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Jornalismo

johncale-2020

Eu nem tô acreditando que vou entrevistar o John Cale em público na próxima quarta, dia 11, no Sesc Vila Mariana, às 16h, mas é isso mesmo – o mestre galês pai do Velvet Underground e um dos nomes mais influentes da música contemporânea, apresenta-se em São Paulo e em São José dos Campos dentro da programação do Nublu Festival deste ano e antes das apresentações musicais, ele bate um papo sobre música e sobre sua carreira numa entrevista comigo (mais informações aqui). Parece que os ingressos online já se esgotaram, nesta quarta, às 17h30, começam a vender nas bilheterias no Sesc.

bernie-sanders-public-enemy-fight-the-power

A treta já não era de hoje: Chuck D e Flavor Flav já vinham se bicando há tempos e Flav já havia processado D em 2017 por achar que não estava sendo pago o quanto deveria. Mas quando o pré-candidato a presidência nos EUA Bernie Sanders anunciou que iria apresentar-se ao lado do Public Enemy, usando o logo e a frase-símbolo – “Fight the Power” – de um dos maiores ícones da história do rap, o MC de voz esganiçada que funciona como alívio cômico para o discurso implacável de Chuck D não gostou. Flav entrou na justiça para impedir que Bernie não associasse sua campanha ao Public Enemy numa intimação judicial que foi publicada com sua própria caligrafia assinando o texto: “Ei Bernie! Não faça isso!”.

Flavor Flav cease and desis… by Pitchfork News on Scribd

Foi o suficiente para Chuck D pegar sua conta no Twitter e descascar o companheiro de banda:

Chuck D não perdoou a falta de politização do companheiro de banda, reforçando que sua postura sempre foi política e a discussão terminou com o grupo demitindo Flavor Flav no começo da noite deste domingo. Que situação!

Futuro insípido

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Se Art Angels havia levado o pop futurista da canadense Grimes para um mundo distópico e claramente artificial, em seu novo álbum, Miss Anthropocene, ela conclui esta transição abandonando completamente a graça e a leveza que ainda restavam no disco anterior. Agora ela prende-se apenas na estranheza e num futuro abstrato e descartável, que embora agradável e correto, torna-se esquecível a cada canção. Ao aliar o lançamento do álbum a dois clipes da música “Idoru” – quase idênticos, diga-se de passagem -, ela parece abandonar a paisagem do pop contemporâneo para fechar-se em uma biosfera própria, como outras artistas de sua categoria, como Björk e Billie Eilish. Mas ao distanciar-se do elemento mais incomum de seu ecossistema – as doces melodias e letras precisas, justamente o elemento pop -, ela parece concluir sua transição rumo à irrelevância. Uma pena.

Bacurau in English

bacurau

E quem acha que Bacurau já chegou longe demais, um alerta: o filme só estreia agora em março nos países de língua inglesa. O épico pernambucano de ficção científica de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles começa a ser exibido nos EUA no dia 6 e no Reino Unido no dia 13 – o que pode dar uma bela sobrevida para o filme, ainda mais na esteira do sucesso internacional de Parasita.

E aí os gringos fizeram trailers novinhos para o lançamento, saca só o norte-americano:

E tem o inglês:

E não custa lembrar do enigmático trailer feito pelo BFI no meio do ano passado, quando passou no festival da instituição inglesa:

Já falei que Bacurau é uma semente

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Letícia se entrega ao tocar “The Dancer” sozinha ao piano, numa apresentação no ano passado aqui em São Paulo.

Dica do Giancarlo.

20thcenturyflicks

O cineasta inglês Arthur Cauty fez um minidocumentário sobre o único estabelecimento que ainda aluga filmes (e até em VHS!), a inglesa 20th Century Flicks, que foi fundada nos anos 80 e sobrevive a todos os modismos – contando inclusive com duas salas de exibição, a Videodrome, para 18 pessoas, e a Kino, para 11. Que maravilha!

mattberninger

O vocalista do grupo National Matt Berninger regrava a eterna “Holes” do Mercury Rev para o novo volume da coletânea 7-inches for Planned Parenthood, que reúne artistas engajados na difusão da ideia de que a saúde pública é um direito do cidadão norte-americano.

Ficou linda.

arca2020

A produtora venezuelana Arca, queridinha de titãs do pop atual como Björk, Kanye West, Frank Ocean e FKA Twigs, deu um xeque ao lançar seu novo single. Batizado com o incomum nome de “@@@@@”, sua nova obra de sessenta e dois minutos que enfileira diferentes climas e atmosferas sonoras cujo fluxo musical caminha entre um DJ set autoral, uma mixtape ou até mesmo um álbum sem as pausas entre as faixas. Mas ele preferiu chamar o novo material de single e com isso propõe subliminarmente uma discussão sobre formatos no pop atual.

Em um tempo em que artistas discutem o fim do formato álbum, a aposta em singles, a obrigatoriedade do clipe ou a ascensão dos EPs e mixtapes, “@@@@@” expande esta questão para todos os horizontes possíveis, mostrando como a retenção de atenção do ouvinte (e telespectador) por parcos minutos é uma briga apenas mercadológica e propõe uma canção enorme dividida em trinta partes – que ela chama de “quantum” -, cada uma dela com seu título específico, nomes como “Diva”, “Construct”, “Travesti”, “Amputee”, “Avasallada”, “Pacifier”, “Chipilina”, “X”, “Murciélaga” e “Bebé”. O próprio fato de ter sido lançado como um vídeo, traz a imagem pós-apocalíptica com a produtora nua e plugada sobre um carro em um ferro-velho em chamas, com sua própria imagem dançando em uma tela holográfica ao fundo, uma imagem única, em constante movimento e repetição, mas que se estende por toda a duração do clipe, como uma capa de disco em uma outra dimensão.

E é claro que não se trata apenas de formatos – e o som de Arca é um sobrevôo por paisagens que transcedem a imagem distópica do clipe. Ela passeia por horizontes alienígenas de todas as matizes possíveis, da intensidade noise industrial a um ricochete pós-techno de beats eletrônico, passando por planícies ambient, samples de risadas e acidentes de carro, enxames de breakcore, fogs de ruído elétrico, drill’n’bass, reggaton picotado e padrões repetitivos de glitches eletrônicos às vezes sobrepondo duas – ou mais – destas realidades musicais ao mesmo tempo. A sensação é de desprendimento da realidade, como se estivéssemos sonhando um sonho de outra pessoa – o da própria artista. Que, por sua vez, canta nas próprias faixas pela primeira vez.

O single estrou na semana passada na rádio NTS e logo depois a própria Arca explicou a temática deste trabalho: “‘@@@@@’ é uma transmissão enviada para este mundo a partir de um universo ficcional especulativo em que a forma fundamentalmente analógica da rádio FN pirata continua uma das poucas formas de se escapar da vigilância autoritária alimentada por uma consciência refém gerada por uma inteligência artificial pós-singularidade. A apresentadora do programa, conhecida como DIVA EXPERIMENTAL vive em múltiplos corpos no espaço devido à sua perseguição – e para matá-la, é preciso primeiro encontrar todos seus corpos. Os corpos que hospedam seus fetiches malucos por paralinguística quebram a quarta parede e nutrem uma fé mutante no amor em frente ao medo.”

Pesado. E como ela quis deixar claro: é um single.

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Revelando mais uma faixa de seu novo álbum, Traditional Techniques, o mestre Stephen Malkmus agora olha para este mundo digital que coabitamos com um leve e bem-vindo estranhamento, seja apagando-se pixeladamente de velhos vídeos do Pavement ou transformando-se em uma máscara eletrônica tipo um filtro para vídeo selfies no Instagram – cujo tema é ele mesmo! A letra de “Shadowbanned” segue o tom macabro apocalíptico do clipe, falando em karma reddit, rios de Red Bull, paródias de TED Talks e momentos de picos de interação, numa letra meio beat, meio dada, sobre um country lento que parece rogar uma praga irônica: “Que a palavra se espalhe como um emoji quebrado”, canta, enquanto chapas de Malkmus utilizam o tal filtro e revelam seus rostos em microssegundos – pisque e perca Sharon Van Etten, Mac DeMarco, Kim Gordon, Jason Schwartzman, Kurt Vile, Conor Oberst, entre outros).

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Não era um disco cheio, mas apenas um EP. Depois de lançar três faixas em seguida durante a semana, a dupla inglesa Disclosure fechou as novidades do mês reunindo as três e outras duas inéditas num EP lançado de surpresa nesta sexta, batizando-o com o nome da primeira faixa lançada. O EP Ecstasy ainda inclui “Tondo” e “Expressing What Matters”, além de incluir “Etran”, construída a partir de um sample da banda nigeriana Etran Finatawa, e “Get Close”, uma faixa antiga que o grupo nunca havia lançado. O novo disco funciona como chamariz pra série de shows que os irmãos Guy e Howard Lawrence farão este semestre, com passagens por festivais como Coachella (EUA) e Primavera (Espanha). Aumenta o som!

A capa e ordem das músicas do EP seguem abaixo.

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“Ecstasy”
“Tondo”
“Expressing What Matters”
“Etran”
“Get Close”