
Foto: Ariana Lima
“A pista. É pista sempre”, responde, sem piscar, Bárbara Eugenia quando peço para que ela defina a personalidade que finalmente consagra em 2021. Djane Fonda é o pseudônimo que criou para usar em suas discotecagens e que agora transforma-se em uma persona que ela apresenta em primeira mão no Trabalho Sujo, quando mostra seu single de estreia, “Hold Me Now”, que pode ser ouvido abaixo, com toda a glória de sintetizadores marcando linhas de baixo, beats e oscilações artificiais que contrastam com o vocal sussurrado da cantora carioca. “Djane Fonda é uma parte de mim que aparece de vez em quando há anos. Ela aparece quando vou discotecar, aparece quando canto no carnaval, quando crio sons mais experimentais. Animada, curiosa, nostálgica, sem medo de ser feliz. Bem ela.”

Felizes são os australianos, que já estão assistindo shows ao vivo mesmo depois de toda esse merdeiro do coronavírus. Ainda está longe de chegarmos ao nível ideal, mas graças às medidas de segurança adotadas pelo governo local, eles podem contar com esta apresentação ao vivo do Tame Impala revisitando seu primeiro álbum, Innerspearker, na íntegra no mesmo estúdio em que o disco foi gravado, o Wave House, na pequena cidade litorânea de Yallingup, com vista pro mar. O resultado é esta maravilha abaixo:

E esse mix de dub que os Chemical Brothers fizeram no mês passado. Eles fizeram uma parceria com a rádio Sonos, serviço de streaming da marca que fabrica amplificadores, e começaram sua Radio Chemical dissecando esta técnica jamaicana que inventou o conceito de remix entre os anos 60 e os anos 70, ampliando ainda mais o conceito de psicodelia, enfileirando papas da criação como King Tubby, Sly & Robbie, Dennis Bovell e Augustus Pablo com bambas deste século como Culture e Scientist – e muito mais…
Saca só. Continue

Foto: Meredith Adelaide
“A essa altura, ter razão não me traz alívio algum, não me traz conforto algum”, cantarola, meio que lamentando, Jair Naves em mais um single que lança antes de seu próximo álbum. A melancólica “Vai” composta e tocada por Jair apenas ao violão ainda conta com acréscimos sonoros, como cordas, piano, efeitos, baixo e sintetizadores, mas é uma música essencialmente solitária e, apesar de descrever uma tensão em um relacionamento, também reflete o estranho momento político e social que atravessamos, como é característico de sua lida. Ele antecipou “Vai”, que será lançada nesta sexta nas plataformas digitais, em primeira mão para o Trabalho Sujo, ouça abaixo. É o segundo single que ele lança em 2021, depois de “Todo Meu Empenho“, que lançou em seu aniversário, no início do ano.
Continue

Foto: Biel Basile
Já fiz tanta coisa com essa que das minhas bandas novas favoritas que nem parece que ela ainda não lançou disco. Mas o fato é que nesta quinta-feira o mundo poderá conhecer o primeiro disco da Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo, que conheço desde antes de ser gravado, em 2019, e pude ouvi-lo ainda no Estúdio Canoa, no último dia do grupo no estúdio, com a presença da amiga e produtora do disco Ana Frango Elétrico. Formada pela própria Sophia, vocalista, guitarrista e frontwoman do quarteto, ao lado de um trio de malucos que se rotulava anarcogospel (formada pelos multiinstrumentistas Téo Serson no baixo, Theo Ceccato na bateria e Vicente Tassara nos teclados e guitarra), a banda passeia entre a vanguarda do rock, o pop mais doce e experimentalismos da música brasileira fugindo de clichês ao mesmo tempo em que os utilizam de forma irônica. Todos estão na casa dos vinte e poucos anos e finalmente podem mostrar seu álbum de estreia para o mundo, que eles dissecam faixa a faixa exclusivamente para o Trabalho Sujo, além de antecipar a capa em primeira mão.
Saca só: Continue

Depois de parir seu Rastilho a partir de um acidente de skate, Kiko Dinucci reencontra a velha prancha ao convidar integrantes do coletivo Velô Skatearte para fazer o clipe de “Febre do Rato”, que ele apresenta em primeira mão aqui no Trabalho Sujo, bem como conta a história de como o clipe aconteceu. Veja abaixo:
Mais um mestre que 2021 carrega: o pianista e tecladista Chuck Corea, que começou sua carreira tocando em alguns dos álbuns mais clássicos de Miles Davis (como In a Silent Way e o catártico Bitches Brew) e, ao lado do mestre, ajudou a fazer a transição do jazz dos anos 70 para os anos 80, estabelecendo uma vertente do gênero que muitos torcem o nariz mas que tem sua importância, o fusion. Antes disso, tocou no clássico grupo Return to Forever, além de tocar com alguns dos principais nomes do gênero. Ele morreu nesta terça, após ter descoberto um raro tipo de câncer que se desenvolveu muito rápido, como disse sua família em uma nota.
A morte de Mary Wilson, nesta quarta-feira, enterra de vez o sonho das Supremes, principal grupo vocal dos anos 60 (e a concorrência não era fraca…). Mesmo ela não sendo a principal estrela do grupo – trunfo que ficou para Diana Ross, que acabou desconfigurando o trio a favor de seu estrelato -, ela foi uma de suas fundadoras e era a alma do trio, com sua voz suave e aveludada, que funcionava como sua presença na banda: era a cola que segurava tanto os três vocais quanto as três estrelas no estúdio quando a situação ficava tensa. Sem contar que era maravilhosa…
O ator canadense Christopher Plummer, o eterno Barão Von Trapp, do filme A Noviça Rebelde, morreu nesta quinta-feira, em paz, com sua família, e deixando um legado que lhe fez viver personagens de Shakespeare e um general Klingon (no sexto Jornada nas Estrelas), além de atuar em clássicos modernos como O Homem Que Queria Ser Rei, Sobre Facas e Segredos, Malcolm X, Os 12 Macacos, entre vários outros.
Nem dá para medir o legado de Fernando Barbosa, o fundador dos Barbatuques, que nos deixou nesta quinta-feira. Tido como um mestre por seus pares, ele criou o grupo a partir do grupo Auê, ainda nos anos 90, quando plantou a semente de sua principal obra, o grupo de percussão corporal Barbatuques – o nome vem de “batuques do Barba”, como era mais conhecido. Não o conheci pessoalmente, mas sempre o via em alguns shows e eventos e dava para ver o quanto era querido e o quanto fará falta.



