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Entre o choro e a música de câmara

Sozinho com seu violão de sete cordas, Luca Frazão suspendeu a respiração dos presentes que se reuniram nesta terça-feira no Centro da Terra para ver a apresentação que batizou de Sol-Fora, antecipando o disco Despencando que deve ser lançado no próximo mês. Integrante dos grupos Os Amanticidas e Choro na Quitanda, Luca coloca seu primeiro instrumento no centro do palco, sem acompanhamentos nem acessórios, embarcando, como explicou em uma das várias vezes que conversou com o público, em uma “aventura paradoxal”, pois disse que estudar e compor para violão solo é mais uma forma de exercitar o instrumento em outras formações do que um fim em si mesmo. Contradizendo-se com toda sua apresentação, não apenas mostrou as composições de seu novo disco – num lugar próximo entre o choro e a música de câmara, certamente levando em conta desafios técnicos pessoais justamente por ser, além de músico, professor – como passeou por canções daquela mesma escola (“Beatriz” de Edu Lobo e Chico Buarque no arranjo de Marco Pereira e duas de Garoto, “Enigma” e a multinomeada “Jorge do Fusa”, “Amor Indiferença” ou “Bom de Dedo”, dependendo de onde você a conhece) mostrando a força e o tamanho do violão brasileiro e colocando suas composições como contribuições à altura deste cânone. Bem bonito.

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Luca Frazão: Sol Fora

Imenso prazer receber nesta terça-feira a oportunidade de ouvir o disco de estreia de Luca Frazão. Conhecido pelos trabalhos com o grupo Os Amanticidas e com o grupo de choro Choro na Quintanda, Luca mostra as canções de seu disco de estreia, todo feito ao redor de seu instrumento, o violão de sete cordas, em que junta as duas tradições de seus conjuntos com a música de câmara, buscando os próprios rumos para o seu violão no espetáculo chamado Sol-Fora. A apresentação começa pontualmente às 20h e os ingressos já estão à venda no site do Centro da Terra.

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Centro da Terra: Julho de 2026

Julho está ai e a programação de música do Centro da Terra deste mês começa a partir da próxima semana, quando, antes de inaugurarmos a temporada das segundas, temos apresentações únicas logo nesta primeira segunda. Na primeira delas, logo na primeira segunda do mês (6), recebemos a banda de pós-punk-jazz-prog Besta Fera que apresenta o espetáculo Morte e Páprica em referência ao fim do estúdio em que a banda começou suas aventuras musicais – e para esta apresentação, eles convidam Paola Ribeiro e Kiko Dinucci. Na terça seguinte (7), é a vez da cantora e compositora baiana Lavínia se aventurar por um terreno sagrado da música brasileira – em especial de seu estado -, quando recria o clássico disco que Gal Costa fez em homenagem a Dorival Caymmi há meio século para reforçar uma Bahia afetiva que esquenta qualquer brasileiro. Na outra segunda, a amapaense Patrícia Bastos estreia no Centro da Terra com sua temporada Planeta Arrepiado, em que sob a direção musical de Dante Ozzetti em todas as apresentações, convida diferentes artistas para passear por diferentes versões de seu repertório amazonense: no dia 13, ela e Dante recebem Ná Ozzetti; no dia 20 é a vez de dividir o palco com Marcelo Cabral e Guilherme Held e encerra a temporada dia 27 com os congoleses Leo Matumona e Hidras Tuala, a percussionista Thata Ozzetti e o cantor e guitarrista Skipp. Na segunda semana do mês não teremos apresentação na terça-feira por motivos de Copa do Mundo e no dia 21 o amanticida Luca Frazão faz a primeira apresentação de seu próximo disco solo subindo ao palco só com seu violão de sete cordas no espetáculo Sol-Fora. No dia seguinte, quarta-feira (22), outro disco novo nos é apresentado antes do lançamento, quando Gaê nos convida a mergulhar em seu filme sonoro no espetáculo Antecipações. A última atração da curadoria de música no teatro em julho é´o aniversário de dez anos do disco de estreia da dupla Antiprisma, Planos para Esta Encarnação, revisitado por seus autores Elisa Moos e Victor José na última terça do mês (28). Os espetáculos começam sempre pontualmente às 20h e os ingressos já estão à venda no site do Centro da Terra.

De tirar o fôlego

Acompanhada apenas do violão erudito do músico Luca Frazão, a cantora e compositora Loreta Colucci tirou o fôlego do público na segunda noite da temporada do grupo Gole Seco está fazendo no Centro da Terra. Revendo as músicas de seu primeiro disco, Antes Que Eu Caia, em arranjos ao mesmo tempo simples, diretos e rebuscados, ela hipnotizou o público com sua voz magnética e seu inevitável carisma, passeando não apenas por suas próprias composições, mas também de outros autores, como “Mechita” de Manuel Raygada Ballesteros (via Sílvia Pérez Cruz) e “Gostoso Veneno”, imortalizada por Alcione. No meio da apresentação, suas companheiras de Gole Seco Niwa, Giu de Castro e Nathalie Alvim, subiram ao palco para primeiro cantar primeiro sozinhas “Pega Que é Teu” do disco que o grupo lançou ano passado e depois, acompanhadas de Luca, “Derramou”, de Alessandra Leão, em primoroso arrannjo vocal. Foi bem bonito.

Assista abaixo:  

Entre o onírico e o erudito

Lindo demais o show que Loreta fez nesta quarta-feira para mostrar seu disco de estreia Antes Que Eu Caia no palco do Bona. Acompanhada de uma formação nada ortodoxa (o saxofonista e tecladista Fernando Sagawa e o quarteto de cordas formado por Thiago Faria, Michele Mello, Letícia Andrade e Wanessa Dourado), entre o onirico e o erudito, ela deslizou sua voz encantadora por canções melancólicas e esperançosas (incluindo “Ai, Ai Ai”, da espanhola Silvia Pérez Cruz) num show que ainda teve a presença de suas irmãs vocalistas do grupo Gole Seco – as formidáveis Niwa, Gui de Castro e Nathalie Alvin -, que ainda renderam uma apresentação extra para a noite com duas canções só no gogó. E no bis, Loreta chamou o violonista Luca Frazão, “a pessoa com quem eu mais toquei na vida”, para tocar a sua “A Arte de Me Enganar”.

Assista aqui: