Não sei quem é o John e quem é o Paul dos Boogarins, mas com o single Fefel 2020, o grupo lança seu baixista Raphel Vaz como terceiro compositor e vocalista da banda goiana. E não é que o prefeito leva jeito? Ele conta como se encontrou:
Em uma dessas turnês, que acabava em Portland, me presenteei com um pequeno violão de nylon que desse pra carregar por aí. Apesar da sua pequenez, o violão ficou em Austin por dois anos, já que a bagagem extra que eu teria que pagar era mais cara que o violão.
Um ano depois me veio “Tanta Coragem”, num quarto de hotel onde eu dormia com Markola, tour manager e amigo gringo. Gravei os acordes e balbuciei melodias. Nesse dia meu inglês falhou em uma conversa com Mark e coloquei na letra o que eu tentava dizer pra mim mesmo. Voltamos pra Austin pra gravar, dessa vez em estúdio, as primeiras sessões do que seria pro Sombrou Dúvida e essa demo ficou no meu computador por uns dias. O ócio do artista que cultivávamos lá me permitiu acabá-la.
Já em 2018, ano das últimas seções do SD, Benke foi convidado para uma espécie de residência artística por 10 dias em Berlin e de lá trouxe um presente para cada um dos Boogarins restantes. Discos de vinil para Ynaiã, um livro para Dinho e uma Kalimba de 4 notas para mim. Era a primeira viagem que ele fez sem a gente, da qual voltou visivelmente abalado. Ao me entregar o presente ele encomendou uma música. “Inocência” é a encomenda, um loop de 2 acordes do violão pequeno, onde a kalimba e a melodia fazem a função de separar as partes da música. Uma canção lúdica e singela.
Mostrei a música e meus amigos choraram muito, disseram que a banda não iria gravar aquela demo nunca. Benke me disse que tinha muitos planos pra me ajudar a realizar meu sonho, que é o sonho de ser importante. Este ano meus amigos acharam que era o meu ano, 2020, o ano em que faço 30 e meu cabelo cai.
O trio bielorrusso Dlina Volny, obcecados por new wave e pós-punk da União Soviética do começo dos anos 80, começam a mostrar seu próximo trabalho a partir do single de “Do It”. Apadrinhados pelo Johnny Jewel dos Chromatics, eles terão seu primeiro disco, Fresh Blood, lançado pela Italians Do It Better, do próprio Jewel – e o grupo tem tudo a ver com a estética oitentista do selo.
Em plena quarentena, a mineira Sara Não Tem Nome manda mais uma de suas canções de protesto, batizada apenas de “Agora”: “Aqui isolada no meu mundo, deu aquela saudades da sara punk emo de 15 anos que tocava violão na praça”, ele descreve o vídeo que postou mais cedo. “Em meio ao caos de acontecimentos e notícias da ruína construção do hoje amanhã, surgiu essa música-monólogo-fôlego para enfrentar o furacão.”
Algo me diz que vamos ver muita música deste tipo nos próximos meses…
Escrevi uma matéria para o site da UBC sobre como o mercado da música irá se reinventar por conta da epidemia – e os shows transmitidos pela internet são só os primeiros exemplos de como as coisas irão mudar nos próximos meses – confere lá.
Maurício Takara e Carla Boregas hoje fazem parte da mesma banda, o Rakta, mas sua relação musical começou há muito mais tempo. “Conheço o Maurício há uns quinze anos”, me explica Carla pelo telefone, falando sobre a parceria que agora se materializa em disco. Linha D’Água aproxima os trabalhos solos dos dois para o mesmo centro, explorando tanto a percussão misturada com eletrônica que o baterista do Hurtmold apresenta como M. Takara, como as paisagens ruidosas provocadas pelo projeto solo de Carla, que leva seu nome. O disco está saindo pelo selo Desmonta e foi lançado em primeira mão no Trabalho Sujo.
“A nossa ideia de tocar juntos é anterior ao Rakta”, continua a baixista, que toca apenas sintetizadores no novo projeto. “Uma vez, eu fui tocar no aniversário no Estúdio Fita Crepe, o Maurício tocou na mesma noite e depois do meu set ele veio me falar que queria fazer alguma coisa juntos, que ele queria tocar bateria com alguém que estava fazendo o que eu fiz naquela noite, que foi um set de drones.”
O resultado é um disco com estruturas que foram desenvolvidas a partir de apresentações ao vivo, quase sempre improvisadas. “A gente vem desenvolvendo coisas que tem trabalhado até hoje”, ela prossegue. “Neste processo, a gente foi lapidando a ideia, que era o Maurício tocando bateria e um sintetizador e eu tocando dois sintetizadores, sendo que ele controla um dos meus sintetizadores através da bateria. E o disco foi sendo concebido enquanto fazíamos esses shows, a sessão sempre era um improviso e nessa miniturnê que a gente fez pela Península Ibérica no ano passado, quando tocamos na Espanha, em Portugal e nas Ilhas Canárias, a gente fez oito shows na sequência e fomos lapidando melhor essas ideias. Depois em seis horas de estúdio a gente gravou o disco, no Rocha. Parte do disco já estava composto, em termos de estrutura, mas mesmo assim tudo foi muito orgânico, desde a concepção, a composição até a gravação, pelo fato de que um complementa o outro também.”
Ela explica que o nome poético do disco nasceu na biologia e na marinha. “Eu gosto de guardar nomes pras coisas, escuto um termo e, quando ele me marca, acho que posso usar aquele termo ou palavra depois. Esses são os melhores nomes”, teoriza Carla. “Quem me contou sobre essa expressão foi minha amiga Patrícia, linha d’água é uma parte do olho, essa linhazinha embaixo e em cima na pálpebra e depois descobri que também é uma expressão usada no meio náutico, na construção naval. Nos dois lugares, essa expressão fala do que separa a água de outro lugar. Achei isso curioso e quis usar pro disco, sugeri pro Maurício e ele topou. E a água também pode ser a barreira da emoção, porque essa linha no olho é por onde as lágrimas vão se desenhar, é o limite do nosso mundo interior pro mundo exterior, e a água tem essa coisa da fluidez, que tem a ver com a nossa música, que tem uma fluidez entre nós dois. É uma limitação visível mas que também é fluida.”
Mais uma música que Justin Timberlake lança para a trilha sonora da animação Trolls World Tour, desta vez o reúne com o soulman Anderson .Paak, mas ao contrário do dueto de Justin com SZA, “Don’t Slack” é só ok e apenas diverte.
E era uma combinação que podia ser tão mais explosiva… Tomara que não parem aí.
O ano começou com o clássico grupo punk inglês Wire lançando seu décimo sétimo álbum de carreira, o ótimo Hive Mind, e nem bem o disco foi assimilado, seu sucessor já foi anunciado – para abril! 10:20 é um disco composto por canções que ficaram de fora dos discos mais recentes da banda ou que evoluíram ao vivo e se tornaram bem diferentes. O primeiro single, “Small Black Reptile”, é uma variação da faixa de mesmo nome do disco do grupo de 1990, Manscape.
O disco será lançado em abril, sua capa é aquela lá em cima e abaixo seguem os nomes das outras músicas:
“Boiling Boy”
“German Shepherds”
“He Knows”
“Underwater Experience”
“The Art of Persistence”
“Small Black Reptile”
“Wolf Collides”
“Over Theirs”
Larissa Conforto chama a alegoria da caverna de Platão em mais um single antes de seu primeiro disco solo, no trabalho que assina como Àyié. Na colagem audiovisual “O Mito E A Caverna”, que tem a participação do Lupe de Lupe Vitor Brauer, ela mistura a intensidade deprimente e violenta dos dias atuais num spoken word que se abre em camadas líricas e melódicas que misturam drum’n’bass, trip hop, samples de jazz e palavras de ordem, conectando as notícias deste século com a história da humanidade.
É só um aperitivo do que podemos esperar deste primeiro disco, batizado de Gratitrevas, que será lançado na próxima sexta, dia 20.
Fundador/a do Throbbing Gristle e do Psychic TV, Genesis P-Orridge morreu neste sábado aos 70 anos. Um dos principais agentes provocadores do pop do final do século passado, ele/a também foi um dos primeiros artistas pop a transgredir seu próprio gênero sexual, depois que casou com Lady Jaye Breyer P-Orridge, no início dos anos 90, quando os dois começaram um lento processo de transformar-se um no outro, inventando o rótulo “pandroginia” para justificar esta transformação.
É difícil o jovem monsieur Thibaut Berland deixar a peteca cair e ao lançar mais um single com o seu pseudônimo Breakbot, ele segue uma estabilidade de produção que martela constância e qualidade com a mesma progressão. Sem contar que “Be Mine Tonight”, que ainda conta com os vocais deliciosos de Capucine Delafleur, segue uma tradição de house-funk francesa que nasceu com o Daft Punk, passou pelos Cassius, Alex Gopher, Etienne de Crécy e Dimitri from Paris e entrou no século vinte e um na mão de produtores como Fred Falke, Mr. Oizo, Justice, Yuksek, Stardust, Lifelike, Kavinsky e Modjo e que conta com seu autor, do hit perfeito “Baby I’m Yours“, como principal nome a flertar com o mainstream.









