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“Esse refrão surgiu pra mim depois de um ensaio com a Juçara Marçal para um episodio da série Cantoras do Brasil em homenagem à Isaurinha Garcia. Uma das músicas, ‘Sem Cuica Não Tem Samba’, falava do encontro do corpo de Laurindo numa ribanceira no morro de mangueira e outro, ‘Procura o Miguel’, fala de um desaparecido ‘há quatro semanas’. coincidentemente o assunto do desaparecimento do Amarildo estava no noticiário por conta de uma decisão sobre indenização. Laurindo, Miguel, Amarildo são todos personagens cariocas vítimas de alguma violência”, lembra o produtor e compositor Maurício Tagliari, puxando pela memória a origem do single que lança em primeira mão no Trabalho Sujo, no dia de seu aniversário. O clipe é dirigido por seu filho, Daniel Tagliari.

Ele explica porque o samba “Amarildo”, gravado ao lado de Rodrigo Campos, Mauricio Badé, Janine Matias e Val Andrade, ficou de fora de Maô: Contraponto de Fuga da Realidade, que lançou no ano passado. “Fiquei um tempo mexendo na música mas quando fui gravar meu primeiro disco solo, ela ficou de fora porque eu e meu produtor Jesus Sanches decidimos não fazer um disco só de samba. Metade do disco já era samba. E naquele momento eu também achei de alguma forma um pouco ‘oportunista’ tratar desse assunto num primeiro disco. Depois de ter lançado um segundo disco bem mais experimental eu me senti mais à vontade para gravar algo mais ‘engajado’. Na verdade me senti impelido diante de tanta barbárie e violência que se manifestou após a eleição de 2018. Meu Amarildo é uma personagem arquetípica, uma vítima da violência não se sabe se do estado ou de milícias. Mas em comum com o Amarildo real é que seu corpo não aparece. Eu gosto de pensar que ele foi batizado em homenagem ao Amarildo do Botafogo e da seleção brasileira que brilhou substituindo Pelé na Copa de 62. Por isso descrevo um cara de boa, que joga bola, toca cavaco e não quer encrenca. E de repente, mesmo assim, é arrastado de alguma forma por aquele universo sem segurança, sem instituições confiáveis.”

“Nunca vi algo tão ruim como o que estamos vivendo”, reclama, “como artista, sinto que fui sendo direcionado para colocar na rua meu trabalho solo justamente pela percepção de uma piora da situação. um certo dever de botar a boca no trombone.”

A canção é o primeiro single de seu próximo disco, o terceiro álbum da série Maô, cujo subtítulo é Allegro Dentro do Possível e que está previsto para o ano que vem. Este álbum segue Falta de Estudo #1, que foi gravado e lançado logo no início da quarentena. “A ideia desse novo trabalho é um pouco uma síntese dos dois primeiros. No primeiro me apoiei muito nos amigos, parceiros, músicos e intérpretes. Tanto que somente uma música cantei sozinho e somente uma outra não era parceria. No segundo fiz tudo, de ponta a ponta, incluindo criar, tocar, gravar, mixar, fazer a capa. Nesse terceiro a maior parte das músicas será só de minha autoria mas terei participações e colaborações gravadas à distância. posso confirmar, por enquanto, Cuca Ferreira, Thiago França, Rodrigo Campos, Guilerme Kafé. outras estão já encaminhadas mas não confirmadas. por isso prefiro não comentar ainda.”

E além disso, ele prepara singles inéditos ao lado de Juliana Perdigão (“Yamamoto”), Guilherme Kafé (“Vaso Quebrado”) e Lenna Bahule (“Diabim”), além das atividades da YB, sua gravadora, que andam intensas. Além de terem lançado de discos do Negro Leo, Guilherme Held, Ava Rocha, Joana Queiroz e outros, também vem fechando parcerias com outros selos, como Disgrama, QTV, Matraca, Mundaréu Paulista, São Mateus e Alea. “Uma coisa muito interessante foi que aquilo que era quase impossível no mundo real, encontrar e reunir todo ou boa parte do elenco para se conhecer, trocar experiências e ideias, foi possível nesse mundo das reuniões virtuais. temos feito reuniões mensais e isso deve produzir colaborações interessantes em breve.”

O grupo canadense Arcade Fire lança a ótima “Generation A”, uma canção de groove marcial, timbres eletrônicos e forte acento político, no programa de Stephen Colbert, em plena noite de eleição para presidente na TV norte-americana.

Há pouco tempo, o líder do grupo Win Butler conversou com o produtor Rick Rubin em seu podcast Broken Record e contou que, durante a quarentena, eles já gravaram o equivalente a dois ou três álbuns.

E pelo visto deve ter algo vindo por aí em breve…

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Mais que um mestre em seu instrumento e um dos principais nomes da música de sua geração, Edgard Scandurra sempre esteve inquieto em busca do novo. Mesmo quando a única coisa que fazia era o Ira! ele já experimentava fronteiras de sua expressão artística, questionando inclusive o rock que o trouxe para os holofotes da fama. Ele já passou por diferentes projetos e formações musicais, sempre se desafiando para além do que poderia lhe acomodar, sempre em busca de novos nomes com quem pudesse colaborar. No período mais longo de sua vida profissional longe dos palcos, ele consegue dar uma sobrevida à sua carreira ao vivo em lives esporádicas, mas também conseguiu tempo para inventar um programa de rádio e gravar um disco totalmente em casa, tocando mais violão e teclado que guitarra. Convidado desta semana do Bom Saber, ele passa por diferentes épocas de sua vida, sempre olhando para frente.

Avalanches no céu

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Usando a clássica “Eye in the Sky” do Alan Parsons Project como base, a dupla australiana Avalanches lança mais um single de seu próximo álbum, We Will Always Love You, que será lançado no início de dezembro (a pré-venda já está acontecendo no site deles). E depois de reunir nomes tão diferentes quanto Blood Orange, David Berman, Rivers Cuomo, Tricky, Jamie Xx, Mick Jones e Neneh Cherry, o convidado do novo single, “”, é o ótimo Leon Bridges.

Num feito histórico do selo Eaeo, todos os seis discos de estúdio do clássico grupo paulistano Racionais MCs estão sendo lançados em vinil. Tirando o álbum mais recente, Cores & Valores, de 2014, todos os outros registros em estúdio do grupo já haviam saído neste formato no ano em que foram lançados e hoje são raridades nas mãos de poucos detentores de cópias dos EPs Holocausto urbano (1990) e Escolha seu caminho (1992) e dos álbuns Raio X Brasil (1993), Sobrevivendo no inferno (1997) e Nada como um dia após o outro dia (2002), este último, raríssmo disco quádruplo. Além destes, a discografia do grupo ainda inclui a coletânea Racionais MCs (1994) e os ao vivo Ao Vivo (2001) e 1000 Trutas, 1000 Tretas (2006), todos lançados apenas em CD.

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E o feito histórico da Eaeo (que já tinha lançado em vinil a luxuosa caixa do Cidadão Instigado, discos clássicos do Eddie e do Cólera e discos recentes da Alessandra Leão, Siba, Josyara, Maria Beraldo e Baco Exu do Blues, entre outros) vai além quando o selo anuncia que três destes lançamentos dos Racionais – incluindo a caixa com todos os discos, que custa 1200 reais – esgotaram-se NO MESMO DIA em que foram anunciados. Muito foda.

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Em tempos enclausurados, a sensação de estar perdendo algo ganha contornos completamente novos, bem como aquela satisfação de não precisar não fazer nada. Mas será que se acomodar é típico da maturidade e meter as caras característico da juventude? O quanto sua personalidade é moldada a partir de seus arrependimentos e frustrações ou pelo fato de não sentir essas coisas justamente ter as confrontado? É por aí que eu e Pablo Miyazawa mais uma vez questionamos nossos sentidos nesse início de século 21.

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Os Rolling Stones liberaram online a primeira performance de seu clássico “Sympathy for the Devil” ao vivo, quando a tocaram pela primeira vez no mitológico especial Rock and Roll Circus, que gravaram no final de 1968, logo após terem lançado o disco Beggar’s Banquet, mas que só foi oficializado quase trinta anos depois, em 1996 (falei desse clássico num CliMatias dia desses). Nesta primeira versão, que ficou de fora da versão final do especial, não só assistimos à estreia como a vemos tocada com apenas uma guitarra, uma vez que o fundador dos Stones, Brian Jones, limita-se a tocar maracas. E pelas performances de Mick Jagger e Keith Richards dá pra cravar que este é o momento em que os dois assumem as personalidades que iriam ditar os rumos da banda pelas décadas seguintes. Jagger em especial está brilhante, numa apresentação histórica desde o início – sem contar quando ele tira a camisa para revelar um certo desenho tatuado no peito.

E cuidado pra não perder o John Lennon fritando perto dos cinco minutos do vídeo.

Agora é a vez de Kyle Kyle MacLachlan encarnar o agente Cooper e levar boas vibrações do Fleetwood Mac para Twin Peaks…

“Diane…”

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Como não dá pra ir ao cinema (a não ser que você não tenha amor pela vida, claro), só nos restam os serviços de streaming como consolação. Mas qual é o melhor deles? O que todos eles têm em comum – e o que só alguns deles têm? Como eles mudaram nossa forma de assistir a filmes e séries? Quem tem o melhor preço e o melhor catálogo? Existe um jeito certo de ver filmes e séries neste formato sob demanda? São alguns pontos que eu e André Graciotti discutimos nesta edição do Cine Ensaio.

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Milagre de eleição nos EUA! Enquanto não sabemos quem é o próximo presidente de lá, o partido democrata do estado de Wincosin conseguiu fazer com que Tim Curry, o mestre que interpreta o memorável Frank-N-Furter no clássico Rocky Horror Picture Show, reencarnasse em seu velho personagem na semana passada para uma recriação do filme inteiro via zoom. Embora não conte com a maior parte do elenco original (além de Curry, só compareceram Nell Campbell – a Columbia – e Barry Bostwick – o Brad), o grande feito desta releitura é tirar Curry da reclusão, uma vez que ele sofreu um derrame em 2012. Mas mesmo com as sequelas do ocorrido e esquecendo alguns trechos, ele ainda mantém o bom humor e a sagacidade, felizmente.

Além dos atores do elenco original, a recriação do clássico de 1975 ainda contou com novatos no elenco como Lance Bass, Rosario Dawson, Jason George, Seth Green, Jason Alexander, Colleen Ballinger, David Arquette e Taylor Schilling, além de apresentações musicais de Bob Weir, Peppermint, Dresdeb Dolls, entre outros.