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O calor da Chama

Mais uma edição do Chama maravilhosa, quando pude, ao lado do compadre Arthur Amaral, da Porta Maldita, mostrar alguns dos melhores shows que temos na nova cena independente brasileira que cada vez mais tornar-se mais forte, intensa e plural – e sem delírios de grandeza. Reunir Felipe Vaqueiro, Jovita, Tubo de Ensaio, Besta Fera, Gastação Infinita, Boia e Thalin – e seus respectivos convidados, numa mesma noite fez o público viajar em sete universos musicais distintos e dispostos a expandir seus trabalhos, mas sem perder a vibração comunitária e a sensação de estar assistindo a uma transformação cultural que vai para além da música.

Leia mais abaixo:  

Chama Festival | 6.6.2026

Vocês estão prontos para mais uma edição do Chama Festival? Pois marque aí na sua agenda que no próximo dia 6 de junho teremos mais uma safra de novas bandas que estão em ascensão na cena independente brasileira desfilando pelos dois palcos da Casa Rockambole, em mais uma parceria entre @aportamaldita e @inferninhotrabalhosujo. Olha esse elenco: Felipe Vaqueiro e Marina Nemesio! Jovita com Aria Onírica, TinyBear, Mefius e De Freitas! Tubo de Ensaio com Giba e Barulhista! Besta Fera com Paulo Barnabé! Gastação Infinita com Ricardo e Duda do Naimaculada e Dupla 02! Boia com Bruno Fechine e Kim Cortada! Thalin com Caio Colasante! Só show foda que você nunca viu! Neste sábado, a partir das 17h, vamos lá?. Confia!

Marina Nemesio 2026: “Faz tempo que a gente sente e se entende sem falar”

Marina Nemesio está preparando seu disco de estreia, mas antes de mostrar alguma coisa deste, soltou essa joia chamada “Te Dar/Ganhar”, que não estará no álbum e equilibra-se perfeitamente entre o pop e a MPB, causando aquela sensação ambígua entre o moderno e o retrô que é parente da paixão crescente descrita pela letra. Finíssima.

Ouça abaixo:  

Vai De Banda!

Um momento mágico aconteceu nesta terça-feira no Centro da Terra quando quatro novos talentos da composição brasileira entrelaçaram suas canções num espetáculo que pode batizar esse encontro coletivamente. João Menezes, Marina Nemesio, Tori e Ítallo França já atuam há tempos na música mas estão desabrochando suas carreiras individuais nesse instante: Ítallo lançou seu disco solo em 2023 (Tarde no Walkiria), Tori estreou ano passado (com seu Areia e Voz) e tanto João quanto Nemesio estão fechando suas estreias solo possivelmente para esse ano. Mas reuniram-se para tocar seus repertórios como se fossem um grupo (ou, como o título da noite anunciava, “De Banda”) e fizeram uma apresentação que não só desvenda pérolas de cada um deles, como tem os outros três como acompanhamento musical luxuoso. Todos compõem, cantam e tocam violão, mas alternam-se por outros instrumentos – João, Marina e Tori por vezes tocam percussão (quase sempre discreta), enquanto João e Ítallo alternam seus violões entre baixos e guitarras, além do conjunto de vozes que, quando soam juntas, chega perto do céu. A noite mostrou que não só os quatro são obstinados no ofício da composição e esmeram-se por orquestrar letra e música para caminhos além dos clichês da música popular, sempre tratando suas pequenas obras como ourives hiperfocados em sua artesania. E entre as canções, brincam entre si e com o público, contam causos e repassam ideias de como começar as canções, deixando o tom sério de suas canções um pouco mais informal, caseiro e familiar, flutuando entre o drama e a brincadeira ao mesmo tempo em que retomam uma tradição de laços de composição nordestina que gerou obras coletivas célebres, como a série Cantoria e os shows do Grande Encontro. Encerraram a noite com a única música que compuseram juntos e estão prontos para ir. Vai De Banda!

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Ítallo França + Marina Nemesio + Tori + João Menezes: De Banda

Nesta primeira terça-feira de abrimos recebemos quatro novos autores que se unem no palco como se fossem uma banda. Ou será que são uma banda? O espetáculo De Banda reúne os alagoanos Ítallo França, Marina Nemesio e João Menezes e a sergipana Tori para celebrar seus próprios repertórios individuais ao mesmo tempo em que experimentam trabalhar conjuntamente. A apresentação surgiu quase de súbito, quando, depois de passar por suas cidades-natal no fim do ano passado, Tori, Marina e Ítallo se encontraram em trio e fizeram apresentações em Maceió, Recife e Aracaju. Deu tão certo que, ao voltar para São Paulo (onde residem atualmente), convidaram um terceiro alagoano (João) para juntar-se ao time e entre violões e percussões, eles mostram este espetáculo pela primeira vez na cidade. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos já estão à venda pelo site do Centro da Terra.

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Centro da Terra: Abril de 2026

O primeiro semestre de 2026 está chegando na metade e essas são as atrações musicais de abril no Centro da Terra. As segundas-feiras ficam por conta do guitarrista Guilherme Held, que resolve mergulhar em seu instrumento sempre em dupla com velhos camaradas das seis cordas, na temporada Abriu o Fuzz. A cada segunda-feira, Held reúne como outros guitar heroes – e ele só reuniu cobras. Na primeira (dia 6), ele convida Fernando Catatau, na segunda (dia 13) ele vem com Lúcio Maia, na terceira (dia 20) é a vez de chamar Kiko Dinucci para concluir a saga na última segunda do mês (dia 27) ao lado de Edgard Scandurra. Às terças começamos com o encontro das vozes e violões de Ítallo França, Marina Nemesio, Tori e João Menezes, que reúnem-se na primeira terça (dia 7) pela primeira vez para celebrar seus próprios repertórios, na apresentação que chamaram de De Banda, que também pode ser entendido como o embrião de um grupo. Na segunda terça-feira do mês (dia 14), Kiko Dinucci sobe sozinho com sua guitarra no palco do teatro do Sumaré para mostrar, pela primeira vez, o repertório de seu próximo álbum, previsto para o segundo semestre e batizado de Medusa. Nesta apresentação, que ele chamou de Pré-Medusa, ele mostra as novas canções e o clima elétrico-etéreo do sucessor de Rastilho. A última terça-feira do mês fica a cargo da poeta Heloiza Abdalla, que finalmente materializa no palco seu livro Ana Flor da Água da Terra, lançado há dez anos. Poemas que tornam-se música com a presença de improvisadores como Sandra X (voz e efeitos), Breno Kruse (violão e guitarra), Romulo Alexis (trompete) e Chicão (piano). Os espetáculos começam sempre às 20h e os ingressos já estão à venda no site do Centro da Terra.

João antes do disco

Mais uma apresentação maravilhosa do espetáculo Marina Nemésio e Rodrigo Coelho estão fazendo em homenagem à fase pré-fonográfica de João Gilberto, quando ele começou a mostrar seu novo jeito de cantar e tocar para amigos e conhecidos antes de gravar seus primeiros discos. João 1958, que conta com a minha direção, visita clássicos da bossa nova que ele eternizaria em seus álbuns, mas também o encontra tocando temas sem título e canções da era do rádio que nunca mais voltaria a tocar. E ao apresentarem-se nas melhores condições de temperatura e pressão – a Sala B da Casa de Francisca parece que foi feita para receber esse show -, mostraram toda a sensibilidade do toque e do canto com requinte e detalhe, deixando o público que lotou a pequena sala emudecido e com a respiração presa, graças à entrada solene da noite, que fez todos prestarem atenção na delicada e precisa voz de Marina e no esmero e capricho do toque de Coelho ao violão. Mas à medida em que as canções passavam, a dinâmica sutil e suave entre os dois foi acolhendo a audiência graças à magia do velho baiano – que o pernambucano Coelho fez questão de frisar que ele não era pernambucano por uma ponte, em referência ao fato de João ter nascido na Juazeiro vizinha de Petrolina -, que os dois invocam com graça e carinho. Lindo demais.

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Rodrigo Coelho e Marina Nemésio apresentam João 1958 @ Casa de Francisca (11.3)

Marina Nemésio e Rodrigo Coelho mais uma vez voltam ao momento anterior ao marco zero da bossa nova, quando João Gilberto retorna ao Rio de Janeiro depois que inventou o jeito de tocar e cantar que mudaria a história de nossa música. O espetáculo João 1958, concebido pelos dois comigo na direção, chega à intimista Sala B da Casa de Francisca na próxima quarta-feira dia 11, quando os dois passeiam pelo repertório que o pai da bossa nova mostrou para os conhecidos logo que voltou à capital brasileira à época, momento que foi eternizado num gravador de fita pelo fotógrafo Chico Pereira quando João mostrou aquelas canções em sua casa. Marina e Coelho dividem-se nos dois instrumentos do mestre – a alagoana canta e o pernambucano toca violão – para reverenciar esse conjunto que canções, parte delas consagradas nos primeiros discos de João pela Odeon, parte delas inéditas, tanto temas de autoria do próprio que nem título têm, quanto velhos sucessos da era de ouro do rádio brasileiro. A casa abre a partir das 19h30 e os ingressos já estão à venda.

Sob o signo de João

Sempre que falamos de João Gilberto o cuidado deve ser redobrado – ou triplicado -, por isso tinha expectativa de ver como Marina Nemesio e Rodrigo Coelho defenderiam o mestre no palco do Centro da Terra no espetáculo que fizemos ao redor das primeiras gravações não-oficiais da musicalidade que João lapidou durante os anos 50. E por mais que já tivesse visto os dois tocar aquele repertório, havia toda uma expectativa em relação a vê-los tocando para outras pessoas. Porque, como nos grandes momentos do pai da bossa nova, João 1958 é uma apresentação pensada unicamente para voz e violão – a voz com Marina, aniversariante do dia, e o violão com Coelho, retomando o instrumento acústico depois de anos debruçados no baixo, synths e equipamentos eletrônicos. Vê-los tocando na minha frente, como único espectador presente, era uma situação completamente diferente da que mostramos nessa terça para um público que, ciente da grandeza de João, apreciou os quase sessenta minutos da apresentação sem dar o pio, quietos como quem assiste a uma missa. E foi isso que Marina e Coelho fizeram: uma celebração religiosa à musicalidade brasileira, passando por músicas que depois seriam registradas por João nos álbuns gravados nos anos seguintes, e outras que nunca mais revisitaria, como canções próprias sem letras e clássicos da velha guarda da nossa música, como “Chão de Estrelas” de Sílvio Caldas e “Preconceito” de Wilson Baptista que João só retornaria quando participou do festival de Montreux, em 1985. E essa missa não poderia ter melhores sacerdotes: Coelho, que não é virtuose mas audiófilo, tocou seu instrumento com delicadeza e precisão, cantarolando por sobre as bases em alguns momentos, e Marina, com sua voz delicada e suave, tomando conta do teatro. Foi lindo demais…

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