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Jornalismo

Crua e delicada

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Angel Olsen mostra mais uma música do disco-cara-metade do melhor disco do ano passado, o exuberante All Mirrors. E depois de mostrar a faixa-título deste novo trabalho, Whole New Mess, ela vem com outra inédita, a celestial “Waving, Smiling”.

Ela aproveitou para liberar uma versão ao vivo da mesma música, gravada no Masonic Temple na cidade de Asheville, nos EUA, em uma de suas lives pagas que tem feito sob o título de Cosmic Streams.

O curioso é que ela ainda não mostrou nenhuma versão de nenhuma faixa já conhecida por All Mirrors. Whole New Mess é a segunda versão para um mesmo repertório que a cantora norte-americana composto desde o fantástico My Woman, de 2016. Ela até cogitou lançar um disco duplo, mostrando as duas faces que pensava para este conjunto de músicas, um mais suntuoso e chique, outro mais cru e delicado. Ela optou por lançar a versão opulenta no ano passado, cravando o álbum no topo da minha lista pessoal de melhores discos de 2019 e agora revisita o mesmo repertório em outro ambiente, gravado em uma igreja, só com ela tocando guitarra e violão. Mas como ela não mostrou nenhuma música que já conhecíamos, apenas determinou o parâmetro musical do novo disco, mostrando que trará toda uma nova profundidade a uma obra irrepreensível. O disco sai na semana que vem e já está em pré-venda.

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Que internet você quer? Esse questionamento já acompanha minha querida amiga Dani Arrais há alguns anos e tornou-se um dos motes de seu trabalho – e da sua vida. Blogueira desde os tempos em que isso não era pejorativo, ela transformou seu Don’t Touch My Moleskine em mola-mestra de seu trabalho e aos poucos descobriu outra forma de se conectar às pessoas. Convidada desta semana do meu programa semanal Bom Saber, puxo a questão online para discutir outros temas, amplificados pela quarentena: nossa relação com o trabalho, com o dinheiro, com as pessoas mais próximas e com as celebridades, com o jornalismo, com a arte e com o mercado. Um papo que, se deixasse, ficava até amanhã.

O Bom Saber é meu programa semanal de entrevistas que chega primeiro para quem colabora com meu trabalho, como uma das recompensas do **Clube Trabalho Sujo**. Além da Dani, já conversei com Bruno Torturra, Negro Leo, Janara Lopes, Tatá Aeroplano, João Paulo Cuenca, Eduf, Pena Schidmt, Roberta Martinelli, Dodô Azevedo, Larissa Conforto, Ian Black, Fernando Catatau, Mancha, André Czarnobai e Alessandra Leão – todas as entrevistas podem ser assistidas aqui no Trabalho Sujo – ou no meu canal no YouTube, assina lá.

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Sofia Coppola convocou Bill Murray para fazer outro filme, mas desta vez compor dupla – e não par – com Rashida Jones. On the Rocks, seu sétimo longa, também conta com mais uma música nova da banda do marido, o vocalista do Phoenix, Thomas Mars, com quem a diretora é casada desde 2011 e com quem tem duas filhas. Tanto o trailer do filme quanto o novo single parecem capturar os dois artistas em lugares confortáveis e cômodos – e por isso talvez pareçam meio genéricos de si mesmos (mal que já vem acometendo a banda francesa há pelo menos um disco).

“Identical” também é o primeiro single do novo disco da banda que, aparentemente, será a trilha sonora do novo filme de Sofia.

É a sexta vez que ele participa da trilha de filmes dela, num relacionamento que começou antes do namoro dos dois: em seu segundo filme, Virgens Suicidas, Mars gravou os vocais da música-tema “Playground Love” usando o pseudônimo de Gordon Tracks, e no filme seguinte, Encontros e Desencontros, ela usou “Too Young”, da banda do marido francês. Mas a colaboração dos dois se tornou mais intensa após o casamento, com Mars e o guitarrista da banda, Laurent ‘Branco’ Brancowitz, participando mais ativamente do processo criativo da cineasta. Desde então, o Phoenix já emplacou música em Um Lugar Qualquer (“Love Like A Sunset Part I”), Bling Ring (“Bankrupt!”) e O Estranho Que Nós Amamos (“Ti Amo”).

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Taylor Swift completa seu disco indie Folklore, composto e gravado durante a quarentena, ao disponibilizar online a bela balada “The Lakes”, que havia deixado como faixa-extra da versão física do disco, que já é o disco mais vendido do ano nos EUA. Composta ao lado de seu fiel escudeiro Jack Antonoff, ela não conta com a participação dos outros dois produtores do disco, o National Aaron Dessner e Bon Iver, como se ela acenasse que não precisava dos dois para chegar naquele estágio.

E é uma das mais belas faixas do disco e, portanto, de sua carreira.

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Quando quis recriar a cena glam rock norte-americana do começo dos anos 70 em seu controverso filme Velvet Goldmine, de 1997, o diretor Todd Haynes convidou o guitarrista Don Fleming, da banda Gumball, para criar uma versão fictícia dos Stooges para o filme. Fleming arregimentou um time que, além dele mesmo, ainda incluía dois integrantes do Sonic Youth (Thurston Moore e Steve Shelley), o vocalista do Mudhoney Mark Arm, o baixista do Minutemen Mike Watt, Sean Lennon (pois é!) e um stooge original (o guitarrista Ron Asheton). Batizados de Wylde Rattz, este supergrupo gravou um disco inteiro na época, além de uma versão insana para “Fun House” dos Stooges – que só vieram à tona nesta quarentena. Sente só essa versão do clássico dos Stooges, que conta apenas com Thurston Moore, Steve Shelley, Mark Arm, Mike Watt e Ron Asheton:

E esse disco inteirinho então? Olha só que pesado!

Rapaz…

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Em franca batalha contra Donald Trump, o mestre canadense Neil Young já processou o presidente norte-americano por usar suas músicas em propaganda de campanha e recentemente desplugou as redes sociais de seu site como uma forma de protesto contra o papel destas redes na destruição das democracias no mundo (mesmo que isso lhe custe 20 mil dólares). E agora ele volta a um passado recente e recria “Looking for a Leader”, que fez reclamando contra George W. Bush em 2006, mirando agora no agente laranja que infectou a Casa Branca. “Convido o presidente a tocar esta música em seu próximo discurso”, desafio Young. “Uma canção sobre os sentimentos que muitos de nós sentimos sobre os EUA hoje, que faz parte de The Times, EP que sairá em breve pela Reprise Records – meu lar desde 1968.”

Não são as únicas novidades do velho Neil. Depois de desenterrar o ótimo Overgrown, que arquivou em 1975 para ressuscitá-lo 45 anos depois, ele segue vasculhando seus arquivos e preparando discos novos com material histórico inédito. A principal notícia é o anúncio do segundo volume de sua caixa Neil Young Archives, que cobre o período entre 1973 e 1982 e que não tínhamos mais notícias desde 2014, cinco anos depois do Volume 1. Há especulações que ela contenha outros discos inteiros engavetados à época por Young, como Chrome Dreams, de 1976, e Oceanside-Countryside, de 1977. Mas não há mais nenhuma informação oficial sobre esta caixa, a não ser que será lançada no dia 6 de novembro.

No mesmo dia, Young lança também o primeiro dos dois discos ao vivo ao lado de sua banda Crazy Horse que desenterra neste ano. Return to Greendale volta ao disco de 2003 do grupo, Greendale, reunindo versões ao vivo do disco em diferentes shows da mesma turnê. Exatamente um mês depois, ele mostra Way Down in the Rust Bucket, show gravado com o grupo na casa Catalyst Club, na Califórnia, em novembro de 1990.

Não bastasse tudo isso, ele também anuncia que está trabalhando em material novo, um filme chamado The Timeless Orpheum. “É um filme de show com várias reviravoltas, contando a minha história e a sua, nossa história juntos”, escreveu em seu site.

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Um dos marcos iniciais do cinema, o cinema de terror sempre esteve renegado à segunda divisão da sétima arte, mesmo com clássicos imbatíveis, sucessos de crítica e de público. Eu e André Graciotti, no Cine Ensaio desta semana, debruçamo-nos sobre a história desta tradição para honrar seus principais marcos e criticar os desvios criados para não se celebrar este estilo como o que ele realmente é: um dos principais gêneros da história do cinema.

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Ainda bem que American Head, disco novo dos Flaming Lips, sai no início de setembro, porque o grupo está lançando tantos singles antes que corria o risco de gastar todo o disco antes do lançamento, caso levassem mais alguns meses para lançá-lo – este belo “Will You Return / When You Come Down” é o quinto single antes do lançamento do disco, que acontece no dia 11 do mês que vem.

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Poolside, o projeto solar do californiano Jeffrey Paradise aumenta a temperatura que estabeleceu no disco que lançou no começo do ano, Low Season, ao lançar o single “Getting There From Here”, regulando com o verão no hemisfério norte, mas sem animar-se muito por motivos de quarentena. Ma dá pra aquecer o coração daquele jeito, pra começar pelo vocal do Todd Edwards…

E ele lançou no fim do mês passado uma versão irresistível (e melhorada) para a funky “Shakedown Street” do Grateful Dead.

O importante é manter-se vivo.

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Revisitando o tempo de seu disco Kiss Land no programa Memento Mori, da Apple Music, o canadense Abel Tesfaye, que todos conhecemos como The Weeknd, aproveitou a oportunidade para revisitar faixas demo ou não-lançadas da época do álbum, entre elas sua primeira colaboração com Lana Del Rey, bem antes de ela participar de “Stargirl Interlude” em seu disco de 2016 Starboy e de ele participar da faixa título do disco dela no ano seguinte, Lust for Life. Há sete anos, os dois dividiram vocais da faixa “Money Power Glory” do segundo disco oficial de Lana, Ultraviolence, que ele remixou incluindo sua voz. O dueto finalmente aparece agora.