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Jornalismo

O Grandaddy já vinha dando pistas em suas redes sociais que viria com novidades em breve e acaba de lançar o primeiro single que anuncia um novo álbum, o primeiro desde a morte do baixista Kevin Garcia, integrante da banda desde os quinze anos de idade, que faleceu logo após o lançamento do disco que marcava o retorno da banda depois de quase uma década sem lançamentos, Last Place. A banda cancelou os shows após a morte do amigo e só retornou às atividades em disco, esticando o luto até durante o período pandêmico, quando o líder da banda Jason Lytle fez lives tocando o clássico disco da banda The Sophtware Slump, lançado no ano 2000, somente ao piano. Esta nova versão animou o grupo para relançar seus discos Under the Western Freeway, The Sophtware Slump e Sumday, mas Lytle só voltou aos palcos em 2022, com um grupo de músicos franceses que batizou de The Lost Machine Orchestra, mas há tempos fala em lançar um disco, “grandioso”, de sua banda, em que abraçaria de vez a country music, gênero musical que ele vê refletido mais na forma de compor do que nos arranjos instrumentais de sua banda. E parece que esse momento chegou. “Watercooler”, lançado nesta quarta, anuncia o lançamento de mais um álbum, chamado de Blu Wav (já em pré-venda), em que ele aproxima os gêneros bluegrass e new wave a partir de alguma conexão que conseguiu imaginar. O novo disco será lançado no dia 16 de fevereiro do ano que vem e o single já escancara o abraço no country com a guitarra pedal-steel abrindo os trabalhos. O single, que fala das relações amorosas em tempos de trabalhos em escritórios, foi lançado com um clipe meio videokê e pode ser assistido abaixo, onde também dá pra ver a capa do disco e a ordem das músicas: Continue

Mais conhecido como o eterno Shaft, o filme que fez o funk explodir nos EUA junto com a onda cinematográfica da blaxploitation, Richard Roundtree morreu nesta terça, vítima de um câncer. Além do filme que faturou o primeiro Oscar dado a uma canção produzida por um negro (a faixa-título, do saudoso Isaac Hayes), Roundtree também era conhecido por ter atuado na clássica série Raízes.

Os Beatles atualizaram seu site com uma imagem de uma fita cassete e um campo para deixar seu email para saber as novidades. Depois de enviado, eles retornam o email com uma contagem regressiva que encerra nesta quinta pela manhã, às 10h de Brasília. Ao que tudo indica é a última música que os Beatles gravaram, que seria lançada nos anos 90 (“Now and Then”), e que voltou à baila graças à inteligência artificial. Tem gente que tem calafrios quando ouve falar da mistura desse tema com arte, mas mais tarde eu falo melhor sobre esse acontecimento…

Sentimental e foda

Foi tão bonito quando Manuela Julian abriu seu primeiro show solo nesta terça-feira no Centro da Terra com a versão que fez para “Conto do Pescador”, funk do MC Menor da VG. Primeiro porque mostrou que basta sua voz – sem nenhum acompanhamento instrumental, ela subiu o tom do funk da pista de dança a um espectro quase etéreo, sobrenatural. Depois porque foi quando a vi cantando sozinha essa mesma música num stories no semestre passado que comecei a pilhá-la para fazer esse show. Depois de algumas conversas, ela falou que faria acompanhada pelo Thales Castanheira ao violão e qual foi a minha surpresa quando vi o palco montado com guitarras, teclados e computador. Mas longe de encher as canções, ela optou por roupas mais minimalistas para seu repertório sentimental (título da apresentação), que além das belas músicas inéditas ainda incluiu versões para as músicas que fez com suas bandas (“Consolação”, da Fernê, e “Música de Término”, “Mesmasmesmasmesmas” e “Mexe Comigo”) e de outros autores, como Ava Rocha (“Você Não Vai Passar”, escrita pelo Negro Leo e com um solo foda do Thales), do Dônica (“Como Eu Queria Voltar”) e da banda argentina El Príncipe Idiota (“Novedades”). Um começo foda para uma carreira promissora.

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Maior satisfação receber o primeiro show solo da Manuela Julian no Centro da Terra nesta terça-feira. Vocalista das bandas Pelados, Fernê e Pequeno Cidadão, ela já vinha mostrando umas músicas novas em suas redes sociais quando perguntei se não tinha um show dela ali. Ela pediu tempo pra pensar e logo depois retornou topando e chamou o compadre Thales Castanheira para acompanhá-la ao violão e apresenta o espetáculo Sentimental, em que mistura suas referências artísticas, composições próprias e alheias aos poucos moldando esta sua nova faceta musical. A apresentação começa pontualmente às 20h e os ingressos estão à venda neste link.

Para reforçar a chegada de seu disco ao vivo em tributo a Bob Dylan, nossa querida Cat Power acaba de anunciar que fará o mesmo show no Canergie Hall, em Nova York, no início do ano que vem (os ingressos começam a ser vendidos na próxima sexta neste link). O show original, gravado em novembro do ano passado, aconteceu no Royal Albert Hall londrino, famosa casa de shows em que Bob Dylan teria gravado um de seus shows mais memoráveis de sua primeira turnê elétrica pelo país, em 1966, quando tornou-se alvo de fãs ortodoxos que achavam um absurdo que seu ídolo tocasse guitarra. O show de Dylan tornou-se famoso graças a um disco pirata que identificava a apresentação como sendo na dita casa de shows de Londres quando, na verdade, ele aconteceu no Free Trade Hall, em Manchester. Cat Power preferiu viver a lenda e recriou o disco imortalizado pelo disco não-oficial (que foi oficializado por Dylan no quarto volume de suas Bootleg Series, no final dos anos 90) e recriou aquele show faixa a faixa que, a partir do anúncio sobre o show em Nova York, deve seguir percorrendo outros teatros clássicos pelo mundo. Chan Marshall aproveitou o anúncio para mostrar mais duas músicas do disco ao vivo que será lançado dia 10 de novembro, nada menos que “Mr. Tambourine Man” e “Like a Rolling Stone” (ouça abaixo). E imagina esse show na Sala São Paulo ou no Municipal… Continue

Mais uma segunda-feira com Paula Rebellato no Centro da Terra e desta vez a noite de suas Ficções Compartilhadas foi ao lado de sua nova banda, Madrugada, tocando pela primeira vez num teatro. O fato do transe krautrock das apresentações do grupo partir do ritmo fez com que a performance ganhasse nova conotação naquele palco, colocando o grupo em uma hipnose central tensa e densa à medida em que o groove ia ganhando corpo. A cozinha formada pelos irmãos Dardenne (capos do selo Selóki) e pelo percussionista Thalin determinava diferentes rumos para o grupo, que fazia com que o noise do teclado de Paula e da guitarra de Raphael Carapia se desprendessem soltos criando camadas de interjeições elétricas que às vezes eram temperados pela fala em loop do baixista ou pelos devaneios solo dos vocais de Paula. Uma noite memorável.

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Que maravilha ver o Cine Joia cheiaço neste domingo para assistir ao show de lançamento do segundo disco dos Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo, Música de Esquecimento. Com abertura do Jonnata Doll e os Garotos Solventes e participações do próprio Jonnata, Negro Leo, Vítor Araújo e Felipe Vaqueiro (vocalista da banda Tangolo Mangos, tocando gaita em “O Pato Vai Ao Brics”, do Leo), o show mostrou como o grupo está cada vez mais coeso musicalmente e como as músicas novas se contrapõem às antigas de forma radical, embora encarada pelo público como uma enorme saudação coletiva. Foi muito bom vê-los tocar a mesma “Idas e Vindas do Amor” que a Sophia me mostrou quando a banda ainda engatinhava cantada por um público completamente inebriado pela sensação indescritível de estar com sua banda favorita, transformando o grupo e os fãs numa pequena comunidade. Isso infelizmente foi posto à prova num incidente tenso, quando um fã subiu no palco e se atirou de cabeça no chão, sem tempo para alguém pudesse segurá-lo, fazendo-o perder os sentidos em um dos grandes momentos do show, quando tocavam “Delícia Luxúria”, do primeiro disco. E a banda, mesmo abalada (era possível ver nos rostos deles), foi precisa ao lidar com a situação: Sophia parou o show na hora, pediu para o público abrir espaço para que os médicos da casa pudessem retirá-lo e logo todos deixaram o palco avisando que dariam um tempo até saber como estava o fã. A banda voltou minutos depois com a notícia de que o enfermo estava melhor (tanto que até voltou para o público no final do show) e encerrou a apresentação tocando duas músicas além do previsto. Foi um momento crítico que podia comprometer ainda mais o show (e até a carreira do grupo), mas eles souberam lidar com a situação como muitos artistas com mais tempo de carreira talvez não soubessem, embora tenha encerrado uma apresentação que estava com a energia muito pra cima num tom acridoce. Felizmente foi só um susto.

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A primeira vez que a palavra “samba” aparece documentada na história do Brasil foi num jornal pernambucano. O primeiro cantor a mudar a forma de cantar antes mesmo da chegada do microfone não foi Mario Reis e sim o alagoano José Luis Rodrigues Calazans, o Jararaca. O grupo Oito Batutas de Pixinguinha e Donga, antes de se vestir de terno e fazer turnês internacionais, fantasiava-se de nordestinos para tocar música regional do Recife e de Salvador, bem como o primeiro grupo de Noel Rosa e Almirante. Estas foram algumas das muitas revelações que Caçapa apresentou na terceira aula do curso História Crítica da Música Brasileira, que estou ministrando aos sábados no Sesc Pinheiros. A aula desta semana foi sobre música nordestina – ou, como se referia no começo do século passado, nortista – e o professor preferiu se debruçar nas três primeiras décadas do século 20 para mostrar como esta sonoridade ajudou a consolidar a música popular como sucesso de massas e a indústria fonográfica como plataforma para esta mesma música – e porque ninguém mais fala sobre isso hoje em dia. No próximo sábado recebo Pérola Mathias para falarmos sobre a mulher na história da música brasileira. Até lá!

Luiza Villa encara o palco em que estará à frente em menos de dez dias, celebrando as canções de Joni Mitchell no espetáculo Both Sides Now, que vamos apresentar no Belas Artes. Os ingressos para este primeiro show já estão esgotados, mas deveremos ter novidades em breve.

E tá ficando bonito, saca só: Continue