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Jornalismo

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A primeira edição de 2014 da Galileu marca o início do meu segundo ano na direção da revista e cerveja artesanal na matéria de capa – num Dossiê feito pelo Daniel Telles que conta como este mercado está cada vez mais em ascensão, mostrando que qualquer um pode fazer sua própria cerveja. A matéria ainda traz um infográfico elaborado pela Ana Paula Megda, que desenhou as 12 páginas sobre o tema, que ainda conta com um depoimento do escritor Antônio Prata em suas desventuras ao tentar fazer sua única cerveja. Carlos Orsi, em sua coluna Olhar Cético, fala sobre como é fácil fazer previsões para o ano novo, além de assinar uma matéria sobre onde a autoajuda distorce a física quântica para dar ares científicos a um misticismo barato. Laura Knapp visitou o banco de cérebros da USP e explica para que eles dissecam tantos miolos anônimos, a Isabella Sanches escreves sobre como a pornografia via celular está transformando uma geração inteira de “zumbis sexuais”, o fotógrafo Ricardo Lima esteve no 12° Jogos Indígenas, o Ramon Vitral fala sobre a sobrevida de Calvin e Haroldo 18 anos após seu desaparecimento e o Mabuse assina o Novas Ideais sobre a importância de ensinarmos programação de computadores em sala de aula. Ainda há matérias sobre startups que gerenciam cursos livres sobre qualquer assunto para quem está disposto a aprender coisas que nunca havia imaginado, o dia-a-dia de uma aromista, uma mesa que transfere o movimento à distância, a fauna que habita as cidades do planeta, uma mapa dissecado das estradas mais perigosas do Brasil, a coluna do Diogo Rodriguez sobre as mortes de JK, Jango e Lacerda, a queda no preço dos painéis solares, a casa de papelão criada pelo japonês Shigeru Ban, uma explicação científica para a vertigem, a gamificação do Enem e entrevistas com Seth Rosenfeld (que escreveu um livro sobre como o FBI sempre monitorou movimentos sociais e políticos nos EUA, décadas antes do Prism) e com Alexandre O. Philippe (autor do documentário sobre zumbis Doc of the Dead). Pode comprar que eu garanto uma ótima leitura de verão. Abaixo, minha apresentação desta edição:

2014 sob medida

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ROTULANDO: Chamamos o apreciador, sommelier de cervejas e produtor caseiro Pedro Cizoto para dar uma mão e produzir a foto de capa

Muita gente vive reclamando do próprio trabalho. Diz ter escolhido carreiras que mudaram com o tempo ou que não pareciam ser tão tediosas ou puxadas no momento da escolha. Sem contar os que não tiveram opção e pegaram o primeiro emprego que conseguiram. Isso, felizmente, tem mudado.

Cada vez mais gente chega a esta constatação e começa a repensar a vida. A primeira dúvida surge logo após a percepção de que não aguentam mais o emprego em que estão: o que fazer da vida? A resposta mais evidente também traz uma outra dúvida: o que você realmente gosta de fazer?

Para uns, é uma pergunta simples que puxa uma resposta simples (embora “nada” seja uma resposta que não valha para este caso). Particularmente nunca tive dúvidas da minha preferência pelo jornalismo, fé tão inabalável que nem as nuvens negras que pairam sobre a profissão me fazem cogitar outra carreira. Mas muita gente tem dificuldade de saber o que gosta de fazer porque nunca cogitou pensar nisso. Sempre tomou trabalho como algo chato e nunca como a possibilidade de se realizar pessoalmente.

Por isso, talvez seja melhor encurtar a pergunta e tirar o verbo “fazer”: do que você gosta?

Os personagens da matéria da nossa primeira capa de 2014 responderam à pergunta sorrindo: “cerveja!”. E se aventuraram a fazer sua própria bebida, primeiro por hobby, e, aos poucos, transformando o passatempo em ganha-pão.

É o caso do publicitário Pedro Cizoto, que ainda está na fase do hobby. Ele produz duas cervejas próprias — Cachalote e Pretinha — e sua mão estampa a capa desta edição, fixando o rótulo na “modelo” de nossa capa. Pedro é namorado de nossa editora de arte, Ana Paula Megda, que assina o design da reportagem de capa e fez um vídeo mostrando como se produz cerveja em casa — que explicamos no infográfico elaborado pela própria Ana, com ilustrações do Evandro Bertol. É a deixa para você se aventurar por este mundo e, vai saber, descobrir uma nova vocação.

***

E já entramos em 2014 à toda. Além do novo site GALILEU (já viu?), também repetimos as parcerias que iniciamos em 2013 com a Campus Party e o Fronteiras do Pensamento. E é só o começo, 2014 promete! Vamos lá!

matias-por-luis-douradoAlexandre Matias
Diretor de Redação
matias@edglobo.com.br

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Viram o novo site da Galileu? É o fim de um processo que começou com a entrada da Tati como editora do site, no meio do ano, e deixa a redação a postos para encarar 2014. E para marcar a mudança, resolvemos abrir o conteúdo da matéria de capa da edição com a versão integral dos 25 perfis feitos a partir da seleção dos nomes mais influentes da internet brasileira em 2013. Abaixo, o texto que escrevi para a apresentação deste Estado da Internet 2013.

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O Estado da Internet 2013
Os ativistas, humoristas, pensadores, desenvolvedores de aplicativos, legisladores e agitadores culturais que ajudaram o Brasil a sair da internet para as ruas neste ano

O 2013 brasileiro, no futuro, poderá ser resumido às impressionantes cenas das pessoas invadindo as ruas das principais cidades do país naquele já histórico junho. Muito foi teorizado sobre aquele momento, mas há uma leitura que entende os protestos como um período crucial para a cultura digital brasileira. Pois 2013 foi o ano em que a cultura da internet brasileira deixou os monitores e foi para as ruas.

Foi o que percebemos ao apurar a votação dos 25 nomes mais influentes da internet brasileira em 2013. GALILEU reuniu jornalistas que cobrem tecnologia e autoridades em diferentes nichos online (conheça o júri ao final da matéria) para escolher nomes que fizeram a diferença através da rede neste ano. O resultado trouxe nomes que estariam entre os 25 mais influentes em 1999, 2004 ou 2010. Mas, como os protestos, eles não estão mais apenas na internet.

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#JUNHO2013: As manifestações do meio do ano não só criaram um novo Brasil, como deram sentido ao uso da internet no país

O principal fato de 2013 no Brasil começou há oito anos, quando o Movimento Passe Livre articulou seus primeiros protestos contra o preço das tarifas de ônibus em Florianópolis e Salvador. De lá para cá, o movimento organizou mais protestos e obteve vitórias, mas nada comparado a junho. E a semente da mobilização aconteceu via internet, cutucando os que antes eram rotulados “ativistas de sofá”, que assinavam abaixo-assinados online, compartilhavam foto e só.

Embora o MPL tenha sido o estopim dos protestos, não foi o único protagonista. O ativismo digital ganhou força e rostos. O paulista Bruno Torturra tornou-se a cara do coletivo Mídia Ninja, que, com câmeras em punho e transmissão 3G, atuou nas trincheiras das manifestações com jornalismo de guerrilha que virou notícia até no exterior. No Rio, o principal nome foi o humorista Rafucko, cujos vídeos sempre tiveram forte conotação política. Mas os protestos, e sobretudo a violência policial, o colocaram na linha de frente, satirizando o estado-violência que se instalou no Rio pelo segundo semestre, transmitindo protestos e confrontando a polícia.

influentes2013

Junho também foi celebrado por velhos conhecidos dos bastidores da rede. Teóricos (os professores Sílvio Meira e Sérgio Amadeu) e práticos (o hacker Pedro Markun) viram, no calor da hora, que o país avançava rumo à maturidade digital. Os três também observaram de perto aquele que talvez seja o grande acontecimento do ano: a denúncia de que o governo dos EUA espiona cidadãos do mundo todo via internet. O escândalo surtiu efeito positivo no país, que voltou a discutir o Marco Civil da Internet, pioneiro conjunto de leis que propõe uma nova regulação da rede. Seu relator, o deputado mineiro Alessandro Molon, destacou-se na defesa do projeto de lei.

A causa gay também reforçou os protestos com dois nomes de peso: um deputado federal e um humorista que mudou de gênero. Mas a homoafetividade não é a principal bandeira de Jean Wyllys e Laerte, que partiam deste princípio para discutir questões que não têm propriamente a ver com sexo — e sim com direitos humanos.

2013 viu o ressurgimento dos coletivos. Movimento Passe Livre e Mídia Ninja podem ser seus representantes mais evidentes, mas estão longe de serem os únicos. Em outras áreas, dá para dizer que este é o motivo de sucesso tanto da ONG de jornalismo Agência Pública e do site de crowdfunding Catarse, quanto da dupla Jovem Nerd e do blog Não Salvo, que conversam com os fãs para produzir conteúdo coletivamente. Os dois também não são novatos, mas 2013 consagrou a expansão de seus domínios, sem deixar a internet de lado, ao contrário de outras celebridades online do passado, que trocaram a rede pela TV. Eles consagram um movimento sem volta: grupos que se fortalecem online e que transformam um hobby em profissão. Agora é possível empreender em causa própria, sem apenas usar a rede como plataforma para outros fins.

A eles juntam-se nomes que lidam tanto com produção de conteúdo quanto com publicidade, como Marco Gomes, da Boo-Box, Guga Mafra, da FTPI Digital, e Felipe Neto, que passou pela febre dos blogueiros e foi para os bastidores. Todos estes passaram pelo festival YouPix, idealizado por Bia Granja, que a cada ano torna-se um dos principais palcos para esta mesma geração.

Mas nenhum deles conseguiu o nível de popularidade do coletivo carioca Porta dos Fundos, que começou bem o ano e terminou-o de forma espetacular, como o quinto canal mais assistido no YouTube no mundo — e sem cogitar ir para a televisão, mesmo recebendo boas propostas.

O ano também foi marcado pela ascensão dos smartphones, que acarretaram uma série de mudanças sociais. Estavam presentes nos protestos, quando manifestantes registravam a beleza da multidão e a violência policial, mas não só. Afinal 2013 foi o ano em que cada vez mais brasileiros acessam a internet pelo celular, pois vimos a a venda de smartphones ultrapassar a de celulares comuns. A maior parte destes aparelhos funciona com o sistema operacional do Google, o Android, departamento liderado pelo brasileiro Hugo Barra, que em 2013 abandonou o gigante da internet para trabalhar com smartphones na China. Os smartphones também foram oportunidades para empreendedores como Tallis Gomes e Paulo Veras, que criaram aplicativos que estão mudando a forma como as pessoas usam táxis nas grandes cidades. A mobilidade urbana foi outro tema importante, não apenas quando falamos do preço de passagens de ônibus.

O clima tenso dos protestos não ofuscou o humor — e além dos já citados Não Salvo, Porta dos Fundos, Rafucko e Laerte, quadrinistas como mrevistagalileu.globo.com/Revista/noticia/2013/12/alexandra-moraes.html”>Alexandra Moraes (a mãe do Pintinho), André Dahmer (o pai dos Malvados) e Bruno Maron (do Dinâmica de Bruto) também se destacaram. Só Dilma Bolada, personagem fictício inspirado na presidente do Brasil, ainda não deixou a internet, mas isso está nos seus planos para 2014.

Mas isso é outra história. Por enquanto, é hora de conhecer quem foram os principais nomes da internet brasileira neste 2013:

Jovem Nerd: Lambda! Lambda! Lambda!
Pedro Markun: Hackeando processos políticos
Marco Gomes: Quase meio milhão de blogs
Porta dos Fundos: Rindo à toa
Alexandra Moraes: A mãe d’O Pintinho
Alessandro Molon: O relator do Marco Civil da Internet
André Dahmer: O mestre Malvado
Rafucko: Humor não é crime!
Tallis Gomes: Táxis pelo mundo todo
Bia Granja: A internet é um palco
Bruno Torturra: A cara do Midia Ninja
Laerte Coutinho: A vez dela
Jean Wyllis: Voz das minorias
Gustavo Mafra: Propaganda pensada para a internet
Bruno Maron: A hora e a vez do niilismo ativo
Natália Viana: Reportagens, não notícias
Silvio Meira: Inovação de maneira pragmática
Felipe Neto: Para trás das câmeras
Paulo Veras: Corrida cheia
Movimento Passe Livre: O estopim das manifestações de junho
Hugo Barra: Do Google pra China
Maurício Cid: O homem do Não-Salvo
Luís Otávio Ribeiro e Diego Reeberg: Os pais do Catarse
Sérgio Amadeu: Ativismo acadêmico
Jéfferson Monteiro: O homem Dilma Bolada

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A Galileu de dezembro chegou às bancas com uma votação que escolheu os 25 nomes mais influentes da internet brasileira, com perfis escritos pela Ana Freitas, Vinícius Félix, Tatiana de Mello Dias, Luciana Galastri e André Bernardo, que entrevistaram nomes como Bruno Torturra, Jovem Nerd, Sílvio Meira, Maurício Cid, Porta dos Fundos, Movimento Passe Livre, Laerte, Jean Wyllis e Dilma Bolada, entre outros. No Dossiê, Marco Zanni descreve o futuro dos carros inteligentes, que dirigem e até se consertam sozinhos. Tiago Cordeiro escreve sobre como a medicina está conseguindo “ressuscitar” pessoas mesmo horas após de suas mortes cerebrais, Guilherme Pavarin mostra gamers que jogam pelo prazer estético, Natália Rangel fala sobre a cultura brasileira da gambiarra (e o que isso tem a ver com criatividade e inovação) e ainda há uma tradução da New Scientist sobre quatro possíveis cenários para o clima no planeta no século 22. Também temos entrevistas com o neuroconomista Paul Zak, que discorre sobre o papel dos hormônios na sociedade, com Luis Von Ahn, que criou uma plataforma de tradução colaborativa, e Robert Greene, que desmistifica a genialidade em seu livro Maestria. A revista ainda traz um artigo sobre porque a violência deve ser tratada como doença contagiosa, os 40 anos de O Exorcista, uma bicicleta que gera energia para si mesma, a vida de um piloto de drone, como funciona a perna mecânica ligada ao sistema nervoso, as carreiras mais procuradas no Brasil, um aparelho que grava tudo que você fala (e pra que serve isso), religiões nos videogames, uma startup em prol da pesquisa científica, qual é a doença mais temida pelos brasileiros, o asfalto que “acende” à noite, uma mudança na prática das cobaias e a dúvida sobre a dormência nas pernas. Em suas colunas, Carlos Orsi fala sobre a estrela de Belém e Papai Noel (sério!) e Diogo Rodriguez explica a bancarrota de Eike Batista. Enfim, muito para ler, descobrir e aprender. Abaixo, a apresentação da edição, que marca meu primeiro ano no comando da revista.

Um ano histórico

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CENAS ESPETACULARES: 2013 nos deu dias tensos e um despertar de consciência cidadã que rendeu imagens icônicas, como as já célebres sombras no Congresso Nacional

O futuro é que vai dizer como vamos lembrar de junho de 2013. Mas é certo que a distância temporal e a perspectiva histórica provam que aquele mês tenso e turbulento ficará para sempre na história do Brasil.

Por motivos bem diferentes que reivindicações políticas ou sociais, os protestos deste ano também mostraram por aqui o extraordinário poder de mobilização da internet. Em anos recentes, ela já tinha feito história no Oriente Médio e norte da África (com a Primavera Árabe no início de 2010); em Londres (nos tumultos de agosto de 2011) e em Nova York (com o movimento Occupy Wall Street, no mesmo mês). Junho de 2013 foi a nossa vez e coincidiu com o momento em que o uso da internet torna-se cada vez mais móvel.

O acesso via smartphones começa a mudar a forma como as pessoas encaram a rede. Se antes nos conectávamos a ela, hoje estamos online o tempo todo. Dizemos “vou entrar na internet” como mero resquício linguístico, da mesma forma que serviços de entrega ainda se chamam de “disque-alguma-coisa” numa época em que os telefones com discos desapareceram.

Estamos conectados o tempo todo, mesmo ao ar livre, longe do escritório e de notebooks e computadores de mesa. Em pouco tempo a internet vai deixar de ser tratada como um universo à parte, uma dimensão paralela, e todos viveremos online sem precisarmos fazer esta distinção.

Talvez esta seja a principal constatação da eleição que fizemos na matéria de capa desta edição. Diferentemente de anos passados, revelações da internet não precisam mais escrever livros, virar apresentadores de TV ou serem reconhecidos pela mídia tradicional para ter suas carreiras chanceladas para o grande público.

Ao reunir estes nomes num mesmo panorama, vemos como o século 21 brasileiro parece promissor. Pois são nomes que não esperam ajuda externa para fazer e acontecer e que servirão de inspiração para muita gente tentar o mesmo. Reunir tanto talento em algumas páginas pode fazer muita gente arregaçar as mangas e decidir mudar sua vida fazendo o que gosta. Assim esperamos.

***

E esta é a 12ª GALILEU sob meu comando, o que quer dizer que completo meu primeiro ano como diretor de redação. Agradeço a paciência de todos — leitores e redação —, pois foi um ano de intenso aprendizado, em vários níveis. O novo site GALILEU, que estreia este mês, é o primeiro gostinho de 2014 que iremos sentir. E preparem-se, porque o ano que vem promete. Até lá!

matias-por-luis-douradoAlexandre Matias
Diretor de Redação
matias@edglobo.com.br

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Na edição deste mês, trazemos na capa da Galileu uma longa matéria sobre como estatística e tecnologia estão reinventando o futebol para o século 21, numa meticulosa matéria apurada pelo Guilherme Pavarin, que cobre a licença-maternidade da Priscilla na redação do Jaguaré, e pelo Marco Zanni, colaborador da revista. Os dois detalham softwares que ajudam olheiros e técnicos, o desenvolvimento de materiais para a fabricação de uniformes, chuteiras e bola, tecnologias para prever e prevenir lesões, além de permitir o acompanhamento preciso da saúde de cada jogador, e concluem a matéria com a opinião do doutor Tostão sobre o avanço da ciência nos gramados. A revista ainda traz matéria do Vinícius Cherubino sobre resenhas falsas em sites de compras e de indicações, outra do Diogo Rodriguez sobre a controversa adoção do xisto como fonte de energia, uma matéria da New Scientist sobre os superpoderes dos animais e um papo que bati com o Peter H. Diamandis, da X-Prize Foundation. O André Bernardo escreve sobre autores que adotam pseudônimos, o Tiago Cordeiro relata as sweatshops digitais e uma matéria do Felipe Turion explica como o Brasil pode avançar ainda mais no combate ao fumo ao abolir os cigarros com sabor. Em sua coluna, Carlos Orsi critica o endeusamento da autoestima, a seção Numeralha mostra como estão os avanços ao combate da fome no planeta e a coluna Urbanidade apresenta sobre uma “madeira sintética” produzida a partir de lixo reciclado. Ainda temos matérias sobre como funciona o carro movido a ar, sobre o saneamento contra germes feito com a luz solar, sobre uma startup que faz curadoria de conhecimento, uma entrevista com o diretor do Instituo Franhofer, outra como ex-ministro da educação na França, Luc Perry, sobre a importância histórica do conceito do amor, sobre uma ONG que ensina a construir aquecedores baratos, sobre como se desenvolvem as pedras nos rins e um artigo sobre o futuro das escolas. Nessa edição trazemos duas capas complementares e a extinção da seção CPF, preparando para mudanças mais radicais em breve, como explico na carta ao leitor deste mês.

Uma capa em duas

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BOLA DIVIDIDA: A edição que você tem em mãos traz apenas uma das metades da capa sobre futebol. Abaixo seguem as duas versões lado a lado, complementares

Na edição de aniversário da revista, quando comemoramos 22 anos de GALILEU no início deste semestre, comentei que veríamos, nos meses seguintes, mudanças mais drásticas em nosso ecossistema. Começamos mudando com o acréscimo da Agenda e das colunas Sem Dúvida e Olhar Cético e neste mês vamos além com a morte do CPF. Criada para abrigar perfis e entrevistas no início da revista, ela ficou apertada quando colocamos as novas seções na edição de agosto e optamos por trazer o conteúdo desta seção para o PSC, que segue firme e forte, agora com matérias sobre pessoas que estão mudando os rumos do conhecimento.

Outra novidade desta edição é que começamos a experimentar nas capas. No mês passado, quando estávamos decidindo qual seria a imagem que apareceria no crachá estampado sob o logo da revista, chegamos às duas inevitáveis opções: publicar a foto de um sujeito ou de uma moça. A matéria sobre o futuro do mercado de trabalho não afetaria um ou outro gênero, ambos os sexos sentem as transformações que já estão em curso na maioria das opções. Até que o Fábio, nosso diretor de arte, cogitou: “Por que não fazemos com as duas?” — e a revista foi para as bancas com o sujeito e a mocinha, em duas versões da capa que alguns jornaleiros tiveram a esperteza de colocá-las lado a lado.

Daí quando começamos a pensar na matéria de capa desta edição — sobre como o futebol está mudando graças às intervenções da estatística e da tecnologia —, cogitamos em como ilustrar as transformações que estão mudando a cara do jogo na capa da edição. E foi o Tiago, nosso redator-chefe, quem considerou a possibilidade, usando duas capas, de mostrarmos a transição que está ocorrendo às vésperas da Copa do Mundo no Brasil: que o futebol está deixando de ser a proverbial caixinha de surpresas para ganhar contornos de ciência exata. Duas capas complementares, que formariam uma mesma imagem. Por isso a bola dividida em duas capas, à quais o Fábio acresceu linhas matemáticas para dar o tom mais preciso da mudança.

GALILEU é uma publicação que preocupa-se com este tipo de transformação, por isso é natural que ela mesma esteja em constante mudança. No mês que vem, quando completo minha décima segunda edição (portanto, um ano) à direção do título, traremos ainda mais novidades e não apenas nas páginas da revista.

Mas isso é papo para o mês que vem, depois falo melhor sobre isso — mas aposto que você vai gostar de saber desta surpresa.

matias-por-luis-douradoAlexandre Matias
Diretor de Redação
matias@edglobo.com.br

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Começou hoje no MIS a exposição Stanley Kubrick, que já passou por cidades européias e norte-americanas reunindo parte considerável do acervo do maior diretor de todos os tempos. Conversei com a viúva de Stanley, Christiane Kubrick, na edição atual da Galileu.

Dentro da cabeça de Kubrick
Exposição definitiva sobre gênio autor de clássicos como 2001, O Iluminado e Dr. Fantástico chega ao Brasil

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JÚPITER E ALÉM: Stanley Kubrick em um dos cenários da obra-prima 2001 – Uma Odisseia no Espaço (1968)

O excesso de detalhismo do diretor Stanley Kubrick (1929-1999) em suas produções é tão célebre quanto suas obras-primas. Ele experimentava novidades técnicas com a mesma obsessão que se aprofundava nos temas que queria abordar. Ele fez a atriz Shelley Duvall repetir a mesma cena 127 vezes nas gravações de O Iluminado (1980), para que ela atingisse o nível de desespero que havia imaginado na atuação. Estudou combinações de lentes e câmeras para filmar cenas apenas à luz de velas em Barry Lyndon (1975).

São feitos míticos e ousadias de produção que, ao lado de filmes que sempre entram nas listas de melhores de todos os tempos, o transformaram em uma das personalidades mais complexas da história do cinema. Seu acervo póstumo é uma coleção infindável de caixas que, em 2004, foram transformadas na exposição definitiva sobre o trabalho do diretor. Chamada apenas de Stanley Kubrick, ela já passou por várias cidades europeias e chega ao Brasil a partir de 11 de outubro, ficando em cartaz até o dia 12 de janeiro do ano que vem no Museu da Imagem e do Som (MIS), em São Paulo.

A exposição foi organizada pelo alemão Hans-Peter Reichmann com o aval da viúva de Kubrick, Christiane, que conversou com GALILEU por e-mail. “Tive receio no início, mas Hans-Peter Reichmann, do Instituto de Cinema de Frankfurt, me convenceu que a enorme quantidade de material de Stanley foi guardada para um propósito”, explica a ex-atriz, que Kubrick conheceu nas gravações de Glória Feita de Sangue.

“A maior dificuldade foi decidir o que ficaria de fora”, continua a senhora Kubrick. “Seria ótimo mostrar a técnica de projeção de frente que foi usada na sequência A Aurora do Homem, em 2001 — Uma Odisseia no Espaço, em escala original, desenvolvida pelo próprio Stanley, mas isto exigiria muito espaço e dinheiro.” Além dos materiais dos filmes — que incluem o boneco-bebê usado em 2001, a maquete da sala de guerra de Dr. Fantástico e o figurino de Laranja Mecânica, entre outras joias —, a exposição ainda trará parte da pesquisa de Kubrick para filmes que não realizou, como Arian Papers, Napoleon e Artificial Intelligence. O MIS também planeja exibir os clássicos de Kubrick enquanto a exposição estiver em cartaz.

Abaixo, algumas fotos da abertura da exposição e o microvídeo que fiz quando pude ver a mostra em Paris.

Continue

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Na Galileu deste mês, que já está nas bancas (com duas capas diferentes), falamos que as mudanças que mudarão a cara do mercado de trabalho do futuro já estão virando as profissões atuais do avesso. O Tiago Cordeiro traz uma extensa matéria sobre o futuro do trabalho hoje, para quem está às vésperas de entrar na faculdade ou querendo mudar de ramo depois de anos numa mesma área. Além disso, entrevistei a viúva de Stanley Kubrick sobre a exposição que estréia em São Paulo em homenagem ao diretor, o Rafael Tonon escreve sobre uma cidade que criou um sol artificial, além de explicar o que é gentrificação e como ela está mudando a cara das cidades no mundo todo. A Ana Freitas explica o que é o Wi-Vi, que usa ondas Wi-Fi para ver através das paredes e a Luciana Galastri entrevistou, na Rússia, o papa da segurança digital do país, Eugene Kaspersky. Traduzimos uma matéria da New Scientist sobre mitos da saúde, o Alexandre Rodrigues conta a eterna saga em busca do moto-contínuo, o Carlos Orsi fala de Atlântida e o Diogo Rodriguez sobre armas químicas. A Tatiana de Mello Dias escreve sobre os hackers que querem reescrever a constituição brasileira, o Ramon Vitral entrevistou o brasileiro diretor do filme The Flying Man e falamos da onda de bons filmes de ficção científica no cinema americano (como Elysium, Gravidade, o novo Robocop e o filme que os Wachoswki irão lançar no ano que vem). Ainda há o atlas do grafitti no mundo, o personal trainer dos olhos, uma startup que cuida do tempo que você não tem livre, um brasileiro que inventou uma lâmpada de garrafa pet, um helicóptero movido a propulsão humana, a taxa de poluição de todos os países do planeta, esterco que gera eletricidade, a Copa mexendo com as startups brasileiras, doenças autoimunes e um pesquisador que quer a proibição do boxe e do MMA. Abaixo, a Carta que escrevi no início da edição (e um dos meus salves à passagem de um grande amigo).

Mutações

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AQUELA VELHA MÁQUINA DE ESCREVER: Uma relíquia do século passado, minha Lettera 82 portátil me lembra das constantes mudanças que mexeram na profissão

Sou do tempo em que se fumava em redação. Não cheguei a ver máquinas de escrever em ação, embora tenha minha própria máquina de escrever, em que escrevia os trabalhos na faculdade e os primeiros frilas — a velha Olivetti Lettera 82 repousa hoje solene à entrada do meu escritório em casa (ao lado). Comecei a frequentar redações no momento em que os computadores começaram a invadi-las. Eram computadores com monitor de fósforo preto, terminais ligados a um servidor central da redação. Permitiam que se escrevesse num processador de texto, programado ainda nos anos 80.

De lá para cá, vi a internet entrar na redação, o telex ser aposentado para ser substituído pelo fax, a chegada dos e-mails, o milagre que pareciam ser os primeiros laptops, que permitiam que o repórter escrevesse a matéria entre o fato apurado e a redação. Vieram os blogs, os telefones celulares, as redes sociais e o modem 3G. O filme das fotos foi aposentado, programas de diagramação e ilustração foram substituindo métodos analógicos de riscar páginas.

Estas transformações não foram sentidas apenas no jornalismo. Qualquer profissão foi drasticamente transformada com a chegada dos computadores, da internet e das mídias digitais. Pergunte a qualquer um que, como eu, tenha quase duas décadas de trabalho na mesma área e confirme: o mundo era bem mais tacanho e menos divertido no final do século passado.

Mas essas mudanças não param e, nesta edição, nos dedicamos a mostrar que a natureza do trabalho entrou numa mutação constante, em que poucas coisas são dadas como certas. O repórter Tiago Cordeiro e o redator-chefe Tiago Mali se debruçaram em estudos sobre os profissionais do futuro e o resultado está na matéria de capa, que pode assustar os incautos, mas olha com otimismo para os dias que virão. Pode ser que em pouco tempo eu possa dizer com a mesma naturalidade que abri esta carta que “sou do tempo em que existia redação”. Mesmo porque o cigarro eu já estou disposto a abandonar em 2013.

***

Termino esta carta despedindo-me de um amigo que foi embora cedo. Conheci o carioca Fred Leal (1982-2013) em 1999, quando ele ainda era adolescente e eu tinha 20 e poucos anos e colaboramos juntos tanto online (quando escreveu no site da Play que editava em 2002) e no impresso (quando o convidei para entrar na equipe do Link Estadão que editava). Não colaborou com a GALILEU por pouco e deixa, além da saudade, uma lição de amor à vida. Um abraço, meu irmão.

matias-por-luis-douradoAlexandre Matias
Diretor de Redação
matias@edglobo.com.br

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Mais uma Galileu nas bancas e esta com a capa escrita por nosso redator-chefe, Tiago Mali, que viajou pelo Brasil para investigar o problema dos agrotóxicos no país – falo mais sobre esta matéria no editorial abaixo. Além desta matéria, o Felipe Pontes foi para Londres ver o tal hambúrguer feito de células-tronco, o Rafael Cabral entrevistou o Gavin Andresen do Bitcoin, a Tatiana de Mello Dias escreveu sobre os precursores da mídia de guerrilha, o Centro de Mídia Independente, a Luciana Galastri visitou um hotel-hospício no Rio de Janeiro, o Ramon Vitral entrevistou o Chris Ware e falou da nova série da Marvel, Agents of S.H.I.E.L.D., o nosso Dossiê fala sobre a felicidade possível do ponto de vista da ciência, Fausto Salvadori Filho escreve sobre os cypherpunks, o Carlos Orsi fala sobre a Síndrome do Nobel (que emburrece alguns vencedores do prêmio) e ainda falamos da influência das emoções no sistema digestivo, da invenção de um olho biônico, da ascensão da pedocracia, dos cursos online oferecidos pelas universidades brasileiras, sobre os extremos do Brasil, sobre a startup Samba Ads, sobre como é ser comandante de submarino e da relação do Google com o século 19. Revista linda, cheia de matérias foda escritas por jornalistas apaixonados pelos assuntos que escrevem. Pode comprar que eu garanto. Abaixo, minha Carta ao Leitor, que abre a publicação.

Nossa equipe

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EM CAMPO: Nosso redator-chefe Tiago Mali entrevista moradores da cidade de Rio Verde (GO), durante a apuração que fez para a matéria de capa desta edição

Quando assumi a direção da GALILEU no fim do ano passado, tinha uma dupla preocupação: uma inquietação em saber como poderia me encaixar no histórico da revista sem atropelar as vontades e anseios da redação que encontrei. E qual foi minha surpresa ao descobrir que teria como principal interlocutor nesta etapa o redator-chefe Tiago Mali.

Entre os integrantes da redação, Tiago é um dos mais antigos na casa: foi editor do site, depois editor da revista e, finalmente, no começo de 2012, assumiu o cargo que ocupa atualmente. Seria fácil entrar em conflito em relação à linha editorial, mudanças estruturais ou abordagens jornalísticas, mas ocorreu justamente o oposto: a cada questionamento que fazia com ele em relação ao que pretendia fazer com o título, Tiago se dispunha a entender o que eu estava propondo e colocar as minhas preocupações em perspectiva quanto ao histórico da revista.

Mais do que isso: encontrei um senhor profissional. Um cara que entende a necessidade de um novo jornalismo, que em vez de temer o digital, o abraça, e que, ao mesmo tempo, preza pelos valores básicos da profissão. Ao mesmo tempo em que se dispõe a falar e trabalhar com o jornalismo de dados, uma das vertentes mais radicais e empolgantes de nossa área no século 21, também reconhece e anseia pela reportagem em si, de ir para onde a notícia está e apurar fatos direto dos protagonistas das grandes matérias.

E antes mesmo de fechar minha segunda edição, no início do ano, perguntei que matéria ele gostaria de fazer. Tiago nem pestanejou: queria falar do problema dos agrotóxicos no Brasil. Assim, investimos em viagens para lugares distantes no país para termos uma reportagem literalmente em campo. Apurada por seis meses, nossa matéria de capa é um esforço exemplar do tipo de jornalismo que queremos fazer aqui na GALILEU: vivo, atual, humano, incisivo e que reflete-se na vida de cada um de nós.

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Outra novidade desta edição está na seção Ecossistema — a partir deste número, começamos a falar dos profissionais que ajudam a GALILEU a ser o título que é.

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E já que estamos falando de nossa equipe, termino esta Carta parabenizando publicamente nossa editora Priscilla Santos pelo nascimento de sua filha Clara, que chegou ao mundo em julho. E aproveito para dar as boas vindas ao Guilherme Pavarin, que também já pertenceu à equipe da revista, e que voltou à redação para cobrir a licença-maternidade de Priscilla.

matias-por-luis-douradoAlexandre Matias
Diretor de Redação
matias@edglobo.com.br

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A edição de agosto da revista Galileu é também a que comemoramos o 22° aniversário da publicação – e ela começa a apresentar uma série de novidades que acompanham a data, como a estréia das colunas de Diogo Rodriguez (Sem Dúvida) e Carlos Orsi (Olhar Cético) e da seção Agenda, editada pela Tati – que eu trouxe do Estadão para assumir o cargo de editora do site da Galileu. A revista traz na capa uma matéria do Rafael Tonon sobre consciência e direitos dos animais, um debate cada vez mais presente em nosso dia-a-dia. Ainda temos matérias sobre a legislação digital no Brasil, como o Marco Civil da Internet se arrasta em trâmites burocráticos e a relação disso tudo com o escândalo revelado por Edward Snowden, esta também escrita pela Tati; uma reportagem sobre a única Copa do Mundo cancelada da história (e a relação deste caso com a Copa no Brasil no ano que vem); outra sobre os 10 anos da explosão da base espacial de Alcântara; uma entrevista que o Tiago Mali fez com o António Damásio sobre cérebro, sentimentos e emoções; outra que eu fiz com o James Gleick, sobe o volume de informação que nos assola e seu livro mais recente; uma matéria sobre os problemas em dormir aos poucos; um artigo sobre como o bullying entre irmãos é pior do que aquele entre colegas de escola; o escritor que criou um método coletivo de escrever livros que o levou ao posto de escritor mais rico dos Estados Unidos; as confissões de uma sociopata; como grandes pastos salvarão o planeta; uma organização que faz pornografia para melhorar o meio ambiente; babás de cachorros; a rotina de um “papirologista”; juízes artificiais; a saúde do jovem brasileiro em números e a diferença entre gripe e resfriado. A revista está excelente, à altura de seu legado, como explico na carta ao leitor deste mês.

22 anos: um legado

galileus
GALILEUS: Nestes 22 anos a revista tratou de assuntos diferentes (afinal, tudo pode ser abordado pela ciência), sem perder a seriedade e o compromisso com o bom jornalismo

Em agosto de 1991, morava com meus pais em Brasília e cogitava por alto a possibilidade de ser jornalista, ainda no segundo grau. Em setembro de 1998, já morava em Campinas e trabalhava na redação de um jornal. Em agosto de 2013, já tenho mais tempo morando em São Paulo do que na minha cidade, quase 20 anos de profissão e passagem por cinco redações diferentes. Mas o que une estes meses não tem nada a ver com a minha biografia, e sim com a da GALILEU. Em agosto de 1991 era lançada a revista Globo Ciência, que, em setembro de 1998, se transformaria na GALILEU para, agora, em agosto de 2013, completar 22 anos.

Assumi a direção da revista no final de 2012 ciente dos desafios do novo cargo e da necessidade de expandir os horizontes do título. Mas sempre soube da importância da revista, que mantém um legado incomensurável.

Tenho esta consciência e espero estar fazendo boas contribuições para esta história. Afinal, estes 22 anos viram centenas de colaboradores passarem por estas páginas: jornalistas, repórteres, editores, designers, ilustradores, fotógrafos e infografistas (além de inúmeros convidados) que ajudaram a erguer a reputação da revista mais séria do Brasil quando o assunto é ciência, tecnologia, cultura e comportamento.

Nosso compromisso é com a apuração, com a seriedade na abordagem, o tom sóbrio que não perde a leveza. Repare: o humor da revista não apela, não forçamos títulos para ser engraçadinhos nem tratamos o público feito adolescente — mesmo os adolescentes que nos leem. É uma revista que prima pelo apuro visual e unidade gráfica, que trata de assuntos complexos com clareza e respeita a inteligência do leitor.

São também valores do bom jornalismo, mas nem todas as publicações nesta área prezam por isso. Seria muito fácil, por exemplo, colocar um cachorro fofinho na capa desta edição. Mas falamos de consciência animal e ciência — e no lugar do cachorro, veio a mosca, posando como o Pensador de Rodin. Afinal, como você verá na matéria do repórter Rafael Tonon, as moscas também se concentram.

Nesta edição, começamos uma mudança um pouco mais drástica em relação a que assistimos desde que assumi a direção da revista. Temos duas novas colunas (Olhar Cético e Sem Dúvida, esta última ressuscitada — sua versão original existe desde a primeira Globo Ciência) e a seção Agenda, que trazem os assuntos da revista para o dia a dia do leitor. Outras novidades virão nos próximos meses. Vamos lá!

matias-por-luis-douradoAlexandre Matias
Diretor de Redação
matias@edglobo.com.br

gleick

E nesta edição da Galileu bati um papo com um dos maiores autores de livros de não-ficção da atualidade. Biógrafo de Richard Feynman e de Isaac Newton, James Gleick finalmente tem seu A Informação – de 2011 – lançado no Brasil. Editei textos dele nos meus tempos de editor do Link (um sobre memes e outro sobre o Google), por isso foi uma satisfação dupla conversar com ele. A íntegra do papo segue abaixo:

Bit a bit
Autor de importantes livros sobre ciência mostra que tudo – eu, você e o universo – é formado por informação

A bibliografia do jornalista e escritor norte-americano James Gleick já contava com obras de fôlego, como seu primeiro livro Caos — A Criação de uma Nova Ciência (1987), sobre a teoria do caos, e as biografias que escreveu sobre mestres da física como Richard Feynman (Feynman — A Natureza do Gênio, de 1992) e Isaac Newton (Isaac Newton — Uma Biografia, de 2003). Mas com A Informação — Uma História, Uma Teoria, Uma Enxurrada (Cia das Letras, R$ 59,90), lançado em 2011 e que só agora chega ao Brasil pela Companhia das Letras, o escritor dá um salto ainda maior em abrangência ao explicar que a base do Universo é o bit de informação. “Somos processadores de informação”, crava o escritor, em entrevista por telefone. • Alexandre Matias

Quando você notou que o tema “informação” daria um livro?
Ao pesquisar para fazer meu primeiro livro, Caos, descobri esta ciência chamada Teoria da Informação, criada por Claude Shannon, sem chamá-la assim, em 1948. Lembro ter visto seu livro A Teoria Matemática da Comunicação, que nunca saiu de catálogo, ainda naquela época, mas não me aprofundei. Os anos se passaram e vimos as drásticas mudanças que ocorreram. E, a partir daquela descoberta, sempre soube que sob todas aquelas mudanças havia uma ciência não muito conhecida chamada Teoria da Informação. Havia uma conexão entre uma área da ciência tão obscura e a extremamente dramática e óbvia revolução da informação pela qual estamos passando. Foi quando percebi que poderia organizar isso tudo em um livro. Queria contar apenas a história toda, desde o começo.

Uma tarefa tão ambiciosa quanto megalomaníaca.
Sim, uma tarefa impossível, como se fosse contar a história do mundo. Mas sempre achei que houvesse um tema, que daria coerência ou que funcionasse como um fio da meada para esta história tão complicada.

O subtítulo do livro dá a entender que ele pode ser encarado como três livros.
Sempre soube que este meu livro se chamaria apenas A Informação, só no final do processo é que o subtítulo apareceu. Não havia percebido que estava trabalhando num livro de três partes e essas três partes — a história, a teoria e a enxurrada — vêm todas ao mesmo tempo. E, sim, há três livros em um só volume, embora a divisão não seja clara.

Na parte histórica, um dos grandes méritos do livro é o reconhecimento de figuras que foram esquecidas pela história.
Duas delas, Charles Babbage e Ada Lovelace, surgiram na Inglaterra vitoriana. Algo peculiar sobre sua importância é que, por muito tempo, eles foram esquecidos. Babbage foi bem conhecido em seu próprio tempo, na Inglaterra. Mas logo depois ele sumiu da consciência das pessoas. Se você perguntasse para alguém, nos anos 1930, por exemplo, quem era Charles Babbage, acho que ninguém teria ouvido falar dele, mesmo em seu país. Com Ada Lovelace era pior, você teria de ser um estudioso sério de poesia inglesa para saber que Lord Byron teve uma filha e mesmo assim era pouco provável que alguém soubesse que ela era matemática.
Os dois foram redescobertos em nossa época por cientistas da computação — e mesmo hoje não dá para saber quem foi o responsável por desenterrar seu trabalho de bibliotecas e perceber que o que estava sendo feito nos anos 1950 na área de computação havia sido imaginado anteriormente, com muito detalhe e criatividade, por Babbage e Lovelace. E isso é muito excitante. Estas idéias nunca deixaram a consciência mundial, mesmo que a grande máquina de calcular idealizada por Babbage tenha sido um fracasso. Tentei entender suas motivações e acho que ele tentava estabelecer uma conexão entre o mundo abstrato dos números e o mundo físico das máquinas. Só isso já era algo emocionante: máquinas podem manipular não apenas tecidos e metais, mas também coisas de natureza mental. É uma ideia muito poderosa que nos fez viver no mundo que vivemos hoje. E é aí que a Ada torna-se uma figura tão importante nessa história, pois enquanto Babbage só pensava em termos de números, ela entendeu melhor do que ele que a informação é algo mais geral — se uma máquina pode manipular números, pode fazê-la manipular palavras e linguagens também.

O livro também cita exemplos de que não é a primeira vez que nos sentimos inundados por informação – você cita que, quando livros deixaram de ser novidade e aos poucos viraram um mercado, muitos diziam que era impossível ler tanto e que isso emburreceria a civilização. Mas ao mesmo tempo, estamos vivendo uma época única em respeito à velocidade e ao volume de informação.
Tentei escrever justamente para que parecesse contraditório. Por um lado, sentimos que nosso tempo não parece com nenhum outro que veio anteriormente. Afinal, no mundo em que vivemos hoje, todos estão conectados eletronicamente por todo o planeta, de forma instantânea, na velocidade da luz, e que podemos ver imagens do que está acontecendo exatamente agora no sudeste da Ásia – sem contar o fato de estarmos tendo esta conversa, mesmo a milhas de distância. Ao mesmo tempo, todos nós podemos ter acesso a todo o conhecimento do mundo ao acionar um aparelho de nossos bolsos. Tudo isso é genuinamente novo e nós só podemos supor o que poderá acontecer com a espécie humana a partir disso.
E o que torna esta afirmação contraditória é que as pessoas sempre sentiram isso, por várias vezes, em toda a história. E toda nova tecnologia da informação trouxe junto um coro de reclamações, medo e ansiedade que é muito parecida com a que vivemos hoje. E à medida em que fui escrevendo o livro, sabia que ele iria terminar na enxurrada de informações a que somos submetidos hoje, afogados em informação.
Mas sabia que iria repetir as previsões loucas do século 17 quando, depois da criação da impressora de tipos móveis, as pessoas temiam por uma terrível enxurrada de livros, que seria tão drástica que faria a humanidade retornar à barbárie, pois não haveria forma de acompanhar tanto conhecimento que, de repente, começava a ser impresso.
A forma que se fala que a internet irá aniquilar o tempo e o espaço é parecida com a forma como o telégrafo foi recebido ao ser criado. E realmente há conexões entre todas estas tecnologias de informação – não é só uma coincidência.
Isso tudo me levou a três considerações. Primeiro, já vimos isso acontecer e é importante termos isso em mente. Segundo, que é realmente diferente desta vez. E terceiro que não dá para imaginar como as pessoas daqui a 50 anos verão a época em que vivemos agora. Acho que isso é impossível de imaginar.

A compreensão da natureza da informação vai para além da área das comunicações e explica, inclusive, nossa biologia.
Com certeza. Pensar o mundo em termos de informação abriu nossos olhos e nos ajudou a entender o que somos como criaturas biológicas. Não há dúvida sobre isso: somos processadores de informação. Nosso sistema nervoso é responsável por mandar mensagens por todo o nosso corpo – e não apenas o sistema nervoso, que é um sistema de fios elétricos, mas também nossos hormônios e outros sinais químicos que são foram percebidos por muitos biólogos como sendo apenas informação. Isso só foi possível entender depois que o telégrafo foi inventado, ele funcionou como uma metáfora para nosso próprio funcionamento.
Mesmo num nível genético, somos feitos de informação. Quando falamos do código genético, isso não é uma metáfora, é literal. O DNA é um código, um alfabeto formado por quatro letras que codifica informações sobre como criar um novo organismo. Até os biólogos entenderem isso seria impossível para eles descobrirem, ou melhor, criarem a linguagem genética.
A grande revolução genética aconteceu nos anos 1950 e 1960, e não ocorreu apenas pela evolução da química ou pela criação de grandes microscópios eletrônicos, que nos permitiu ver a famosa hélice dupla, e sim o entendimento dos processos que estão na base de nossa biologia.

E você acha que em algum momento podemos nos fundir com as máquinas que criamos? O Google Glass, por exemplo, seria o próximo passo rumo à tal singularidade?
Fala-se muito sobre singularidade e acho que boa parte do que é dito é meio bobo, mas de certa forma esta singularidade já aconteceu. Eu não acho que iremos nos fundir como um só organismo com os Borgs (uma entidade coletiva do universo de Jornada nas Estrelas), mas acredito que já podemos nos ver como já somos criaturas mais complexas quando levamos em conta as máquinas e a tecnologia que ampliam nossas habilidades humanas. E é claro que o Google Glass é um dispositivo protético, da mesma forma que o celular que carregamos no bolso também é. Se você parar para pensar, até a escrita é uma tecnologia inventada para ampliar nossas capacidades mentais, como os muitos dispositivos que agregamos ao nosso corpo. Nós já somos híbridos e estamos felizes em nos conectar com o mundo eletrônico.

Dá para ser otimista imaginando este futuro?
Eu tendo a ser otimista pessoalmente, mas não posso defender isso. É mais uma questão de humor. Claro que há muitas coisas que nós precisamos temer e nos preocupar, não acho que seja saudável achar que tudo será ótimo e que a tecnologia irá resolver todos nossos problemas. Não acredito nisso, temos que estar alerta e temos o direito de termos medo e nos preocupar com o fato de estarmos cada vez mais distraídos, sobre perder a habilidade de nos concentrar, devemos nos vigiar se estivermos fazendo muitas coisas ao mesmo tempo e nos esquecermos de prestar atenção naquilo que é próximo da gente, no mundo físico. Mas acho que se fizermos isso, se formos cuidadosos, os desafios que teremos a seguir não serão tão diferentes dos desafios que vimos antes. Portanto, sim, sou um otimista.

E você pode antecipar qual é o assunto de seu próximo livro?
Eu só posso dizer brevemente que comecei a escrever um livro sobre viagens no tempo. Sobre a história da viagem no tempo. Acho que levarei alguns anos para concluí-lo.

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Pra encerrar a semana de ficção científica que está rolando no MIS, a Galileu propôs uma mesa para falar sobre como as grifes Jornada nas Estrelas e Guerra nas Estrelas ajudaram a popularizar o gênero no final do século 20. Medio o bate-papo logo em seguida da exibição de um episódio da série clássica do Jornada e antes de uma maratona com os seis (isso, OS SEIS) filmes da saga do clã Skywalker na ordem e o Luís e o Ramon participam dessa conversa. Inevitável falar também do futuro das duas grifes. Vamo lá?

27/07 (sábado) – 15:30
“Como Star Wars e Star Trek reinventaram a ficção científica”
Embora sempre popular, a ficção científica era um nicho restrito a iniciados e a geeks, mas a partir do lançamento da série Jornada nas Estrelas e, dez anos depois, dos filmes Guerra nas Estrelas, este cenário começou a mudar – o cinema passou a dar mais destaque para o gênero, que conquista cada vez mais fãs e hoje é um dos principais filões da indústria do entretenimento.
Mediação: Alexandre Matias (diretor de redação da revista Galileu)
Participação: Luís Alberto Nogueira (diretor de redação da revista Monet) e Ramon Vitral (repórter do Caderno 2 do jornal O Estado de São Paulo)
Ingresso gratuito: retirar com 1h de antecedência na recepção