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Jornalismo

Hoje também estreei a coluna Refletor (a citação desta vez é do disco mais recente do Arcade Fire) no site Brainstorm9. Esta é semanal e nela vou falar de música e tecnologia. E começo juntando Daft Punk com Aphex Twin, Boards of Canada com My Bloody Valentine, David Bowie com Beyoncé e o desafio de chamar atenção na internet.

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O próximo dia
Entre lembranças de acesso aleatório e a colheita do amanhã

Antes era fácil: lançar disco e fazer show, esperar que toque no rádio ou que alguém goste e conte pros amigos, que irão comprar o disco e ir ao show. Felizmente isso é passado. A facilidade de antes tinha um preço: havia menos gente no jogo da música. No novo século há cada vez mais gente produzindo música por inúmeras razões diferentes. Haja rádio e casas de show pra tocar todos os artistas que existem no mundo hoje – as que existem não dão conta.

Por isso a internet tornou-se não apenas a grande plataforma de lançamento de novos artistas – superando o rádio, a TV, os jornais, as lojas e as gravadoras – mas também seu grande palco. É na rede que surgem e se apresentam os grandes e pequenos novos gênios ou picaretas do mercado da música no século 21.

As rádios ainda tocam novatos que são ouvidos diariamente por milhares de pessoas do mesmo jeito que as lojas de disco ainda vendem novos nomes que importam para alguns milhões de pessoas pelo planeta. Mas os números de hoje não são nada se comparados com os do passado, quando milhões de pessoas conheciam as poucas centenas de artistas verdadeiramente populares no mundo, escolhidos por algumas dezenas de executivos que, em muitos casos, nem se importavam com música.

Hoje vivemos num outro mundo. A facilidade de se expressar artisticamente – não apenas musicalmente – vem acelerando na mesma velocidade em que a facilidade de distribuir sua produção artística, seja ela filme, tweet, livro, aplicativo, festa, perfil em mídia social, seriado, peça publicitária, graphic novel, evento, game, clipe, álbum, tirinha, monólogo, site, canção, crônica, reality show, comentário, festival ou a fusão de cada um destes itens uns com os outros. O consumidor/produtor do início da década passada, motor da infância e adolescência da web 2.0, banalizou tanto o conceito de celebridade quanto o de artista.

Assim todos somos artistas o tempo todo, sempre mais conscientes deste papel e das necessidades de atingir um novo público. E este – que nos inclui – cada vez mais disperso, exposto a mais música – nova e velha, ambas vindo às torrentes – e engolindo tudo que seus ouvidos podem ouvir. Antes era caro conhecer muita música – uma boa discoteca requer um senhor investimento -, hoje basta conexão com a internet e disposição para fuçar ou para levar-se pela transmissão. Não há mais um veio principal a ser perseguido e a tempestade de som nos persegue para onde quer que vamos.

Por isso se antes o processo de voltar a se comunicar com o público exigia apenas mostrar serviço – faixas novas, novas fotos de divulgação, notícias sobre um novo disco – agora é um trabalho que exige dedicação, estratégia e imaginação.

No ano passado, o Daft Punk começou o processo de divulgação de seu disco lançando um teaser de segundos num comercial de TV (um microtrecho que chegou a render remixes!) para depois lançar o refrão do primeiro single no intervalo entre shows de um grande festival, revelando as participações do rapper Pharrel e de um dos pais da disco music comercial, Nile Rodgers, do Chic. A estratégia funcionou – e quando “Get Lucky” começou a ser vendida, puxando o ótimo e retrô “Random Access Memories”, já era uma das músicas mais ouvidas de 2013.

Outro grupo, mais obscuro mas igualmente eminente, optou por uma caça ao tesouro. No Record Store Day do ano passado, a dupla Boards of Canada espalhou pistas de seu novo disco em lojas de discos, no YouTube e em sites de fãs da banda. Ao juntar os pedaços os fãs ouviam um trecho do novo disco, além de descobrirem o título e a data de lançamento de seu “Tomorrow’s Harvest”, que figurou entre os melhores discos do ano passado em diferentes listas.

2013 também viu o lançamento repentino de discos de gente como David Bowie (com “The Next Day”), My Bloody Valentine e Beyoncé (em discos homônimos), que anunciaram seus álbuns mais recentes ao mesmo tempo em que os lançaram – uma tática semelhante à do Radiohead em 2007, com seu “In Rainbows”. Mas naquela época o grupo inglês era a exceção – e por sua natureza experimental seria natural experimentar também na estratégia de lançamento. Bowie, MBV e a senhora Carter fizeram semelhante caminho e tiraram seus coelhos das cartolas antes que alguém pudesse cogitar que discos novos estavam sendo produzidos.

Quem puxa esse carro em 2014 é o produtor inglês Richard D. James, o enigmático Aphex Twin, que desde 2001 não lança material novo e, de uma hora pra outra, apareceu com novo disco na área. Primeiro soltou um zepelim de brinquedo nos céus londrinos com seu logotipo num sábado, depois o mesmo logo apareceu pixado nas calçadas de Nova York num domingo. Na segunda twittou um endereço que só podia ser acessado usando o navegador Tor, que permite conectar-se à chamada “deep web”, recanto digital da rede por onde armas, pornografia e drogas correm soltas. O endereço anunciava o título do novo trabalho – “Syro” – e a data de lançamento, confirmada pela gravadora Warp como sendo em outubro.

E isso por que estamos falando de nomes como Daft Punk, Beyoncé, Aphex Twin, My Bloody Valentine, Boards of Canada e David Bowie. Nomes que, mais ou menos conhecidos, são gigantes para seus séquitos de fãs. Gente que não teria dificuldade para emplacar a notícia sobre um disco novo. Mas se até os grandes se sentem desafiados e instigados a repensar seus lançamentos à era digital, que dizer dos pequenos que não correm nenhum risco e não têm nada a perder?

O século digital ainda está engatinhando, apesar de já acharmos que já o conhecemos faz tempo.

[* O nome desta coluna é uma referência ao álbum Reflektor, do grupo canadense Arcade Fire, um disco que, apesar de não parecer à primeira vista, fala justamente sobre a época digital em que vivemos. Música e tecnologia são os assuntos aqui.]

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Além de serem uma das melhores bandas novas de São Paulo, os meninos d’O Terno se esmeram nos clipes…

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Uma das últimas coisas que fiz na revista Galileu foi coordenar a parceria da revista com a Campus Party 2014, na semana passada, quando integrantes da redação participaram de atividades no evento. A primeira dessas foi um debate que propus entre a modelo Michi Provensi, o escritor André “Cardoso” Czarnobai e a diretora Vera Egito (o rapper Emicida também foi chamado para o bate-papo, mas não pode comparecer por motivos de saúde) sobre os limites da produção artística e o papel do artista frente a diferentes formatos e rótulos. Abaixo, a íntegra da conversa:

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Sim, a edição de fevereiro é a última edição da Galileu sob minha direção. Fui demitido na sexta passada, em pleno fechamento da edição de março e não faço a menor idéia sobre o futuro da revista. Só sei que, como havia dito na minha retrospectiva do ano passado, esse ano Galileu foi um ano de muito aprendizado, em vários níveis, e saio de lá com a sensação de que o trabalho que vinha fazendo foi interrompido pela metade, mas disposto a seguir com meus planos por conta própria. Já tinha novidades engatilhadas e, agora, fora do escritório, vou poder dar mais atenção e empenho a elas (isso também diz respeito ao próprio Trabalho Sujo). Essa semana ainda estou devagar por motivos pessoais e devo tirar um fevereiro de madame, aproveitando o verãozão e a piscina, mas grandes novidades surgem ainda antes do carnaval. Abaixo, minha última Carta ao Leitor.

Mãos à obra

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SEMPRE TEM: Perguntamos na redação se alguém tinha um iPhone quebrado e o Danilo Saraiva, da Quem, apareceu com esse

Quando foi que deixamos de fazer trabalhos manuais? Quando eu era criança — e nem faz tanto tempo assim —, gostava de montar quebra-cabeças, modelos Revell, carrinho de rolimã, além de abrir equipamentos quando meu pai deixava, normalmente eletrodomésticos velhos. Anos depois, na adolescência, comecei a tocar trombone e violão (não ao mesmo tempo) e a manutenção era uma parte tão importante quanto o uso dos instrumentos. Mas em dado momento as atividades manuais foram diminuindo — e a LER aumentando. O computador tinha entrado em nossas vidas.

Mas mesmo nos primeiros dias do computador, ainda havia alguma interação com a máquina para além da interface. Era preciso montá-lo: reunir peças e transformar HD, processador, pentes de memória, monitor, mouse, teclado e gabinete em um só aparelho. Isso também ficou no passado — e a caixa de ferramentas só sai do quartinho dos fundos quando há algum reparo rápido a ser feito em casa.

O certo é que, com a chegada do computador e da internet, deixamos as atividades manuais em segundo plano — em alguns casos, em terceiro ou quarto. Afinal, a era consumista que vivemos nos permite o luxo de, em vez de procurarmos o defeito, descartarmos o aparelho com problema. Basta lembrar quantos telefones celulares você teve nos últimos dez anos.

Esse luxo tem produzido uma montanha de lixo cada vez maior. E, mais do que isso, tem nos tornado menos práticos e mais dependentes de empresas e assistências técnicas para lidar com problemas que poderiam ser resolvidos em casa.

Mas há uma reação em curso e graças à mesma era digital que nos deixou mal acostumados: muita gente tem se reunido para retomar estas atividades — e consertar seus próprios aparelhos. O movimento “fixer” começou nos Estados Unidos, já se espalha pelo mundo e advoga que, se você não pode consertar seu próprio aparelho, você não é dono dele de verdade. Faz sentido.

Estes consertadores são o assunto de nossa matéria de capa e inspiram reflexões que vão além do descarte e da propriedade de aparelhos com problemas. Eles questionam a obsolescência programada que algumas empresas embutem em suas máquinas para que elas parem de funcionar depois de um tempo. E, como pude perceber, nossa falta de familiaridade com atividades que vão além de cliques de mouse e apertos de botões. Talvez seja o mote que precisamos para deixarmos o mundo virtual em outro plano. Vamos lá?

matias-por-luis-douradoAlexandre Matias
Diretor de Redação
matias@edglobo.com.br

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Participo mais uma vez da Campus Party nesta terça-feira, às 15h45, quando medio uma mesa sobre como a internet ampliou os horizontes da arte e da cultura, no palco Michelangelo, com a participação do escritor André “Cardoso” Czarnobai, da diretora Vera Egito e da modelo Michi Provensi. A mesa – que faz parte do conteúdo oferecido pela Galileu ao evento, consolidando mais um ano de parceriateria a participação do Emicida, mas ele teve problemas de saúde e não poderá participar.

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Quando completei cinco anos no Link, em maio de 2012, me caiu uma ficha: nunca tinha passado tanto tempo num mesmo emprego. E com essa ficha veio a determinação que não iria completar o sexto ano ali. Não foi um “basta”, mas apenas a constatação de que mais doze meses no comando de um caderno semanal de tecnologia em um dos maiores jornais do país me tirariam a empolgação que me deixou tão à vontade para fazer um dos trabalhos que mais gostei na vida. O que era novidade estava se tornando rotina – a transformação do telefone celular num computador de bolso havia se tornado uma maçante sequência de novos lançamentos da Apple e seus concorrentes, a ascensão de uma nova rede social que ultrapassaria fronteiras nacionais para unir o mundo num mesmo ambiente digital transformou-se num curral motivado apenas por publicidade para encher os bolsos de um jovem e desinteressante Bill Gates (Zuckerberg, óbvio), além da sensação de que em pouco tempo tecnologia e internet se tornariam tão onipresentes que não faria sentido ter uma seção específica num veículo de comunicação.

Mas já tinha uma cirurgia marcada para o segundo semestre (para consertar, finalmente, meu braço direito) e não queria sair correndo esbaforido para um outro lugar. Não me sentia pressionado no Estadão, muito pelo contrário – minhas criatividade e invenção eram estimuladas à medida em que o Link se estabelecia como um dos principais veículos a cobrir este setor. O que me incomodava era o tédio e a monotonia que não pairava sobre o caderno, mas sobre mim. Ao completar o quinto ano na edição do Link, estava decidido a mudar de ares com o novo ano. Não queria mais editar um caderno no piloto automático.

E é engraçado como basta você apertar um botão no seu cérebro para que as coisas comecem a acontecer. No fim do primeiro semestre do ano passado fui convidado para o cargo de editor-executivo da revista Época Negócios e no início do semestre seguinte, para assumir a edição do blog do Instituto Moreira Salles. Dois desafios enormes que me levariam para áreas que nunca havia cogitado no meu currículo (economia e cultura erudita), mas poderiam acrescentar muito à minha carreira. Áreas que tenho pouca atuação e interesse vago, mas nada que me assustasse – quem já trabalhou comigo sabe que repito o mantra que o jornalismo é das poucas profissões em que você é pago para aprender. Mas já havia assumido o compromisso médico comigo mesmo e não mudaria de emprego às vésperas de uma cirurgia que me tiraria de circulação por pelo menos dois meses. E com muito pesar declinei os convites feitos pelo David Cohen e pelo Flávio Pinheiro.

Até que, na semana em que voltei ao Estadão, fui chamado novamente pela Editora Globo para assumir outro cargo em outra publicação – o de diretor de redação da revista Galileu. Aí era outro papo: era uma publicação que eu era mais familiarizado com um dos assuntos que eu mais gosto (mas que nunca havia lidado profissionalmente), ciência. E me explicaram nas duas entrevistas que participei antes de ser contratado que meu trabalho não se restringia à revista – cuidaria da marca Galileu, funcionando como um embaixador do título, levando o título para além do papel. 2012 estava quase no fim e vi na oportunidade a chance que esperava para sair do periódico centenário do bairro do Limão. Foi bom enquanto durou, mas estava indo nessa.

Assumi o cargo em dezembro do ano passado, no início do fechamento da edição de janeiro. E me dei conta que o desafio não era pequeno – além do mercado de revistas estar vivendo seu pior momento, Galileu havia acabado de passar por uma mudança de identidade que me impedia de dar outra guinada editorial. A revista abandonou o formato clássico de revista de ciência em 2009 para se tornar uma revista com foco pesado em tecnologia, copiando pautas e páginas da Wired na caruda. Com isso, ela deixou de falar de história, uma das principais áreas neste tipo de publicação. Uma nova mudança na direção de redação a fez caminhar para algo que era referido como “ciência útil” – como a ciência poderia ser utilizada para melhorar seu dia-a-dia. E com isso tecnologia ficou em segundo plano. Esta última mudança, que trouxe o slogan “Questione, Entenda, Evolua” aconteceu cinco meses antes da minha entrada na editora, então estava claro que não poderia mudar projetos gráfico e editorial tão logo sem causar uma sensação de esquizofrenia no leitor da revista.

Mais do que isso: não costumo trabalhar de forma vertical, mandando e desmandando. Queria conhecer as pessoas da redação e me aprofundar no título como um todo. Levei o ano inteiro de 2012 das revistas para a casa para lê-las de cabo a rabo e percebi, felizmente, que a revista era ótima. Não fazia sentido sair demitindo ou contratando, era muito mais uma questão de ajustes e de postura. Assim, durante 2013 fui mexendo aqui e ali na revista sem desmerecer os trunfos e talentos que ela já apresentava, valorizando-os. A revista não era ruim, muito pelo contrário, era ótima – mas poucos se davam ao trabalho de lê-la de ponta a ponta. Os 100 mil assinantes já sabiam disso, mas era preciso atrair mais leitores.

Por isso comecei a expandir os horizontes da Galileu. Negociei um boletim semanal com a rádio CBN (apresentado por mim, todos os domingos, às 13h30), tornei a marca presente em diferentes tipos de eventos (Campus Party, Fronteiras do Pensamento, Semana do Cinema de Culto no MIS, Arq.Futuro, YouPix), integrei a revista com o site (algo que não acontecia antes, site e revista eram dois mundos à parte), trouxe novos temas (tivemos, neste meu primeiro ano no comando da revista, capas para previsões do MIT, futebol, teorias da conspiração, música, livre arbítrio, o futuro do trabalho, agrotóxicos, cerveja, maconha, consciência animal e os principais nomes da internet brasileira em 2013), tornei os colaboradores frequentes mais próximos e aos poucos fui introduzindo mudanças no formato e acabamento da revista (dei uma coluna sobre ceticismo para o Carlos Orsi, um dos melhores jornalistas de ciência do Brasil, e outra para o Diogo Rodriguez, do Me Explica, sobre atualidades, criei uma Agenda para sugerir dicas de programa para os leitores, criei o Ecossistema para falar de todas essas novas novidades), mudei a cara do site. Fora alguns trunfos pessoais, como resgatar a querida Tatiana de Mello Dias do Estadão no momento em que o barco do Link começou a afundar (quando virou uma página dupla em economia e pareceu ter perdido seu brio, retomado no final do ano pelo velho bróder Camilo Rocha, atual editor do Link) para assumir a edição do site e entrevistar nomes como Cory Doctorow, Slavoj Žižek, James Gleick, Peter Diamandis e Tobias Andersson, do Pirate Bay. E consegui pautar matérias com nomes como Ronaldo Evangelista, Juliana Cunha, Ramon Vitral, Gaía Passarelli e Antônio Xerxenesky, jornalistas que gosto e respeito e que talvez nunca teriam escrito em uma revista de ciência se não tivesse os convidado. Isso sem sair dos trilhos do projeto gráfico e editorial que já existia quando comecei a cuidar do título.

Além disso tive que aprender a gerir um título, trabalhando diretamente com o marketing, com venda em bancas, com assinaturas, com publicidade, com o industrial e outras áreas da publicação que nem chegava perto durante os anos no Estadão. Como frisei no editorial da última edição de 2013, foi um aprendizado e tanto – em que acertei e errei, por isso reforço o agradecimento à equipe com quem trabalhei mais de perto durante esse ano, especialmente o redator-chefe Tiago Mali (que já falei que considero um dos nomes mais promissores do jornalismo atual) e a equipe liderada pelo diretor de arte Fábio Dias (os talentos da editora de arte Ana Paula Megda e da designer Gabriela Oliveira), além da repórter Luciana Galastri, que me ajudou a reconstruir a lógica do site. Obrigado, mais uma vez, pela paciência e dedicação.

E agora vem 2014… E acho que vai ser ainda melhor. Aguardem.

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A primeira edição de 2014 da Galileu marca o início do meu segundo ano na direção da revista e cerveja artesanal na matéria de capa – num Dossiê feito pelo Daniel Telles que conta como este mercado está cada vez mais em ascensão, mostrando que qualquer um pode fazer sua própria cerveja. A matéria ainda traz um infográfico elaborado pela Ana Paula Megda, que desenhou as 12 páginas sobre o tema, que ainda conta com um depoimento do escritor Antônio Prata em suas desventuras ao tentar fazer sua única cerveja. Carlos Orsi, em sua coluna Olhar Cético, fala sobre como é fácil fazer previsões para o ano novo, além de assinar uma matéria sobre onde a autoajuda distorce a física quântica para dar ares científicos a um misticismo barato. Laura Knapp visitou o banco de cérebros da USP e explica para que eles dissecam tantos miolos anônimos, a Isabella Sanches escreves sobre como a pornografia via celular está transformando uma geração inteira de “zumbis sexuais”, o fotógrafo Ricardo Lima esteve no 12° Jogos Indígenas, o Ramon Vitral fala sobre a sobrevida de Calvin e Haroldo 18 anos após seu desaparecimento e o Mabuse assina o Novas Ideais sobre a importância de ensinarmos programação de computadores em sala de aula. Ainda há matérias sobre startups que gerenciam cursos livres sobre qualquer assunto para quem está disposto a aprender coisas que nunca havia imaginado, o dia-a-dia de uma aromista, uma mesa que transfere o movimento à distância, a fauna que habita as cidades do planeta, uma mapa dissecado das estradas mais perigosas do Brasil, a coluna do Diogo Rodriguez sobre as mortes de JK, Jango e Lacerda, a queda no preço dos painéis solares, a casa de papelão criada pelo japonês Shigeru Ban, uma explicação científica para a vertigem, a gamificação do Enem e entrevistas com Seth Rosenfeld (que escreveu um livro sobre como o FBI sempre monitorou movimentos sociais e políticos nos EUA, décadas antes do Prism) e com Alexandre O. Philippe (autor do documentário sobre zumbis Doc of the Dead). Pode comprar que eu garanto uma ótima leitura de verão. Abaixo, minha apresentação desta edição:

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ROTULANDO: Chamamos o apreciador, sommelier de cervejas e produtor caseiro Pedro Cizoto para dar uma mão e produzir a foto de capa

Muita gente vive reclamando do próprio trabalho. Diz ter escolhido carreiras que mudaram com o tempo ou que não pareciam ser tão tediosas ou puxadas no momento da escolha. Sem contar os que não tiveram opção e pegaram o primeiro emprego que conseguiram. Isso, felizmente, tem mudado.

Cada vez mais gente chega a esta constatação e começa a repensar a vida. A primeira dúvida surge logo após a percepção de que não aguentam mais o emprego em que estão: o que fazer da vida? A resposta mais evidente também traz uma outra dúvida: o que você realmente gosta de fazer?

Para uns, é uma pergunta simples que puxa uma resposta simples (embora “nada” seja uma resposta que não valha para este caso). Particularmente nunca tive dúvidas da minha preferência pelo jornalismo, fé tão inabalável que nem as nuvens negras que pairam sobre a profissão me fazem cogitar outra carreira. Mas muita gente tem dificuldade de saber o que gosta de fazer porque nunca cogitou pensar nisso. Sempre tomou trabalho como algo chato e nunca como a possibilidade de se realizar pessoalmente.

Por isso, talvez seja melhor encurtar a pergunta e tirar o verbo “fazer”: do que você gosta?

Os personagens da matéria da nossa primeira capa de 2014 responderam à pergunta sorrindo: “cerveja!”. E se aventuraram a fazer sua própria bebida, primeiro por hobby, e, aos poucos, transformando o passatempo em ganha-pão.

É o caso do publicitário Pedro Cizoto, que ainda está na fase do hobby. Ele produz duas cervejas próprias — Cachalote e Pretinha — e sua mão estampa a capa desta edição, fixando o rótulo na “modelo” de nossa capa. Pedro é namorado de nossa editora de arte, Ana Paula Megda, que assina o design da reportagem de capa e fez um vídeo mostrando como se produz cerveja em casa — que explicamos no infográfico elaborado pela própria Ana, com ilustrações do Evandro Bertol. É a deixa para você se aventurar por este mundo e, vai saber, descobrir uma nova vocação.

***

E já entramos em 2014 à toda. Além do novo site GALILEU (já viu?), também repetimos as parcerias que iniciamos em 2013 com a Campus Party e o Fronteiras do Pensamento. E é só o começo, 2014 promete! Vamos lá!

matias-por-luis-douradoAlexandre Matias
Diretor de Redação
matias@edglobo.com.br

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Viram o novo site da Galileu? É o fim de um processo que começou com a entrada da Tati como editora do site, no meio do ano, e deixa a redação a postos para encarar 2014. E para marcar a mudança, resolvemos abrir o conteúdo da matéria de capa da edição com a versão integral dos 25 perfis feitos a partir da seleção dos nomes mais influentes da internet brasileira em 2013. Abaixo, o texto que escrevi para a apresentação deste Estado da Internet 2013.

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O Estado da Internet 2013
Os ativistas, humoristas, pensadores, desenvolvedores de aplicativos, legisladores e agitadores culturais que ajudaram o Brasil a sair da internet para as ruas neste ano

O 2013 brasileiro, no futuro, poderá ser resumido às impressionantes cenas das pessoas invadindo as ruas das principais cidades do país naquele já histórico junho. Muito foi teorizado sobre aquele momento, mas há uma leitura que entende os protestos como um período crucial para a cultura digital brasileira. Pois 2013 foi o ano em que a cultura da internet brasileira deixou os monitores e foi para as ruas.

Foi o que percebemos ao apurar a votação dos 25 nomes mais influentes da internet brasileira em 2013. GALILEU reuniu jornalistas que cobrem tecnologia e autoridades em diferentes nichos online (conheça o júri ao final da matéria) para escolher nomes que fizeram a diferença através da rede neste ano. O resultado trouxe nomes que estariam entre os 25 mais influentes em 1999, 2004 ou 2010. Mas, como os protestos, eles não estão mais apenas na internet.

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#JUNHO2013: As manifestações do meio do ano não só criaram um novo Brasil, como deram sentido ao uso da internet no país

O principal fato de 2013 no Brasil começou há oito anos, quando o Movimento Passe Livre articulou seus primeiros protestos contra o preço das tarifas de ônibus em Florianópolis e Salvador. De lá para cá, o movimento organizou mais protestos e obteve vitórias, mas nada comparado a junho. E a semente da mobilização aconteceu via internet, cutucando os que antes eram rotulados “ativistas de sofá”, que assinavam abaixo-assinados online, compartilhavam foto e só.

Embora o MPL tenha sido o estopim dos protestos, não foi o único protagonista. O ativismo digital ganhou força e rostos. O paulista Bruno Torturra tornou-se a cara do coletivo Mídia Ninja, que, com câmeras em punho e transmissão 3G, atuou nas trincheiras das manifestações com jornalismo de guerrilha que virou notícia até no exterior. No Rio, o principal nome foi o humorista Rafucko, cujos vídeos sempre tiveram forte conotação política. Mas os protestos, e sobretudo a violência policial, o colocaram na linha de frente, satirizando o estado-violência que se instalou no Rio pelo segundo semestre, transmitindo protestos e confrontando a polícia.

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Junho também foi celebrado por velhos conhecidos dos bastidores da rede. Teóricos (os professores Sílvio Meira e Sérgio Amadeu) e práticos (o hacker Pedro Markun) viram, no calor da hora, que o país avançava rumo à maturidade digital. Os três também observaram de perto aquele que talvez seja o grande acontecimento do ano: a denúncia de que o governo dos EUA espiona cidadãos do mundo todo via internet. O escândalo surtiu efeito positivo no país, que voltou a discutir o Marco Civil da Internet, pioneiro conjunto de leis que propõe uma nova regulação da rede. Seu relator, o deputado mineiro Alessandro Molon, destacou-se na defesa do projeto de lei.

A causa gay também reforçou os protestos com dois nomes de peso: um deputado federal e um humorista que mudou de gênero. Mas a homoafetividade não é a principal bandeira de Jean Wyllys e Laerte, que partiam deste princípio para discutir questões que não têm propriamente a ver com sexo — e sim com direitos humanos.

2013 viu o ressurgimento dos coletivos. Movimento Passe Livre e Mídia Ninja podem ser seus representantes mais evidentes, mas estão longe de serem os únicos. Em outras áreas, dá para dizer que este é o motivo de sucesso tanto da ONG de jornalismo Agência Pública e do site de crowdfunding Catarse, quanto da dupla Jovem Nerd e do blog Não Salvo, que conversam com os fãs para produzir conteúdo coletivamente. Os dois também não são novatos, mas 2013 consagrou a expansão de seus domínios, sem deixar a internet de lado, ao contrário de outras celebridades online do passado, que trocaram a rede pela TV. Eles consagram um movimento sem volta: grupos que se fortalecem online e que transformam um hobby em profissão. Agora é possível empreender em causa própria, sem apenas usar a rede como plataforma para outros fins.

A eles juntam-se nomes que lidam tanto com produção de conteúdo quanto com publicidade, como Marco Gomes, da Boo-Box, Guga Mafra, da FTPI Digital, e Felipe Neto, que passou pela febre dos blogueiros e foi para os bastidores. Todos estes passaram pelo festival YouPix, idealizado por Bia Granja, que a cada ano torna-se um dos principais palcos para esta mesma geração.

Mas nenhum deles conseguiu o nível de popularidade do coletivo carioca Porta dos Fundos, que começou bem o ano e terminou-o de forma espetacular, como o quinto canal mais assistido no YouTube no mundo — e sem cogitar ir para a televisão, mesmo recebendo boas propostas.

O ano também foi marcado pela ascensão dos smartphones, que acarretaram uma série de mudanças sociais. Estavam presentes nos protestos, quando manifestantes registravam a beleza da multidão e a violência policial, mas não só. Afinal 2013 foi o ano em que cada vez mais brasileiros acessam a internet pelo celular, pois vimos a a venda de smartphones ultrapassar a de celulares comuns. A maior parte destes aparelhos funciona com o sistema operacional do Google, o Android, departamento liderado pelo brasileiro Hugo Barra, que em 2013 abandonou o gigante da internet para trabalhar com smartphones na China. Os smartphones também foram oportunidades para empreendedores como Tallis Gomes e Paulo Veras, que criaram aplicativos que estão mudando a forma como as pessoas usam táxis nas grandes cidades. A mobilidade urbana foi outro tema importante, não apenas quando falamos do preço de passagens de ônibus.

O clima tenso dos protestos não ofuscou o humor — e além dos já citados Não Salvo, Porta dos Fundos, Rafucko e Laerte, quadrinistas como mrevistagalileu.globo.com/Revista/noticia/2013/12/alexandra-moraes.html”>Alexandra Moraes (a mãe do Pintinho), André Dahmer (o pai dos Malvados) e Bruno Maron (do Dinâmica de Bruto) também se destacaram. Só Dilma Bolada, personagem fictício inspirado na presidente do Brasil, ainda não deixou a internet, mas isso está nos seus planos para 2014.

Mas isso é outra história. Por enquanto, é hora de conhecer quem foram os principais nomes da internet brasileira neste 2013:

Jovem Nerd: Lambda! Lambda! Lambda!
Pedro Markun: Hackeando processos políticos
Marco Gomes: Quase meio milhão de blogs
Porta dos Fundos: Rindo à toa
Alexandra Moraes: A mãe d’O Pintinho
Alessandro Molon: O relator do Marco Civil da Internet
André Dahmer: O mestre Malvado
Rafucko: Humor não é crime!
Tallis Gomes: Táxis pelo mundo todo
Bia Granja: A internet é um palco
Bruno Torturra: A cara do Midia Ninja
Laerte Coutinho: A vez dela
Jean Wyllis: Voz das minorias
Gustavo Mafra: Propaganda pensada para a internet
Bruno Maron: A hora e a vez do niilismo ativo
Natália Viana: Reportagens, não notícias
Silvio Meira: Inovação de maneira pragmática
Felipe Neto: Para trás das câmeras
Paulo Veras: Corrida cheia
Movimento Passe Livre: O estopim das manifestações de junho
Hugo Barra: Do Google pra China
Maurício Cid: O homem do Não-Salvo
Luís Otávio Ribeiro e Diego Reeberg: Os pais do Catarse
Sérgio Amadeu: Ativismo acadêmico
Jéfferson Monteiro: O homem Dilma Bolada

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A Galileu de dezembro chegou às bancas com uma votação que escolheu os 25 nomes mais influentes da internet brasileira, com perfis escritos pela Ana Freitas, Vinícius Félix, Tatiana de Mello Dias, Luciana Galastri e André Bernardo, que entrevistaram nomes como Bruno Torturra, Jovem Nerd, Sílvio Meira, Maurício Cid, Porta dos Fundos, Movimento Passe Livre, Laerte, Jean Wyllis e Dilma Bolada, entre outros. No Dossiê, Marco Zanni descreve o futuro dos carros inteligentes, que dirigem e até se consertam sozinhos. Tiago Cordeiro escreve sobre como a medicina está conseguindo “ressuscitar” pessoas mesmo horas após de suas mortes cerebrais, Guilherme Pavarin mostra gamers que jogam pelo prazer estético, Natália Rangel fala sobre a cultura brasileira da gambiarra (e o que isso tem a ver com criatividade e inovação) e ainda há uma tradução da New Scientist sobre quatro possíveis cenários para o clima no planeta no século 22. Também temos entrevistas com o neuroconomista Paul Zak, que discorre sobre o papel dos hormônios na sociedade, com Luis Von Ahn, que criou uma plataforma de tradução colaborativa, e Robert Greene, que desmistifica a genialidade em seu livro Maestria. A revista ainda traz um artigo sobre porque a violência deve ser tratada como doença contagiosa, os 40 anos de O Exorcista, uma bicicleta que gera energia para si mesma, a vida de um piloto de drone, como funciona a perna mecânica ligada ao sistema nervoso, as carreiras mais procuradas no Brasil, um aparelho que grava tudo que você fala (e pra que serve isso), religiões nos videogames, uma startup em prol da pesquisa científica, qual é a doença mais temida pelos brasileiros, o asfalto que “acende” à noite, uma mudança na prática das cobaias e a dúvida sobre a dormência nas pernas. Em suas colunas, Carlos Orsi fala sobre a estrela de Belém e Papai Noel (sério!) e Diogo Rodriguez explica a bancarrota de Eike Batista. Enfim, muito para ler, descobrir e aprender. Abaixo, a apresentação da edição, que marca meu primeiro ano no comando da revista.

Um ano histórico

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CENAS ESPETACULARES: 2013 nos deu dias tensos e um despertar de consciência cidadã que rendeu imagens icônicas, como as já célebres sombras no Congresso Nacional

O futuro é que vai dizer como vamos lembrar de junho de 2013. Mas é certo que a distância temporal e a perspectiva histórica provam que aquele mês tenso e turbulento ficará para sempre na história do Brasil.

Por motivos bem diferentes que reivindicações políticas ou sociais, os protestos deste ano também mostraram por aqui o extraordinário poder de mobilização da internet. Em anos recentes, ela já tinha feito história no Oriente Médio e norte da África (com a Primavera Árabe no início de 2010); em Londres (nos tumultos de agosto de 2011) e em Nova York (com o movimento Occupy Wall Street, no mesmo mês). Junho de 2013 foi a nossa vez e coincidiu com o momento em que o uso da internet torna-se cada vez mais móvel.

O acesso via smartphones começa a mudar a forma como as pessoas encaram a rede. Se antes nos conectávamos a ela, hoje estamos online o tempo todo. Dizemos “vou entrar na internet” como mero resquício linguístico, da mesma forma que serviços de entrega ainda se chamam de “disque-alguma-coisa” numa época em que os telefones com discos desapareceram.

Estamos conectados o tempo todo, mesmo ao ar livre, longe do escritório e de notebooks e computadores de mesa. Em pouco tempo a internet vai deixar de ser tratada como um universo à parte, uma dimensão paralela, e todos viveremos online sem precisarmos fazer esta distinção.

Talvez esta seja a principal constatação da eleição que fizemos na matéria de capa desta edição. Diferentemente de anos passados, revelações da internet não precisam mais escrever livros, virar apresentadores de TV ou serem reconhecidos pela mídia tradicional para ter suas carreiras chanceladas para o grande público.

Ao reunir estes nomes num mesmo panorama, vemos como o século 21 brasileiro parece promissor. Pois são nomes que não esperam ajuda externa para fazer e acontecer e que servirão de inspiração para muita gente tentar o mesmo. Reunir tanto talento em algumas páginas pode fazer muita gente arregaçar as mangas e decidir mudar sua vida fazendo o que gosta. Assim esperamos.

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E esta é a 12ª GALILEU sob meu comando, o que quer dizer que completo meu primeiro ano como diretor de redação. Agradeço a paciência de todos — leitores e redação —, pois foi um ano de intenso aprendizado, em vários níveis. O novo site GALILEU, que estreia este mês, é o primeiro gostinho de 2014 que iremos sentir. E preparem-se, porque o ano que vem promete. Até lá!

matias-por-luis-douradoAlexandre Matias
Diretor de Redação
matias@edglobo.com.br

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Na edição deste mês, trazemos na capa da Galileu uma longa matéria sobre como estatística e tecnologia estão reinventando o futebol para o século 21, numa meticulosa matéria apurada pelo Guilherme Pavarin, que cobre a licença-maternidade da Priscilla na redação do Jaguaré, e pelo Marco Zanni, colaborador da revista. Os dois detalham softwares que ajudam olheiros e técnicos, o desenvolvimento de materiais para a fabricação de uniformes, chuteiras e bola, tecnologias para prever e prevenir lesões, além de permitir o acompanhamento preciso da saúde de cada jogador, e concluem a matéria com a opinião do doutor Tostão sobre o avanço da ciência nos gramados. A revista ainda traz matéria do Vinícius Cherubino sobre resenhas falsas em sites de compras e de indicações, outra do Diogo Rodriguez sobre a controversa adoção do xisto como fonte de energia, uma matéria da New Scientist sobre os superpoderes dos animais e um papo que bati com o Peter H. Diamandis, da X-Prize Foundation. O André Bernardo escreve sobre autores que adotam pseudônimos, o Tiago Cordeiro relata as sweatshops digitais e uma matéria do Felipe Turion explica como o Brasil pode avançar ainda mais no combate ao fumo ao abolir os cigarros com sabor. Em sua coluna, Carlos Orsi critica o endeusamento da autoestima, a seção Numeralha mostra como estão os avanços ao combate da fome no planeta e a coluna Urbanidade apresenta sobre uma “madeira sintética” produzida a partir de lixo reciclado. Ainda temos matérias sobre como funciona o carro movido a ar, sobre o saneamento contra germes feito com a luz solar, sobre uma startup que faz curadoria de conhecimento, uma entrevista com o diretor do Instituo Franhofer, outra como ex-ministro da educação na França, Luc Perry, sobre a importância histórica do conceito do amor, sobre uma ONG que ensina a construir aquecedores baratos, sobre como se desenvolvem as pedras nos rins e um artigo sobre o futuro das escolas. Nessa edição trazemos duas capas complementares e a extinção da seção CPF, preparando para mudanças mais radicais em breve, como explico na carta ao leitor deste mês.

Uma capa em duas

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BOLA DIVIDIDA: A edição que você tem em mãos traz apenas uma das metades da capa sobre futebol. Abaixo seguem as duas versões lado a lado, complementares

Na edição de aniversário da revista, quando comemoramos 22 anos de GALILEU no início deste semestre, comentei que veríamos, nos meses seguintes, mudanças mais drásticas em nosso ecossistema. Começamos mudando com o acréscimo da Agenda e das colunas Sem Dúvida e Olhar Cético e neste mês vamos além com a morte do CPF. Criada para abrigar perfis e entrevistas no início da revista, ela ficou apertada quando colocamos as novas seções na edição de agosto e optamos por trazer o conteúdo desta seção para o PSC, que segue firme e forte, agora com matérias sobre pessoas que estão mudando os rumos do conhecimento.

Outra novidade desta edição é que começamos a experimentar nas capas. No mês passado, quando estávamos decidindo qual seria a imagem que apareceria no crachá estampado sob o logo da revista, chegamos às duas inevitáveis opções: publicar a foto de um sujeito ou de uma moça. A matéria sobre o futuro do mercado de trabalho não afetaria um ou outro gênero, ambos os sexos sentem as transformações que já estão em curso na maioria das opções. Até que o Fábio, nosso diretor de arte, cogitou: “Por que não fazemos com as duas?” — e a revista foi para as bancas com o sujeito e a mocinha, em duas versões da capa que alguns jornaleiros tiveram a esperteza de colocá-las lado a lado.

Daí quando começamos a pensar na matéria de capa desta edição — sobre como o futebol está mudando graças às intervenções da estatística e da tecnologia —, cogitamos em como ilustrar as transformações que estão mudando a cara do jogo na capa da edição. E foi o Tiago, nosso redator-chefe, quem considerou a possibilidade, usando duas capas, de mostrarmos a transição que está ocorrendo às vésperas da Copa do Mundo no Brasil: que o futebol está deixando de ser a proverbial caixinha de surpresas para ganhar contornos de ciência exata. Duas capas complementares, que formariam uma mesma imagem. Por isso a bola dividida em duas capas, à quais o Fábio acresceu linhas matemáticas para dar o tom mais preciso da mudança.

GALILEU é uma publicação que preocupa-se com este tipo de transformação, por isso é natural que ela mesma esteja em constante mudança. No mês que vem, quando completo minha décima segunda edição (portanto, um ano) à direção do título, traremos ainda mais novidades e não apenas nas páginas da revista.

Mas isso é papo para o mês que vem, depois falo melhor sobre isso — mas aposto que você vai gostar de saber desta surpresa.

matias-por-luis-douradoAlexandre Matias
Diretor de Redação
matias@edglobo.com.br