“Exu matou um pássaro ontem com uma pedra que só jogou hoje”: é assim Emicida anuncia, AmarElo – É Tudo Pra Ontem, seu especial de fim de ano, que será exibido dia 8 de dezembro no Netflix, no primeiro trailer que fez do documentário sobre seu disco mais recente e a histórica apresentação que fez no fim do ano passado no Teatro Municipal de São Paulo.
Respeito é pra quem tem.
A entrevista que o presidente da Central Única de Favelas, o admirável Preto Zezé, deu ao Roda Viva nesta segunda-feira é uma enorme aula sobre o Brasil de 2020 e aborda temas que impactam na vida de todos, mais um sopro de esperança no meio deste mês tão intenso.
Nem tudo que eu e Pablo Miyazawa gravamos no Altos Massa vai para a edição final – e como Pablo é quem edita o programa, ele foi separando conversas anteriores para essa edição sazonal que apelidamos de #tapaburaco. A conversa não segue um tema, mas de alguma forma segue, pois falamos sobre apps de relacionamentos, como lidar com o capitalismo na internet, o que podemos aprender com as plantas, shows que não perdemos, ser kitsch com orgulho, a obsessão dos fãs pelo Metallica, egoísmo, meia-idade, ficar preso no banheiro morando sozinho, lidar com doenças na família e como funcionam os canais no YouTube. Vem com a gente!
A cantora indie norte-americana Phoebe Bridges twittou que se Trump perdesse a eleição para presidente este ano, ela lançaria uma versão para “Iris”, dos Goo Goo Dolls, e como promessa é dívida ei-la, num belo dueto com a cantora Maggie Rogers.
Melhor que o original, diz aí.
A dupla Body Music, que conta com o Rapture Vito Roccoforte na formação, põe todo mundo pra dançar com o single de “Head in the Clouds”, inspirado no mestre Roy Ayers.
Não dá pra ficar parado!
A musa australiana Kylie Minogue revisita o clássico “September” do Earth Wind & Fire em uma versão ao piano gravada pra BBC.
A escolha da versão foi literal, para reforçar a temático do discaço que ela acabou de lançar, Disco.
Se prepara.
Depois de muita espera, a banda paulistana In Venus começa a mostrar seu segundo álbum, sucessor do ótimo Ruína, lançado em 2017. E Sintoma, anunciado para o início do ano que vem (e já em pré-venda pela gravadora No Gods No Masters), começa a se mostrar com o clipe filmado em VHS da faixa “Ansiedade”, uma das dez novas canções anunciadas, que vai para além da seara gótica que a banda já dominava. Rumo aos extremos noise do pós-punk, a banda entrelaça vocais berrados, riffs frenéticos, afinações dissonantes, bateria bate-estaca e visão distópica de mundo, ecoando uma versão curta e barulhenta de um 2020 claustrofóbico.
Em uma participação remota feita para o programa da radialista inglesa Annie Mac na BBC, Kevin Parker fez seu Tame Impala a revisitar o hit “Say It Right” de Nelly Furtado, em mais uma deliciosa versão ipsis literis que o prodígio australiano faz para hits do R&B contemporâneo.
E ele sempre manda bem…
“Sou cobrada há anos pelo pessoal que acompanha meus lançamentos para disponibilizar também essas gravações antigas”, me explica Lulina por email, sobre a caixa de músicas que começa a lançar nesta sexta-feira 13 (claro) em primeira mão aqui no Trabalho Sujo. “Já prometi tantas vezes organizar isso, que tenho até vergonha de só lançar agora.” A “caixa” é digital, chama-se Pequena Coletânea de Gravações Caseiras e vem no formato playlist no YouTube, que ela torna pública no final desta sexta-feira, e que é praticamente seu próprio Arquivo X.
“Adelaide”, do disco inédito Brebotes
Quem conhece o trabalho da cantora e compositora pernambucana a partir de sua discografia inicial, iniciada com o ótimo Cristalina, que completou dez anos no ano passado, sabe só de metade da história, que ela começa a mostrar para o grande público vinte anos depois de ter começado a gravar. Antes de mudar-se para São Paulo, Lulina era quase um segredo do então jovem indie brasileiro, lançando discos compulsivamente em CD-Rs artesanais que mandava pelo correio. Fazia as capas à mão, desenhadas, que acabavam traduzindo o espírito caseiro das gravações e das letras, que falavam de paixões, alienígenas, uma saudável (pelo menos para mim) obsessão pelo número 13 e de fatos que iam acontecendo em sua vida, de diagnósticos médicos, piadas internas e
“Birigui”, do álbum Abduzida, de 2003
“A ideia de uma coletânea surgiu da minha falta de organização: como tem algumas músicas que estão perdidas e capas com resolução baixa, achei mais fácil fazer uma seleção, aproveitando a imagem de um flyer divertido que o Binho Miranda tinha feito para um show meu. E claro que passar mais tempo em casa também me fez ter vontade de visitar e celebrar essas produções caseiras.” Não me culpo de assumir que era um dos que mais pilhava a artista para retomar essa parte de sua discografia.
“O que você estiver vendo a nuvem forma agora”, do disco Bolhas na Pleura (2004)
Ela começa a mostrar estas músicas pelo seu canal no YouTube. “Essa coletânea não chega a revelar tanta coisa assim de cada disco caseiro, é um passeio relâmpago, que tenta mostrar a diversidade de gravações e temas, indo de músicas mais zoeiras – muitas feitas entre cervejas e amigos em chãos de apartamentos – até as mais significativas para mim, feitas em momentos difíceis como a perda repentina da minha vó.”
“Tangerine girl”, do álbum Abduzida (2003)
Quando pergunto se ela vai lançar alguma coisa inédita, ela já responde de cara: “Tu acabou de me dar uma ideia. Essas primeiras 33 que selecionei aqui são de discos caseiros já lançados. Mas tenho muita gravação caseira antiga que não foi lançada, que faria parte do disco ‘Brebotes’ que nunca chegamos a lançar, então pode ser uma boa resgatar essas antiguidades e jogar como velhas novidades na coletânea também. O legal desse formato de playlist no Youtube é que fica uma coletânea viva, vez por outra vou adicionando coisa lá e quem estiver me seguindo vai ser notificado.”
“Chico”, do álbum Aceitação do 14 (2008)
Quando a pergunto sobre essa volta ao próprio passado, ela viaja: “É sempre muito estranho, porque é literalmente a trilha sonora da minha vida. Morro de rir ouvindo as gravações do disco Abduzida, de 2003, por exemplo, porque era tudo muito espontâneo e novo, era o meu primeiro ano em São Paulo e tudo era motivo para apertar o REC. Já o disco Sangue de ET, de 2005, eu não consigo ouvir sem chorar. Lembro de estar sozinha no meu quarto gravando tudo e a tristeza daquele período transparece na minha voz.”
“Fuga pelo miojo”, do disco Aos 28 anos dei reset na minha vida (2008)
Inevitável perguntar sobre a quarentena, mas ela saca uma surpresa da cartola: “Para minha surpresa, tive a inspiração de compor muitas músicas sobre uma temática que não costumo visitar tanto: o amor. Junto com meu amigo Hurso Ambrifi, vou lançar em breve um disco – já tá pronto – que gravamos em trocas de emails e áudios de celular nessa quarentena, numa tentativa de realizar uma promessa antiga, que surgiu lá em 2016: a de compor e produzir canções inspiradas em um estilo que compartilhamos certa afeição, que é o city pop. E dessa mistura surgiram 11 músicas sobre a temática amorosa e um disco/artista novo, que chamaremos de Hursolina.”
“Clausura da Rima”, do álbum Translúcida (2006)
E não é só isso: “Além disso, também penso talvez em gravar no futuro um disco novo a partir dessa coletânea de gravações caseiras”, divaga. “Meu primeiro disco de estúdio, o Cristalina, de 2009, é uma coletânea das gravações caseiras dos meus primeiros anos compondo. Então, de repente lanço um Cristalina II, ou melhor, um Opaca, caso algumas dessas músicas se destaquem no meu Youtube.” Como não amá-la?
O Morrissey tá com o filme tão queimado nessas de se declarar conservador que precisou jogar baixo pra conseguir voltar a ser assunto, ressuscitando uma gravação ao vivo que fez ao lado do mestre David Bowie do clássico glam “Cosmic Dancer”, do T-Rex, quando Bowie participou do show do ex-vocalista dos Smiths em Los Angeles, em 1991 – a mesma música que o Nick Cave gravou só ao piano para o disco-tributo a Marc Bolan.
A gravação original aconteceu e circula na internet faz tempo, mas só agora chega como single às plataformas digitais – e será lançada em vinil no ano que vem, com uma versão de Morrissey para “That’s Entertainment”, do Jam, embora seu site diga que não é a mesma versão que circula online desde os anos 90.











