Mais um single do disco dos Avalanches, desta vez com uma participação de peso, quando o duo australiano convidou a diva Karen O, dos Yeah Yeah Yeahs, para cantar a melancólica “Blue Shadows”. É a terceira música que eles soltaram desde o começo, todas com participações especiais, como de praxe: a primeira – “Together” – com Nikki Nair, Jessy Lanza e Prentiss e a segunda – “Every Single Weekend” – com Jamie xx. Mas ainda não há notícias sobre título ou data de lançamento do disco… Seguimos à espera.
Um dos aspectos mais importantes dos filmes de Wes Anderson – tão protagonista quanto sua direção de arte e sua escolha de elenco – são as músicas que ele escolhe para compor a trilha sonora, criando verdadeiras cápsulas de sentimento inclusive em cima de canções já conhecidas do grande público, o que é um feito e tanto. Este lado de sua filmografia foi celebrado neste fim de semana no lendário Hollywood Bowl, em Los Angeles, nos EUA, quando o diretor reuniu a orquestra filarmônica da cidade (apelidada de L.A. Phil) com uma banda liderada por Beck com convidados de peso como Karen O dos Yeah Yeah Yeahs, Jackson Browne, Jenny Lewis, Karen Elson, Rufus Wainwright, Jean‐Yves Thibaudet, o grupo Devo e os atores Jason Schwartzman, Jeff Goldblum e Bill Murray, este último como mestre de cerimônias, entre outros. No repertório, o Devo tocou “Gut Feeling” que tensiona A Vida Marinha com Steve Zissou, Beck atravessou a dolorida “Needle in the Hay” de Elliot Smith, usada em Os Royal Tenenbaums, filme que também tem a versão clássica que Nico fez para a música que Jackson Browne compôs quando tinha apenas 17 anos, “These Days”, cantada por seu autor. Karen O trouxe dois momentos britânicos, primeiro cantando “Play With Fire” dos Stones (no filme Viagem a Darjeeling) e depois visitando “Making Time”, do grupo Creation, do filme Rushmore. Beck e Browne se reuniram para cantar a linda “Alone Again Or” do Love (do primeiro filme de Wes, Bottle Rocket) e depois “Le Temps De L’Amour” eternizada por Françoise Hardy (e presente em Moonrise Kingdom) veio na voz de Karen Elson. Um dos momentos mais bonitos aconteceu quando, em uma das noites, Schwartzman lembrou que Wes Anderson lhe convenceu a fazer o primeiro filme dos dois (Bottle Rocket, de 1996) depois de dar uma volta de carro ouvindo as músicas que fariam parte da trilha sonora na ordem – e mostrou a fita que havia encontrado meses antes daquele show, arremessando-a para a plateia. Que momento!
Patti Smith foi a estrela da vigésima edição de um evento de caridade para arrecadar fundos para a educação nos EUA realizado nesta quarta-feira no Carnegie Hall de Nova York, mas nossa senhora punk foi o assunto e não a única intérprete – e assim o palco foi invadido por estrelas do naipe de Bruce Springsteen, Michael Stipe, Sharon Van Etten, Angel Olsen, Johnny Depp, Sean Penn, Jim Jarmusch, Courtney Barnett, entre outros medalhões pupilos de nossa deusa. A banda que acompanhou a maioria do grupo era formmada por Tony Shanahan (que toca na banda de Patti) e Charlie Sexton (que tocava com Dylan) nas guitarras, Flea (ele mesmo, do Red Hot) no baixo, Benmont Tench (dos Heartbreakers de Tom Petty) no piano e Steve Jordan (que hoje toca nas turnês dos Stones) na bateria. Vou soltando alguns vídeos no decorrer do dia e juntando todos aí embaixo – começando por essa versão que a Karen O fez pra “Gloria” seguido de Bruce Springsteen mandando “Because the Night”, Michael Stipe cantando “My Blakean Year” e “People Are Strange” dos Doors (banda crucial na formação de Patti), Angel Olsen cantando “Easter”, Sharon Van Etten cantando “Pissing in a River” e todo mundo junto (Bruce, Karen, Michael, Angel Olsen, Sharon Van Etten, Johnny Depp, Courtney Barnett, Matt Berringer do National, Alison Mosshart dos Kills, Karen O do Yeah Yeah Yeahs, Paul Banks do Interpol e outros convidados) cantando “People Have the Power” com nossa senhora. . Benzadeusa…
A excelente premissa do clássico de Philip K. Dick, O Homem do Castelo Alto, funcionou bem como seriado – como seriam os anos 50 de um mundo em que não apenas o Terceiro Reich tivesse vencido a Segunda Guerra Mundial como também, à maneira da Alemanha em nossa realidade, os Estados Unidos tivessem sido divididos entre a Alemanha e o Japão. E embora a primeira temporada da série produzida pela Amazon não tenha ganho a repercussão merecida (como acontece com a maioria de seus seriados, uma vez que ficam restritos à plataforma da loja online, que ainda engatinha em popularidade), a segunda temporada, que estreou no fim do ano passado, trouxe uma joia escondida na manga: uma trilha sonora em que clássicos daquele período foram regravados por artistas atuais.
A grande sacada de Resistance Radio, o nome desta trilha, não reside apenas nas escolha de quais artistas tocam quais músicas, embora só isso já valha a audição: tem Beck tocando “Can’t Help Falling in Love”, Norah Jones tocando “Unchained Melody”, além de versões assinadas por Sharon Van Etten, Angel Olsen, Karen O, Shins, Kelis, Michael Kiwanuka e Andrew VanWyngarden, do MGMT, entre outros. Mas a escolha do próprio repertório – revivendo músicas daquele período que ficaram conhecidas em versões tardias -, dá uma aura fantasmagórica e surreal à coleção de músicas. “Spoonful”, mais conhecida com o Cream, ressurge como um blues tradicional cantado por Benjamin Booker, “Who’s Lovin’ You” volta ao início dos anos 60 como foi gravada pelas Miracles (diferente das versões mais conhecidas asssinadas pelos Temptations ou pelos Jackson 5) na voz da Kelis – mas talvez o melhor exemplo seja a versão que o Grandaddy faz para “Love Hurts”, resgatando a balada dos Everly Brothers para longe daquela versão farofa do Nazareth.
A trilha inteira vale à pena:
Sharon Van Etten – “The End of the World”
Andrew VanWyngarden – “Nature Boy”
Beck – “Can’t Help Falling in Love”
Benjamin Booker – “Spoonful”
Sam Cohen – “The House of the Rising Sun”
Shins – “A Taste of Honey”
Angel Olsen – “Who’s Sorry Now”
Waterstrider – “Speaking of Happiness”
Michael Kiwanuka – “Sometimes I Feel Like a Motherless Child”
Grandaddy – “Love Hurts”
Big Search – “Lonely Mound of Clay”
Kevin Morby – “I Only Have Eyes for You”
Kelis – “Who’s Lovin’ You”
Norah Jones – “Unchained Melody”
Curtis Harding – “Lead Me On”
Maybird – “All Alone Am I”
Karen O – “Living in a Trance”
Sam Cohen – “Get Happy”
Três anos depois de sua primeira aparição, Santigold retorna do nada, dividindo um single quase marcial (“Go!”), com a vocalista do Yeah Yeah Yeahs. Funciona, mas não é necessariamente o melhor sinal de vida da cantora desde os idos de 2008. Veremos a próxima.
Ano bom para a vocalista do Yeah Yeah Yeahs – além de sua banda ter lançado seu disco mais consistente (apesar de não ter nenhuma “Maps” em It’s Blitz), ela ainda pegou a trilha sonora do filme Where the Wild Things Are, adaptação do clássico infantil norte-americano de Maurice Sendak dirigida por seu ex-namorado Spike Jonze. Além dos integrantes do YYYs, a banda que ela juntou para a trilha – batizada de The Kids – ainda conta com Bradford Cox (Deerhunter), Dean Fertita (QOTSA, Dead Weather, Raconteurs), Jack Lawrence (Dead Weather, Raconteurs, Greenhornes) e gente das bandas Services, Liars, The Bird and the Bee e do New Folk Implosion na formação. O vídeo acima traz uma palhinha da trilha.