Se o mashup é o gênero musical que melhor reflete a década (remixada, esquizofrênica, rock e dance ao mesmo tempo, infame e divertida), Girl Talk é o espelho que os 2ManyDJs haviam imaginado no ano 2000. Mas se o Night Ripper tinha sido um dos discos cruciais para entender 2006, neste ano Gregg Gills simplesmente fez um upgrade básico, sem propor nada propriamente novo. A impressionante montanha russa de samples ainda causa espanto e delírio ao mesmo tempo em que é impossível acompanhá-la de forma racional – esqueça quem está cantando o que, deixe-se levar pelo convite de ouvir boa parte da produção pop do final do século 20 num flashback no liquificador, que não tritura as diferentes partes dos singles usados transformando-os em uma maçaroca de som – e sim os derrete com gosto e pulso firme, deixando todos os temperos usados facilmente reconhecível. Feed the Animals ainda se deu ao luxo de desafiar abertamente os detentores dos direitos autorais usados – se o primeiro disco teve uma prensagem mínima e foi mais distribuído em formas não tradicionais de divulgação oficial (como sites de compartilhamento e redes P2P), o Girl Talk em 2008 tinha endereço virtual para ser encontrado e quem quisesse ainda podia pagar por sua obra, como o Radiohead havia cogitado em 2007. Mas mesmo repetindo a própria fórmula, Gills ainda conseguiu fazer um discaço – tão bom quanto importante. Agora é torcer para ele se reinventar – porque ele sabe que essa é a regra.
33) Girl Talk – Feed the Animals
Girl Talk – “Give Me a Beat“
Led com Beastie Boys – que aliás, vai ser o segundo tema do curso. O mashup é do DJ Moule – e a versão em vídeo do DJ Cougar.
Já já… Daqui.
E que tal essa casa projetada na medida pro Justice?
Quem assina é o escritório francês Planda.
A melhor releitura para “Paper Planes”?
DJ Schmolli – “M.I.A. Wanted Dead or Alive“
Beatles e Radiohead se encontram em uma música da trilha sonora de Pinóquio.
Falando em mashup com Radiohead, o hypômetro dessa semana acusou um Grey Album pra banda do Thom Yorke. Um produtor de alcunha Minty Fresh Beats resolveu fundir os vocais de Jay Z em cima do versões instrumentais de músicas como “Paranoid Android”, “National Anthem”, “Optimistic” e a citada abaixo “Lucifer’s Jigsaw”. Batizou o disco de Jaydiohead e agora ta aí colhendo os louros da fama fugaz na dita blogosfera. Ficou legal, mas, vocês sabem que mashup com hip hop é o mais fácil de fazer (tanto que foram os primeiros) e que um mashup de Beatles com Jay Z (o tal álbum cinza) foi quem colocou o Dangermouse (1/2 Gnarls Barkley, pra quem não lembra) na paisagem pop atual. O lance é que mashup abre tantas possibilidades e neguinho continua insistindo em uma mesma fórmula. Muda ao menos o MC, né… Porque só esse ano outro cara – o Cookin Soul, que também fez uma mixtape em homenagem à passagem do Isaac Hayes -, já tinha feito isso, mashupando Jay Z com Oasis – mas pelo menos aí tinha uma desculpa boa devido ao incidente em Glastonbury…
Jaydiohead – “Lucifer’s Jigsaw“
E conversando com o Tomate e o Marquinhos sobre esse assunto, eis que o primeiro saca da manga o sagaz Jay Z at Studio One, em que o rapper invade o mitológico estúdio jamaicano e se esbalda em cima de instrumentais temperados e calibrados. Tá vendo? É só mudar um pouquinho que a coisa já muda um tanto de figura…
Jay Z at Studio One – “99 Problems”
Mas ainda podia ser outro MC, né…






