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Fecho mágico

Depois de passear por territórios alheios, Gustavo Galo terminou sua temporada Um Bis no Abismo nesta quarta-feira no Centro da Terra voltando para si mesmo. Se nas apresentações anteriores reuniu grupos de camaradas para celebrar composições de outros autores – entre ídolos e compadres -, nesta última apresentação ele passeou por seu repertório solo ao lado da bandaça que o acompanha há uma década e pinçou algumas inéditas para o encerramento desta safra de shows. Agradecendo imensamente a companhia dos músicos com quem convive neste período – o guitarrista Lucas Gonçalves, o baixista e produtor (e aniversariante!) Otávio Carvalho, o saxofonista Oscar “Cuca” Ferreira e o baterista Pedro Gongom -, ele protagonizou um momento único em sua trajetória ao convidar para dividir o palco pela primeira vez a musa e comadre cuja voz veio cantando numa interferência radiofônica às vésperas do nascimento de seu primeiro filho numa história linda que contou antes de chamá-la para a apresentação. E ao lado de Ná Ozzetti não apenas cantou “Conversa com Dulcina” como a mesma “Canto em Qualquer Canto” que Galo e sua companheira ouviram através do ultrassom antes do nascimento de seu filho. Um encerramento mágico para uma temporada surpreendente.

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A criação na tradução

Gustavo Galo puxou outra noite tocante em sua temporada Um Bis no Abismo ao convocar velhos compadres para fazer suas próprias versões de canções alheias numa apresentação dedicada a músicas estrangeiras vertidas para o português e já pegou na veia ao puxar “Traduzir”, de seu mestre camarada Luiz Chagas (ele mesmo um tradutor) para dar a tônica no palco. Ao seu lado, Peri Pane (entre o cello e o violão) e Lucas Gonçalves (com sua guitarra meio Velvet meio Beatles), o ladearam abrindo vozes, criando climas e recebendo os convidados que trouxeram para o palco, seja em forma de canção ou em pessoa. Entre os convidados traduzidos, os três puxaram versões em português para “Perfect Day” de Lou Reed, “Bless the Telephone” de Labi Siffre e “Because the Night” de Patti Smith, antes de convidar o primeiro convidado da noite e André Mourão já entrou subindo o sarrafo, primeiro ao reescrever a temática de “My Love” de Paul McCartney sem mudar seu sentido e depois numa ousada versão para “A Hard Rain’s A‐Gonna Fall” de Bob Dylan. Depois foi a vez de receber Péricles Cavalcanti, que Galo não mediu elogios ao defini-lo como um farol para suas subversões líricas – e Péricles não deixou barato, primeiro ao trazer um clássico nesta área (a dylanesca “It’s All Over Now, Baby Blue”, que tornou-se a imortal versão “Negro Amor”) e sua versão para “Back to Black” de Amy Winehouse (que tornou-se “Eu no Breu”). Galo chamou a última convidada, Camila Mota, que cantou uma belíssima versão para “O Amor” do poeta russo Maiakóvski, traduzido por Haroldo de Campos e musicada por Caetano Veloso e Ney Costa Santos, antes de encerrar a noite com Leonard Cohen (traduzindo “Dance Me to the End of Love”), com o chines Li Bai (701-762) e com uma versão brasileira para o hino antifascista “Bella Ciao”. Tudo isso ornado pela bela luz de Gabriela Luíza, que deu uma outra dimensão à noite.

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“Devagar e sempre”

O silêncio quase eclesiástico feito pelo público que encheu o Centro da Terra neste primeiro de julho tornou a apresentação de Lucca Simões ainda mais fluida e reverente, mesmo que estes adjetivos pareçam se contradizer. O músico começou tocando sozinho para depois chamar aos poucos os outros convidados da noite, primeiro Gabriel Milliet, tocando flauta transversal, seguido de Eduarda Abreu, só ao piano, com quem fez números em dupla. Depois chamou Lucas Gonçalves (no baixo) e Chico Bernardes (na bateria) para um primeiro número como trio para finalmente chamar Eduarda de volta e terminar a noite como um quarteto, mostrando as músicas que deverão entrar em seu primeiro álbum, com todo esmero e delicadeza que as canções precisavam. Afinal seu autor é, ao mesmo tempo, um vocalista quase tímido e um guitarrista sutil e discreto, o que culminou no segundo momento solo da noite, quando tocou a única versão do repertório, uma lindíssima leitura instrumental de “Você é Linda”, de Caetano Veloso. Todos os convidados eram sensíveis o suficiente para entender a leveza do repertório e da performance do autor, deixando-o à vontade sem que precisassem rechear sua sonoridade, tornando os vazios presentes. O único momento mais cheio do show foi quando Lucca chamou o público para cantarolar o refrão de uma canção que acaba sendo a síntese de sua musicalidade: “Devagar e sempre, sempre a caminhar”. Foi bem bonito.

Assista abaixo:  

Lucca Simões: Dizer Novo Adeus

O segundo semestre começa com a primeira apresentação solo de Lucca Simões no Centro da Terra, que traz seu espetáculo Dizer Novo Adeus para mostrar as músicas que vem preparando para seu primeiro álbum solo. Acompanhado de uma banda formada por Eduarda Abreu (piano), Lucas Gonçalves (baixo) e Chico Bernardes (bateria), ele traz suas canções que equilibram-se entre o folk, o indie rock e a música brasileira, sempre tocadas de forma minimalista e introspectiva, mas que crescem com a participação de outros músicos. Nesta apresentação ele ainda conta com a presença do músico, cantor e compositor Gabriel Milliet. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos estão à venda na bilheteria e no site do Centro da Terra.

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Quando dois artistas tornam-se um show

Clara Castro e Nathan Itaborahy fizeram bonito ao misturar suas carreiras solo num mesmo espetáculo nesta terça-feira no Centro da Terra, quando, acompanhados pelos músicos Lucas Gonçalves e Douglas Poerner visitaram diferentes fases de suas respectivas carreiras, além de apontar as novas composições que devem se materializar nos novos discos de cada um ainda no próximo semestre. Apenas o baixista Douglas Poerner manteve-se em seu instrumento e os outros músicos revezaram-se pelo palco a cada nova fase do show: os dois começaram mostrando músicas de Nathan, com este na guitarra, Clara ao violão e Lucas na bateria. Clara ainda passou pela flauta e pela bateria (sempre fazendo vocais) até assumir suas canções, quando Lucas foi para a guitarra e Nathan para a bateria. Entre o rock, o funk e a MPB, com algumas doses de jazz, música caipira e blues, os dois esbanjaram carisma em canções por vezes melancólicas mas em sua maioria ensolaradas – e ainda contaram com a participação da poeta e MC Laura Conceição em uma das faixas. Agora é colocar os dois shows – e discos! – na rua!

Assista abaaixo:  

Clara Castro + Nathan Itaborahy: Prefixo-Quase

E encerrando a safra de apresentações musicais deste junho no Centro da Terra, temos uma atração dupla nesta última terça-feira do mês, quando o casal de Juiz de Fora Clara Castro e Nathan Itaborahy juntam-se para realizar um mesmo espetáculo, contemplando as carreiras individuais de cada um. Ela começa a mostrar seu álbum Perambule (com produção do próprio Nathan) e previsto para ser lançado no próximo mês de agosto enquanto ele mostra o groove de sua sonoridade solo, também aos poucos mostrando o início de um novo trabalho. A dupla mineira é acompanhada pelos músicos Lucas Gonçalves (guitarra, bateria e voz) e Douglas Poerner (baixo e cavaquinho) e a apresentação ainda contará com a presença de Laura Conceição, MC e poeta da cidade dos dois. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos podem ser comprados na bilheteria e no site do Centro da Terra.

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Quinta sensível

E depois da aula corre pro Porta Maldita que estava lotado para ver dois talentos em ascensão da música local tocar suas músicas delicadas com acompanhamentos sutis. Primeiro foi a vez de Luiza Villa fazer sua primeira apresentação solo, quando mostrou suas primeiras composições além de versões para músicas alheias, indo de Gilberto Gil à sua familiar Joni Mitchell, passando por uma versão deslumbrante para “If a Tree Falls in Love with a River”, de Lau Noah e Jacob Collier, quando abriu vozes com sua irmã Marina, e “Tristeza do Jeca”, que dividiu com o dono do segundo show da noite, Lucca Simões.

Depois Lucca subiu ao palco para mostrar suas delicadas canções, conduzidas por sua voz suave e guitarra clara. Suas composições cresceram ainda mais com a bela banda que reuniu, com Eduarda Abreu nos teclados, Chico Bernardes na bateria e Lucas Gonçalves no baixo, partindo do folk e da MPB que impulsiona sua criação abraçando ao mesmo tempo tanto um rock setentista quanto uma pitada de jazz elétrico. Bem bonito.

Assista abaixo:  

Dois juntos numa mesma estrada

Na primeira segunda-feira do ano no Centro da Terra, Lucas Gonçalves e Lucca Simões selaram sua parceria numa apresentação em dupla. Na apresentação, os dois casaram bem vozes e instrumentos, entrelaçando violão e guitarra para criar uma paisagem sonora doce e bucólica, a partir de seus respectivos repertórios. Suspeito que essa é só a primeira de várias apresentações dos dois com essa formação.

Assista aqui.  

Lucas Gonçalves e Lucca Simões: Se Chover, Lucca’s Sounds e Outras Coisas

Finalmente consegui trazer Lucas Gonçalves para o palco do Centro da Terra, uma conversa que já tínhamos há muito tempo, mas que o semestre passado acabou por adiar por conta do sucesso do novo disco de sua banda, o Maglore, que voltou à atividade em 2022. Para começar o novo ano, Lucas convida seu compadre Lucca Simões para uma sessão intimista com dois violões, em que os dois mostram suas próprias músicas – Gonçalvez passa pelas músicas de seus álbuns solo Se Chover e Verona enquanto Simões passa por seus singles. Os ingressos podem ser comprados com antecedência neste link.

Centro da Terra: Fevereiro de 2023

Vamos começar o ano no Centro da Terra? A curadoria de música do nosso querido teatro do Sumaré retoma os trabalhos já no primeiro dia de fevereiro e durante este mês teremos espetáculos de segunda a quarta. A primeira apresentação marca o retorno de Carla Boregas e M. Takara aos palcos do teatro, quando recebem a flautista Marina Cyrino para o espetáculo Grande Massa D’Água já na primeira quarta-feira do mês. Dia 6 é dia de receber o cantor e compositor Lucas Gonçalves, que se reúne a Lucca Simões, apresentando o espetáculo Se Chover. Na primeira terça-feira do mês, dia 7, quem retorna aos palcos do teatro é Izzy Gordon, revisitando o repertório de sua tia, Dolores Duran, numa apresentação que deve transformar-se em disco, ao lado de uma banda formada só por mulheres, incluindo a participação de sua mãe, irmã de Dolores, Denise Duran. Na quarta-feira, dia 8, Anna Vis convida Kauê e Caxtrinho para uma apresentação única, costurando seus repertórios num encontro inédito Mais Que Uma Canção, Menos Que Um Amor. Na segunda-feira dia 13 é a vez de Chico Bernardes repassar canções de seu primeiro disco solo e antecipar algumas de seu próximo álbum, além de fazer algumas versões, no espetáculo Rádio Chico. Na terça, dia 14, a curitibana Bruna Lucchesi traz seu espetáculo Quem Faz Amor Faz Barulho, dedicado à obra, especificamente às canções, do poeta conterrâneo Paulo Leminski. Dia 15 quem apresenta-se no teatro é Sophia Chablau, que vem em versão solo, mostrando canções conhecidas e inéditas no espetáculo Só. E depois do carnaval, no dia 27, primeiro recebemos Marcela Lucatelli, que traz seu Brazilian Songbook pela primeira vez ao Brasil, e, no dia seguinte, dia 28, é a vez do encontro inédito de duas das principais bandas pesadas do Brasil, os paulistanos Test e os paraibanos Papangu. E aproveite para conhecer o novo restaurante Shakshuka, no terréo do teatro, que agora abre desde a hora do almoço – e traz refeições e drinks. Os espetáculos começam sempre às 20h e os ingressos podem ser comprados antecipadamente neste link.