
Lembro-me como se fosse hoje: há cinco anos eu chegava do show das Rakta no festival PikNik, em Brasília (que inclusive acontece neste fim de semana), e sintonizava, como toda madrugada de segunda, no oitavo episódio de Twin Peaks. Ninguém estava preparado para o que David Lynch mostrou naquele 25 de junho de 2017. Depois de puxar um fio da meada em que a versão do mal do Agente Cooper passa por outra transformação – e por uma música gigantesca do Nine Inch Nails ao vivo -, o cineasta joga a história do entretenimento para junto da vídeo-arte, quebrando de vez a fronteira entre a televisão e a pós-modernidade. Fiquei tão impactado que assisti ao mesmo episódio pela segunda vez e escrevi um texto no blog que tinha no UOL na época ainda na madrugada, texto que reproduzo abaixo. Continue

Volto com o meu programa de entrevistas depois do recesso chamando a querida Manoela Milkos para falar sobre sua área de atuação: direitos humanos. Ela faz parte da ONG Nossas, que tem diversas iniciativas para reverter a tragédia que habitamos neste Brasil de 2002, como Amazônia de Pé e Mapa do Acolhimento. A gente conversa um pouco sobre essas iniciativas, mas também sobre a soturna fase que o país atravessa e conseguimos até ser otimistas dentro desse cenário deprimente que atravessamos.
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A dupla fluminense Gorduratrans lançou seu novo disco Zera nesta sexta-feira no Sesc Belenzinho num show que finalmente fez o público do local ficar de pé. Transformado em quarteto nesta nova fase, o grupo ergueu uma doce parede de microfonia que fazia o show soar hipnótico e pesado na mesma medida. Showzaço.
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A dupla Carabobina, formada pelo boogarin Raphael Vaz e pela produtora Alejandra Luciani, faz duas apresentações no Centro da Terra nas próximas semanas e batizaram suas duas sessões com o título do single cujo clipe eles lançam em primeira mão aqui no Trabalho Sujo, “Terranoite”. “Foi a primeira música sem beat que fizemos, bem diferente do que toca no nosso primeiro álbum”, explica Fefel. “Acho que nos inspiramos um pouco no disco Sung Tongs, do Animal Collective, onde tem aqueles mantras acústicos de poucos acordes e vários minutos. Usamos o cuatro venezuelano e sintetizadores pra criar uma paisagem variável. Na ideia, essa música é gigantesca e no show pode até ser isso que aconteça ao vivo.” Assista abaixo. Continue

Impossível ficar parado com a viagem disco funk rock que o Olympyc submeteu o Centro da Terra nesta terça-feira com seu espetáculo Submerso. Estreando pela primeira vez ao vivo o repertório de Love, um disco feito durante a pandemia e dedicado aos prazeres da carne, Marcelle, Fabiano Boldo e Samuel Fraga ainda contaram com o auxílio de João Deogracias nos synths e transformaram o teatro do Sumaré em uma pista de dança que por pouco não tornou-se literal. Uma trip que merece ser dançada de fato e que ainda contou com versões para TLC e Michael Jackson. Junte isso com as luzes acachapantes da Camille Laurent e o fino som do Bernardo Pacheco e a festa estava feita.
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Mais uma bela apresentação que o quarteto D’Águas faz no Centro da Terra, reunindo composições de seus quatro autores – Renato Gama, Alldrey Eloise, Izzy Gordon e Tita Reis. A temporada A Luta é Florescer encerra-se na próxima segunda-feira e promete ser especial.
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Posso assistir mil vezes ao show que Juçara Marçal armou para transmutar para o palco seu projeto fonográfico Delta Estácio Blues que nunca vou cansar. A energia concentrada pelo quarteto formado por Juçara, Marcelo Cabral, Alana Ananias e Kiko Dinucci acerta o ouvinte sem dó numa convulsão meticulosa entre o samba, o pós-punk, o noise e a música eletrônica, neste que talvez seja o grande momento da música ao vivo no Brasil hoje. Quatro indivíduos que mal conversam com quem os assistem – só Juçara fala – mas que acertam todos os sentidos do público com a contundência que só a música pode fazer (aquele papo do Bob que dizia que “quando acerta não dói”). E não foi diferente neste sábado no Sesc Belenzinho – que bordoada boa!
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Em mais uma incursão pelo meio impresso, colaboro com uma edição especial da Rolling Stone Brasil que chega às bancas nesta semana celebrando os 40 anos do rock brasileiro dos anos 80, editada pelo compadre Pablo Miyazawa. Além de voltar ao verão de 1982, quando tudo começou no Rio de Janeiro, conversando com Evandro Mesquita, Perfeito Fortuna, Leoni, João Barone e Leo Jaime sobre o período em que o Circo Voador foi criado, a Rádio Fluminense tornou-se a primeira rádio rock do Brasil e o filme Menino do Rio espalhava a novidade carioca para o resto do Brasil, também fiz uma lista com os 80 discos mais importantes daquele período, dissecando-os um a um – além de reunir os principais hits do período em uma playlist feita para a revista. Parte do conteúdo já está online, como a reportagem sobre o verão de 1982 e a resenha sobre o primeiro disco da Blitz, mas a maioria dos textos só dá pra ler na versão impressa.

O grande disco de 2021, Delta Estácio Blues, não encerra-se nas onze faixas que o compõe e sua autora Juçara Marçal expande-o a partir desta quinta-feira, quando revela EPDEB, que ela antecipa a capa em primeira mão para o Trabalho Sujo. Seguindo a lógica visual do primeiro, a capa também parte de fotos de Aline Belfort com intervenções de Manuela Eichner, e o disco conta com quatro faixas que foram compostas e gravadas nas mesmas sessões de seu segundo disco solo, mas que ficaram de fora por ir além da narrativa pensada para o álbum. “Todas elas foram concebidas no mesmo processo, mas na hora da escolha de repertório, sentimos que eram faixas que, de alguma forma, já contavam uma outra história”, me explica a própria Juçara. “É claro que é muito subjetivo isso que estou falando. Funciona muito assim pra mim: o repertório, assim como a da ordem das músicas, é um jeito de contar uma história. E as decisões do que entra e do que sai é um processo de escuta muito dedicado e delicado.”
As quatro faixas incluem “Um Choro”, composta em parceria com Jadsa (que também toca guitarra na canção), que é “uma composição dela que encaixou direto na base que a gente mandou”, como lembra Ju; “Odumbiodé” que tem música de Kiko Dinucci e letra de Juçara e Rodrigo Campos; “Criei um Pé de Ipê”, minha favorita, composta por Alzira E sobre a base que ela e Kiko mandaram e “Não Reparem” parceria de Juçara com Clima – ele fez a letra, ela a música. E se você achava que Delta Estácio Blues era demais, se prepara…

Lindaço o show que o Sessa fez nesta terça-feira no Centro da Terra, preparando terreno para seu segundo disco, Estrela Acesa, que será lançado em dez dias. A princípio ele faria a apresentação apenas com seu violão, mas em cima da hora convidou Ciça Góis e Laura Rosenbaum, que o acompanharam em sua recente turnê pelo hemisfério norte, para subir ao seu lado no palco do teatro do Sumaré, deixando tudo ainda mais mágico.
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