Trabalho Sujo - Home

Jornalismo

ginge-prejogo

Reunindo alguns dos principais nomes da nova cena independente mineira, o quarteto Ginge é um pequeno supergrupo local ao parear duas ex-integrantes do grupo Miêta (Bruna Vilela e Marcela Lopes) ao lado de Vítor Brauer (que além de sua carreira solo, também é da Lupe de Lupe) e do guitarrista Fernando Motta, que também tem seu trabalho solo. “Eu e o Vitor tínhamos acabado de voltar da turnê de quatro meses que fizemos em 2017”, lembra o guitarrista e vocalista Fernando Motta, que tem seu próprio trabalho solo. “A gente ouviu muita música no carro durante as viagens e comentava que sentia falta de músicas pop boas, tanto no nosso nicho quanto de uma maneira mais geral mesmo do rock. Chamamos primeiro a Bruna, que compartilhou dessa impressão com a gente. Aí inicialmente a banda seria nós três: eu tocaria baixo, a Bruna guitarra e o Vitor, bateria. Mas a banda ainda não tava completa, a gente queria várias harmonias de voz. Aí tivemos a ideia de chamar a Marcela e ela pilhou. Foi perfeito porque ela canta muito e é muito inventiva com as melodias pra backing vocal também. Ela passou pro baixo e eu fui pra segunda guitarra. No primeiro encontro na casa dela, a gente fez ‘Marília’, que ela canta. Gostamos tanto que escolhemos pra ser o primeiro single. A sintonia entre a gente foi muito forte e ali a gente viu que a gente tinha uma banda completa mesmo.”

Juntos, escolheram o nome de Ginge para o novo grupo, a partir desta incomum palavra em português. “A primeira definição que a gente viu no dicionário era ‘calafrio de emoção; frenesi’. Mas depois eu descobri que muitas pessoas falam isso quando têm gastura de alguma coisa, aqueles ‘arrepiaços’, tipo quando alguém arranha o quadro”, ri Fernando. “Acho que a primeira definição leva pra um lado mais poético da coisa, enquanto a outra leva pra um lado mais provocativo. Eu acho bom porque, querendo ou não, a gente é um pouco das duas coisas.” O grupo lança seu primeiro EP, gravado no final do ano passado, ainda presencialmente, nesta quinta-feira: as quatro músicas de Pré-Jogo têm clipe e duas delas (“Marília” e “Kaft Kapum”) anteciparam o lançamento do novo disco, as duas restantes (“Pergunta” e “Qualquer Um Sabe Fazer Shoegaze”) dão as caras em primeira mão aqui no Trabalho Sujo.

Apesar do ineditismo do grupo, eles já haviam tocado juntos em diferentes formações e ocasiões. “Ano passado, eu e a Bruna Vilela fomos guitarristas na banda suporte do Vitor Brauer num show que ele fez durante a turnê com a mãe dele”, continua Fernando. “Eu também já toquei com a Miêta, ex-banda das meninas, em um festival na Matriz. Elas foram minha banda de apoio em algumas músicas e eu fiz um guitarrista adicional nas músicas delas. Basicamente a gente já era grandes amigos de dar rolês em BH. Então pode ser que tenha até outras vezes que a gente tocou junto e que eu não esteja me lembrando. Já fomos em milhões de shows uns dos outros e sempre saíamos pra resenha depois.”

Disco lançado, o grupo não vê a hora de fazer shows: “A gente conversa sempre dizendo que tá louco pra tocar essas músicas, fazer um show propriamente dito, mas enquanto tá longe disso, a gente ainda não tem nada de concreto pra anunciar”, lamenta o guitarrista. “Até agora a gente estava focado em lançar esse EP da melhor maneira possível e acho que conseguimos. Com a ajuda dos nossos amigos, conseguimos tirar quatro clipes muito fodas da cartola em plena pandemia. Então não tivemos muito tempo pra pensar no que dá pra fazer depois. Agora é divulgar o máximo possível e ver como vai ser a repercussão. Quem sabe a gente não tem alguma ideia viável de produzir algum conteúdo mais pra frente.”

A volta dOEsquema

oesquema-01

A novidade desta semana é reencontro com meus chapas dOEsquema. Pra quem não lembra, eu, Arnaldo Branco, Gustavo Mini e Bruno Natal conduzíamos um condomínio de blogs que reunia gente de todo o Brasil até 2015, quando resolvemos fechar o site devido à ascensão das redes sociais. Mas a conexão dos quatro continua e por mais que só tenhamos nos encontrado pessoalmente três vezes, seguimos trocando impressões, comentários e opiniões sobre assuntos diferentes. Consegui reunir todo mundo para um papo sobre redes sociais e resolvemos que vamos tentar manter a periodicidade quinzenal. Chega mais.

nz-h

A banda pernambucana arrastou o pé pesado ao regravar o clássico forró “Homem com H”, de Antônio Barros, eternizado por Ney Matogrosso, e chamou a atriz Samantha Schmütz para assumir os vocais. A faixa foi regravada para a continuação do filme Cine Holliúdy, dirigido pelo cearense Halder Gomes, e a sugestão foi da própria atriz.

yolatengo

E as faixas que o Yo La Tengo começou a soltar na semana passada no fim se transformaram num EP, We Have Amnesia, que eles disponibilizaram em sua página no Bandcamp. São só os três no estúdio, deixando o som rolar, em faixas com títulos que descrevem seus métodos de improviso, uma para cada dia da semana: “James and Ira demonstrate mysticism and some confusion holds”, “Georgia thinks it’s probably okay”, “James gets up and watches mourning birds with Abraham”, “Georgia considers the two blue ones” e “Ira searches for the slide, sort of”. O resultado, você já sabe, aquele calorzinho noise sossegado que gostamos de ouvir…

page-stones

Dá uma sacada em “Scarlett”, mais uma faixa inédita da reedição do clássico Goat’s Head Soup pareia o grupo inglês com o cérebro do Led Zeppelin, Jimmy Page, Que sonzeira!

polimatias-02

Mais uma ótima conversa com minha querida amiga Polly Sjobon – e desta vez focamos em crônicas, estas impressionais informais e subjetivas por escrito que acabam sintetizando o período em que foram escritas. Ou será que elas precisam ser escritas para serem crônicas? Falamos do Chuck Klosterman, do Machado de Assis, da Clarice Lispector, do Woody Allen, do Bob Dylan, do Luís Fernando Veríssimo e tantos outros que registram o cotidiano como história.

bomsaber-012

Mancha é mestre. Na raça, ele levantou um dos principais templos da música independente do Brasil neste século, além de inspirar inúmeras iniciativas do tipo em todo o Brasil. A Casa do Mancha é um laboratório de experimentação sonora, palco de shows memoráveis e ponto de encontro de gente fina, elegante e sincera, além de ter sido estúdio de gravação para dezenas de discos. Sem shows, ele pensa o que fazer nos próximos passos e eu aproveito para relembrar sua trajetória frente nossa querida Casinha, que nos deixa tão saudosos daqueles momentos memoráveis, tresloucados e aconchegantes.

O Bom Saber é meu programa semanal de entrevistas que chega primeiro para quem colabora com meu trabalho, como uma das recompensas do Clube Trabalho Sujo (pergunte-me como no trabalhosujoporemail@gmail.com). Além do Mancha, já conversei com Bruno Torturra, Roberta Martinelli, Dodô Azevedo, Larissa Conforto, Ian Black, Negro Leo, Janara Lopes, João Paulo Cuenca, Fernando Catatau, André Czarnobai e Alessandra Leão – todas as entrevistas podem ser assistidas aqui ou no meu canal no YouTube.

cine-ensaio-03

No nosso terceiro programa sobre cinema, eu e André Graciotti falamos sobre como o terceiro filme de Ridley Scott naufragou nas bilheterias e abriu caminho em locadoras e na TV a cabo, criando um culto que terminou com o filme sendo refeito e voltando às salas de cinema como um clássico moderno. Mas Blade Runner foi o primeiro filme cult?

beyonce

Beyoncé lança mais um teaser de seu filme Black is King, que estreia no fim do mês, apontando para o afrofuturismo, vertente da ficção científica que ressignifica conceitos narrativos do gênero a partir do ponto de vista africano. O filme ainda terá participações de Jay-Z, Kelly Rowland, Naomi Campbell, Lupita Nyong’o e Pharrell Williams, entre outros.

Épico é pouco. O filme estreia no serviço de streaming da Disney (que ainda não funciona no Brasil) no dia 31 de julho, mas provavelmente estará nos torrents da vida no dia seguinte…

Black-Is-King

lynch

O mestre bizarro não para de lançar coisas em seu canal no YouTube, agora é a vez de ele mostrar um videoclipe que fez para a faixa-bônus de seu disco de 2011, Crazy Clown Time, “I Have Radio”. E como estamos falando de David Lynch, o clipe é tudo menos convencional: duas figuras balançam os braços enquanto um fundo abstrato em preto e branco pulsa seguindo o beat da música, em que o próprio Lynch sussurra seu título com legendas em japonês – e aí os porcos começam a grunhir…

O canal do Lynch é um barato.