
O grupo Florence + The Machine acabou de lançar um novo disco (Everybody Screams) e para divulgá-lo gravou uma sessão acústica de músicas do novo álbum na rádio Siriusxm – mas não só. E para fugir do roteiro apontando para o clima de dia das bruxas, eles voltaram para sua “Which Witch?” que já tem dez anos de idade e a emendaram com duas “Abracadabra” – a primeira, claro, uma versão para o primeiro single do disco que Lady Gaga lançou esse ano, mas também acenando para o clássico hino soft rock da Stevie Miller Band. Ficou jóia.

Enquanto rola esse boato que talvez a Demi Lovato toque no Brasil esse ano (fora esse outro da Adele, mas isso é outra história – em outra cidade), ela lança um vídeo no Live Lounge da BBC cantando um medley com duas pérolas do disco mais recente de Lady Gaga, que, vamos combinar, é um dos discos desse ano. E Demi faz bonito ao emendar “Disease” com “Perfect Celebrity”, diz aí…

Lady Gaga reatou laços com o Brasil em uma noite épica que superou a catarse produzida por Madonna no ano passado neste sábado, no Rio de Janeiro. Ao mostrar seu melhor disco (o impressionante Mayhem) em formato operístico pop, ampliando a apresentação num enorme espetáculo teatral em larga escala, a cantora mostrou que está no seu auge e a intensidade da apresentação – sentida mesmo à distância, pela TV – mostrou o quanto essa noite foi importante para ela. Juntando mais de dois milhões de pessoas na praia de Copacabana, ela pode ter feito o show mais importante de sua carreira e consagrou a visão do prefeito carioca Eduardo Paes de transformar o meio do primeiro semestre em seu segundo réveillon, seu próprio show de intervalo do Super Bowl que não apenas reforça a importância da música e da cultura em todos os sentidos para o país (e justamente após a época mais trevosa de nossa história recente), como transforma a praia mais famosa do Brasil em um dos palcos mais populosos (e, consequentemente, desejados) do planeta. Com Madonna e Gaga, Paes conseguiu ampliar a quantidade de posições da praia no ranking dos maiores shows de todos os tempos – os réveillons de 1993 (Jorge Ben) e 1994 (Rod Stewart) e a vinda dos Stones (2006) já estavam entre os dez maiores shows de todos os tempos (os dois primeiros nas primeiras posições), com Madonna (no ano passado) e agora Lady Gaga, a praia tem cinco dos dez maiores shows de todos os tempos. Com isso aumenta-se ainda mais a especulação sobre a possibilidade dessa apresentação tornar-se uma atração anual no calendário brasileiro e sobre quem poderiam ser os próximos nomes. Além de vários shows nacionais (imagina essa turnê do Gil em Copacabana), nomes como Taylor Swift, The Weeknd, U2, Beyoncé, Coldplay, Bruno Mars, Rihanna e os próprios Stones de novo (e outros menos cotados, como BTS, Ed Sheeran, Pink Floyd, Metallica, Kendrick Lamar, Pearl Jam, Abba e Adele) surgem como possíveis candidatos. Mas vou deixar minha aposta aqui: Britney Spears.
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Lady Gaga causou nessa sexta-feira no Coachella ao trazer uma versão burlesca e grandiosa de seu recém-lançado Mayhem como uma ópera dividida em quatro atos (Act I: Of Velvet And Vice, Act II: And She Fell Into A Gothic Dream, Act III: The Beautiful Nightmare That Knows Her Name e Act IV: To Wake Her Is to Lose Her). Entrelaçando hits como “Bloody Mary”, “Poker Face”, “Born This Way”, “Alejandro” e “Born This Way” com as primeiras aparições em palco para “The Beast”, “Garden Of Eden”, “Zombieboy”, “How Bad Do U Want Me”, “Shadow Of A Man” e “Vanish Into You”, ela ainda trouxe uma versão da ótima “Abracadabra” remixada por Gesaffelstein, que foi lançada nas plataformas de áudio no mesmo dia. Seu disco mais recente talvez seja seu melhor álbum (preciso escrever sobre ele) e pode ser que sua versão ao vivo a eleve para um nível que sua carreira ainda não alcançou, tanto em termos artísticos quanto comerciais. O que torna seu show em Copacabana ainda mais importante…

Mick Jagger está com oitenta anos, Keith Richards completa suas oito décadas em menos de dois meses e Ronnie Wood fez seus 76 anos no meio deste ano – e mesmo octagenários os Rolling Stones lançam um de seus melhores discos. Hackney Diamonds, lançado nesta sexta-feira, é o primeiro disco de inéditas do grupo em quase 20 anos e é o melhor disco da banda desde, provavelmente, Tattoo You, lançado em 1981. O grupo sabe disso e não o fez por mera autopromoção – ao cogitar que o novo álbum talvez seja seu último disco de estúdio, os três remanescentes da banda o transformaram em uma grande celebração à sua importância, não apenas subindo o sarrafo para apresentar um repertório bem acima da média dos discos anteriores, como convidando compadres e ídolos para participar desta celebração. Só a mera participação de Paul McCartney tocando baixo em “Bite My Head Off” já desequilibra completamente qualquer balança do mundo pop e todos esperamos o momento de vê-la encarnada em algum palco do mundo num literal museu vivo dos anos 60. Mas o disco ainda traz Stevie Wonder e Lady Gaga numa mesma faixa (a deslumbrante baladaça gospel soul “Sweet Sounds of Heaven”, que foi mostrada ao vivo no show surpresa que a banda fez em Nova York nesta quinta-feira no clube Racket, para 600 pessoas, com a participação da própria Gaga), o baixista original da banda Bill Wyman (o Stone mais velho de todos, já com 86 anos!) e Sir Elton John e encerra com uma versão da banda do blues de Muddy Waters que lhes deu o nome. Fechar o disco superproduzido com uma versão crua para “Rolling Stone Blues” foi a forma nada sutil que o grupo cogitou para encerrar sua carreira em estúdio. Em estúdio! Porque a vida nos palcos continua – esperamos vê-los ao vivo em breve.
Assista abaixo a participação de Lady Gaga no show de lançamento do novo álbum:

No segundo single de seu próximo álbum, Hackney Diamonds, os Rolling Stones não deixaram barato e soltaram logo um gospel de mais de sete minutos que ecoa os clássicos números lentos do grupo, como “Shine a Light”, “Worried About You”, “Winter”, “You Can’t Always Get What You Want” e até “I Just Want to See His Face”. E o clima de igreja de “Sweet Sounds of Heaven” é reforçado pela presença dos convidados ilustres da vez, ninguém menos que Stevie Wonder entre o piano, o piano elétrico e o synth bass (linha que o grupo usou para escrever o arranjo de sopros da faixa) e uma Lady Gaga, que consegue ser simultaneamente protagonista e coadjuvante, ambos apenas reverenciando a importância que sentem em relação ao grupo. Os dois guitarristas da banda – dois dos últimos sobreviventes, Keith Richards e Ron Wood – misturam-se com os convidados como se já tivessem tocado juntos por décadas, deixando terreno e holofote para Mick Jagger brilhar, que aproveita essa luz para celebrar o amigo Charlie Watts: “Abençoe o pai, abençoe o filho, ouça o som dos tambores enquanto eles ecoa pelo vale e explode”. Bom demais.