Massive Attack ♥ Tom Waits

Eis um trecho de “The Fly”, faixa falada por Tom Waits que virá no lado B da versão em vinil da recém-lançada colaboração do mestre com o grupo Massive Attack, “Boots to the Ground“.

Eis um trecho de “The Fly”, faixa falada por Tom Waits que virá no lado B da versão em vinil da recém-lançada colaboração do mestre com o grupo Massive Attack, “Boots to the Ground“.

Lançada dias após a prisão em Londres de um de seus líderes por protestar contra o genocídio na Palestina, “Boots on the Ground”, a nova canção do grupo Massive Attack coincide em ser a primeira canção inédita de Tom Waits em quinze anos. “Um dia, há muitos anos, aceitei o convite do Massive Attack para colaborar”, escreveu Waits sobre o lançamento do single. “O longo atraso no lançamento nunca me preocupou. Hoje, como em toda a história da humanidade, é garantido que esse tipo de música nunca sairá de moda e que a tolice humana de cometer fracassos é um banquete para as moscas”, explicou antecipando que o grupo inglês ainda lançará o single em vinil com outra música, chamada “The Fly”, como seu lado B. O clipe ainda traz uma série de imagens maravilhosas do fotógrafo estadunidense @thefinaleye, que vem cobrindo protestos em seu país desde o assassinato de George Floyd aos protestos contra a milícia de Trump contra os imigrantes daquele país, mostrando que, mesmo que as tensões políticas do mundo pareçam pairar sobre a Europa, a América Latina, os países árabes e a Ásia Central, o pau anda comendo nos Estados Unidos há muito tempo… Detalhe: a música não está no Spotify.

Imagina essa dupla! Não precisa imaginar pois nesta quinta-feira surge “Boots on the Ground”, primeira faixa do Massive Attack desde que lançaram o EP Eutopia em 2020 e a primeira gravação de Waits em estúdio desde que este gravou uma versão da canção tradicional antifascista “Bella Ciao” com Marc Ribot, em 2018. Há quem suspeite do início da divulgação de um disco novo do grupo de Bristol, algo que estamos precisando em 2026…

O show do Massive Attack segue reverberando por aqui, mas levanto algumas questões que ficaram na minha cabeça desde o início da apresentação. Horace Andy, teorias da conspiração, Elizabeth Fraser, Deborah Miller, crise climática, This Mortal Coil, paranoia, Adam Curtis, dubzêra sinistra, Avicii, Ultravox, camadas de guitarra, Tim Buckley, os irmãos Cavalera tocando Chaos A.D., indígenas no palco, aquela bandeira do One Piece, o telão absurdo, o reconhecimento facial ativado na plateia, o som pesado, sutileza e intensidade na mesma medida… Tanta informação em tão pouco tempo, não tinha como não sair atordoado. Mas primeiro discorro sobre esse ataque aos sentidos que foi contrapor o show às imagens do documentarista Adam Curtis, um dos nomes mais importantes da cultura atualmente, que só por ter se associado ao grupo inglês vai felizmente ter um alcance ainda maior de sua obra (minhas dicas: The Century of the Self, All Watched Over by Machines of Loving Grace, HyperNormalisation e Can’t Get You Out of My Head). Sim, as questões levantadas durante o show são urgentes, mas me incomodava – e não sei se o intuito era esse – que o excesso de informações às vezes não conversava com as canções, fazendo parecer que estávamos assistindo a duas obras justapostas, não casadas (como quando Benjamin Netanyahu apareceu no telão quando Liz Fraser cantava, fazendo o público vaiar o telão num momento musical sublime). Mas quando o casamento acontecia era absurdo – e tivemos ótimos exemplos já no início do show, quando ligaram o reconhecimento facial fake sobre o público quando Horace Andy entrou, na dobradinha “Black Milk” e “Take it There”, na versão para a música do Ultravox e em “Song to the Siren”. O excesso de informação também foi o responsável por deixar todos extasiados ao final do show, estratégia conhecida no jornalismo sensacionalista e nas redes sociais, muito bem apropriada pelo grupo, mas por vezes parecia exagerada e excessiva. Felizmente desligaram a máquina de propaganda em momentos únicos, como quando Andy cantou “Angel”, Denise Miller assumiu os vocais de “Unfinished Sympathy” e Elizabeth Fraser encerrou o show com “Teardrop”. Também me incomodou a distância entre a abertura dos irmãos Cavalera e as mensagens das lideranças indígenas do resto da apresentação do grupo, que pareceram entrar apenas como referências, sem interferir no show principal. Entendo a dificuldade em manobrar um transatlântico desses, mas imagina se víssemos um ritual indígena no meio desse show? Ou se Iggor e Max pudessem entrar naquela intensidade sonora? Se saímos de lá achando esse show foda, imagina se ele pudesse ter esses elementos brasileiros no centro, não apenas nas bordas? Certamente repercutiria no mundo todo, não apenas no Brasil.
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Que tal uma boa notícia? O que suspeitávamos foi confirmado neste domingo, quando o grupo Massive Attack apresentou-se no festival Music Wins! em Buenos Aires: a banda incluiu tanto a diva Elizabeth Fraser quanto o mago Horace Andy entre os integrantes de sua banda. Ela é mais conhecida como a voz angelical que deixava todos os fãs de Cocteau Twins flutuando acima do show com seu timbre mágico e ele é uma das vozes mais clássicas da era de ouro da música jamaicana, sendo lançado pelo capo do mítico Studio One, Coxsone Dodd. Ambos entrelaçaram suas biografias musicais ao Massive Attack em sua obra-prima de 1998, Andy cantando pedradas como “Angel”, “Man Next Door” e a versão com letra de “(Exchange)”, Liz encantando em joias como “Black Milk”, “Group 4” e, claro, “Teardrop”, três delas cantadas em Buenos Aires. Andy canta apenas “Angel” daquele disco, mas também compareceu cantando “Girl I Love You”, mas a senhorita Fraser foi bem aproveitada e, além das músicas do disco de 1998, também cantou “Song to the Siren”, versão para uma música de Tim Buckley que tem uma carga emocional dupla para a vocalista. O grupo gravou uma versão desta música para o disco do This Mortal Coil, projeto musical de Ivo Watts-Russell, dono da 4AD, gravadora dos Cocteau Twins e “Song to the Siren” tornou-se uma das músicas mais tocadas do grupo. A música ainda carrega o fardo emocional de ter sido composta pelo pai de Jeff Buckley, com quem Fraser teve um relacionamento nos anos 90, e sobre quem ela escreveu a letra de “Teardrop”, quando soube que ele havia sumido depois de ter ido nadar em um rio. Ela gravou a música pouco depois de ter escrito a letra, tomada pelo sentimento de insegurança pelo desaparecimento do amigo, que mais tarde foi encontrado morto às margens do rio. E não custa lembrar que o show do Massive Attack na Argentina foi dentro de um festival e que aqui no Brasil vai ser um show solo, com abertura dos irmãos Cavalera tocando o clássico Chaos A.D., do Sepultura. Ou seja, pode ter muito mais coisas por aqui.

Interrompemos tudo praquela notícia que todo mundo queria saber: Massive Attack em São Paulo dia 13 de novembro, no Espaço Unimed! E com os irmãos Cavalera no palco – e a notícia só melhora, segundo a Pitchfork os Cavalera tocarão seu clássico Chaos A.D. na íntegra nesse mesmo dia – só não sabemos se será o show de abertura ou se tocarão DURANTE o show do Massive Attack… Mas não custa perguntar: o disco escolhido não deveria ser o Roots? Afinal o show conta com as ONGs Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) e da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) e vem ao Brasil em novembro pra coincidir com a realização da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025, a COP30, e o disco de 1996 parte do ponto de vista indígena… Ingressos à venda a partir desta terça-feira!

Saiu a divisão por dias do festival chilenos Primavera Fauna e a gente ainda sem saber se o Weezer toca em qual festival aqui, se vai ter mesmo Massive Attack no Brasil e se algum herói pode trazer o Mogwai pra nossa área… Dá vontade de ir pra Santiago, diz aí.

O Weezer passa pelo Brasil por conta da vinda do grupo para o festival chileno Primavera Fauna, que ainda trará o Massive Attack, Aurora, o Bloc Party, o grupo James, o Mogwai e o Whitest Boy Alive, além do Yo La Tengo e do Stereolab que já anunciaram sua vinda para o Brasil. E quem trará os outros para o país? A banda de Rivers Cuomo deixou no ar que talvez venham para o Brasil dentro de um festival – e vamos combinar que Massive Attack, Weezer, Bloc Party, Whitest Boy Alive, Aurora e Mogwai seriam um bom recomeço para a edição paulistana do Primavera Sounds (que não tem nada a ver com o festival chileno, apesar de ser quase homônimo), que não aconteceu no ano passado. Faltaria só um headliner mais pop, tipo a Charli XCX ou a Clairo… Imagina… Os ingressos para o festival chileno acontecerão a partir de 1º de julho neste link.