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Jornalismo

mattberninger

O vocalista do grupo National Matt Berninger regrava a eterna “Holes” do Mercury Rev para o novo volume da coletânea 7-inches for Planned Parenthood, que reúne artistas engajados na difusão da ideia de que a saúde pública é um direito do cidadão norte-americano.

Ficou linda.

arca2020

A produtora venezuelana Arca, queridinha de titãs do pop atual como Björk, Kanye West, Frank Ocean e FKA Twigs, deu um xeque ao lançar seu novo single. Batizado com o incomum nome de “@@@@@”, sua nova obra de sessenta e dois minutos que enfileira diferentes climas e atmosferas sonoras cujo fluxo musical caminha entre um DJ set autoral, uma mixtape ou até mesmo um álbum sem as pausas entre as faixas. Mas ele preferiu chamar o novo material de single e com isso propõe subliminarmente uma discussão sobre formatos no pop atual.

Em um tempo em que artistas discutem o fim do formato álbum, a aposta em singles, a obrigatoriedade do clipe ou a ascensão dos EPs e mixtapes, “@@@@@” expande esta questão para todos os horizontes possíveis, mostrando como a retenção de atenção do ouvinte (e telespectador) por parcos minutos é uma briga apenas mercadológica e propõe uma canção enorme dividida em trinta partes – que ela chama de “quantum” -, cada uma dela com seu título específico, nomes como “Diva”, “Construct”, “Travesti”, “Amputee”, “Avasallada”, “Pacifier”, “Chipilina”, “X”, “Murciélaga” e “Bebé”. O próprio fato de ter sido lançado como um vídeo, traz a imagem pós-apocalíptica com a produtora nua e plugada sobre um carro em um ferro-velho em chamas, com sua própria imagem dançando em uma tela holográfica ao fundo, uma imagem única, em constante movimento e repetição, mas que se estende por toda a duração do clipe, como uma capa de disco em uma outra dimensão.

E é claro que não se trata apenas de formatos – e o som de Arca é um sobrevôo por paisagens que transcedem a imagem distópica do clipe. Ela passeia por horizontes alienígenas de todas as matizes possíveis, da intensidade noise industrial a um ricochete pós-techno de beats eletrônico, passando por planícies ambient, samples de risadas e acidentes de carro, enxames de breakcore, fogs de ruído elétrico, drill’n’bass, reggaton picotado e padrões repetitivos de glitches eletrônicos às vezes sobrepondo duas – ou mais – destas realidades musicais ao mesmo tempo. A sensação é de desprendimento da realidade, como se estivéssemos sonhando um sonho de outra pessoa – o da própria artista. Que, por sua vez, canta nas próprias faixas pela primeira vez.

O single estrou na semana passada na rádio NTS e logo depois a própria Arca explicou a temática deste trabalho: “‘@@@@@’ é uma transmissão enviada para este mundo a partir de um universo ficcional especulativo em que a forma fundamentalmente analógica da rádio FN pirata continua uma das poucas formas de se escapar da vigilância autoritária alimentada por uma consciência refém gerada por uma inteligência artificial pós-singularidade. A apresentadora do programa, conhecida como DIVA EXPERIMENTAL vive em múltiplos corpos no espaço devido à sua perseguição – e para matá-la, é preciso primeiro encontrar todos seus corpos. Os corpos que hospedam seus fetiches malucos por paralinguística quebram a quarta parede e nutrem uma fé mutante no amor em frente ao medo.”

Pesado. E como ela quis deixar claro: é um single.

stephen-malkmus-shadowbanned

Revelando mais uma faixa de seu novo álbum, Traditional Techniques, o mestre Stephen Malkmus agora olha para este mundo digital que coabitamos com um leve e bem-vindo estranhamento, seja apagando-se pixeladamente de velhos vídeos do Pavement ou transformando-se em uma máscara eletrônica tipo um filtro para vídeo selfies no Instagram – cujo tema é ele mesmo! A letra de “Shadowbanned” segue o tom macabro apocalíptico do clipe, falando em karma reddit, rios de Red Bull, paródias de TED Talks e momentos de picos de interação, numa letra meio beat, meio dada, sobre um country lento que parece rogar uma praga irônica: “Que a palavra se espalhe como um emoji quebrado”, canta, enquanto chapas de Malkmus utilizam o tal filtro e revelam seus rostos em microssegundos – pisque e perca Sharon Van Etten, Mac DeMarco, Kim Gordon, Jason Schwartzman, Kurt Vile, Conor Oberst, entre outros).

disclosure-2020

Não era um disco cheio, mas apenas um EP. Depois de lançar três faixas em seguida durante a semana, a dupla inglesa Disclosure fechou as novidades do mês reunindo as três e outras duas inéditas num EP lançado de surpresa nesta sexta, batizando-o com o nome da primeira faixa lançada. O EP Ecstasy ainda inclui “Tondo” e “Expressing What Matters”, além de incluir “Etran”, construída a partir de um sample da banda nigeriana Etran Finatawa, e “Get Close”, uma faixa antiga que o grupo nunca havia lançado. O novo disco funciona como chamariz pra série de shows que os irmãos Guy e Howard Lawrence farão este semestre, com passagens por festivais como Coachella (EUA) e Primavera (Espanha). Aumenta o som!

A capa e ordem das músicas do EP seguem abaixo.

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“Ecstasy”
“Tondo”
“Expressing What Matters”
“Etran”
“Get Close”

INXS via National

nevertearusapart

Organizada pela cantora e compositora australiana Julia Stone, a coletânea Songs for Australia foi criada como uma forma de arrecadar fundos para as vítimas dos incêndios na Austrália, reunindo artistas de todo o mundo para doar versões para músicas conhecidas de artistas australianos – e assim Julia trouxe nomes como Damien Rice, Kurt Vile, Martha Wainwright, entre outros, para regravar músicas de Nick Cave, Goyte, Sia e outros tantos (além de ela mesma ter lançado o projeto com sua versão besta para “Beds Are Burning” do Midnight Oil). Nesta quinta-feira foi a vez do grupo norte-americano The National mostrar sua versão comportada para a bela “Never Tear Us Apart”, a maior balada do INXS.

O projeto, chamado Songs for Australia, está vendendo a coletânea em seu site, além de mostrar outras formas de colaborar com a iniciativa.

O vôo do Four Tet

baby-fourtet

Kieran Hebden reforça a chegada do novo novo álbum de seu projeto Four Tet, Sixteen Oceans, que chega agora em março, om um simples, belo e épico clipe para “Baby”, colaboração com Ellie Goulding, que lançou no início deste ano.

Gang-of-Four-Migraine

Em seus últimos dias de vida, o guitarrista e fundador do Gang of Four, Andy Gill, ainda conseguiu mexer no EP This Heaven Gives Me Migraine, que estava planejando lançar antes de saber de seu estado de saúde – o disco, que mistura trechos falados de Gill com faixas recentes da banda (à exceção de “Natural’s Not In It”) já está entre nós.

Throwing-Muses-2020

O clássico grupo indie dos anos 90 liderado por Kristin Hersh Throwing Muses anuncia novo disco, seu décimo, o primeiro desde Purgatory/Paradise, de 2013, para maio deste ano. Sun Racket – que já está em pré-venda, veja a capa e o nome das músicas abaixo – começa a ser mostrado a partir do ótimo single “Dark Blue”, lançado nesta semana.

Throwing-Muses-Sun-Racket

“Dark Blue”
“Bywater”
“Maria Laguna”
“Bo Diddley Bridge”
“Milk at McDonald’s”
“Upstairs Dan”
“St. Charles”
“Frosting”
“Kay Catherine”
“Sue’s”

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A última vez que Justin Timberlake emplacou um hit foi quando fez a música-tema para o filme Trolls, “Can’t Stop the Feeling“, em 2016, que lhe valeu até um Grammy. Então talvez seja uma boa notícia que ele volta à pista de dança com outra música-tema para a mesma franquia infantil, que ganha continuação com o título de Trolls World Tour. E para ajudá-lo a voltar com estilo, Justin chamou SZA, que ajudou a temperar a ótima “The Other Side”, produzida pelo sueco Max Martin, o mago por trás de hits como “…Baby One More Time” de Britney Spears, “I Kissed a Girl”, “Roar” e “Dark Horse” de Katy Perry, “Shake It Off”, “Blank Space” e “Bad Blood” de Taylor Swift e “Can’t Feel My Face” do Weeknd – além de ter produzido a música de Justin no filme anterior.

Bem-vindo de volta à pista de dança, sentimos sua falta.

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A dupla de Los Angeles Classixx pegou a baladaça “Silly Love Songs” dos Wings e trouxe para a pista de dança. E desceu bem…