• Jogo de interesses • ‘Todos pressionarão os parlamentares’ • Homem-Objeto (Camilo Rocha): Melhor que Minority Report • • A surpreendente reabilitação da Comic Sans • Impressão digital (Alexandre Matias): O dia em que iremos usar chips implantados no cérebro • P2P (Tatiana de Mello Dias): A favor do compartilhamento, com medo do compromisso • O fim do Digg, FILE 2012, Rússia vs internet e o tweet da RIM que virou piada • Facebook: Entre a ruína e a riqueza • Vida Digital: Kim Dotcom •
E na minha coluna no Link dessa semana foi sobre como o Google deve sobreviver ao Facebook.
Está cansado do Facebook? Espere só a eleição começar…
Google pode sobreviver à ascensão do ‘Feice’
Todos querem saber qual será o “próximo Facebook”. Ou pelo menos a rede social vai substituí-lo. Isso em menos de uma década após o Orkut ter aparecido no Brasil dando início a uma sucessão de novos serviços de relacionamento online que foram ganhando adeptos – e ultrapassando os anteriores – pouco depois de os primeiros usuários perguntarem-se “para que serve isso, afinal?”.
Orkut, MySpace, Twitter, Facebook, Tumblr. LinkedIn, Pinterest, Instagram. A lista continua para todos os lados, levando em conta a quantidade de redes sociais de nicho que não param de surgir. Mas a apreensão em relação ao substituto do Facebook não vem apenas a partir da substituição sazonal que já nos acostumamos em relação a este tipo de site. Pelo contrário – a expectativa de uma nova rede social está mais ligada a uma espécie de fadiga que cada vez mais as pessoas estão sentindo em relação à maior rede social do mundo.
Veja o que aconteceu na semana passada, por exemplo. Desde a segunda, à espera da final da Taça Libertadores, que aconteceria na quarta, a rede social foi tomada por uma polarização drástica – corintianos versus anticorintianos versus pessoas que “não supoooooortam ouvir falar em futebol”. Pior que isso é que estes grupos resolveram entupir suas próprias timelines com uma avalanche de imagens, mensagens e links relacionados à disputa. Eu, corintiano, não reclamei. Mas houve quem cogitasse seriamente sair do Facebook.
Isso fora as práticas nada agradáveis que a rede social sempre tenta esconder, como a mudança do e-mail pessoal exposto no perfil de cada um. O Facebook simplesmente sumiu com o e-mail que cada um de seus usuários dispôs para entrar na rede, trocando-o pelo próprio e-mail @facebook.com. É só mais uma na enorme lista de ações desagradáveis praticadas pela rede social.
Mas haverá mesmo uma rede social que suplantará o Facebook? Há quem ainda aposte na tal “camada social” que o Google criou para interligar todos seus produtos, o Google Plus. Mas como há uma oferta cada vez maior de redes sociais de nicho no mercado, não duvide que a presença do Facebook possa ser substituída por vários destes diferentes serviços, cada um deles voltado para uma atividade ou grupo de amigos.
O que nos leva à discussão sobre o tempo de validade do Facebook. Mesmo que continue crescendo, a rede social cada vez mais age como um player de publicidade, interligando seus milhões de cadastrados a empresas que queiram ter acesso a esta base de dados de usuários. Tudo bem que o Google também age como uma empresa de publicidade e que é daí que vem sua maior fonte de renda, mas ele não oferece apenas um ambiente digital de relacionamentos, mas uma série de recursos – mapas, e-mail, o YouTube, o sistema operacional Android, o navegador Chrome, entre muitos outros – que convergem rumo às palavras-chave que caracterizam seu modelo de negócios.
Já o Facebook apenas aprimora um formato já existente. A maior novidade oferecida pela rede ainda é especulação – depois do botão “Curtir”, eles estariam prontos para lançar o botão “Querer”. Mas este botão só facilita a vida dos possíveis parceiros do Facebook, e não oferecem novas formas de interação que vão além das já existentes.
O Google, por sua vez, segue expandindo seus tentáculos. Mostrou no mês passado um novo sistema operacional, um tablet e até seus óculos futuristas, que tiram fotos e filmam, além de enviarem dados por suas lentes. Tudo termina em publicidade, mas são atividades e produtos realmente novos.
A fadiga em relação ao Facebook, por outro lado, está só no começo. E para quem lamenta o cansaço a partir de um jogo de futebol, não esqueça que as eleições vêm aí. E que ela pode dar início a uma evasão em massa da rede social.
Por mais que permaneça atuante por muito tempo (o MySpace ainda existe, não custa lembrar), cogito que o Facebook deve aos poucos deixar de ser tão central em questão de um ano ou menos. Já o Google, por ampliar seu horizonte cada vez mais, deve seguir importante por mais tempo que isso.
• Tensão pré-Amazon • Vida Digital: Catarse • One Laptop per Child: Para educar • Homem-Objeto (Camilo Rocha): Dois preços, duas medidas • Impressão digital (Alexandre Matias): Está cansado do Facebook? Espere só a eleição começar… • No Arranque (Filipe Serrano): Como o modelo da Netflix serve de exemplo para novos negócios • Pioneirismo digital • O fim do Acta, malware no iOS, princípios da internet, transparência no Twitter… •
Daqui a pouco, às 19h30, medio um papo sobre jornalismo e hackers – e a experiência no Hackatão – na série de debates que o Link está fazendo no YouPix. Na mesa, participam também o pessoal do núcleo Estadão Dados e os caras que desenvolveram o projeto Para Onde Foi Meu Voto? durante a maratona de programação e jornalismo que fizemos no jornal. Esse ano o YouPix acontece no segundo andar do Pavilhão da Bienal, no Parque do Ibirapuera, e a entrada é gratuita. Mais informações no site do evento.
E na minha coluna da edição dessa semana no Link continuei falando sobre o Hackatão.
O que a lógica do programador e a do jornalista têm em comum
A tecnologia ajuda a traçar conexões
Jornalistas e hackers juntos, não apenas ocupando o mesmo espaço, mas trabalhando nos mesmos projetos. Esta era a utopia imaginada quando colocamos em pé o projeto do Hackatão, que aconteceu no fim de semana anterior ao passado, na sede do Estado, no bairro do Limão, na cidade de São Paulo.
Havia uma expectativa natural sobre como o evento se desenvolveria. Olhando de fora, as duas profissões parecem antagônicas: hackers que invadem sites de jornal ou jornalistas que denunciam hackers que surrupiam dados de empresas e pessoas. São situações que já entraram no imaginário coletivo. Felizmente, os dois estereótipos estão se esvaziando e aos poucos ambos começam a reconhecer-se um no outro.
Vale rebobinar a fita do tempo para lembrar como era o trabalho de um jornalista antes da digitalização dos dados. Se era preciso buscar informações sobre determinada pessoa ou instituição, o pobre repórter tinha de passar horas e horas num arquivo cheio de estantes e pastas de papel e pesquisá-las manualmente para, aos poucos, dar uma cara ou um rumo à matéria que estava sendo apurada. Não é preciso nem voltar muito no tempo – em algumas cidades ou em certas instituições, os dados ainda estão em formato físico, e exigem paciência e disposição de um investigador para traçar conexões entre processos, pessoas e empresas.
Já o programador usava esta mesma lógica no mundo digital. Para desenvolver um programa ou aplicativo, era preciso testar formatos, conexões, permissões e extensões para ver o que funcionaria melhor com o quê. A vantagem do desenvolvedor é que, ao lidar com informações eletrônicas, o trabalho de apuração torna-se mais simples e prático, pois é possível criar scripts, algoritmos ou pequenos programas para fazer estes testes sem que haja interferência humana direta. Assim, o processo torna-se bem mais rápido – e, ao mesmo tempo, mais preciso.
Ao aproximar os dois profissionais, abrimos a possibilidade de esmiuçar bancos de dados com o mesmo rigor que fazia parte da pesquisa daquele velho jornalista, sem correr o risco de falha humana ou de lidar com pilhas de papéis e pastas de documentos (haja poeira!). Com os dados digitalizados, basta usar os recursos da ciência da computação para chegar a cruzamentos e resultados que levariam dias – talvez meses – para serem apurados.
Mas isso tudo era o mundo ideal. Temíamos que pudesse haver algum estranhamento ou que as lógicas do jornalismo e da programação de dados demorassem um pouco para engrenar. Não foi o que aconteceu. Depois que Daniela Silva e Pedro Markun (ambos do grupo Transparência Hacker, que ajudou o Estado a produzir o encontro), os temas começaram a ser apresentados e as tarefas foram divididas.
Tudo muito tranquilo, sem discussão, sem briga por pautas, sem afobação. Aos poucos os grupos foram se formando naturalmente e os assuntos foram divididos de maneira orgânica, sem que houvesse a necessidade de alguém designar funções ou organizar quem faz o quê com quem.
Por mais que já esteja acostumado com a noção da hierarquia horizontal dos tempos digitais, é sempre um prazer vê-la na prática. Ainda mais na minha área de atuação – o jornalismo –, que ainda é cheio de vícios dos tempos analógicos. Mas uma prova de que isso está mudando – e é um prazer fazer parte deste processo – é justamente este primeiro Hackatão, que ainda está dando pano para a manga e cujos projetos estão aos poucos sendo concluídos (leia mais aqui).
Nesta terça-feira, durante o evento YouPix, às 19h30, conversarei mais um pouco sobre a relação entre estes dois fuçadores – o hacker e o jornalista – reunindo gente que participou do Hackatão: Raphael Molesim, Jonas Abreu e Wesley Seidel, que desenvolveram o site Para Onde Foi o Meu Voto? e dois repórteres do núcleo Estadão Dados, Amanda Rossi e Daniel Bramatti). O debate acontece no Pavilhão da Bienal, no Parque Ibirapuera, em São Paulo, e a entrada é gratuita.
• O futuro do Google • O Google que conhecemos já não é o mesmo • Piada tem dono? • YouPix cresce em 2012 e ganha mais espaço • Sonho androide • Homem-Objeto (Camilo Rocha): Começa a nova fase dos tablets • P2P (Tatiana de Mello Dias): Como a reação agressiva à pirataria atrapalha a inovação • O Hackatão continua • Impressão digital (Alexandre Matias): O que a lógica do programador e a do jornalista têm em comum • Servidor: Facebook mudou e-mail sem perguntar, Chrome no iPhone, Galaxy invendável, startup de zangados e Instagram na web •
• Emoticons do mal • Vinton Cerf: sem censura • FBX, a arma do Facebook depois do IPO • Apple: O velho culto • Impressão digital (Alexandre Matias): A Apple pode virar a Microsoft. E a Microsft, pode virar o quê? • Homem-Objeto (Camilo Rocha): O 4G vem aí: e agora? • O custo da cópia • Extradição de Assange, trending topics customizados, os novos domínios da internet… • Rumo ao Hackatão •
Minha coluna na edição de segunda do Link foi como a Apple pós-Steve Jobs pode entrar em decadência por falta de inventividade e do futuro estranho da Microsoft…
A Apple pode virar a Microsoft. E a Microsft, pode virar o quê?
MS fará anúncio misterioso nesta segunda
Com o anúncio de uma série de melhorias em software e hardware feito na segunda-feira passada em São Francisco, Tim Cook praticamente encerrou o que Steve Jobs iniciou ao lançar o iPhone. Um plano que começou em 2007, com o evento que reinventou o conceito de smartphone (quando o iPhone foi mostrado pela primeira vez) e que culminou com a apresentação do iPad, há dois anos. Plano que envolvia a criação da economia dos aplicativos e a criação da App Store e que, de acordo com Jobs, terminaria com o lançamento da Apple TV. Com sua própria smartTV, seu smartphone e seu tablet, a Apple tornaria o computador tradicional obsoleto. Tanto que Jobs apresentou o iPad como o primeiro capítulo da “era pós-PC”.
A Apple TV e o novo iPhone devem ser os últimos componentes da fase final de Steve Jobs na empresa. O anúncio da segunda passada apenas azeitou o que já estava engrenado. E, uma vez que as peças finais se encaixarem neste novo ecossistema, a Apple entra definitivamente na era Tim Cook. E resta saber o que o atual CEO fará a partir do plano original de Jobs.
Pois Cook é reconhecido como bom administrador, mas não tem o carisma nem o caráter visionário de seu antigo patrão. Por isso, ele tem duas opções adiante. Numa delas, apenas administraria o que já foi criado, lançando upgrades e afinando soluções anteriores aos problemas do futuro. Na outra, tentaria reinventar a roda da empresa, lançando novos produtos e serviços que tentariam, como Jobs gostava de dizer, “revolucionar” a vida das pessoas.
Aposto que Cook deverá ir pela primeira opção, sem sair de sua zona de conforto para não dar com os burros n’água caso alguma novidade ousada demais não funcionar depois do lançamento. Entre o certo e o duvidoso, a Apple optaria pela primeira opção e perderia o posto de empresa líder para assumir o papel de gigante corporativo de vez.
Foi algo que já aconteceu com a Microsoft. A empresa de Bill Gates nunca teve a aura cool da rival de Steve Jobs, mas houve um momento, lá pela metade dos anos 90, que seu ecossistema era onipresente, principalmente quando embutiu seu Internet Explorer no Windows 95 e estrangulou o primeiro browser gráfico da história, o Netscape. Mas à medida em que a internet foi se tornando mais popular, a empresa patinou em suas escolhas, cresceu demais e suas subdivisões pareciam empresas diferentes. Lançou o Xbox como uma tentativa de criar seu próprio hardware, mas acabou segmentando seu público. De um lado ficaram os usuários do Hotmail e do MSN, do outro os da rede Live (que funcionava através do console de games da empresa), sem contar os do Windows Mobile.
Ao mesmo tempo, o Windows foi perdendo a onipresença, o Office foi ficando para trás com os softwares online, o Firefox e, depois, o Chrome fizeram o Explorer perder mais usuários… e a Microsoft foi ficando cada vez menos relevante. Ela foi o equivalente do Google e do Facebook (ao mesmo tempo) da última década do século 20 e passou a década passada inteira tentando dar alguma cartada para garantir seu futuro.
Tentou por duas vezes comprar o Yahoo, sem sucesso. Fez o mesmo com o Facebook e Mark Zuckerberg desdenhou a proposta. Se associou à Nokia para recuperar terreno no mercado de celulares (e até hoje especula-se que a MS pode comprar a empresa finlandesa de vez). Seu único acerto nos últimos anos foi o dispositivo Kinect. Muito pouco para uma empresa tão grande.
E semana passada viu aparecer mais boatos. Que a Microsoft poderia comprar a rede social Yammer pelo mesmo preço que o Facebook pagou no Instagram. Até que jornalistas de tecnologia dos EUA receberam um convite para um evento que acontecerá na tarde desta segunda-feira. Nem o local foi revelado, só iriam anunciar na segunda pela manhã. E as especulações indicavam que a empresa poderia lançar um serviço de música online de peso ou até mesmo seu Windows Tablet.
Será que a última década da Microsoft funcionará como uma parábola da próxima década da Apple?
• WWDC 2012: A novidade de hoje • Fecha-se um ciclo • Maratona de programação: Hackatão reúne programadores e jornalistas em encontro inédito no País • Ray Bradbury: Futuro próximo • Impressão digital (Alexandre Matias): Ray Bradbury: o autor que nos despertou a paixão pelo futuro • Homem-Objeto (Camilo Rocha): O celular que eleva os padrões • Vida digital: Alec Empire – ‘A internet é um experimento de anarquia e liberdade’ • E3 2012: Além dos consoles • Servidor: Mapas 3D do Google, o novo pássaro do Twitter, Foursquare de cara nova… •
Também escrevi sobre a importância de Ray Bradbury na minha coluna na edição de segunda-feira do Link.
Ray Bradbury: o autor que nos despertou a paixão pelo futuro
Ele trouxe o futuro para mais perto do presente
De todos os grandes nomes da ficção científica, Ray Bradbury, que morreu na semana passada, era o menos geek. Enquanto outros autores igualmente importantes se deixavam levar por devaneios científicos (como Asimov, Heinlein, Clarke) ou metáforas tecnológicas (K. Dick, Gibson, Farmer, Burroughs), Bradbury se via como um escritor, não como um visionário ou um filósofo. E foi assim que trouxe o futurismo distante que encantava o pequeno público inicial do gênero mais importante do século 20 para as massas.
Seu truque era contar boas histórias sem se ater a detalhes técnicos ou precisões tecnológicas. Veja o exemplo de seu título mais popular, As Crônicas Marcianas, coleção de contos que narrava como os terráqueos invadiram o planeta vermelho, invertendo a lógica do pioneiro H.G. Wells, que fez marcianos invadirem a Terra num dos primeiros clássicos do gênero (Guerra dos Mundos, de 1898). Mas, ao escrever sua saga, Bradbury tinha menos Wells em mente – e mais o John Steinbeck de As Vinhas da Ira. Pouco importava a tecnologia que era usada para colonizar o planeta ou problemas considerados críticos por escritores mais científicos (como gravidade ou atmosfera). O que Ray queria era usar a ficção científica como gancho para falar sobre relações humanas.
O mesmo vale para seu livro mais reconhecido, Farenheit 451, o clássico onde a queima de livros simboliza a destruição de toda uma cultura para a manutenção da autoridade de controle. Ele poderia estar falando do futuro, mas também estava falando de seu tempo – afinal, o livro foi lançado em 1953, quando o macartismo norte-americano gritava denúncias contra qualquer suspeita de comunismo e instaurava o clima de paranoia e caça às bruxas nos EUA.
Usar o futuro como metáfora para o presente não é uma das principais condições da ficção científica, embora muitos tenham usado deste recurso (até mesmo escritores que não pertenciam ao gênero, como n’As Viagens de Gulliver, de Jonathan Swift, ou 1984, de George Orwell). Na verdade, Bradbury fazia o caminho inverso de uma das principais qualidades do gênero, que é permitir que cientistas, que normalmente se enfurnam em pesquisas e perdem o referencial externo, possam vislumbrar possibilidades criativas que não podiam cogitar antes. Com escritores deixando a imaginação correr solta, tecnologias e oportunidades que não haviam sido imaginadas anteriormente (como a viagem pelo espaço sideral, a teoria dos universos paralelos, a inteligência artificial, entre outros exemplos) passaram a entrar na rotina destes teóricos.
Bradbury ia na contramão. Em vez de assustar ou encantar o público com suposições apocalípticas e fantásticas, preferia tratá-las com indiferença, fazendo com que o público não-geek pudesse imaginar um futuro em que, mesmo com a onipresença de tecnologias novas e inéditas, parecesse com o seu presente. Assim, foi aos poucos acostumando o planeta com um futuro implacável, que não era trágico ou impossível. “É bom renovar o encanto”, escreveu nas Crônicas Marcianas, “a viagem espacial nos tornou crianças novamente.”
E aos poucos nos fez crer que a inevitabilidade de novas tecnologias não era algo a ser temido, mas aceito, como um presente da humanidade para ela mesma no futuro. Um Edgar Allan Poe otimista, Ray Bradbury não temia o desconhecido, mas o aguardava como uma criança em véspera de Natal. Não fosse sua habilidade de fascinar o público, talvez fôssemos mais temerosos em relação às novidades que nos assolam diariamente. Muitos até podem se sentir saudosos com esse futuro neoludita que, felizmente, não aconteceu. Pois para cada problema e paranoia criada pelo século digital (ausência de privacidade, excesso de controle, consumismo, déficit de atenção), tantas outras soluções e possibilidades benéficas surgem a todo instante, transformando nosso presente numa velocidade nunca vista na história.
Tudo graças a este artista que, antes de tudo, era um defensor dos livros e das boas histórias. “Meu trabalho é fazer que você se apaixone”, dizia. E, graças a ele, nos apaixonamos pelo futuro.










