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Valendo, Danislau!

Valendo! Danislau começou a colocar sua carreira solo em público nesta terça-feira, quando mostrou, pela primeira vez para além de seu círculo de amigos, as músicas que formarão seu disco de estreia para além de sua banda original, Porcas Borboletas. Ele bolou um repertório composto por letras faladas e refrães cantados em coro e o executou com uma bandaça para acompanhá-lo, formada pelo produtor do disco Arthur Kunz na bateria, o baixista Gabriel “Bubu” Mayall, o guitarrista aMoita Mattos e o tecladista Wagner Bernardes. Ao seu lado, por quase todo o show, Bruna Lucchesi fazia as vezes dos vocais de apoio, cantados depois que Danislau encarnava um Fausto Fawcett otimista, mesmo quando estava cantando sobre os perrengues da vida. O show ainda contou com uma participação impagável de Juliana Perdigão – com quem o protagonista dividiu um diálogo carnavalesco -, outra romântica de seu companheiro de Porcas Enzo Banzo e um momento introspectivo com o cineasta Filipe Franco na guitarra, materializando o sonho conversado com o qual Danislau tem trabalhado desde o fim do ano passado. Agora é esperar pelo lançamento do disco, que será no ano que vem!

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Cabeça Dinossauro vivo!

Juliana Perdigão se propôs um senhor desafio – recriar o Cabeça Dinossauro dos Titãs em seu aniversário de 40 anos, materializado neste fim de semana no palco do Sesc 14 Bis. Reuniu um grupo de malucos pela música e pelo trabalho do ex-octeto paulistano que era um verdadeiro ataque aos sentidos. A banda formada por Alana Ananias (bateria), Mari Crestani (baixo), Moita Mattos e Vitor Wutzki (guitarras), Chicão (teclados) e Barulhista (eletrônicos) era encabeçada por Danislau (do Porcas Borboletas), Jonnata Doll, Sophia Chablau e a própria Juliana, que além dos vocais e de dirigir o show, batizado de Urro!, também desdobrava-se entre seus instrumentos de sopro. Tocada na ordem original do disco (como todo show em homenagem a um álbum deveria se prezar), a apresentação começou com a faixa-título abrindo a noite com um solo de bateria, que foi sendo incorporado lentamente pela banda até que os vocalistas entraram com os pedestais dos microfones erguidos como tacapes, repetindo o mantra agressivo da música de abertura que, sem pausas, foi emendada com a dadaísta “AA-UU”. Sem conversas com o público, o show seguiu emendando as músicas do disco, mantendo o clima austero e brutal e o recondicionando para 2026, com interferências de vanguarda que os Titãs não fizeram em 1986, mas que faziam parte de seu universo sonoro e artístico, como os solos de sola de sapato de Jonnata Doll antes de uma versão esticada para “A Face do Destruidor”, as interferências sonoras de Barulhista no início de “Polícia” ou “Família” deixar de ser um reggae. A movimentação do grupo no palco conversava diretamente com a performance da banda na época do disco (I was there…) e a luz forte de Olívia Munhoz – com o vermelho mais pesado que já vi num palco e o contraponto de cores intensas – inverteu o preto e branco da arte do disco para um universo visual gritante, que só aumentou a importância desta noite. E num Brasil em que ninguém lembra de “Bichos Escrotos” (não é bizarro isso?), esse show é urgente.

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