Trabalho Sujo - Home

Jornalismo

Um outro Leminski

Linda a apresentação que Bruna Lucchesi fez nesta terça-feira no Centro da Terra celebrando uma das facetas menos conhecidas de Paulo Leminski – a de compositor de canções. Ela passeou pelo cancioneiro do lendário poeta curitibano como parte de uma pesquisa que ela faz há anos sobre sua obra e deu uma nova roupagem a canções quase desconhecidas que encantaram o público desde o início do espetáculo, que ainda contou com a participação remota de Angélica Freitas e presencial do grande Rubi.

Assista aqui. Continue

É a primeira vez que a curitibana Bruna Lucchesi sobe no palco do Centro da Terra nesta terça-feira, num espetáculo dedicado à obra do conterrâneo Paulo Leminski, que além de poeta, tradutor e ensaísta, também compunha suas canções. Quem Faz Amor Faz Barulho é um mergulho nesta faceta deste artista, em busca da utopia que ele almejada em suas obras. A apresentação, que Bruna faz ao lado dos músicos Cecília Collaço, Ivan Gomes, Paulo Ohana e Vitor Wutzki, também terá a participação da poeta Angélica Freitas O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos podem ser comprados antecipadamente aqui.

Lá vem a Lana

Lana Del Rey deu início aos trabalhos de seu próximo álbum, que tem o maravilhoso título de Did You Know That There’s a Tunnel Under Ocean Blvd, soltando uma faixa nova sem aviso prévio. “A&W” parece fazer alusão a uma rede de restaurantes, mas logo explica suas iniciais quando, no refrão, depois de citações à infância e à adolescência clama que a faixa é sobre “the experiеnce of being an american whore”. E num épico de sete minutos, ela mistura todas as referências que gosta num ousado exercício de concisão – são raros os momentos em que a dramática Lana Del Rey mistura suas baladaças conduzidas ao piano com beats eletrônicos e em “A&W” ela faz isso com maestria, dividindo a canção em dois atos: a primeira parte é uma ode trágica sobre os próprios erros e como superá-los, entrelaçando seus próprios vocais com teclas vigilantes, que a ajudam a cantar sobre o próprio corpo, a própria idade, estupro e chamar deus de charlatão, pesando o clima até mais da metade da canção, que é quando entram os beats. O clima vai ficando ainda mais tenso, com ruídos aleatórios criando um clima de pesadelo, que a própria Lana quebra assim que começa a rimar frases repetidas misturadas com o título de um hit esquecido de doo-wop “Shimmy Shimmy Ko-Ko Bop”. A música ganha ares de gangsta rap com uma ambiguidade trap que apenas complementa o começo da canção, em vez contradizê-la. E se a primeira música que ela mostra do disco é essa, imagina o que vem por aí… Não custa lembrar que o disco sai em março e ela tá vindo pro Brasil no fim de maio.

Ouça aqui. Continue

O décimo sétimo álbum do Yo La Tengo, This Stupid World, lançado na semana passada, foi gravado em 2022 quando Ira Kaplan, Georgia Hubley e James McNew finalmente puderam voltar a ensaiar, tocar e compor juntos depois do período de isolamento pandêmico. O reencontro musical dos três no estúdio exprimiu a essência das qualidades dessa pedra fundamental do indie norte-americano, em que o trio equilibra doces baladas contemplativas e pilares de microfonia erguidos sobre uma base hipnótica sintetizando toda uma tradição roqueira nova-iorquina que começa no Velvet Underground, passa pelo Sonic Youth e Galaxie 500 e deságua na cena dos Strokes do começo do século. E no meio do transe interminável de faixas longas (como “Sinatra Drive Breakdown”, a faixa-título e “Miles Away”) e curtas (como “Until It Happens”, “Fallout”, “Tonight’s Episode”) as vozes dos três surgem como observadores desta longa tradição: o vocal mole e manhoso de Ira, o quieto e assertivo de Georgia e o quase vago de James, costurando canções que por vezes são delicadas como um dedilhado de violão (“Aselestine”) e outras explosivas como uma descarga elétrica (“Brain Capers” e a faixa-título), mas que na maioria das vezes unem essas duas facetas, neste que é o melhor disco da banda desde seu último clássico, And Then Nothing Turned Itself Inside-Out, lançado há exatos 22 anos. O que nos leva a uma zona de conforto muito específica, que parece ruidosa e áspera para quem ouve de fora, mas que conta com um calor humano que está no coração da obra da banda.

Vai na fé. Continue

Amplitude modulada

Começando a semana na sintonia que Chico Bernardes preparou para o público do Centro da Terra, canalizando, no espetáculo Rádio Chico, frequências que fizeram sua cabeça de compositor, enquanto alternava estas influências com suas próprias canções. E entre versões para músicas de Beatles, Duncan Jones, Fleet Foxes, Fairpoirt Convention via Nina Simone, David Crosby e duas músicas de seu segundo disco (ainda com títulos provisórios, “Ode” e “Nesse Exato Instante”), que prometeu lançar ainda este ano, encerrou a apresentação canalizando um Gil clássico: “Eu Preciso Aprender a Só Ser”. Show lindão.

Assista aqui. Continue

Maior satisfação começar a semana no Centro da Terra com uma apresentação do Chico Bernardes, que além de repassar músicas de seu disco de estreia e pinçar algumas músicas novas e versões, ainda trará músicas inéditas que poderão fazer parte de seu segundo disco. O espetáculo Rádio Chico começa pontualmente às 20h e os ingressos – que estão quase no fim – podem ser comprados neste link.

Um dos trios mais importantes da música contemporânea não é mais um trio: um dos fundadores do De La Soul, David “Trugoy the Dove” Jolicoeur, que também cantava nos Gorillaz, nos deixou neste domingo.

Corre pra ver no cinema o documentário Andança – Os Encontros e as Memórias de Beth Carvalho, que pode parecer mais uma biografia levada à telona a partir de registros inéditos e depoimentos de compadres da artista (o que já seria ótimo), mas é muito mais do que isso. Logo de cara, somos apresentados a uma Beth Carvalho que não conhecíamos – uma pesquisadora e arquivista de tudo aquilo que lhe emocionava. O tempo todo munida de uma câmera de vídeo ou de um gravador portátil (quando não eram os dois ao mesmo tempo), ela se revela uma autobiógrafa consciente não apenas de sua importância mas do trabalho que faz como agente cultural de seu tempo. O documentário de Pedro Bronz deixa as convenções cronológicas em segundo plano para nos apresentar não só a carreira de uma intérprete ímpar de nossa música como a forma como sua cabeça e coração funcionavam a partir de seus próprios registros, boa parte deles em vídeo. E daí que são velhos VHS e gravações em baixa resolução de telejornais locais do Rio de Janeiro? A verdadeira alta definição está na forma como Beth chegava em seus objetos de estudo, que logo tornavam-se seus camaradas, no momento exato, ouvindo em primeira mão pérolas de Cartola e Nelson Cavaquinho e tirando a cena do bloco do Cacique de Ramos do literal fundo de quintal para a história fonográfica do país, apresentando ao resto do Rio de Janeiro – e depois para o Brasil – nomes como Zeca Pagodinho, Arlindo Cruz, Jorge Aragão e várias outras lendas do samba, no momento em que eles floresciam. E ela não separava seu ativismo musical do político, batendo sempre em várias questões que são discutidas até hoje, além de estar presente em momentos decisivos da história do país – ao lado de personalidades que é melhor nem comentar para manter a surpresa. O filme ergue um pedestal para sua musa a partir das cenas, diálogos, versos, canções, rodas e shows que ela conseguiu presenciar e amplificar, mostrando que a importância de Beth Carvalho para a cultura brasileira ainda nem começou a ser medida. E prepare-se para chorar, porque é muita emoção.
Assista ao trailer. Continue

Eu e André Graciotti retomamos o Cine Ensaio em 2023 repassando os filmes e séries que mais gostamos no ano passado. Um ano fraco do ponto de vista audiovisual, em que alguns filmes e autores se destacaram por tentar sair da mesmice dos últimos anos, mesmo que estas experiências não tragam filmes memoráveis, mas ensine o público a fugir da forma como o cinema comercial vinha tratando a audiência na última década. Mesmo assim, destacamos filmes e séries que nos surpreenderam – entre azarões e obras-primas – mostrando que há um luz no horizonte blockbuster que parecia tornar tudo previsível.

Assista aqui. Continue

Na primeira edição do meu programa sobre quadrinhos de 2023, finalmente trago o papo com o grande Sidney Gusman, que desde os anos 90 espalha a palavra sobre esta linguagem seja colaborando nos principais veículos do Brasil, seja no clássico site Universo HQ ou à frente da transformação que proporcionou na Maurício de Sousa Produções, onde criou as graphic novels inspiradas na turma da Mônica, aproveitando esse que é um dos melhores momentos dos quadrinhos brasileiros de todos os tempos. E começa a falar sobre seu primeiro quadrinho… Pois é…

Assista aqui. Continue