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Jornalismo

Minha coluna no 2 de ontem foi sobre o tal DJ Cremoso

A maionese do brega
Quem será o misterioso DJ Cremoso?

Você conhece a música. Mas há algo diferente nela, desde o andamento até os timbres usados na parte instrumental. O vocal é o mesmo da música original, mas, independentemente de ser rock, dance ou simplesmente pop, ela ganha uma batida dançante que fica entre uma espécie de levada caribenha e um suingue eletrônico tosco, de baixa tecnologia. Assim são os remixes do misterioso DJ Cremoso, que, desde o início do ano, vem adaptando hits internacionais para o balanço chinfrim do tecnobrega.

Tecno… o quê? O tecnobrega é um gênero musical que surgiu a partir do brega do Pará – que é bem diferente da música cafona de nomes como Odair José ou Waldick Soriano. No Norte do Brasil, essa música brega não teve vergonha de assumir seu nome e virou um estilo musical próprio, levando canções românticas para multidões paraenses.

Do brega veio o tecnobrega, versão eletrônica simplificada do gênero original, que levou aquela lógica para uma nova geração. Nele, a banda era substituída por um DJ e os shows ganhavam ares de rave, com efeitos especiais grandiosos e catarse coletiva incessante. O gênero ganhou notoriedade antes do tempo não por suas qualidades musicais (ainda incipientes), mas por se basear em um modelo de negócios “revolucionário”. Seus artistas não vendiam discos, mas os davam de graça para os camelôs piratearem por conta própria e vender sem repassar o lucro para os autores, que ganhavam dinheiro fazendo shows. A “revolução” vem entre aspas porque o modelo não é autossutentável, como prega o maior entusiasta do gênero tecnobrega no mundo, Chris Anderson, editor da revista sobre cultura digital norte-americana Wired. Mas isso é outra história.

Eis que surgiu Cremoso, que preferiu manter-se no anonimato e usou a internet para divulgar seus remixes. Usando a base eletrônica e todo o auê em torno do tecnobrega para remixar nomes como Lady Gaga, R.E.M., Nirvana, Amy Winehouse, Michael Jackson e Britney Spears (sirva-se à vontade da “maionese do brega”, como ele se autointitula no site soundcloud.com/djcremoso). E o mistério sobre sua identidade segue intacto. Mas, a essa altura do campeonato, isso importa?

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Como disse, na minha coluna de ontem no Caderno 2 peguei o gancho do Inception para falar da onipresença da ficção científica nos dias de hoje.

Parece invenção
A influência da ficção científica

Há menos de um mês, neste mesmo espaço, comentei sobre a dificuldade que Christopher Nolan teve para manter o tema de seu novo filme, Inception, em sigilo absoluto. De roteiro complicado e histórias que se superpõem, a produção estreou sexta passada no Brasil com o insosso título de A Origem (sendo que os personagens se referem o tempo todo a uma certa “inserção”).

Mas pode ficar na boa: não vou falar sobre sua história – e recomendo, caso você não o tenha assistido ainda, que se blinde contra possíveis spoilers (o termo em inglês que designa informações que estragam a surpresa de um determinado filme ou série).

A Origem é só mais um dos inúmeros exemplos de como a ficção científica é onipresente no imaginário do século 21. Se formos analisar apenas cinema, os exemplos vão desde nomes gigantes (Matrix e Wall-E) a filmes menores (Moon, Filhos da Esperança, Donnie Darko) e passam tanto por remakes (Planeta dos Macacos, a nova trilogia de Guerra nas Estrelas e o Jornada nas Estrelas de J.J. Abrams) quanto pelos inúmeros filmes de super-herói.

Sim: super-heróis são a forma mais trivial e rasteira de ficção científica. Não são seres fantásticos e mitológicos, embora se comportem como se fossem. Mas por trás de todo super-herói há uma origem explicada cientificamente – mesmo que à base da pseudociência.

Nascido no século 18 com As Viagens de Gulliver (que terá versão para o cinema, com Jack Black, no final do ano), o gênero tornou-se popular no fim do século seguinte graças a nomes como H.G. Wells e Júlio Verne e entrou no século 20 como uma espécie de subliteratura, feita para ser consumida de forma rápida e rasteira. Longe da crítica literária, os autores do novo gênero aproveitaram esta liberdade para usar discos voadores, robôs, viagens no tempo e alienígenas como metáforas para a condição humana. Assim, autores como Isaac Asimov, Arthur C. Clarke, Philip K. Dick, William Gibson e Neal Stephenson podiam criar seus universos livremente, o que serviu de base para a atual onipresença do gênero no mundo todo.

Acontece que esta liberdade que a ficção científica deu a esses autores permitiu que eles pudessem viajar em uma ciência inexistente, imaginária – que serviu como inspiração para muitos cientistas criarem invenções que nasceram na cabeça de escritores.

Eis o motivo do gênero estar em voga atualmente: vivemos num século cujas principais inovações científicas foram imaginadas por artistas. Sim – vivemos em um mundo de ficção científica. E parece que não há nada mais para ser inventado ou imaginado.

Que nada. A Origem – e outros tantos filmes de ficção científica que ainda virão por aí – cogita uma ciência que parece de mentira, inventada. Até que algum cientista se disponha a transformá-la em realidade…

O meu convidado da edição do Link desta semana foi o Forlani, do Omelete, que esteve na Comic Con deste ano e deu uma geral no retorno de uma das marcas que melhor estabeleceram o conceito de digital no inconsciente do planeta, nos anos 80. Vale ler.

O Reina e o Burgarelli fizeram uma matéria sobre adolescentes e pornografia na edição de domingo do caderno Metrópole, do Estadão, e me pediram para escrever algumas palavras sobre o tema:

Educar é a melhor forma de proteger o adolescente

É uma questão de educação – e não de repressão. Grande parte dos pais costuma entrar em pânico quando o tema “sexo” surge entre seus filhos – e a primeira reação quase sempre é de espanto e censura. O sentimento de proteção próprio da paternidade ganha contornos distorcidos e o adolescente se incomoda.

Em tempos digitais, essa preocupação aumenta de forma exponencial. Não bastasse o sexo ser onipresente na cultura de massa que vivemos, a natureza da internet torna tudo acessível para quem quer ver e ser visto.

É o caso dos adolescentes que se expõem via Twitcam: achando que estão apenas brincando com desconhecidos virtuais, não percebem que estão produzindo pornografia. E não apenas para os que assistem ao vivo. Uma das regras não-ditas da internet é bem simples: uma vez que algo (texto, vídeo, áudio, foto) cai na rede, já era. O meio digital permite a reprodução infinita de tudo. Não se “entra” em um site, e, sim, copia-se o conteúdo deste para o computador de quem o acessou.

No exterior, há donos de sites de sexo explícito que contratam hackers para buscar fotos picantes – e não apenas de adolescentes. Basta um casal filmar uma noite mais empolgada para que se torne alvo em potencial. O mercado de pornografia com amadores – conscientes ou não de sua exposição – é tão grande quanto o que conta com profissionais.

Por isso, o cuidado com os rastros eletrônicos deve ser de todos. Não quer que fotos de nu apareçam na internet? Não as tire. Mas com os filhos, isso não é tão trivial. Primeiro, porque há a natural rejeição dos adolescentes aos conselhos dos pais. E, também, pelo fato de eles não pensarem nas consequências.

Por isso, vale conversar, mais do que proibir. A repressão pode fazer com que filhos reajam de forma impensada, apenas pelo fato de terem sido censurados. Deve-se explicar que a intimidade na era digital tornou-se um conceito tão maleável quanto o de privacidade. E que basta ligar uma câmera ou publicar uma foto para exibir tudo para todo o mundo.

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E a minha coluna de ontem no Caderno 2 foi sobre a dominação brasileira nos trending topics.

Trending Trópicos
…E o Brasil dominou o Twitter

As coisas andam mais depressa no mundo digital. A Copa do Mundo terminou há mais de um mês, mas o movimento “Cala Boca Galvão” parece que aconteceu anos atrás. Para quem não lembra, a tentativa de calar o locutor da Globo começou a partir das reclamações de brasileiros no Twitter, o que fez que a frase chegasse aos trending topics da rede social. Esses tópicos funcionam da seguinte forma: quando um termo é repetido várias vezes pelos usuários do Twitter, ele aparece em uma lista que apresenta quais são as frases, palavras ou expressões mais twittadas naquele instante. Eis um dos grandes trunfos do Twitter: funcionar como um termômetro do inconsciente coletivo mundial – ou ao menos das pessoas conectadas à sua rede.

“Cala Boca Galvão”, portanto, foi uma das expressões que apareceram nos trending topics logo que a Copa começou. Quem não era brasileiro e viu aquela expressão em português nos tópicos, passou a perguntar o que era aquilo. Irônicos, alguns brasileiros começaram a brincar com o significado e disseram que a frase era o slogan de um movimento que queria salvar aves em extinção no Brasil – isso foi assunto até desta coluna, domingos atrás.

Não foi a primeira vez que o Brasil chegou à lista dos tópicos mais falados no Twitter. Em junho do ano passado, o ator Ashton Kutcher resolveu brincar com a seleção brasileira e aprendeu, na lata, o significado da expressão “Chupa!” Twittou e, em pouco tempo, o termo “Chupa” estava nos trending topics.

Mas depois do “Cala Boca Galvão”, algo mudou. Cientes de que haviam emplacado um termo na lista, brasileiros começaram a twittar freneticamente para ver se alguma bobagem entrava nos trending topics. E elas começaram a entrar. Foi questão de tempo para que quem não fosse brasileiro começasse a se perguntar, como perguntaram sobre o Galvão, o que era “Fiuk”, “Cala Boca Stallone” ou “Bruna Surfistinha”. E nas últimas semanas, não apenas um ou dois, mas todos os dez tópicos mais comentados no Twitter tinham sido criados por brasileiros.

Isso gerou uma repulsa brasileira ao próprio comportamento dos brasileiros – gente inconformada, reclamando da presença de algum termo no Twitter, sem perceber que, ao reclamar dele, o ajudava a mantê-lo no topo. Mas é um comportamento típico: reclamar que o brasileiro avacalha tudo e que isso é coisa de subdesenvolvido.

O engraçado é que essa avacalhação é uma das bases da nossa cultura – vide Oswald de Andrade, o Amigo da Onça, o Pasquim, Chacrinha e Hermes e Renato. E agora, as brincadeiras no Twitter entram nessa tradição, como uma manifestação em massa que pode ser chamada de “trending tropicalização”.

Mais barato
Kindle: Às vésperas da popularização?

Foi posta em pré-venda na semana passada, a terceira versão do e-reader da Amazon, o Kindle. Menor e mais leve que as versões anteriores, a maior novidade é a redução de preço. O aparelho, que começou a ser vendido a US$ 399, agora custa US$ 139, três anos depois de seu lançamento. Analistas acreditam que, uma vez que o dispositivo passe a custar US$ 10o, ele deixa de ser um produto de nicho e ganha o mercado de vez.

ABC digital

A matéria de capa do Link dessa semana reunia exemplos de como o mundo digital vem mudando nosso vocabulário, inserindo palavras e expressões no dia-a-dia sem que nem sequer nos darmos conta. Além deste glossário (diagramado genialmente, pra variar, pelo Jairo e pelo Thiago e convertido na versão digital vertical acima pela Helô), a edição ainda contava com uma ótima matéria da Carla sobre as mudanças que o idioma sofre com o tempo e um artigo do Bráulio Tavares comentando estas mutações. Recomedo a leitura.