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bms-2019

Não é novidade que vivemos uma época ímpar na produção musical brasileira: milhares de artistas autorais vivem da própria música, o público já se habituou a frequentar shows e a acompanhar estes nomes e mesmo numa crise política e econômica sem precedentes na história do Brasil, o cenário continua florescendo e abrindo-se para novos nomes. A conexão internacional, no entanto, precisa de um empurrãozinho, mesmo que empresários, agentes e produtores já entendam melhor o contexto em que se situam seus artistas no século 21. Essa é a função do evento Brasil Music Summit, que acontece de 6 a 9 de fevereiro, na Unibes Cultural, em São Paulo, uma realização do escritório Brasil, Música & Artes em parceria com a produtora Urban Jungle e a agência Inputsom Arte Sonora.

O evento reúne profissionais internacionais principalmente da área de shows e sincronização musical em filmes, comerciais e videogames, principais pontes do nosso mercado com o estrangeiro e a realização de shows de artistas de diferentes vertentes para apresentá-los a estes mesmos profissionais. Além das palestras, debates e workshops (confira a programação completa no site do evento), ainda há shows, tanto para credenciados no evento (de artistas como Mestrinho, Tuyo, Maria Beraldo, Josyara e Barbatuques, entre outros), quanto gratuitos para o público, na área externa da Unibes. Os shows gratuitos acontecem no sábado e domingo e reúnem Karol Conká, Xênia França, Rakta, Boogarins, Céu, Drik Barbosa, Autoramas, Luedji Luna, Teto Preto, Black Mantra, Tássia Reis e Felix Robatto.

O critério de escolha dos artistas levou em conta não apenas o lado artístico quanto o profissional: “Fizemos a seleção contemplando duas situações: artistas e bandas com vocação para exportação e com trajetórias mais maduras e por meio de um chamamento via site da BM&A, em que os artistas enviavam suas propostas de showcases”, explica Leandro Ribeiro da Silva, diretor geral do Brasil Music Summit e gerente de projetos da BM&A. “Dez artistas foram então selecionados pelos diretores de programação, André Bourgeois, CEO da Urban Jungle, e Mario Di Poi, diretor-executivo da Inputsom Arte Sonora – Céu, Karol Conká, Boogarins, Quarteto do Choro, Mestrinho e Nicolas Krassik são alguns desses nomes. Das setenta propostas que recebemos por meio de inscrição, convidamos três dos convidados internacionais – Pete Kelly, Head of Music na BT Sport, do Reino Unido, Geoff Siegel, CEO da Fundamental Music, dos EUA, e Jérôme Gaboriau, programador do Les Escales Festival, da França – para avaliar conosco o material de cada inscrito levando em conta a potencialidade e diversidade da música brasileira. Chegamos então aos outros dez artistas que completam a programação final desta segunda edição do Brasil Music Summit.”

Confira a programação dos shows abaixo:

6 de fevereiro
12h30 – Barbatuques *
14h40 – HÖRÖYÁ *
17h10 – Josyara *
19h50 – Beto Villares *

7 de fevereiro
12h – Filó Machado *
14h10 – Mestrinho e Nicolas Krassik *
19h20 – Quarteto Roda de Choro *

8 de fevereiro
12h30 – Gabriel Grossi *
14h40 – Tuyo *
17h30 – Felix Robatto
18h10 – Black Mantra
18h50 – Autoramas
19h30 – Rakta
20h10 – Boogarins
20h50 – Xênia França
21h30 – Céu

9 de fevereiro
12h30 – Maria Beraldo *
15h10 – Ricardo Herz Trio *
18h40 – Drik Barbosa
19h20 – Luedji Luna
20h – Teto Preto
20h40 – Tássia Reis
21h20 – Karol Conká

* Shows para credenciados no evento. Mais informações aqui.

lebowski

Às vezes há um homem… Eu não diria herói, por que o que é um herói? Mas às vezes há um homem, e eu estou falando do Dude… Às vezes há um homem que, bem, é o homem para seu tempo e lugar, ele se encaixa ali” – as imortais palavras do caubói que narra O Grande Lebowski, uma das obras-primas dos irmãos Coen, parecem antecipar mais uma vez a vinda do personagem mais emblemático do currículo dos diretores quando o ator Jeff Bridges twittou o seguinte vídeo:

https://twitter.com/TheJeffBridges/status/1088481555582996480

A data do final do vídeo é o próximo domingo, dia 2 de fevereiro, quando a final do campeonato de futebol americano vai ao ar nos Estados Unidos e o mercado publicitário aproveita para lançar campanhas e chamar atenção do público, devido à alta audiência. Embora continuações para o filme de 1999 tenham sido cogitadas continuamente, é mais provável que Jeff Bridges tenha calçado as melissas transparentes de seu mais clássico papel apenas para um comercial de algum produto.

Tomara que não, mas, bem, é só a minha opinião, cara…

Frank-Ocean-2019

Frank Ocean só instigou no Twitter, quinze segundos de sua versão para “The Weekend“, da SZA. E olha que…

Nosso querido Frank vem lançando versões esporadicamente a partir de seu disco mais recente, Blonde (um dos melhores discos de 2016), quando lembrou da a versão que Stevie Wonder fez pra “Close to You” dos Carpenters, seguida de versões para Aaliyah (“At Your Best“) e Audrey Hepburn (“Moon River“). Qual será o plano pra 2019? Um disco de versões? Ou elas são só o aquecimento de um novo trabalho?

cinedoppelganger-autoria

Eis a íntegra do papo que tive com a Joyce na penúltima sessão da primeira temporada do Cine Doppelgänger, quando discutimos Autoria em Xeque a partir dos filmes 8 e 1/2 do Fellini e Adaptação do Spike Jonze.

Lembrando que já estamos em plena segunda temporada da sessão de cinema na Casa Guilherme de Almeida e com um novo formato (sem a exibição dos filmes na íntegra e com mais debates): a próxima acontece no dia 23 de fevereiro e o tema é O Comum Bizarro, reunindo os filmes Faster, Pussycat! Kill! Kill! (1965), de Russ Meyer, e Pink Flamingos (1972), de John Waters. As inscrições podem ser feitas no site da Casa Guilherme e há mais informações aqui.

refavela-remix

O projeto Refavela 40 foi capital na recuperação de Gilberto Gil. Nosso querido guru baiano quase passou para o outro plano em 2016, mas sua missão ainda não estava completa e ele voltou renascido para criar o irresistivelmente juvenil (e preguiçosamente velhinho) Ok Ok Ok, um dos melhores discos do ano passado. Neste processo, revisitou seu clássico de 1977, seu primeiro disco assumidamente político, feito após sua primeira visita ao continente africano e aproveitou aquela energia para continuar vivo e pleno. Da mesma forma, ele regravou o vocal da faixa-título e entregou ao coletivo de dub carioca Digitaldubs revisitar a canção, traçando a conexão entre Kingston e o Rio de Janeiro em primeira mão para o Trabalho Sujo.

julianaperdigao

Juliana Perdigão vem aos poucos construindo uma carreira sólida e interessante, longe dos holofotes, das lacrações e do hype. Desde seu primeiro trabalho (Álbum Desconhecido, de 2012) equilibra-se entre a música pop e a acadêmica, cercada de uma freguesia de compositores, músicos e amigos que inclui nomes como André Abujamra, Benjamim Taubkin, Zé Celso e Tulipa Ruiz. Neste processo, flertou com a poesia em seu disco mais recente, Ó, de 2016, quando musicou Haroldo de Campos. Foi a semente para seu mais novo disco, Folhuda, que ela lança nessa sexta-feira, e em que musica obras de poetas tão diferentes quanto os clássicos Oswald de Andrade, Paulo Leminski e Murilo Mendes e contemporâneos como Bruna Beber, Arnaldo Antunes, Angélica Freitas, Renato Negrão e Fabrício Corsaletti.

Folhuda foi produzido pelo maestro Thiago França, que lhe ajudou a construir o disco em si. “O disco veio de um convite feito pelo Thiago, que me chamou pra gente trabalhar junto, tendo ele como produtor. A partir desse convite surgiu o desejo de, pela primeira vez, fazer um disco só de músicas de minha autoria”, lembra num papo por email. “Eu já tinha feito algumas canções a partir de poemas, apresentei as que tinha para o Thiago, percebemos que já havia ali um corpo do que poderia vir a ser um disco, e desde então fui compondo outras. O processo de gravação já era bastante definidor de quais rumos deveríamos tomar, pois o disco seria gravado em apenas quatro dias. Foi daí que optamos por fazer um disco mais cru, um disco essencialmente de banda, tocado e gravado ao vivo.” Assim, “Música da Manivela” de Oswald de Andrade virou um reggae com versos como “Sente-se diante da vitrola e esqueça-se das das vicissitudes da vida”, “Mulher Depressa” de Angélica de Freitas encarna num punk rock e “Só o Sol” de Arnaldo Antunes surge como uma bossa nova.

Juliana Perdigao_Folhuda

“O processo com o Thiago foi muito massa porque a gente conversou bastante antes de gravar, desde o momento em que ele me fez o convite. No papo com ele fui amadurecendo as idéias. Durante as gravações ele esteve presente todo o tempo e tocou, fez arranjo, direcionou a parada mas deixando tudo bem livre, fluiu legal. E tem uma faixa, ‘Felino’, que gravamos só nós dois, ele no cavaco, eu no violão, que é uma faixa que curti bem o resultado e que pra mim é um retrato dessa parceria, o Thiago embarcando legal junto nas idéias”, conclui. Folhuda ainda conta com participações que incluem Ava Rocha, Lucas Santtana, Iara Rennó, Tulipa Ruiz, Arnaldo Antunes, sua banda Kurva – Chicão Montorfano tocando teclados, Moita na guitarra, Pedro Gongom na bateria e João Antunes no baixo – e o naipe de metais formado por Amílcar Martins, Filipe Nader, Allan Abbadia e o próprio Thiago, que ainda toca cavaquinho e percussão.

“De certa forma quem selecionou o disco foi minha estante, porque veio tudo dali, dos livros que tinha em casa”, ela continua. “Com alguns autores eu tenho uma conexão mais antiga, como o Lemininski, que li ainda adolescente, assim como o Arnaldo, figura presente no imaginário desde a infância, por conta do trabalho dele como músico, mas que também tive um contato com a obra poética dele há algum tempo. O Murilo Mendes, meu tio-bisavô, que não conheci, mas que sempre esteve ali, nos livros e nos casos da família. O Oswald veio um pouco depois, lá pelos meus 20 anos quando li Memórias Sentimentais de João Miramar, que me arrebatou total, e depois, no período em que estive no Teat(r)o Oficina, onde Oswald é uma espécie de babalaô daquele terreiro. E tem os poetas com os quais tenho proximidade pessoal, como no caso da Angélica Freitas, que é minha namorada, e o Renato Negrão, um broder das antigas. A partir do convívio com Angélica me aproximei um tanto mais do universo da poesia, principalmente de autores contemporâneos, como a Bruna Beber e o Fabrício Corsaletti, que também se tornaram meus parceiros em canções presentes no disco.”

O título do disco vem de sua faixa mais contagiante, o delicioso rock torto que sobre “Anhangabaú”, de Oswald de Andrade. “Gosto do som dessa palavra, da imagem que ela traz e do fato de ser um adjetivo, que pode também ser atribuído a mim, numa brincadeira em que incorporo esse imagem de algo farto, frondoso. E tem esse lance da folha de livro, página, já que todas as canções presentes no disco são poemas musicados que vieram dos livros”, conclui. O disco ainda não tem show de lançamento marcado, mas planeja lançá-lo ao vivo ainda em março deste ano.

JardsMacale

O bardo torto do samba carioca Jards Macalé segue atiçando a expectativa para seu novo disco, produzido por Kiko Dinucci, Thomas Harres e Rômulo Froes. Ainda sem título e com previsão de lançamento para fevereiro, seu disco foi introduzido pela pesada “Trevas” e que agora vem com uma face mais ensolarada e melódica com a faixa que compôs com Tim Bernardes, o samba-canção “Buraco da Consolação”, inspirado pela afinidade que os dois descobriram que tinham pelo disco Jamelão interpreta Lupicínio Rodrigues, gravado com a Orquestra Tabajara. Os arranjos de cordas são feitos por Thiago França.

Além da faixa nova, o resto do disco é descortinado num faixa a faixa feito exclusivamente para o Trabalho Sujo. Ele fala sobre as músicas que fez ao lado de Kiko (“Vampiro de Copacabana”), Tim (“Buraco da Consolação”), Rômulo, Kiko e Thomas (“Meu Amor, Meu Cansaço”), Kiko e Rodrigo Campos (“Peixe”, que conta com Juçara Marçal), Kiko, Thomas e Clima (“Longo Caminho do Sol”, dueto com Rômulo Froes), além das adaptações de poemas de Gregório de Mattos (“Aos Vícios” virou “Besta Fera”), Ezra Pound (“Canto I” que virou “Trevas”), Helio Oiticica (“Obstáculos”) e Capinam (“Pacto de Sangue”), esta última minha faixa favorita do novo álbum. Fala Jards!

maglore2019

O grupo baiano começa a comemoração de sua primeira década de atividade nesta sexta-feira no Cine Joia (mais informações aqui) e antecipa as novidades que virão em 2019, como o disco solo de seu vocalista Teago Oliveira – é o tema da minha coluna Tudo Tanto desta sexta-feira – leia lá no Reverb.

weezer-2019

Sem avisar ninguém, o Weezer de Rivers Cuomo lança um disco só de versões de músicas dos anos 70 e 80 (tudo bem que tem um “Stand By Me” e um “No Scrubs” no meio na esteira do cover que eles fizeram para “Africa”, do Toto, no ano passado. Tem Euryhtmics, A-ha, Michael Jackson, Black Sabbath, Electric Light Orchestra…

O melhor é que ficou bom!

godsofrap

Os três lendários grupos de rap Wu-Tang Clan, Public Enemy e De La Soul comemoram o aniversário de suas obras-primas – respectivamente, 25 anos de Enter The Wu-Tang (36 Chambers), 30 anos de It Takes a Nation of Millions to Hold Us Back e 30 anos de 3 Feet High and Rising – em uma série de shows no Reino Unido em maio chamada Gods of Rap: dia 10 em Londres, dia 11 em Manchester e dia 12 em Glasgow (mais informações aqui). E algo me diz que isso é um laboratório para um anúncio maior nos Estados Unidos… E talvez no resto do mundo?

Dá pra imaginar esse show no Brasil? Ou melhor, essa turnê no Brasil?