O produtor português Xinobi dá um trato em “Bielzinho, Bielzinho” e a ode de Tim Bernardes ao baterista d’O Terno ganha um groove perfeito pra pista.
O papo com o Pablo na semana passada inspirou um novo programa, em que discutimos o conceito de cultura para além dos produtos que consumimos analógica ou digitalmente, numa longa reflexão que passa por Guerra nas Estrelas, Matrix, Sopranos, Dom Quixote, redes sociais, Batman, o espectador cínico, a onipresença da cultura, Marvel, cabines de cinema, Sherlock Holmes, o fim da passividade consumista, quando concluímos que a cultura pop está chegando ao fim.
O décimo Cine Ensaio inaugura uma nova tradição e também é um metaprograma. Mas não vamos falar do Cine Ensaio em si e sim comentar o que vocês escreveram nos comentários dos nove primeiros episódios – e vamos fazer isso a cada dez programas. Por isso falamos sobre o Paul Schrader, o New French Extreme, Divino Amor, Fellini, Spielberg, videogame x cinema, trilogia Antes, além de dois compromissos públicos que eu e André Graciotti assumimos com vocês em relação a programas próximos.
Papisa está preparando um EP de remixes para fechar o ciclo de seu primeiro álbum, Fenda, e chamou sua turma para desconstruir o disco faixa a faixa. Entre as convidadas estão Tati Lisbon, Larissa Conforto, Vivian Kuczyncski, Theo Charbel, entre outros, além do remix que a senhorita My Magical Glowing Lens, a capixaba Gabriela Terra, que dá início aos trabalhos com o remix de “Semente”, que Gabi já estava fazendo quando Papisa a convidou, e leva a música da paulista para uma fronteira imaginária entre o dub e Índia, numa viagem pesada em câmera lenta.
Colhendo os frutos do trabalho dos últimos anos, quando lançaram livro e filme, os Beastie Boys apresentam a segunda coletânea de sua carreira, mais enxuta e direto nos hits do que a primeira, a coletânea dupla
Beastie Boys Anthology: The Sounds of Science, lançada no fim do século passado. Beastie Boys Music resume três décadas de carreira em 20 faixas certeiras. Beastie Boys Music chega em CD simples e em vinil duplo, além das plataformas de streaming, no fim de outubro – e as pré-vendas já começaram.
“So What’Cha Want”
“Paul Revere”
“Shake Your Rump”
“Make Some Noise”
“Sure Shot”
“Intergalactic”
“Ch-Check It Out”
“Fight For Your Right”
“Pass The Mic”
“Don’t Play No Game That I Can’t Win”
“Body Movin’”
“Sabotage”
“Hold It Now, Hit It”
“Shadrach”
“Root Down”
“Brass Monkey”
“Get It Together”
“Jimmy James”
“Hey Ladies”
“No Sleep Till Brooklyn”
A princípio parece só um amontoado de palavras: “Lixo quiche rixa husky pixe risco rímel rumo rouge haxixe concha jaca cacho Reykijavik Vaporub mirra marreta mojito lixa lesma caixote”, cospe Tulipa Ruiz por cima de um groove tenso e quadrado, eletrônico e funky ao mesmo tempo em que soa pesado e raivoso, conduzido por seu irmão, o produtor Gustavo Ruiz, e Rica Amabis, metade da dupla de produção Instituto. Mas superpostas às imagens conduzidas por Alexandre Orion, que mistura diferentes facetas do nosso apocalipse diário em doses nada sutis de justaposição, o projeto Cactu, que os quatro mostraram no final da quarta temporada do projeto Palavras Cruzadas, ganha uma forte carga política, bem como pede este bizarro 2020. Criado a partir do convite do curador Marcio Debellian, os quatro criaram o show para duas únicas apresentações em 2015, no Rio de Janeiro, mas existia a intenção de ir além. Ressuscitado pela quarentena, o novo grupo começa a se mostrar a partir desta segunda, quando o primeiro single, “Chorume”, chega às plataformas digitais. O quarteto deve lançar outro single ainda este ano e o disco fechado fica para o início de 2021.
As irmãs Haim convocam os produtores Amber Mark, Lauren Auder, MMPH e outros produtores para retrabalhar sua ótima “Summer Girl” num EP dedicado a reconstruções desta bela versão ensolarada que elas fizeram para o groove de Lou Reed. E quase todos os remixes ficaram ótimos (especialmente os dois primeiros).
Antes de se chamar The Man Who Sold the World, o disco que David Bowie gravou no final de 1970 por pouco não chamou-se Metrobolist, uma homenagem do lorde do pop queria fazer ao clássico filme de Fritz Lang, Metrópolis (1927). A capa também era bem diferente da imagem de Bowie posando com um vestido em frente a cartas de um baralho espalhadas pelo chão. Como o disco completa meio século este ano, está sendo relançado com seu título e capa originais – uma ilustração pop e bizarra de Mike Weller, que ainda traz a capa dupla com variações da foto que foi parar na capa da versão definitiva. O disco marca o início da colaboração de Bowie com o guitarrista Mick Ronson e o início da série de discos irrepreensíveis que ele fez até o início da década seguinte, marcando os anos 70 como sua década. Metrobolist ainda foi remasterizado pelo produtor Tony Visconti, que não quis mexer na faixa “After All”, que considera perfeita na versão que foi lançada na reedição de 2015. Infelizmente, não há extras ou faixas-bônus para o disco, que sairá em edição limitada em vinil e chega ao público no início de novembro (mais informações no site de Bowie).
No próximo dia 6, a dupla Guaxe, formada por Dinho Almeida dos Boogarins e o ex-supercordas Bonifrate, comemora um ano do lançamento de seu primeiro disco, época em que pretendiam já ter feito alguns shows, ainda inéditos, não fosse a pandemia e a quarentena. “Na virada do ano nós estávamos planejando começar a fazer uns shows, o Dinho esteve aqui em Paraty algumas vezes pra ensaiarmos e a coisa vinha ganhando corpo, vinha ficando bem bonita”, lembra Bonifrate. “Pretendíamos lançar o clipe da faixa ‘O Desafio do Guaxe’ logo antes de começar os shows. Daí veio o caos e a Guaxe ao vivo ficou pra sabe-se lá quando”, lamenta, enquanto aproveita o aniversário do lançamento do disco para mostrar o clipe dirigido por Raissa Nosralla e Giuliano Gerbasi em primeira mão no Trabalho Sujo.
“Eles são irmãos extremamente talentosos nas arte do cinema e da fotografia”, continua Pedro, frisando que Raissa também estrela o clipe (bem como o pássaro que batiza a dupla e que aparece na última cena). “Já sou amigo do Giuliano há tempos, ele registrou todo o processo de gravação do último disco dos Supercordas em 2015 num filme que está finalmente pronto e prestes a ser estreado. Raissa também esteve nas gravações e fez umas belas fotos pra gente. Eles mandaram o vídeo de ‘Desafio do Guaxe’ já pronto e foi uma belíssima surpresa.”
Caetano Veloso regrava o clássico dos Beatles “Hey Jude” só ao violão para a trilha de documentário Narciso em Férias, que a dupla Renato Terra e Ricardo Calil fez sobre sua prisão em 1968, ano de lançamento da canção do quarteto inglês. “Essa canção dos Beatles que era um anúncio de luz quando, na prisão, eu a ouvia no rádio de um sargento do PQD”, explica o cantor e compositor baiano em um comunicado. “Reouvindo aqui as canções mais marcantes de Sérgio Ricardo, vi que, mesmo as de maior sucesso na época em que foram lançadas, têm 14 mil, 22 mil, 108 visualizações. Por acaso – por algoritmo -, veio na lista de sugestões do YouTube ‘A Day in The Life’ dos Beatles: 102.196.955 visualizações. Pensei na situação periférica do Brasil”, lamenta. Ele gravou a música no dia em que deu a entrevista para o documentário. “Nunca tinha pegado o violão, sacado a harmonia e cantado mesmo. Nunca sequer aprendi a letra inteira”, lembra, “no dia da filmagem da entrevista para o Narciso em Férias foi a primeira vez. E ainda assim, quase só cantarolei. Por isso gravamos aqui em casa, eu e Lucas Nunes, tecladista e guitarrista da Dônica, ele fazendo o duplo papel de violonista e técnico de gravação,”









