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Dois universos da canção

Mais uma noite com Sophia Chablau no Centro da Terra, esta anunciada como um dos grandes momentos de sua temporada Guerra, uma vez que reunia dois universos distintos da canção contemporânea brasileira, quando ela chamou Dora Morelenbaum e Juçara Marçal para a mesma noite. Ela começou acompanhada da dupla com a qual montou o power trio que atravessa as noites deste mês de março, com ela mesma na guitarra e vocais, Marcelo Cabral no baixo e eletrônicos e Theo Ceccato na bateria, chutando a vibe punk rock logo de cara com uma canção inédita e dedicando sua “Quantos Serão No Final?” à escola iraniana que foi bombardeada pelos EUA no início do mês. Depois, sozinha com seu instrumento, passeou por outras inéditas (como uma que compôs para os bares da marquise da Alfonso Bovero, vizinhos do teatro, e outra em inglês). Depois, ainda só à sua guitarra, chamou a primeira convidada da noite, quando dividiu com Dora os vocais de sua “Cinema Total”, de outra inédita, composta na semana passada para a própria cantora carioca, batizada ainda no rascunho como “Corpos Jogados”, de “Petricor”, da própria Dora, e de “Vem Comigo” de Sophia gravada por Dora, as três últimas acompanhadas por Cabral (que fez um solo fabuloso na última). Os dois deixaram Sophia sozinha de novo no palco, que passou por sua “Segredo” e por outra inédita, antes de chamar a segunda convidada da noite. E ao chamar Juçara para o palco (bem como Theo e Cabral), começaram passeando pela “Lembranças Que Guardei”, que Ju compôs com Kiko Dinucci e Fernando Catatau, para depois entrar em uma parceria inédita das duas (batizada temporariamente de “Sumiu Sumi”), de “Meninos de Itaquá” (que Sophia já havia mostrado nas noites anteriores e confessou ser inspirada no Delta Estácio Blues de Juçara) e outra inédita das duas, “O Céu Já Não”, que encerrou a noite em grande estilo. Showzaço que só pecou por não juntar Dora e Juçara numa mesma canção, mas que seguiu mantendo o alto nível da temporada.

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Química natural

Sophia está surfando na temporada que está fazendo no Centro da Terra e a noite passada foi só a segunda das cinco apresentações que fará na casa. Mas ao apresentar-se ao lado da banda que a acompanhará nos próximos shows, antes mesmo de chamar os convidados da noite, ela já deu a medida de como será o resto do mês, já que o power trio que montou ao lado de Marcelo Cabral (entre o baixo e o synth bass) e Theo Ceccato (bateria) está azeitadíssimo. Ela começou a noite com os dois, tocou algumas músicas sozinha, misturando canções solo que ainda não têm disco, outras do Handycam que gravou ano passado com Felipe Vaqueiro, outras de sua banda Uma Enorme Perda de Tempo e algumas que compôs há pouquíssimo tempo. Mas o ouro da noite começou a acontecer quando ela convidou seus dois novos parceiros para subir no palco, primeiro Kiko Dinucci, que anunciou que tem disco novo vindo aí – que inclui “Água Viva”, parceria com Sophia que já está tocando em shows s- e depois Jonnata Doll, que entrou dançando no palco e logo chamou todos para acompanhá-lo em uma faixa inédita sua, “Vamos Dançar no Picles”, seguida de um atordôo sonicyouthiano quando os cinco engataram na hipnótica “Crack pra Ninar” do Kiko Dinucci, com Jonnata tocando guitarra. Uma noite maravilhosa, a primeira vez de um grupo tocando juntos que parecia que já tinham feitos inúmeros shows, tamanha a química no palco. Se você não foi a nenhum show dessa temporada da Sophia está perdendo, só tenho isso a dizer.

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Sophia Chablau: Guerra

A primeira temporada de 2026 no Centro da Terra não poderia ser mais certeira, afinal Sophia Chablau, que vai tomar conta de todas as (cinco!) segundas-feiras deste mês de março no teatro, batizou sua residência no teatro com o título de Guerra no exato momento em que o mundo parece colapsar em mais um conflito bélico mundial. “Palavra temida que escancara o conflito, repetida na canção, metonímia ou metáfora de conflitos externos a nós, conflitos internos ou conflitos românticos”, explica a cantora paulistana. “Em último caso a vida sendo uma guerra contra a morte, o monumento fazendo guerra ao tempo, a canção fazendo guerra a desordem do universo. As grandes guerras, as pequenas guerras, as guerras. – Pra variar estamos em guerra. Não é um eixo temático, é uma provocação, é um anúncio – é preciso declarar guerra.” E para essa declaração ela reúne sessões que prometem ser históricas. A primeira acontece nesta primeira segunda (dia 2) quando recebe sua banda Enorme Perda de Tempo para mostrar novidades que eles vêm trabalhando. Nas segundas seguintes ela mantém o baterista Theo Ceccato e chama o baixista Marcelo Cabral para acompanhá-la na guitarra quando recebe duplas de peso. Na segunda (dia 9), ela chama Kiko Dinucci e Jonnata Doll. Na outra (dia 16) é a vez de receber Dora Morelenbaum e Juçara Marçal. Na quarta segunda do mês (dia 23) ela convida o casal Ava Rocha e Negro Leo e encerra sua temporada de ouro na última segunda do mês (dia 30) com as presenças de Vítor Araújo e Zé Ibarra. Os espetáculos começam pontualmente às 20h e os ingressos estão à venda pelo site do Centro da Terra – mas corre que eles estão acabando!

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Transcendência sonora

A simples reunião de Maurício Takara, Carla Boregas, Marcelo Cabral, Juliana Perdigão e Philip Somervell num mesmo palco já basta por si. Cinco dos principais improvisadores instrumentais da cena contemporânea paulistana, cujo amplo espectro de atuação sonora só é comparável aos saltos no escuro dados por eles mesmos em inúmeras situações ao vivo nos últimos anos, os cinco estiveram reunidos nesta terça-feira em mais uma das já tradicionais apresentações anuais da dupla Takara e Boregas no Centro da Terra, quando convidaram o contrabaixista, a clarinetista e o pianista para um transe de temas inéditos. Fora a primeira parte da noite, quando os dois anfitriões deram início à apresentação sozinhos, todo o resto do espetáculo Par Expandido foi sobre novos temas compostos pela dupla e experimentados pela primeira vez ao vivo ao lado dos três convidados. O êxtase estático que os cinco conduziam as atenções compenetradas do público até tiveram intervalos que suscitaram aplaudos entre determinadas passagens, mas por quase uma hora, o quinteto improvisado esticou o tempo em vastas paisagens de transcendência sonora, por vezes interrompidas por impulsos rítmicos ou circulando em sequências hipnóticas, numa noite à altura da reputação dos cinco. Magistral.

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M. Takara + Carla Boregas: Par Expandido

Nesta terça-feira recebemos mais uma vez no palco do Centro da Terra a dupla M. Takara e Carla Boregas, que tocam juntos desde 2018 e retornam ao teatro do Sumaré ampliando sua formação com participações especialíssimas. No espetáculo Par Expandido, os dois ampliam seu instrumental para além de eletrônicos e percussão, recebendo o contrabaixo de Marcelo Cabral, o clarinete e clarone de Juliana Perdigão e o piano de Philip Somervell para uma noite que vai do improviso à ambiência, percorrendo diferentes fronteiras da música e do ruído. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos já estão à venda pelo site do Centro da Terra.

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Paola Ribeiro abre seu 2026

Começando bem o ano com o showzaço que Paola Ribeiro fez de seu disco Circus nessa sexta-feira no Sesc Av. Paulista. Acompanhada de uma bandaça formada por Kiko Dinucci (violão), Marcelo Cabral (contrabaixo acústico e efeitos), Podeserdesligado (eletrônicos e synth) e a dupla Rádio Diáspora (Rômulo Alexis nos sopros e Wagner Ramos na bateria), ela deixou sua voz exuberante percorrer limites extremos, do sussurro ao grito, do vocalise livre à canção, por vezes tocando um berimbau com arco de cello, enquanto hipnotizava o público com sua amplitude e intensidade vocal. Completamente livre no palco, ela teve momentos em que dividiu improvisos com cada um dos integrantes, cantou sozinha quase em silêncio ou entregava-se ao caos sonoro que os músicos explodiam quando, juntos, soavam como uma avalanche musical. Uma bom forma de começar um ano que já começou inquieto. Vamos lá!

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Lá vem o Cabral!

Como de hábito, o bom e velho Marcelo Cabral chega pianinho para mostrar seu terceiro disco solo, que ainda não tem título nem data de lançamento mas começa a tornar-se público com o lançamento do single “O Herói Vai Cair”, parceria sua com o Clima que chega às plataformas no próximo dia 15. E no dia 21 ele sobe no palco do Mamãe com a banda que gravou o álbum (apenas Sophia Chablau na guitarra e Biel Basile na bateria) para mostrar outras canções deste novo trabalho. 2026 promete!

Dos tempos da pandemia

Se tecnicamente ainda não saímos do período pandêmico, que dizer mentalmente? A arte mais uma vez mostra que não estamos 100% resolvidos em relação a esse período nefasto que atravessamos e cada vez mais obras vêm rever essa fase com uma certa distância no olhar. Uma delas é o EP que Thiago França lança nesta quinta-feira ao lado de Marcelo Cabral. Samples & Naipes, como seu título entrega, é composto de partes de músicas que Thiago gravou durante a quarentena interminável e decidiu compartilhar com o compadre baixista, que usou seu viés produtor para picotar as músicas e recriá-las incluindo até gravações do saxofonista em outros contextos. “Durante a pandemia, quando eu me dei conta de que a coisa ia longe eu me dediquei a ficar gravando coisas em casa, como exercício, pra não ficar parado sem criar nada”, França começa a lembrar, “e uma das empreitadas foi esse EP, que eu comecei regravando músicas minhas, já que tava sem idéia pra compor, entreguei pro Cabral e dei carta branca pra ele, já mirando nas coisas que ele fez no Naunym, disco eletrônico dele.” “Quando ele me convidou comemorei porque podia voltar a criar, que é a coisa que a gente mais sentia falta e comecei a picotar sax, respiração, o som dos dedos batucando nas chaves, com o ouvido atento à cada coisa, não só ao tema, mas quebrando a cabeça pra onde poderia ir, sem precisar respeitar nada, métrica, sampleei coisas dos outros discos dele, tem um monte de Thiago aí”, continua Cabral, falando que jogou muitas coisas da máquina de sampler, inclusive coisas do Marginals, grupo de free jazz que ele tinha com o Thiago. “Eu e o Cabral tocamos junto há muito tempo, então mesmo remotamente tem muito entrosamento e muita confiança um no outro também, e por mais que eu desejasse essa estética mais eletrônica, super produzida, não queria perder orgânico, o ‘tocado’, e eu sabia que ele ia entender isso sem precisar explicar.” Entre as faixas do EP estão a faixa título do disco RAN da Space Charanga, “Nostalgia Perus” do disco que Thiago fez em homenagem ao clássico livro Malagueta, Perus e Bacanaço de João Antonio, “Pedra do Rei” que ele gravou com sua Espetacular Charanga do França e a clássica “Angolana”, do Metá Metá, que ele antecipou em primeira mão para o Trabalho Sujo. Ouça abaixo:  

Sophia Chablau ♥ Felipe Vaqueiro

Essa duplinha acaba de anunciar que no primeiro dia do mês que vem formalizam sua parceria para além de singles e shows, quando lançam o álbum em dupla Handycam. Os santos de Sophia Chablau e Felipe Vaqueiro, líderes de duas das principais bandas da nova geração, já tinham batido faz tempo, mas ao transformar a parceria em disco, reuniram uma cozinha inacreditavelmente foda (Bielzinho na batera e Cabral no baixo, além de contar com a participação do pai da Sô, Fabio Tagliaferri) e registraram esse encontro no estúdio Canoa, aos auspícios do grande Gui Jesus Toledo, que mixou o disco e lança pelo seu próprio selo, o Risco, que está tendo um 2025 muito foda, ao lançar alguns dos melhores discos do ano: Arnaldo Antunes, Jadsa e Pelados. E parece que vem mais coisa boa por aí – a própria Sophia que avisou! Veja a capa do disco abaixo:  

Nova camada de sensibilidade

Ao revelar parte de seu próximo álbum num Ensaio Aberto conceitual que organizou nessa terça-feira no Centro da Terra, Sessa compartilhou outros segredos com o público que encheu o teatro na noite gelada. Dois destes foram contados logo ao início da apresentação quando, depois de tocar duas inéditas ao lado de Marcelo Cabral, Biel Basile e Ina, ele convidou para o palco a multiinstrumentista Lê Veras, que assumiu o piano da noite, abrindo uma nova camada na sonoridade em seu trabalho, que, outra revelação da noite, se chamará Pequena Vertigem de Amor. Ao lado dos quatro, mostrou algumas das novas músicas e como o casamento de seu violão com a bateria de Biel e o baixo elétrico de Cabral, com as teclas de Lê e da sempre belíssima voz de Ina deu uma nova sutileza, tornando ainda mais leve sua musicalidade. A segunda parte do show contou com músicas de seus dois primeiros discos, dentro dessa nova faixa de sensibilidade (fora o piano, que não esteve nessa metade), e Sessa encerrou a noite com a mais bela versão para sua “Gata Mágica”, com Cabral tocando seu instrumento com um arco de cello.

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