão, a música que cantava no bar Café Teatro A Pulga antes dos Titãs, a música que eu sofri o luto pela perda de um ente querido e assim por diante…”

Para instigar o lançamento, ele liberou o clipe que fez para “Mestre Jonas”, épico prog-bíblico de Sá,Rodrix & Guarabyra em primeira mão para o Trabalho Sujo. “Sinto uma identificação muito grande com ‘Mestre Jonas’”, ele explica falando da escolha da canção. “Estive, e ainda estou, num processo de reconstrução da minha vida e a baleia é aqui o meu apartamento, novo endereço, pra onde, aos poucos, eu trouxe tudo o que é meu. Agora está mais parecido com um lar. Mas não pretendo ficar no isolamento como o Jonas, quero sim, levar pra o mundo esse novo projeto que está lindo demais!”

“Além disso, ‘Mestre Jonas’ sempre me impressionou muito”, continua falando sobre a faixa que abre o disco. “A fúria do órgão e do piano do Zé Rodrix é contagiante! Adoro Sá, Rodrix & Guarabyra! Nunca vi show deles ao vivo, mas fez parte do meu imaginário na adolescência.” Assista ao clipe abaixo, além de ver a capa e as outras músicas que escolheu para seu novo repertório:  

Ninajirachi no Brasil!

Dona de um dos melhores discos do ano passado (a colisão de música eletrônica com hiperpop de I Love My Computer), a produtora australiana Ninajirachi confirmou em um papo em seu canal no Discord que está vindo tocar no Brasil. Não há detalhes de locais e datas, mas estamos esperando…

Olha o Tatá aí…

Tatá Aeroplano acaba de lançar, sem nenhum aviso anterior, mais um disco solo, chamado Lendas e Sol. O disco diverge de seus dois anteriores (Não Dá pra Agarrar, de 2022, e Boate invisível, do ano seguinte) por retomar o clima introspectivo de sua carreira, já que os últimos dois pareciam expurgar o clima pesado da pandemia à base de festa. O novo disco é gravado ao lado de seus cúmplices de sempre – o baterista Bruno Buarque, o baixista e tecladista Dustan Gallas e o guitarrista Junior Boca – e aponta para discos como seu primeiro solo (de 2012) e Delírios Líricos (de 2020), em que ele encarna o bardo da canção e canta a alegria e a tristeza como partes indissociáveis da vida, em canções que descreve “nascidas em quartos de hotel, momentos de calmaria e agitações noturnas”, puxando pra metade “na lucidez” de sua carreira solo, já que os discos anteriores foram do lado “na loucura”. Ainda digerindo por aqui, tá bonito…

Ouça abaixo:  

Verséculos na prática

Verséculos não é apenas o nome do reencontro de André Abujamra e Chicão – que já haviam trabalhado juntos no espetáculo Omindá, do primeiro e sempre se esbarraram pelos bastidores da vida -, mas batiza uma “banda” encarnada pela dupla, que fez sua primeira apresentação nesta terça-feira, no Centro da Terra. Com Chicão ao piano e André entre a guitarra, o atabaque e uma “flauta chinesa da China”, os dois passearam por um repertório majoritariamente composto por músicas de Abujamra – incluindo dois “lados B”, um do Karnak (“Ninguepomaquyde”), que abriu o show, e outro do Mulheres Negras (“Guembô”), exigência de Chicão, fã do grupo desde antes de imaginar que poderia tocar com o então futuro parceiro, nos anos 90. O resto da noite foi tomado por versões delicadas de músicas do Karnak (“Universo Umbigo”, “Estamos Adorando Tóquio”, “Juvenar” e “O Mundo”, que encerrou a apresentação), outras da carreira solo de André (como “O Mar”, a linda “Espelho do Tempo” e “Imaginação”, que ele sempre aproveita para tirar onda com o público) e uma versão em russo fajuto para “Tiro ao Álvaro”, de Adoniran Barbosa. Chicão não trouxe suas próprias composições, mas tirou dois ases da manga: um recital ao piano de uma certa Clarice Leite (que, revelou ao final da música, era a mãe dos irmãos mutantes Arnaldo Baptista e Sérgio Dias) e uma versão brasileira de “River Man”, de Nick Drake, que ousadamente tornou-se “Ri Vermei” e mudou o tom da música, indo da introspecção fatalista para a contemplação universal. Uma noite e tanto – que vivam os Verséculos!

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André Abujamra + Chicão: Verséculos

Maior satisfação receber nesta terça-feira o encontro de duas almas iluminadas pela música no palco do Centro da Terra, quando André Abujamra e Chicão fundem suas trajetórias no espetáculo Verséculos, em que remontam uma lenda pessoal antiga que, em vidas passados, os dois foram gêmeos siameses, que se reencontram como reflexos idênticos para uma missão ousada – eternizar o amor pelo som, sempre completando trechos musicais que cada um deles inicia no que chamam de Música da Eternidade. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos já estão à venda no site do Centro da Terra.

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A hora da Boia

Uma das atrações da próxima edição do festival Chama, a banda campineira Boia comemora seu primeiro aniversário lançando o primeiro EP, gravado ao vivo no estúdio Sincopa, em Campinas, nesta quarta-feira e eles antecipam a faixa que batiza a banda em primeira mão para o Trabalho Sujo. “A ideia era aproveitar a disciplina de Música e Tecnologia, oferecida pela Unicamp, para mostrar o trabalho autoral que vinha sendo realizado pela banda dentro e fora do contexto universitário”, explicam o o baixista Murilo Kushi e o violonista e vocalista Leo Bergamini. “Tivemos 4 horas de estúdio disponibilizadas por essa disciplina, o que é relativamente pouco para a realização de um trabalho extenso, por isso optamos por gravar três faixas ao vivo, ou seja, com todos os integrantes gravando ao mesmo tempo, e para representar a pluralidade estética presente em nosso trabalho, selecionamos composições com sonoridades e influências distintas, cada uma retratando um momento do nosso show”. Esta primeira faixa – que começa contemplativa para logo pegar groove – já dá uma boa ideia do espectro do sexteto, que ainda conta com a voz de Luli Mello – Voz, os sopros de Renato Quirino, a guitarra de Murilo Costa Rosa e a bateria de João Decco. Ouça abaixo:

Ouça abaixo:  

John Carpenter nos quadrinhos!

O mestre do terror John Carpenter dá um passo rumo a uma nova disciplina. Depois de se estabelecer como um dos grandes nomes do cinema e aos poucos conseguir seu espaço como compositor para além da trilha de seus próprios filmes, em discos e apresentações ao vivo que faz ao lado do filho Cody Carpenter e do afilhado Daniel Davies (que também é filho do guitarrista dos Kinks Dave Davies) na guitarra, ele agora entra no mundo dos quadrinhos ao anunciar sua primeira graphic novel. Cathedral (já em pré-venda). Concebida com sua esposa – e parceira criativa de anos – Sandy King, ela conta a história de um assassinato misterioso em uma catedral em Los Angeles e foi desenhada por Federico De Luca e Luis Guaragna, e vem acompanhada de um disco que é a trilha sonora composta por Carpenter para a nova jornada. E pela primeira canção apresentada, “Lord of the Underground”, é a primeira incursão do cineasta ao mundo do heavy metal. Vamos ver se o disco todo, que será lançado no dia 7 de agosto segue essa linha…

Ouça abaixo:  

Lá vem o Maurício Pereira…

Que beleza começar a terça-feira com notícias do Maurício Pereira, que lança o primeiro aceno de seu nono disco, o single “Casamata de Amoreiras”. Composto em parceria com Rômulo Fróes, produzido por Biel Basile que também está na bateria, ao lado de Fábio Sá no baixo, o filho Chico Bernardes e o compadre Tonho Penhasco nas guitarras e Julia Toledo no piano, o novo single abre os trabalhos para o disco que será lançado no final de julho, terá participações de Tim Bernardes (o outro filho de Maurício) e da Charanga do França e é seu primeiro disco de inéditas desde o excelente Outono no Sudeste (de 2008). Chega mais, Maurício!

Ouça abaixo: