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Jornalismo

gambitos

O jornalista e herói indie Fabio Bianchini estava entretido com uma possível volta de sua mítica banda Superbug, mas resolveu voltar a lançar hinos através de seu alter ego Gambitos. “‘Pop Songs Your Tinder Match Is Too Stupid to Know About’ é a primeira música do terceiro EP dos Gambitos, Politics of Post Modernism Pool Party of One. Quer dizer, talvez vire um álbum, mas provavelmente não, deve ser EP mesmo. Os dois primeiros saíram, simultaneamente, em 2008, e antes disso teve uma faixa isolada, Mik and Honey”, ele me explica por email, antes de dizer que tudo pode ser encontrado em sua conta no Soundcloud. E é com essa faixa nova que ele recebe 2018:

“Como dá para notar, Gambitos é um negócio intermitente, se materializa bem de vez em quando”, explica, resumindo que a banda é basicamente ele e quem estiver a seu lado. “Nas atuais gravações, até o momento os Gambitos são também André Seben, ex-Superbug e talvez o mais clássico dos guitarristas de Florianópolis, Paula Ende, ex-vocalista das Borboletas Acrobáticas e o Menino Isoladinho e mais outras, Márcio Bicado, ex-Motel Overdose, ex-Verano, mais um monte de coisa, toca nuns lances da Camerata também, Cicero Bordignon, ex-Maltines, Casablanca, e Jean Gengagnel, Moebiius, ex-Mottorama. E dessa vez vai rolar também formação pra uns shows ao vivo, mas ainda não dá pra falar.”

umo-american-guilt

Nem bem linkei o áudio que o Unknown Mortal Orchestra publicou no fim do ano passado e agora vem o grupo com a primeira música da nova fase, a pessimista e garageira “American Guilt”, que parece ecoar o cinquentenário do tenso 1968, igualmente barulhento e em espiral descendente, cantando sobre a culpa americana que faz “até os nazistas gostarem dele”.

markesmith

Que bordoada essa notícia da morte do Mark E. Smith. Um dos maiores ícones do rock inglês, o dono do Fall era um desses sérios candidatos ao posto de maior inglês vivo (Alan Moore e Charlie Brooker são os outros dois) e sua carreira parecia interminável da mesma forma que parecia existir desde sempre. Dezenas de discos lançados um atrás do outro, influenciando gerações e gerações de artistas em todo o mundo com um único lema: “foda-se tudo”. Era um artista que nunca imaginei que poderia vê-lo ao vivo, até que o acaso me sorriu no ano passado, quando fui pra Liverpool e minha querida amiga Megssa (ex-vocalista dos Fish Lips, quem sabe, sabe) me interceptou para Manchester assistir a um festival que tinha Royal Trux, Swans e… The Fall! Nem pestanejei e peguei o trem em seguida, para presenciar uma apresentação em que Mark mandava tudo à merda, como reza sua lenda: balbuciava os vocais como se tivesse dando um esporro no público, desligava e ligava os amplificadores, deixando os músicos (todos mais novos que ele) putos ou rindo, cantando com dois microfones ao mesmo tempo, tocando a bateria com um dos microfones antes de atirá-lo na plateia. A apresentação ia do humor ao terror em segundos e a sensação de periculosidade no palco era palpável – a qualquer minuto o velho Mark poderia fazer qualquer coisa, como sair do palco do meio do show, forçando a banda a buscá-lo na marra. Eis o vídeo que fiz do histórico show (pelo menos para mim):

Obrigado, Sir Smith. Com sua morte, o mundo fica menos divertido e caótico, mas seu legado é imbatível.

Cartografia mental

Essa ilustração que o belga Aleksandar Savić fez para a revista Fortune parece ilustrar bem o mapa mental de nossa atenção nesta era digital.

aleksandar-savic_internet

Interessante perceber como o Facebook é maior que os Estados Unidos do Alfabeto.

O designer norte-americano Peter Stults cogitou versões de filmes modernos refeitas com elenco e time de produção da era de ouro do cinema, criando uma galeria impressionante de filmes fictícios com grande potencial de ser foda. Dá uma sacada:

E tem muito, mas muito mais, no portfólio original do cara.

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“Enquanto há um tumulto acontecendo, o Yo La Tengo quer lembrar como é que se sonha”, conta o escritor Luc Santé, que escreveu o texto que acompanha o próximo disco do grupo nova-iorquino, There’s a Riot Going On, que será lançado no dia 16 março pela Matador e é o primeiro álbum do ícone indie desde o ótimo Fade, lançado em 2013. Composto, como sempre, a partir de improvisos instrumentais que lentamente tornam-se canções, o disco conta apenas com Ira Kaplan, Georgia Hubley e James McNew como participantes e o único elemento exterior a este processo foi o músico John McEntire, do Tortoise, que mixou o disco.

Batizado a partir do clássico disco de Sly & The Family Stone no início dos anos 70, o disco pega um rumo bem diferente do funk politizado de onde veio a inspiração. “Em 1971, o país parecia estar nos limites de se separar, quando Sly & The Family Stone gravaram There’s a Riot Going On, um disco de energia obscura e criativa”, o escritor continua apresentando o novo álbum. “Agora, sob circunstâncias semelhantes, o Yo La Tengo lança um disco com o mesmo título, mas com uma força diferente. Um disco que propõe uma alternativa à raiva e ao desespero”. O grupo antecipou quatro das 15 faixas do novo disco – “You Are Here”, “Shades of Blue”, “She May, She Might” e “Out of the Pool” – que mostram este novo rumo – aquele mesmo velho conhecido dos fãs.

Eis a capa e os títulos das músicas do novo disco, que será lançado pela Matador.

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“You Are Here”
“Shades of Blue”
“She May, She Might”
“For You Too”
“Ashes”
“Polynesia #1”
“Dream Dream Away”
“Shortwave”
“Above the Sound”
“Let’s Do It Wrong”
“What Chance Have I Got”
“Esportes Casual”
“Forever”
“Out of the Pool”
“Here You Are”

O disco já está em pré-venda no site da Matador.

bombasuorebapho

Carnaval chegando e Thiago França já está à toda com sua Espetacular Charanga, que antecipa o clima do Carnaval deste ano, com mais um disco pré-fervo, Bomba, Suor e Bapho (que pode ser baixado no site do músico). “O disco todo foi gravado ao vivo, com 34 pessoas no estúdio”, ele me explica numa troca de áudios, contando que incluiu na formação músicos que conheceu na oficina de sopro que puxa em nome da Charanga. A gravação foi à moda antiga – dois microfones em cada canto da sala, músicos alinhados de acordo com a proximidade de seu instrumento em relação ao microfone (“mixagem física”, ele me explica, “trumpete tá alto? Dá um passo pra trás”) e captura o clima quente da apresentação, gravada e mixada em um dia.

“Não sei se vou conseguir manter essa história de ficar lançando um disco todo ano”, confessa, lembrando que a Espetacular Charanga lançou discos com repertório próprio desde o início. Thiago não quer se obrigar a fazer lançamentos anuais também devido ao período de virada de ano e ao próprio conceito de disco em tempos digitais: “O disco não precisa mais ter dez faixas, ter meia hora…” O disco conta com quatro músicas instrumentais e duas com vocal, uma com letra composta por Lucas Santtana e outra cantada por Suzana Salles.

Como todo ano, a Charanga sai na segunda-feira de Carnaval mas desta vez começa pela manhã, para enfatizar a natureza musical do bloco e deixar o lado da acabação em segundo plano. “De manhã a gente dribla também um pouco um público que tá se aproximando cada vez mais do carnaval de rua, que é a galera “HT topzêra”, que é um público que ainda necessita de muita educação cívica pra poder saber fazer as coisas na rua”, explica. “Os blocos que essa galera frequenta no ano passado tiveram muito caso de assédio, de violência mesmo, de homem batendo em mulher… Eu temo isso pra Charanga. É um bloco de bairro mesmo, menor”, conclui.

barbara_eugenia_2017

Bárbara Eugenia começou seu 2018 ainda no fim de 2017, quando lançou sua versão para “Sintonia”, de Moraes Moreira, gravada ao lado do dândi de Caruaru Junio Barreto, a primeira produção assinada apenas pela cantora e compositora. “É um gostinho do próximo disco, que vai ser todo produzido por mim”, me explica Bárbara ao telefone, antecipando que ainda lança mais um single deste disco antes de embarcar para uma viagem no meio deste semestre, quando atravessa parte da Europa em turnê ao lado do broder Tatá Aeroplano, com quem lançou um dos melhores discos do ano passado.

O clima festivo da versão (que foi chancelada pelo próprio Moraes) antecipa o calor do carnaval 2018, mas também dá os rumos do próximo disco, que ela ainda não batizou, mas que deverá seguir uma linha “Brasil Caribe Tropical Bahia Hippie Style”, descreve às gargalhadas – mas que será lançado só no segundo semestre. Ficamos à espera.

cranberries

Morta nesta segunda-feira, a vocalista do Cranberries fazia pop simples, sem rótulos – escrevi sobre ela pro UOL.

(Foto: Eduardo Hollanda/Facebook da Beija Flor)

(Foto: Eduardo Hollanda/Facebook da Beija Flor)

Ano novo começou, Carnaval já se avizinha e era inevitável que a insatisfação popular com o estado das coisas no Brasil iria refletir-se em nossa produção cultural, como podemos ver no samba-enredo da Beija Flor para este ano, “Monstro é Aquele que Não Sabe Amar; Os Filhos Abandonados da Pátria que os Pariu”, um tapa na cara dos vários coronéis que ainda mandam no Brasil, sem precisar dar nome aos bois.

Oh pátria amada, por onde andarás?
Seus filhos já não aguentam mais!
Você que não soube cuidar
Você que negou o amor
Vem aprender na beija-flor

Sou eu
Espelho da lendária criatura
Um mostro
Carente de amor e de ternura
O alvo na mira do desprezo e da segregação
Do pai que renegou a criação
Refém da intolerância dessa gente
Retalhos do meu próprio criador
Julgado pela força da ambição
Sigo carregando a minha cruz
A procura de uma luz, a salvação!

Estenda a mão meu senhor
Pois não entendo tua fé
Se ofereces com amor
Me alimento de axé
Me chamas tanto de irmão
E me abandonas ao léu
Troca um pedaço de pão
Por um pedaço de céu

Ganância veste terno e gravata
Onde a esperança sucumbiu
Vejo a liberdade aprisionada
Teu livro eu não sei ler, brasil!
Mas o samba faz essa dor dentro do peito ir embora
Feito um arrastão de alegria e emoção o pranto rola
Meu canto é resistência
No ecoar de um tambor
Vêm ver brilhar
Mais um menino que você abandonou

Oh pátria amada, por onde andarás?
Seus filhos já não aguentam mais!
Você que não soube cuidar
Você que negou o amor
Vem aprender na beija-flor

2018 promete!