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Haim metal

haim-2020

A irmãs Haim lançaram “Feel the Thunder”, metal farofa fuleiro para a animação The Croods: A New Age e visitam a região de Los Angeles que, felizmente, deixaram de fora de seu ótimo Women in Music Part III.

É uma das piores – talvez a pior – músicas do trio. Não tem ironia que salve isso.

Foto: Thany Sanches.

Foto: Thany Sanches.

Quando assisti Luna França apresentar-se como uma das convidadas da temporada que Rafael Castro fez no Centro da Terra, no longínquo mês de setembro de 2017, ela mostrava, pela primeira vez em público, suas próprias canções. Quem esteve nesta noite foi fisgado instantaneamente pelas deliciosas crônicas que apresentava cantando, bem como por sua doce voz e sua presença de palco. Desde então venho acompanhando sua evolução como artista, embora ela tenha acontecido quase como uma metamorfose, uma vez que raramente apresentou-se ao vivo com seu próprio nome (embora seguisse tocando com outros artistas, como Tiê, Papisa, Bruno Bruni e o próprio Rafael). Fechada em seu estúdio-casulo (uma edícula na Vila Anglo, em São Paulo, onde morou até o início do ano), cutuquei-a várias vezes para ver se ela não queria mostrar o disco que vinha gravando antes de lançá-lo, em uma data única no mesmo teatro, mas ela sempre dizia que ainda não era a hora. Agora chegou a hora e ela começa a mostrar seu primeiro álbum no fim deste estranho ano de 2020, quando ela apresenta em primeira mão para o Trabalho Sujo o clipe do primeiro single, “Minha Cabeça”.

“Acho que a decisão de lançar ‘Minha Cabeça’ como primeiro single teve muito a ver com o momento de pandemia e isolamento social que estamos passando”, ela me explica por email. “Apesar de não ter sido composta para esse momento, acredito que ela reflete bem a sensação que eu e muitas pessoas tivemos de claustrofobia e ansiedade. Para muitos, esse tem sido um momento de olhar para dentro e lidar com partes de nós mesmos que nos assusta, mas que estão lá. E a música fala dessa busca por uma saída e o encontro consigo mesmo.”

“Além disso, ‘Minha Cabeça’ foi minha primeira composição e uma das últimas músicas a entrar no disco. Quando ela ficou pronta eu pensei: ‘Quero que ela seja a primeira a ser lançada!'”, ela prossegue. “Apesar do disco ter canções bem diferentes entre si, creio que o fio condutor de todas elas está nas letras bem pessoais, simples e sinceras, sem muitos floreios, apenas o pensamento ou sentimento do momento retratado na canção.”

Produzido e arranjado por ela e por André Whoong, o disco será o segundo lançamento do selo Cena, do jornalista Lúcio Ribeiro e tem previsão de lançamento apenas para o ano que vem. A suave e hipnótica “Minha Cabeça” é apenas um teaser do disco que, originalmente, sairia em 2020. “Quando a pandemia começou, decidi parar um pouco e entender o momento antes de tomar uma decisão de lançar. Quando percebi que as coisas demorariam a voltar da forma que eram – se voltarem -, resolvi pensar no lançamento, pois sentia que já estava com isso guardado para mim há bastante tempo.”

“Criei e gravei muitas das ideias de arranjo sozinha na minha casa. Essas ideias eu levava para o André e a gente lapidava juntos e somava com a ideias dele”, explica, lembrando o processo que começou há dois anos, quando ela só queria mostrar as músicas para Whoong, que acabou se empolgando com as canções. “Criei vários dos arranjos em minha própria casa, principalmente os arranjos vocais, presentes em todo o disco, além de synths e beats. Como eu sempre fui uma pessoa apaixonada por voz e arranjos vocais, acredito que isso virou uma marca que conecta todas as músicas.” Ela deve lançar um novo single no início de 2021, este com uma participação especial – que prefere não revelar ainda, bem como o título do disco: “Sou libriane, vai que muda!”, ri.

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Um momento de introspecção envolto em uma bebida quente. Eu e Polly Sjobon paramos para um chá e para refletir sobre o impacto destas infusões em nossas vidas, tanto do ponto de vista pessoal quanto cultural. E viajamos por hábitos e crenças que associam esta pausa a uma nova forma de encarar a vida e o ritmo por trás de nossas rotinas, em um Polimatias que estica a cadeira para que você se junte à nossa conversa vespertina.

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Já que a pandemia mudou todas agendas, o New Order resolveu abrir 2021 lançando mais um disco ao vivo: o registro do único show que o grupo de Manchester deu em 2018, quando tocou no clássico palco do Alexandra Palace (o mesmo em que Nick Cave gravou sozinho seu Idiot Prayer). O grupo aproveitou o aniversário de dois anos do show, que aconteceu no dia 9 de novembro, para anunciar o novo disco, que virá em “múltiplos formatos” e não tem título definido ainda, mas deve ser lançado em abril do ano que vem. Para antecipar o lançamento, eles soltaram a versão do show para “Sub-culture”:

E o repertório do show original foi esse (incluindo esse bis Joy Division):

“Singularity”
“Regret”
“Love Vigilantes”
“Ultraviolence”
“Disorder” (Joy Division cover)
“Crystal”
“Academic”
“Your Silent Face”
“Tutti Frutti”
“Sub-Culture”
“Bizarre Love Triangle”
“Vanishing Point”
“Waiting for the Sirens” Call”
“Plastic”
“The Perfect Kiss”
“True Faith”
“Blue Monday”
“Temptation”

Bis:
“Atmosphere”
“Decades”
“Love Will Tear Us Apart”

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Mank vem aí – o primeiro filme de David Fincher em seis anos, em que ele filma um roteiro escrito por seu pai sobre o roteirista que ajudou Orson Welles a revolucionar o cinema em Cidadão Kane. E o personagem-título do bon-vivant Herman J. Mankiewicz é vivido por ninguém menos que Gary Oldman. Uma confluência de talentos que inspirou a edição desta semana do Cine Ensaio, em que eu e André Graciotti conversamos sobre a importância do filme original, a grandeza de seus diretor e ator e a expectativa para este que pode ser um dos grandes filmes deste magro 2020 cinematográfico.

ldr-2020

Enquanto assistia aos EUA pegar fogo sobre quem poderá ser seu futuro presidente, Lana Del Rey ligou o ao vivo em seu Instagram para fazer um anúncio sobre sua carreira, como se ela fosse mais importante que tudo isso: adiou seu próximo álbum Chemtrails Over the Country Club, disco que lançaria esse ano e do qual já havia mostrado “Let Me Love You Like a Woman” como primeiro single, para o ano que vem devido à dificuldade em prensar os discos em vinil como gostaria antes do início de março, postergando-o para primeiro semestre de 2021. Em compensação, ela anunciou um álbum de natal ainda para 2020, com versões para standards norte-americanos e músicas que ela sempre quis gravar. Não entrou em detalhes sobre o repertório, citando apenas “algumas canções de Patsy Cline”:

Ela, que postou uma foto sandando o novo presidente norte-americano e sua vice Kamala Harris em seu Instagram logo após a confirmação dos votos, em seguida mostrou uma versão para “On Eagles’ Wings”, hino cristão citado no discurso de Biden, como se precisasse provar que não havia votado em Trump…

E não dá pra acreditar que ela tenha votado, uma vez que saiu comemorando a vitória do candidato democrata num supermercado com ninguém menos que Joan Baez!

chicobernardes2020

Com o single “Em Meu Lugar”, Chico Bernardes começa a buscar outras paisagens sonoras para além do bosque folk de seu primeiro disco homônimo. E para isso, conta com a mão sofisticada de Arthur Decloedt, o baixista do Música de Selvagem, que produz e arranja a nova canção, dando-lhe uma suntuosidade orquestral que em vez de aplacar, reforça sua singeleza, numa gravação que ainda conta com Maria Beraldo e Amílcar Rodrigues (que toca com o pai de Chico, Maurício Pereira) entre os músicos convidados. Coisa fina.

Se o Chico mesmo for por esse caminho no próximo disco, ninguém o segura.

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Robert Fripp, o líder do King Crimson, entregou-se aos devaneios de sua esposa, a cantora Toyah Willcox, e juntos os dois vêm passando a quarentena experimentando possibilidades no YouTube – mas neste Halloween chegaram ao ponto mais crítico até agora, quando misturaram uma versão apenas em que Fripp toca em sua Les Paul com o rosto e o braço coberto de tatuagens temporárias a clássica “Paranoid” do Black Sabbath enquanto Toyah, do outro lado de uma grade (seria uma cadeia ou um cofre?) canta a canção numa performance memorável.

Atualização: E olha essa versão para “Whole Lotta Love” (que no final vira “Kashmir”) e um chicote que eles fizeram no domingo…

Os dois vídeos são chamados de “Sunday Lockdown Lunch” – o almoço de domingo do enclausuramento e, pelo jeito, isso vai longe, hein… Tomara!

Vanusa (1947-2020)

vanusa

Vanusa, que despontou no final da Jovem Guarda e se transformou em uma das principais popstars do Brasil nos anos 70, morreu neste domingo numa casa de repouso em Santos. Infelizmente mais lembrada por sua infame pela versão que fez do Hino Nacional e tornou-se meme, ela atravessou aquela década como referência de mulher moderna que, mesmo casada e mãe de família (era esposa de Antônio Marcos e mãe dos futuros artistas Aretha e Rafael Vanucci), tinha sua própria independência, questão delicada há meio século, ela tem grandes momentos em sua errática discografia, como é o caso do disco que leva seu nome de 1973 que eu pincei há tempos aqui no Trabalho Sujo.

beleleu-via-embratel

O mestre Itamar Assumpção ressurge na póstuma “Beleléu Via Embratel”, faixa produzida por sua filha Anelis, que traz participações de nomes como Liniker, Vange Milliet e Tata Fernandes nos vocais de apoio, com Paulo Le Petit no baixo e Luiz Chagas na guitarra (ambos integrantes de sua clássica Isca de Polícia), Marquinho Costa na bateria e Edy Trombone no instrumento de sua alcunha. A faixa, originalmente composta para o festival MPB-Shell de 1981, nunca teve registro oficial e essa ressurreição também anuncia o tão aguardado MU.ITA, o Museu Virtual Itamar Assumpção que Anelis vem desenvolvendo e que deve ser apresentado finalmente no próximo dia 20.

Que maravilha!