Lana Del Rey: “Ah, but you got away, didn’t you babe…?”


Clipe novo da Lana Del Rey, desta vez visitando o famoso Chelsea Hotel em Nova York numa canção que Leonard Cohen fez para o caso que teve com Janis Joplin…


Clipe novo da Lana Del Rey, desta vez visitando o famoso Chelsea Hotel em Nova York numa canção que Leonard Cohen fez para o caso que teve com Janis Joplin…

Lana Del Rey já está escrevendo as canções para seu próximo disco. Depois de mudar-se para a Inglaterra, ela tirou um tempo em Santa Monica, na California, um lugar “liricamente mais espiritual”, como disse em entrevista à BBC. Ela também disse que está pensando o disco com os mesmos “três caras” que a ajudaram no ótimo Born to Die, seu disco de estréia do ano passado, entre eles o diretor francês Yoann Lemoine, o Woodkid, que dirigiu os clipes de “Born to Die” e “Blue Jeans”. O disco ainda não previsão de quando será lançado.

Sim: cinco horas e meia de Vida Fodona, pra tirar o atraso.
Dr. Dog – “Lonesome”
Bonde do Role – ”Baby Don’t Deny It”
Sinkane – “Lovesick”
Thiago Pethit + Mallu Magalhães – “Perto do Fim”
Tulipa Ruiz + Criolo – “Víbora”
Mallu Magalhães – “Me Sinto Ótima”
Cambriana – “The Sad Facts”
Blur – “The Puritan”
Grizzly Bear – “Yet Again”
João Brasil – “Sou 212 Foda”
Teen Daze – “Brooklyn Sunburn”
Arctic Monkeys – “Katy on a Mission”
Diplo + Jahan Lennon – “About That Life”
Daddy – “Love in the Old Days”
Lana Del Rey – “National Anthem”
Tulipa Ruiz + Lulu Santos – “Dois Cafés”
Van She – “Idea of Happiness (SebastiAn Remix)”
XXYYX – “About You”
ONUINU – “Happy Home”
Ariel Pink’s Haunted Grafitti – “Only In My Dreams”
ruído/mm – “Índios”
Céu – “Falta de Ar”
Estelle + Janelle Monae – “Do My Thing”
Mahmundi – “Desaguar”
Alabama Shakes – “Hold On”
Blur – “Under the Westway”
Tame Impala – “Elephant”
Sambanzo – “Capadócia”
Curumin – “Selvage”
Tennis – “Petition (Vacationer Remix)”
Supercordas – “Mumbai”
Superchunk – “This Summer”
Sexy Fi – “Looking Asa Sul, Feeling Asa Norte”
Mahmundi – “Calor do Amor”
Jessie Ware – “Wildest Moment”
Breakbot + Irfane – “One Out of Two”
Goldroom – “Fifteen”
Caribou – “Sun (Zopelar Rework)”
Electric Guest – “American Daydream”
Toro y Moi – “So Many Details”
Lana Del Rey – “Born to Die”
The Internet – “Fastlane”
Xx – “Tides”
Silva – “Moleton”
Delicate Steve – “Two Lovers”
Neil Young & The Crazy Horse – “Ramada Inn”
Cat Power – “Cherokee”
Céu – “Chegar em Mim”
JJ – “10”
Twin Shadow – “Five Seconds”
Bobby Womack + Lana Del Rey – “Dayglo Reflection”
Nicki Minaj – “Starships”
Metá Metá – “Oya”
Lucas Santtana – “Jogos Madrugais”
Poolside – “Just Fall in Love”
Chromatics – “Kill for Love”
Divine Fits – “Would That Not Be Nice”
Chet Faker – “Terms and Conditions”
Sinkane – “Jeeper Creeper”
Tame Impala – “Apocalypse Dreams”
Grimes – “Oblivion”
Frank Ocean – “Lost”
Spiritualized – “Hey Jane”
Lindstrøm – “Eg-ged-osis (Todd Terje Extended Mix)”
Major Lazer + Amber Coffman – “Get Free”
Chromatics – “The Page”
Lana Del Rey – “Blue Jeans (Penguin Prison Remix)”
Grimes – “Genesis”
Tame Impala – “Feels Like We Only Go Backwards”
Poolside – “Harvest Moon”
Frank Ocean – “Pyramids”
Kendrick Lamar – “Bitch, Don’t Kill My Vibe”
Curumin – “Passarinho”
Chromatics – “Lady”
Hot Chip – “Flutes”

E a melhor música de Lana Del Rey do ano foi lançada em 2011, mas recebeu um tratamento primoroso pelo produtor Peguin Prison em 2012, trazendo o encontro que antes acontecia em um bar de beira de estrada para uma pista de dança austera e classuda, num dos grandes hits do ano.

“Pés não falhem agora” – eis o primeiro salto, o momento em que Lana Del Rey, agora com contrato, turnê e cachês, resolve ampliar seu espectro e deixar de ser a Jessica Rabbit do YouTube. Para isso, ela começou 2012 com a faixa que batizava seu disco de estréia, dando, a partir do título, operático e dramático, a noção da amplitude que gostaria de percorrer por 2012 e além, numa música existencialista e dramática, trágica e cética – o clipe superpõe um mundano acidente de carro a um trono cercado por tigres e funciona como um trampolim para Lana ir ainda mais longe.

A inesperada volta de Bobby Womack trouxe a ainda mais inusitada parceria com Lana Del Rey, em “Dayglo Reflection”. E o blue beat que transforma a canção num híbrido de soul elemental com balada dubstep funciona como cenário tanto para a introspecção gospel do vocal emotivo do velho Bobby como para o tom gélido e fatal do timbre da jovem Lana. O resultado, que soa indigesto à primeira vista, torna-se um envolvente lamento que transcende idade, gênero, raça.
(E com o Damon Albarn acompanhando então… A música entra a partir dos quatro minutos no vídeo abaixo.)

David Lynch é pouco. Lana Del Rey mira no coração daquilo que conhecemos como os Estados Unidos da América do Norte e reinventa “Bittersweet Symphony” como um rap de brinquedo encenado na Casa Branca da Camelot dos Kennedy de um clipe épico, ousando encarnar a primeira dama (revivendo o filme Zapruder) e a segunda (em seu clássico presente de aniversário ao Jack) damas de um JFK negro e rapper – uma crítica à atual decadência dos EUA que se apega ao seu passado histórico como porto seguro que ecoa em versos que falam de armas, sucesso, dinheiro e sexo como se fossem slogans de um filme patriota. Eis a história se repetindo, e como previam, como farsa.

Muitos pegam no meu pé devido ao meu apreço por Lana Del Rey. Não acho-a propriamente gata nem que sua voz seja grande coisa – e nem que esses critérios importem quando o assunto é música pop. A graça de Lana Del Rey começa por sua própria reinvenção – que começa depois que ela desiste de ser batizada de Lizzie Grant, se reinventando como uma cruza de Jessica Rabbit com personagem de David Lynch a partir de vídeos do YouTube. É um processo atravessado por qualquer artista que aspira à grandeza – a constatação de que, sem tomar conta da própria imagem, é muito fácil ser esquecido, na era da arte em escala industrial – e Lana é uma das personagens mais complexas nesse novo cenário em 2012. Se ela é cria de uma gravadora, se seu pai é milionário e comprou seu sucesso, se ela saiu em blogs de moda e de MP3 por causa dos bastidores de sua carreira, se ela está no comando ou é apenas a cria de um mercado que, mesmo decadente, ainda dá as cartas – isso tudo é secundário. E se o fim de 2011 tinha assistido ao início de sua carreira erguida ao redor de “Video Games”, 2012 viu a consagração de um álbum inteiro, Born to Die – até sua versão expandida, Paradise Edition – se espalhar por todo um ano, em clipes épicos, revelando camadas nada agradáveis do tal sonho americano, que Lana resolveu encarnar. Assim, deixou de ser um truque de espelhos e fumaça feito para funcionar na internet para assumir uma escala épica, como se o Grande Gatsby do Baz Luhrmann se encaixasse em uma pessoa; como se o Grande Romance Americano fosse um livro do Hunter Thompson ou do Tom Wolfe sobre como os anos 50 foram parar nos anos 70. Em um ano, Lana deixou de ser uma curiosidade cult para se tornar uma estrela de primeira grandeza – sempre caminhando sobre canções sólidas e graves, cantadas com o tom monocórdico e fúnebre da triste constatação sobre o fim do Império Americano; uma caricatura de Marilyn Monroe que se recusa a se suicidar e morrer linda; um livro de Gore Vidal adaptado para o cinema por Oliver Stone. Lana Del Rey não é o último ícone pop norte-americano, mas parece ser o último a se levar a sério. Se ela fosse o personagem de alguém, não seria tão divertida – e trágica.

Calorão is good.
T-Rex – “Get it On”
Ray Barretto – “Teacher of Love”
Streets – “Trust Me”
2Pac + Dr. Dre – “California Love”
Generationals – “When They Fight, They Fight”
Shawn Lee + AM – “Somebody Like You”
Bachman-Turner-Overdrive – “Let it Ride”
Fever Ray – “Seven (Twelves Remix)”
Xx – “VCR (Four Tet Remix)”
Curumin – “Blimblim”
Lana Del Rey – “Blue Jeans (Penguin Prison Remix)”
Lulu Santos – “Sereia”
Kendrick Lamar – “Bitch, Don’t Kill My Vibe”
Toro Y Moi – “So Many Details”
Yusek – “Off the Wall”