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Tudo em família

Começamos o ano tranquilos no Centro da Terra tocados com o belo espetáculo familiar que os irmãos Ná e Marco Ozzetti puderam nos proporcionar nesta primeira segunda-feira de fevereiro. Antecipando Música na Poesia, disco que lançarão no final deste mês que partiu da intenção de Marco em musicar a poesia da baiana Simone Bacelar que foi abraçada pela irmã Ná. Foi ela que montou a banda formada pela sobrinha Thata Ozzetti, filha de outro irmão, Dante, que também estava na plateia, na percussão e pelo baixista Xantilee Jesus, que a própria Ná se referiu como família devido ao tempo que trabalham juntos – citando o contrabaixo de “Nós”, segunda música de seu primeiro disco solo, lançado em 1988. Juntos passearam por um repertório em que a voz de Ná e o violão de Marco ecovam a musicalidade brasileira de um século atrás, quando nossa música começou a se movimentar pelas ondas do rádio. A apresentação ainda contou com mais familiares no percurso, quando a cantora Mariana Furquim e a percussionista Luana Ozzetti, que tocou lindamente cuíca em uma música, as duas filhas de Marco, deixando o clima desta primeira apresentação do ano ainda mais confortável e aconchegante.

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Ná Ozzetti + Marco Ozzetti: Música na Poesia

Nesta primeira segunda de fevereiro damos início ao oitavo ano da curadoria de música no Centro da Terra e Ná Ozzetti foi a convidada para abrir essa nova série de apresentações, quando vem ao lado de seu irmão Marco Ozzetti celebrar a poesia de Simone Bacelar em canções que estarão no primeiro disco que lançarão juntos, ainda este ano, chamado de Música na Poesia. O espetáculo ainda conta com as participações de Thata Ozzetti na percussão e Xantilee no contrabaixo ,mantendo a mesma formação que registrou o futuro disco. A apresentação começa pontualmente às 20h e os ingressos podem ser comprados pelo site do Centro da Terra.

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Centro da Terra: Fevereiro de 2026

Prontos para retomar as atividades musicais no Centro da Terra? Em fevereiro fazemos o já tradicional mês sem temporada – pois uma das segundas-feiras é de Carnaval – e reunimos seis apresentações inéditas para dar o tom do ano que estamos preparando. O mês começa na primeira segunda-feira, dia 2, quando a querida Ná Ozzetti junta-se ao seu irmão Marco Ozzetti antecipando o lançamento deste último, mostrando as canções do disco Música na Poesia, em que musicam poemas de Simone Bacelar, no espetáculo de mesmo nome. No dia seguinte, a terça dia 3, Carla Boregas e Maurício Takara mais uma vez começam o ano no palco do teatro desta vez com convidados, chamando Marcelo Cabral, Juliana Perdigão e Philip Somervell na apresentação Par Expandido. Na segunda segunda-feira do mês, dia 9, o capixaba Juliano Gauche vem ao teatro mais uma vez testar ao vivo músicas de seu próximo álbum, A Balada do Bicho de Luz, em que explora uma sonoridade mais rock e psicodélica em canções inéditas. No dia seguinte, na terça dia 10, é a vez da brasiliense Paola Lappicy mostrar as músicas de seu próximo trabalho, o disco Coisas Que Eu Quis Te Dizer Antes de Tudo Acabar, em que flerta com a música eletrônica ao lado do produtor Vortex Beat. Na segunda-feira após o Carnaval , dia 24, é a vez do gaúcho Pedro Pastoriz mostrar suas novidades em primeira mão no show Bafinho Quente ao lado de novos parceiros musicais. Na última terça-feira do mês, dia 25, quem estreia no palco do Centro da Terra é a cantora Fernanda Ouro, que mostra o espetáculo que está preparando em homenagem à Clara Nunes, chamado de A Deusa dos Orixás. Os espetáculos começam sempre pontualmente às 20h, os ingressos já estão à venda através do site do Centro da Terra e a partir deste ano criamos uma forma de apoiar o teatro que garante meia entrada em todas apresentações (visite o site para descobrir como apoiar nosso trabalho).

Os 50 discos brasileiros mais importantes de 2024 segundo júri da Associação Paulista dos Críticos de Arte

Nesta segunda-feira, a Associação Paulista de Críticos de Arte reúne-se mais uma vez para escolher os grandes nomes do ano que passou e esta relação abaixo lista os 50 discos mais importantes de 2024 de acordo com o júri de música popular da Associação, da qual faço parte ao lado de Adriana de Barros (Mistura Cultural), Bruno Capelas (Programa de Indie), Camilo Rocha (Bate Estaca), Cleber Facchi (Música Instantânea), Felipe Machado (Times Brasil), Guilherme Werneck (Canal Meio), José Norberto Flesch (Canal do Flesch), Marcelo Costa (Scream & Yell), Pedro Antunes (Tem um Gato na Minha Vitrola) e Pérola Mathias (Poro Aberto).

Adorável Clichê – Sonhos Que Nunca Morrem
Alaíde Costa – E o Tempo Agora Quer Voar
Amaro Freitas – Y’Y
Bebé – Salve-se!
Black Pantera – Perpétuo
Bonifrate – Dragão Volante
Boogarins – Bacuri
Cátia de França – No Rastro de Catarina
Caxtrinho – Queda Livre
Céu – Novela
Chico Bernardes – Outros Fios
Chico César e Zeca Baleiro – Ao Arrepio da Lei
Crizin da Z.O. – Acelero
Curumin – Pedra de Selva
Duda Beat – Tara e Tal
Exclusive Os Cabides – Coisas Estranhas
Febem – Abaixo do Radar
Fresno – Eu Nunca Fui Embora
Giovani Cidreira – Carnaval Eu Chego Lá
Gueersh – Interferências na Fazendinha
Hermeto Pascoal – Pra você, Ilza
Ilessi – Atlântico Negro
Josyara – Mandinga Multiplicação – Josyara Canta Timbalada
Junio Barreto – O Sol e o Sal do Suor
Kamau – Documentário
Lauiz – Perigo Imediato
Luiza Brina – Prece
Maria Beraldo – Colinho
Milton Nascimento & Esperanza Spalding – Milton + Esperanza
Ná Ozzetti e Luiz Tatit – De Lua
Nando Reis – Uma Estrela Misteriosa
Negro Leo – RELA
Nina Maia – Inteira
Nomade Orquestra – Terceiro Mundo
Oruã – Passe
Papangu – Lampião Rei
Paula Cavalciuk – Pangeia
Pluma – Não Leve a Mal
Pullovers – Vida Vale a Pena?
Samuel Rosa – Rosa
Selton – Gringo Vol. 1
Sergio Krakowski Trio e Jards Macalé – Mascarada: Zé Kéti
Silvia Machete – Invisible Woman
Sofia Freire – Ponta da Língua
Tássia Reis – Topo da Minha Cabeça
Taxidermia – Vera Cruz Island
Teto Preto – Fala
Thalin, Cravinhos, Pirlo, iloveyoulangelo & VCR Slim – Maria Esmeralda
Thiago França – Canhoto de Pé
Zé Manoel – Coral

Os 25 melhores discos do primeiro semestre de 2024 segundo a comissão de música popular da APCA

Terça passada aconteceu mais uma premiação da Associação Paulista dos Críticos de Arte (desta vez transmitida online, dá pra conferir aqui) e esta semana a comissão de música popular da APCA, da qual faço parte ao lado de Adriana de Barros (TV Cultura), Bruno Capelas (Programa de Indie), Camilo Rocha (Bate Estaca), Cleber Facchi (Música Instantânea), Felipe Machado (Istoé), Guilherme Werneck (Meio e Ladrilho Hidráulico), José Norberto Flesch (Canal do Flesch), Marcelo Costa (Scream & Yell), Pedro Antunes (Estadão e Tem um Gato na Minha Vitrola) e Pérola Mathias (Poro Aberto), escolheu os 25 melhores discos do primeiro semestre deste ano. Uma boa e ampla seleção que não contou com alguns dos meus discos favoritos do ano (afinal, é uma democracia, todos têm voto), mas acaba sendo uma boa amostra do que foi lançado neste início de 2024. E pra você, qual ficou faltando?

Confira abaixo os indicados:  

Dez anos de Quartabê

Seria só o show de lançamento de um EP, mas o Quartabê aproveitou para transformar a apresentação dessa sexta-feira no Sesc Vila Mariana em um espetáculo celebrando sua primeira década, numa sessão de tirar o fôlego. A primeira parte da noite foi baseada em Repescagem, disco que lançaram há pouco e que funciona como um complemento do álbum de 2018, que celebra a obra do mestre Caymmi e a primeira surpresa da noite surgiu logo que as cortinas se abriram, revelando apenas as silhuetas de suas integrantes, todas empunhando um violão, que não é o instrumento de nenhuma delas – e sim de Dorival. Aos poucos, cada um desceu da bancada em que começaram a brincar com o instrumento-base da música brasileira e tomou seus lugares à frente de suas ferramentas musicais: Chicão entre teclados e piano de cauda, Maria Beraldo e Joana Queiroz entre saxes, clarinetes e clarones e Mariá Portugal pilotando sua bateria. E assim começamos a colocar os pés na praia do baiano, envoltos pelo transe instrumental conduzido pelas quatro. A próxima surpresa veio como um voz do além, quando outra silhueta surgiu atrás do grupo – era a primeira convidada da noite, Ná Ozzetti, improvisando antes de sua entrada formal, quando participou da música que canta no recém-lançado EP, “Maricotinha”, esta misturada com “Batuque no Morro”, de Herivelto Martins, uma favorita do saudoso Zé Celso Martinez Correa, que o grupo homenageou nesta inclusão, como Chicão explicou. Depois foi a vez de receber a antiga integrante Ana Karina Sebastião e seu contrabaixo elétrico parecia nunca ter saído da banda, quando visitaram o autor homenageado do disco que gravaram quando a carioca integrava o grupo, Li​ç​ã​o #1: Moacir, em homenagem a Moacir Santos. A musicalidade e o carisma da segunda convidada engrossou ainda mais o caldo da noite e o público, boquiaberto, assistia em silêncio tanto os momentos mais intensos quanto os mais silenciosos, transformando a celebração da primeira década da banda em uma festa para os ouvidos – e olhos, este graças à integrante honorária do grupo, a iluminadora Olivia Munhoz, que brilhou mais do que o normal, como é quando apresenta-se com o grupo. “A gente faz uma linda trilha pra luz da Olivia”, brincou Beraldo, ao apresentar o time que faz o show e não estava no palco. A noite terminou com nova participação de Ná Ozzetti, quando as quatro voltaram à bancada de trás do palco com os violões, a luz destacou suas silhuetas e pudemos ver a participação sensível da cantora veterana que, na segunda volta ao palco, apenas dançou – lindamente. Fácil fácil um dos melhores shows do ano.

Assista abaixo:  

Corpo de todos

Finalmente Guilherme Held pode lançar seu Corpo Nós devidamente no palco. Fora parcas aparições com uma banda reduzida em que pode mostrar músicas de seu disco primeiro solo lançado em 2020, um dos grandes nomes da guitarra elétrica de sua geração debutou seu álbum como se deve, nesta quinta-feira, no Sesc Pompeia. Puxando uma banda formada por Fábio Sá (baixo), Sergio Machado (bateria), Rômulo Nardes (percussão), Cuca Ferreira (sax), Allan Abadia (trombone) e Dustan Gallas (teclados), Held ainda contou com as presenças de quatro vocalistas para representar os inúmeros convidados que recebeu em seu disco – e um time considerável, com Ná Ozzetti, Iara Rennó, Marcelo Pretto e o diretor artístico do álbum, Rômulo Fróes -, podendo finalmente considerar seu disco efetivamente lançado numa apresentação cheia de músicos na platéia. Foi demais.

Assista aqui.  

Em nome de Vadico

Deslumbrante a última apresentação da temporada de Ná Ozzetti no Centro da Terra, quando ela se juntou ao violonista e pesquisador Franco Galvão para debruçar-se – e deslizar – sobre a obra de Oswaldo Gogliano, que todos conhecemos por Vadico. Eterno parceiro de Noel Rosa, Vadico é objeto de estudo de Galvão, que está prestes a gravar um disco triplo dedicado ao legado do mestre sambista, incluindo versões para arranjos que o autor escreveu quando estava em turnê pelos Estados Unidos com Carmen Miranda. O espetáculo de voz e violão foi concebido e arranjado pelo violonista, que também abriu um site dedicado ao mestre (vadicogogliano.com/), e passeava por diferentes facetas do compositor, todas conduzidas pela voz angelical de Ná, que aproveitou algumas canções para continuar dançando, atividade que vem desfilando em sua conta no Instagram e que materializou-se no palco nesta temporada do Centro da Terra. Siga a dança, Ná!

Assista aqui.  

Canto doce

Mais uma noite com Ná Ozzetti no Centro da Terra e a viagem desta segunda-feira foi entre voz e sopro, com a cantora sendo conduzida pelos saxes e clarinetes de Fernando Sagawa. Juntos, desbravaram canções de Tom Zé, Beatles, Hermínio Bello de Carvalho, Déa Trancoso, Chico Buarque e Geraldo Filme e Luiz Tatit – Fernando superpondo seus sopros com arranjos minimalistas e a voz resplandecente de Ná abrindo luzes claras na escuridão do teatro. Muita doçura pra uma noite só.

Assista aqui.  

Salto no escuro

Na segunda segunda-feira de sua temporada no Centro da Terra, Ná Ozzetti abraçou o desconhecido. Amparada pelo contrabaixo acústico de Marcelo Cabral, ela deixou o território que lhe é mais familiar – a canção – para dar um salto no escuro a partir de superpoderes que nunca haviam sido exibidos no palco: ela entrou na apresentação dançando e pouco depois sentou-se ao piano para cantar suas composições, inclusive uma inédita composta com Romulo Fróes. Tanto a dança quanto o piano já fazem parte da rotina de Ná, mas foi a primeira vez que ela mostrou-se assim ao vivo, com o músico e arranjador servindo de base e estímulo. E assim aos poucos ela foi entrando no território do improviso livre, que não faz parte de seu repertório, mas que pode ser desbravado numa nova fase de sua carreira. Tratando toda a apresentação como uma longa peça musical, a dupla encantou o público do Centro da Terra numa apresentação emocionante – e até Cabral soltou a voz, cantando suas próprias canções. Uma noite única – quem foi sabe.

Assista aqui.