
O Picles ficou pequeno nesta sexta-feira quando reuni duas bandas intensas e novíssimas em mais uma edição do Inferninho Trabalho Sujo. Shows distintos de duas bandas que estão em momentos parecidos de suas carreiras, mas em vidas paralelas ao vivo. Enquanto o Nigéria Futebol Clube está vindo num crescendo de shows épicos, a Tubo de Ensaio fez o primeiro show em meses, hiato em que eles têm se dedicado a pensar no próximo álbum, o sucessor de Endofloema que lançaram no ano passado. Assim, trouxeram vários fãs para reencontrá-los ao vivo com toda a psicodelia prog que está em seu DNA. Além da energia contagiante do grupo, dos tempos quebrados e jogos de vocais e da forte influência do jazz, a Tubo ainda se dá ao luxo de meter eletrônica com synths caseiros que eles mesmos fazem – e que poderiam ter mais presença! O show ainda trouxe música inédita e no bis chamaram Bernardo Puyol para cantar a canção que ele compôs com a banda, “Taioba”. Bom demais!
Depois foi a vez do Nigéria Futebol Clube seguir sua escalada de shows fodas na primeira apresentação que fizeram no Picles. E, como têm feito, eles pegaram todo mundo de surpresa. Além de ter colocado a banda Vinco para dividir o palco com eles, foram montando o show músico a músico, fazendo com que cada um dos nove participantes da noite entrassem no palco à medida em que iam construindo um groove só – mecânico e hipnótico – com duas guitarras, duas baterias, baixo, teclado, flautas e vocais. Um atordoo sonoro que deixou a casa abarrotada de gente em êxtase, clamando pelo grupo aos gritos. Dois shows fodaços que marcaram a sexta, que terminou com eu e a Fran fazendo todo mundo dançar até alta madrugada.
#inferninhotrabalhosujo #tubodeensaio #nigeriafutebolclube #picles #noitestrabalhosujo #trabalhosujo2026shows 026 e 027

Uma segunda de Carnaval tão improvável quanto insana – assim foi o Inferninho Trabalho Sujo na Porta Maldita, quando reunimos duas amostras da melhor nova fritação musical paulistana atualmente. A noite começou com o prog jazz do Besta Fera, que reúne dois integrantes da Mee – o guitarrista Arthur Sardinha e o baterista João Pedro Dentello – ao tecladista André Damião e ao baixista absurdo Tom dos Reis, encontrando uma incerta encruzilhada instrumental entre o jazz funk, o prog metal e o fusion, com tempos quebrados e timbres pesados. E pensar que era só o começo da noite…
Depois veio o sexteto Pé de Vento, segundo show do baixista Tom dos Reis na noite, quando ele tocou ao lado do baterista Tommy Coelho, desta vez tocando guitarra, do impressionante Antonio Ito na batera, do ás das teclas Pedro Abujamra, o violão preciso de Arthur Scarpini e os sopros – e o carisma irrefreável – de Leonardo Ryo. Jazz brasileiro com “a” aberto e “j” maiúsculo, o grupo passeia por composições instrumentais próprias que abrem solos maravilhosos para todos seus integrantes, que comportam-se ainda mais afiados quando atacam ao mesmo tempo. Além dos próprios temas, o grupo ainda passeou por suas já conhecidas versões para Arthur Verocai (“Dedicada a Ela”) e Milton Nascimento (“Vera Cruz”), além de voltar com “Cissy Strut”, dos Meters, no bis. Absurdo!
#inferninhotrabalhosujo #bestafera #pedevento #aportamaldita #noitestrabalhosujo #trabalhosujo2026shows 024 e 025

Chegou o sábado de Carnaval e com ele a Desaniversário deste mês! Vamos se acabar de dançar com muita música brasileira no Bubu, que fica na marquise do estádio do Pacaembu (Praça Charles Miller, s/nº), a partir das 19h. Mas chega cedo que a festa também acaba cedo e vai só até a meia-noite. Vem dançar com a gente!

A primeira edição do Inferninho Trabalho Sujo no Picles em 2026 começou com um show assertivo de Leon Gurfein, que cada vez mais toma conta do percurso que está disposto a recorrer, seja com suas canções próprias, tocando guitarra e baixo ou músicas alheias. Acompanhado do guitarrista Marcos M7i9 (que depois seguiria no palco acompanhando Lauiz) e do beatmaker Charles Tixier, Leon derramou sua carga dramática em canções “Escândalo” imortalizada por Ângela Ro Ro, “Little Trouble Girl” do encontro de Kim Deal e Kim Gordon no Sonic Youth em uma versão em castelhano, a argentina “Viento Helado” da líder da banda Suárez Rosario Bléfari e até David Lynch, quando cantou “In Heaven (Lady in the Radiator Song)” do filme Eraserhead para encerrar sua apresentação, seu melhor show até aqui.
Depois foi a vez de Lauiz assumir o palco do Picles e pela primeira vez fazer um show tocando guitarra, apontando os rumos para seu próximo álbum, inevitavelmente mais rock. Mais uma vez tocando ao lado da cozinha do Celacanto (Giovanni Lenti na bateria e Matheus Costa no baixo) e do eterno compadre Marcos M7i9, que havia acabado de tocar com Leon Gurfein e se revezava entre os eletrônicos e a guitarra. Além de tocar músicas antigas (cantadas a plenos pulmões por seus fãs enlouquecidos), Lauiz preferiu mostrar algumas novas e exibir-se na guitarra, chegando até a usar um slide para deixar o som mais Estados Unidos, como foi a tônica da noite. Que encerrou com outra música do mesmo país, quando resolveu encarnar os White Stripes na clássica “Fell in Love With a Girl”. Depois coube a mim e a Fran a segurar uma pista de quinta até quatro e pouco da manhã, mas o que não é uma festa em janeiro, né?
#inferninhotrabalhosujo #leongurfein #lauiz #picles #noitestrabalhosujo #trabalhosujo2026shows 008 e 009

Não para, não para, não para! Nesta quinta-feira tem mais uma edição do @inferninhotrabalhosujo, a primeira de 2026 no querido Picles, que quando trago dois shows daqueles: estreando no palco da casa e da festa vem o drama pop performático de Leon Gurfein, seguido de uma apresentação experimental do programador dos Pelados Lauiz, que mostrará novas músicas! O Picles fica no número 1838 da Cardeal Arcoverde, no canteiro de obras chamado Pinheiros, e a festa começa às 20h – quem pegar o ingresso online não paga pra entrar se chegar antes das 21h30. Os shows começam às 22h! E depois, eu assumo a discotecagem da noite ao lado da querida Francesca Ribeiro. Vai ser daquele jeito, vamos lá!

O primeiro Inferninho Trabalho Sujo de 2026 acontece no dia 23 de janeiro, quando, em mais uma noite na Porta Maldita, reunimos as bandas Infinito Latente, Schlop e Turmallina para esquentar a sexta-feira da próxima semana apontando os nomes que estão formando a nova cena independente nos anos 20. A Porta Maldita fica na rua Luís Murat, 400, entre os bairros de Pinheiros e Vila Madalena e abre a partir das 20h. Os ingressos já estão à venda e eu toco entre os shows de cada banda. Vamo lá que o ano tá só começando…

Aproveito a primeira Desaniversário de 2026 para comemorar meu aniversário em São Paulo, já que estava no Ceará quando entrei na 51ª casa do tabuleiro. Por isso espero todos no Bubu para me dar um abraço quando, mais uma vez, me reúno à Camila, à Clarice e ao Claudinho pra esquentar aquela pista de dança que fazemos todo mês ali na marquise do estádio do Pacaembu. O Bubu fica na Praça Charles Miller, s/nº, e lembro que a festa começa cedo – às 19h – e acaba cedo também – à meia-noite – pra gente aproveitar o fim de semana direitinho. Vem dançar com a gente!

Encerrando a programação de 2025 do Inferninho Trabalho Sujo pegando fogo, com duas bandas novíssimas no Redoma apontando para um 2026 que promete! A noite começou com o sexteto instrumental Pé de Vento, que começou a tocar há pouco mais de um ano em uma pizzaria clássicos do jazz brasileiro e que há menos tempo ainda passou a compor as próprias músicas, apresentadas num primeiro show apenas autoral nesta sexta-feira. São jovens cobras em seus instrumentos que tocam em outros grupos: o tecladista Pedro Abujamra toca na Orfeu Menino ao lado de Tommy Coelho, que deixa a bateria para tocar guitarra e percussão, enquanto Antônio Ito, da Saravá, segura o groove da banda, acompanhado do baixista Tom dos Reis, do saxofonista e flautista Leonardo Ryo e do novo integrante Arthur Scarpini, no violão. O encontro feroz dos músicos mostra que o jazz à brasileira segue à toda nas novas geraçõe e além das próprias composições, o grupo encerrou a noite com dois standards do gênero, “Dedicada a Ela” do Arthur Verocai e “Vera Cruz” de Milton Nascimento, ambas em versão instrumental. Coisa fina.
Depois foi a vez de uma banda ainda mais nova, formada neste semestre, a Monolitos, encerrar a noite, mostrando uma amplitude de gêneros que também passa pelo jazz brasileiro, mas com foco maior no cancioneiro típico da MPB, no soul, na psicodelia e no rock nacional, bebendo tanto dos anos 70 e 80 quanto de contemporâneos do novo indie daqui. Igualmente formada por integrantes de outras bandas da nova geração, a banda conta com a vocalista Bru Cecci toca no Devolta ao Léu e o baixista Roberth Nelson também toca na Saravá, além da presença do tecladista Miguel Marques, do baterista Gui Dias e Arthur Jé na guitarra, que divide os vocais e as composições com Bru. E além de suas próprias composições, que também passeiam por gêneros tradicionais brasileiros, como baiões e forrós, encerraram a noite evocando a fase prog dos Mutantes ao tocar “Uma Pessoa Só” no bis.
#inferninhotrabalhosujo #pedevento #monolitos #redoma #noitestrabalhosujo #trabalhosujo2025shows 282 e 283

O último Inferninho Trabalho Sujo do ano acontece nessa sexta-feira, dia 12 de dezembro, quando reúno duas bandas novíssimas para apresentar-se pela primeira vez na festa. A primeira delas é a instrumental Pé de Vento, ancorada no jazz brasileiro dos anos 70 e com integrantes das bandas Orfeu Menino e Saravá, que tocará suas músicas autorais pela primeira vez na festa. Depois é a vez de outra banda formada por integrantes de bandas que já passaram pelo palco do Redoma (como a própria Saravá e a Devolta ao Léu), quando recebemos pela primeira vez um dos primeiros shows da banda Monolitos. O Redoma fica no número 825-A da rua Treze de Maio, no Bixiga, a casa abre às 21h e a partir das 22h começam os shows. Os ingressos já estão à venda!

“Não há nada mais bonito do que ser independente” – citando (e tocando) Sérgio Sampaio os Garotas Suecas começaram a gravação de seu disco ao vivo nesta quinta-feira, quando passaram mais de vinte músicas em pouco mais de uma hora e meia no palco personalizado do Porta Maldita, que recebe o quarteto em duas datas para a gravação do disco que comemora duas décadas de atividade, sempre no meio independente. Visitando canções de diferentes álbuns, com direito a um punhado de versões de músicas alheias que fizeram neste mesmo período, além da já citada “Sinceramente”, que abriu a noite. É muito bom ver o entrosamento da banda, cujos músicos só se olham para confirmar sua dinâmica instrumental, azeitadíssima para essa apresentação. Falando pouco com o público, deixaram a música falar por si e tal entrosamento logo conquistou todos os presentes, com canções que bebem tanto da história da MPB como de joias da soul music, clássicos da história do rock e pérolas do rock brasileiro. E além de faixas de seus quatro álbuns, eles ainda passearam pelo Ronnie Von psicodélico (“Sílvia 20 Horas Domingo”), pela Gal tropicalista (“Vou Recomeçar”), pelo rock de garagem (com “I Can Only Give You Everything” do Them e a versão brasileira para “Psychotic Reaction” dos Count Five, que virou “Caminho de Dor”), pelo soul de Luiz Melodia (“Pra Aquietar”), de Tim Maia (“Não Vou Ficar”) e de Aretha Franklin (“Respect”). Mas essas versões eram mais uma zona de conforto para a banda relaxar e entregar tudo em suas músicas autorais, passando por músicas dos primeiros anos (como “Eu”, “Não Se Perca Por Aí”, “Banho de Bucha”, “Codinome Dinamite”), outras de seu ótimo Feras Bucólicas (como minhas favoritas “New Country”, “Bucolismo” e “Pode Acontecer”), de sua fase de transição (“Objeto Opaco”, “Me Erra” e “Ananás”) e do disco pós-pandemia (“Gentrificação” e “Não Tá Tudo Bem”). Mas o melhor era ver como o grupo se divertia enquanto voltava na própria história. Showzaço que deve se tornar um discaço – e sexta-feira tem mais, pra quem perdeu.
#garotassuecas #garotassuecas20anos #aportamaldita #trabalhosujo2025shows 281