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Jornalismo


(Foto: Ariel Martini)

O tradicional festival pernambucano Rec Beat volta ao carnaval recifense depois de anos longe de seu ninho, no Cais da Alfândega. É a vigésima sétima edição do festival, que acontece gratuitamente durante o Carnaval, e é a primeira realizada após a pandemia. O festival pernambucano, como todos os outros, se virou de outras formas neste período, fazendo versões online e expandindo a marca por outras fronteiras e o Rec Beat começou o ano acontecendo em Salvador, onde realizou sua primeira volta aos eventos presenciais em janeiro deste ano, e agora no carnaval de 2023, volta ao seu berço num evento que acontece entre os dias 18 e 21 de fevereiro, com mais de vinte atrações nacionais e internacionais. E antes de anunciar todas as atrações brasileiras, o festival mostra quem são os gringos que trará para o Recife, divulgandos em primeira mão aqui no Trabalho Sujo.

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Em mais um encontro bissexto deste aparelho chamado Aparelho, cogitamos uma ideia revolucionária para mudar a forma como reconstruímos o Brasil. E tudo a partir da infelizmente incansável cruzada de pessoas que gostam de falar mal do Carnaval – motivados pelo desgosto alheio, propomos um carnaval interminável, constante e para além do calendário, mas com regras específicas para que não ultrapasse os cinco dias de folia. Como? Entre elocubrações sobre os Trapalhões, os tabajara e um seriado sobre prisão que mudou a história da TV, propomos a primeira intenção do Aparelho em 2023. Propomos ou profetizamos?

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Morreu o pai do surrealismo na moda.

Mais do que uma das principais jornalistas da TV Brasil, Gloria Maria, que faleceu no início desta quarta-feira, era um ícone cultural.

O ano começou em alto nível com a primeira apresentação musical no Centro da Terra neste início de fevereiro. Em rápida passagem pelo Brasil, Carla Boregas e Maurício Takara, que agora residem em Berlim, mostraram a fluidez hipnótica de seu Grande Massa D’Água ao lado da flautista Marina Cyrino, brasileira que foram conhecer em Berlim. Entre percusões hetéreas, sopros percussivos e drones eletrônicos, os três percorreram diferentes áreas do inconsciente coletivo enquanto deformavam nossa noção de tempo em um espetáculo ao mesmo tempo cru e sofisticado. Um jeito fantástico de começar um ano que já começa quente.

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Foto: Howard Barlow

De todos seus discípulos do Television, o Wilco talvez seja a banda que mais explicitou a importância do grupo liderado pelo falecido Tom Verlaine em sua obra, tanto que o escalou para tocar em uma das edições de seu próprio festival, em 2017. Mas o tributo que o líder do Wilco, Jeff Tweedy, faz para o recém-falecido mestre vai além das palavras que exaltam seu papel como guitarrista e vem na forma de uma versão simples e direta para uma canção incrível, “Venus”, que ele postou em seu blog, Starship Casual. Ouça abaixo: Continue

Mais uma vez colaboro com mais uma edição impressa da revista Rolling Stone. Depois do especial sobre os 40 anos do rock dos anos 80, desta vez a efeméride é a celebração dos 80 anos da geração nascida em 1942. Na capa da revista, quatro dos principais pilares da música brasileira – Gilberto Gil, Paulinho da Viola, Milton Nascimento e Caetano Veloso – e suas obras dissecadas a partir de suas discografias – e colaborei ao lado de três compadres, cada um encarregado de reluzir a grandeza de seus perfilados através de seus álbuns. Assim, Pablo Miyazwa envereda pela obra de Milton Nascimento, Pedro Só embarca na carreira de Paulinho da Viola e Marcelo Ferla disseca a discografia de Caetano Veloso. Coube a mim deschavar a gigantesca coleção de discos (são SETENTA E TRÊS DISCOS) do maior artista vivo no Brasil hoje, o mestre Gilberto Gil, e ainda repercuti sua importância com dois devotos conterrâneos, Russo Passapusso e Josyara. Só esses trabalhos já tornam a edição suculenta, mas como se não bastasse ainda há pérolas do arquivo da revista – inclusive do tempo em que não era publicada no Brasil – reverenciando outros artistas nascidos neste ano mágico: duas entrevistas com Paul McCartney feitas nos anos 70 (uma antes de ele sair dos Beatles), um perfil de Aretha Franklin feito em 1974, um tributo a Tim Maia, uma reportagem sobre os planos de Jimi Hendrix antes de morrer e uma entrevista com Brian Wilson feita em 2015. A nova Rolling Stone tem uma tiragem baixa e só está às vendas nas bancas do Rio de Janeiro e de São Paulo – é praticamente uma edição de colecionador. E só corrobora minha tese de que a revista é o vinil do jornalismo (e que as redes sociais são o seu Napster), mas isso é outro papo…

Dois ícones da cultura do final do século 20, Patti Smith e Tom Verlaine foram pilares da cena independente nova-iorquina que forjou a cultura punk e ajudou a cidade norte-americana a reerguer-se culturalmente nas três últimas décadas do século. Mais do que isso: eram ídolos do rock e heróis da poesia, reverberavam dois cânones aparentemente alheios na mesma frequência e o que era improvável nos anos 70 tornou-se um cânone em si mesmo, dando uma sobrevida ao rock e alimentando corações e mentes de gerações posteriores e em inúmeras cidades pelo planeta. Patti Smith foi convidada pela revista New Yorker para escrever sobre o amigo íntimo que perdeu esta semana e abaixo traduzo o texto que a poeta escreveu para o guitarrista: Continue

Dando continuidade ao encontro realizado no fim do ano passado, quando me reuni com dois dos principais nomes do jornalismo musical brasileiro atualmente, Roberta Martinelli e Marcelo Costa, para discutir como andava tanto o jornalismo quanto a música ao final de 2022, nós três voltamos no início de 2023 para conversar sobre estes dois temas e sua intersecção, área em que atuam, na perspectiva do novo ano. E se no primeiro encontro falamos das dificuldades que pairavam sobre estes meios em tempos de pandemia e bolsonarismo, agora é hora de olhar para frente e repensar sobre como o papel tanto da música quanto do jornalismo são fundamentais para a reconstrução da república. Neste novo encontro conversamos sobre como o renascimento do Ministério da Cultura é crucial para restabelecer os rumos de um horizonte próximo ao país bem como a renascença do jornalismo independente ajuda a manter esse horizonte sempre nítido. E seguimos abordando questões cruciais para estes meios, como a descoberta de novos artistas e repórteres, a formação de novos jornalistas, ouvintes e espectadores, a consolidação de nichos cada vez mais densos, a manutenção da profissão em uma era cada vez mais fluida, como manter o teor crítico nas avaliações culturais e a consciência de uma nova fase em relação à importância da cultura para nosso país. O encontro acontece no dia 8 de fevereiro, das 19h30 às 21h30, na Publica (Rua Sebastião Pereira, 110, Vila Buarque), e as inscrições podem ser feitas neste link.

Juçara Marçal fez aniversário dia 27 (essa data mágica que também viu o nascimento de Alessandra Leão) e puxou sua comemoração trazendo o melhor show do ano passado para o ano novo neste domingo, no Sesc Bom Retiro. A parede pós-moderna erguida pelo choque inexorável da linguagem eletrônica com a energia pós-punk segue ainda mais sólida, à medida em que cada vez mais o som da apresentação ganha mais volume. Assim, a nuvem de pulsos elétricos conduzida por Kiko Dinucci, Alana Ananias e Marcelo Cabral – todos percorrendo timbres analógicos e eletrônicos, às vezes na mesma música – coloca Juçara no topo do céu, cavalgando o peso atmosférico como uma entidade sobrenatural: impiedosa e implacável ainda que atenta e clemente. Aliada às canções de seu Delta Estácio Blues, ela eletrifica o público enquanto o conquista com sua voz inabalável, crua ou distorcida por efeitos ou encorpada pelo soco sonoro de seus três amigos. Agora sim dá pra dizer que 2023 começou.

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