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O documentário definitivo sobre Kurt Cobain?

Escrevi sobre o Montage of Heck, o novo documentário sobre Kurt Cobain, lá no meu blog do UOL: http://matias.blogosfera.uol.com.br/2015/03/11/veja-o-trailer-sobre-documentario-que-revela-o-lado-intimo-de-kurt-cobain/

O rock como o conhecíamos acabou quando Kurt Cobain deu um tiro em seus miolos, em 1994. A ascensão do Nirvana foi o curto circuito final entre a indústria fonográfica e o modus operandi faça-você-mesmo vindo do punk rock, algo que havia começado desde os primeiros dias do punk (a trajetória dos Sex Pistols é o melhor exemplo disso) e que resultou na criação do circuito independente (ou “college” ou alternativo ou “indie”) nos Estados Unidos. Kurt, filhote destas duas mitologias, funcionou como um capítulo final para o gênero que já foi sinônimo de transgressão, de rebeldia, de subversão. Depois de sua morte, o rock virou um motivo meramente estético e poucos artistas conseguiram ir além de caricaturas ou homenagens a arquétipos anteriores e o gênero foi se tornando cada vez mais conservador, reacionário, anacrônico e repetitivo. Todo o lado progressista e contestador do rock foi parar em outros gêneros musicais e, principalmente, outras mídias, sobretudo a cultura da internet.

Para entender melhor o que significou o suicídio de Kurt Cobain, o documentarista Brett Morgan passou quase uma década trabalhando em cima de um filme que contasse a história de Kurt antes da fama. Olhando através de sua família, o documentário Kurt Cobain: Montage of Heck, que conta com a filha de Kurt, Frances Bean Cobain, entre seus produtores, tem entrevistas com seus parentes e amigos próximos, que mostram como uma criança feliz virou um adolescente revoltado que tentou sua salvação através do rock – apenas para ser esmagado pela máquina de hype.

O documentário foi sucesso no festival de Sundance desse ano e irá ser exibido pela HBO nos Estados Unidos no dia 4 de maio.

Kurt Cobain

O filme foi exibido no Festival de Berlim deste ano e o UOL conferiu.

Jungle x Mark Ronson

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Ficou massa essa versão que o Jungle (que vai fazer show no Rio e em São Paulo, você sabe) fez pro contagiante hit do Mark Ronson com o Bruno Mars. Não acrescentou nada ao original (ainda imbatível), funcionando mais como uma homenagem que uma releitura.

Vida Fodona #490: Mais um programa, mais novidades

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Eu falei que esse mês vem coisa…

Wire – “Joust & Jostle”
Madonna – “Living for Love”
Racionais MCs – “Você Me Deve”
Thomas Dolby – “She Blinded Me with Science”
Cidadão Instigado – “Contando Estrelas”
Taylor Swift – “Style”
Will Butler – “Take My Side”
Tame Impala – “Let it Happen”
Grimes – “REALiTi”
Young Guv + Jef Barbara – “Wrong Crowd”
All We Are – “Stone”
Tobias Jesso Jr. – “Leaving LA”
Giancarlo Ruffato – “Estrada da Vida”
Vetiver – “Current Carry”
Toro y Moi – “Yeah Right”

Por aqui.

Ouviram o disco novo da Madonna?

rebel-heart

Escrevi sobre o novo disco da Madonna lá no meu blog do UOL, saca só:

Madonna corre riscos e faz de “Rebel Heart” seu melhor disco neste século/

O que Madonna ainda precisa provar? A cantora é um ícone pop da estatura dos Beatles. Ela não apenas desfila um rosário de dezenas de hits que acompanharam o amadurecimento de seus fãs como foi uma das principais agentes sociais da indústria cultural de seu tempo. Quase tudo que apareceu ao mesmo tempo que Madonna – um novo feminismo, a música eletrônica, a cultura gay, os estilhaços da disco music, o mondo fashion – foi catapultado por sua personalidade magnética. Como David Bowie uma década antes, ela homenageou suas influências para reforçar características próprias e criar sua mitologia a partir da superposição de referências. Sua influência atravessa décadas e impõe-se a ícones contemporâneos pesados como Michael Jackson e Prince. Não precisa provar mais nada pra ninguém desde, digamos, a ressaca do livro Sex, no começo dos anos 90.

Ela poderia estar tranquilamente vivendo a vida de magnata pop, fazendo um filme aqui, lançando um livro ali, produzindo uma peça acolá e participando de um outro seriado mais adiante. Poderia ter se aposentado no final dos anos 90 e ainda seria recebida com pompa e reverência por onde pisasse.

Mas ela insiste em dar a cara a tapa. Quer mostrar sua sintonia com o presente se apresentando ao lado dos grandes nomes de seu tempo, sejam produtores, músicos, personalidades pop ou cantores. E como é uma celebridade afeita ao jet-set, ela está sempre no holofote público, lançando músicas, dando entrevistas, aparecendo em eventos do showbusiness. E é vítima da própria superexposição.

E mesmo tendo acertado bons hits nos últimos quinze anos (“American Pie”, “Music”, “Die Another Die”, “Me Against the Music” com a Britney Spears, “Revolver” com Lil Wayne e “4 Minutes”, com Timbaland e Justin Timberlake, entre outros), ela não conseguiu emplacar nenhum grande momento quanto nos primeiros anos de sua carreira, principalmente pelo fato dos discos lançados desde os anos 2000 não se sustentarem como um todo, especialmente os dois últimos, “Hard Candy” (2008) e “MDNA” (2012).

A insistência pelo desafio, no entanto, fez valer em seu recém-lançado “Rebel Heart”. Madonna equilibra-se entre dois polos – baladas introspectivas e hits pra pista – e faz seu melhor disco desde “Ray of Light” (1998). Parte desse trunfo é do norte-americano Diplo, ex-produtor da M.I.A. e o embaixador do funk carioca para o resto do mundo, que acertou na mosca do mercado ao criar o projeto Major Lazer e tornou-se um dos produtores mais requisitados de hoje em dia. Ele não deixou por menos e aproveitou essa oportunidade para estabelecer-se como um dos grandes hitmakers do século.

É ele quem conduz os melhores momentos do disco, hits irresistíveis como o primeiro single “Living for Love”, o reggae-trap “Unapologetic Bitch” e a arrogante e pesada “Bitch I’m Madonna”, que ainda tem a participação de Nicki Minaj. Nesse time dos hits pra pista de dança ainda temos a forçada “Illuminatti” (que parece um arremedo de Lady Gaga, mas funciona), gravada com Kanye West, a grudenta “Iconic”, com Chance the Rapper e Mike Tyson (!), a deliciosa “Holy Water” e a balada “Devil Pray”, acelerada pelo produtor sueco Avicii.

No pré-refrão introspectivo e irresistível desta última, Madonna canta que “podemos usar drogas, fumar maconha, beber uísque, cheirar cola, tomar ecstasy e ácido” mas o que poderia parecer um verso puramente hedonista captura uma tristeza melancólica que fica explícita em faixas a seguir – primeiro na brega “Ghosttown” e depois por outras faixas como “Joan of Arc”, “Heartbreak City”, a quase artesanal “Body Shop”, a dramática “Inside Out”. A versão deluxe do disco aprofunda-se nesse lado em outras tantas faixas introspectivas (“Best Night”, “Messiah”, a faixa-título, “Borrowed Time”) que nos leva a imaginar um disco da Madonna em 2015 que não necessariamente tenha a necessidade de soar como se fosse gravado neste ano.

Se tirarmos as primeiras músicas com Diplo, Chance the Rapper, Kanye West e Avicii, Rebel Heart torna-se o disco que Madonna deveria estar fazendo sem se preocupar. Uma coleção de baladas e canções ensolaradas num híbrido de uma das metades de “Ray of Light” com “Bedtime Stories”, que não precisa abandonar a pista de dança, como ela mostra na autorreferente “Veni Vidi Vici” (gravada com o rapper Nas) e em“Graffiti Heart”, “S.E.X.”, “Addicted” e “Beautiful Scars”, todas da versão deluxe do disco.

Há uma fórmula segura que ela poderia seguir sem precisar tomar os tombos que tomou nos dois discos anteriores. Ela não precisa provar mais nada, mas faz questão de viver no risco, de estar do meio de todos e não se contenta em ficar no altar. Foi isso que arruinou “Hard Candy” e “MDNA”, mas felizmente desta vez os riscos valeram a pena. Pelo menos quatro faixas (“Living for Love”, “Unapologetic Bitch” “Bitch I’m Madonna” e “Holy Water”) já podem figurar na tradicional coletânea que a cantora sempre faz ao final da década, além de compor a coroa de joias de um disco com poucos pontos baixos. É fácil fácil o melhor disco de Madonna deste século.