
Marcelo Cabral @ Centro da Terra (26.4.2022)
Dá pra levar um show no bolso como se fosse um amuleto? Um pequeno portamoedas que bastaria ser aberto por alguns segundos para revelar camadas de microfonia e silêncio, efeitos e canções, ruído e calmaria, melodia e drone, tudo vindo de uma vez só como o ardor de uma pimenta em conserva, o gosto forte de um bitter, um tempero refogado, um bálsamo envolvente. Na segunda apresentação de seu Motor Elétrico no Centro da Terra, ao lado de dois navegadores distintos e complementares Maria Beraldo e Guilherme Held, Marcelo Cabral mais uma vez nos conduziu a um transe de sensações díspares, antagônicas e docemente complementares, espelho e abismo, cosmo e colo, luz e trevas, numa apresentação que podia durar horas. Ou caber no bolso, para abrir sempre que precisássemos sentir aquilo tudo de novo.
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Mesmo em tempos de streaming, o LP vem se consolidando como um dos principais formatos da indústria fonográfica, ultrapassando inclusive, em 2021, o CD (que, por sua vez aumentou suas vendas pela primeira vez em quase 20 anos). Conversei com o João Marcello Bôscoli e o Rafael Ramos em matéria que escrevi para o caderno EU& do Valor Econômico, que pode ser lida aqui.

Ainda sem previsão de lançar seu primeiro disco, o cantor e compositor paulistano Pedro Bienemann lança o clipe de “Ultravioleta”, seu novo single, em primeira mão no Trabalho Sujo. Ele lembra que sonhou com a letra da música ao acordar ouvindo “Babá Alapalá” de Gilberto Gil e ser conduzido a compor a canção cujo clipe acabou materializando a ideia que teve no sonho. “Liguei para meu irmão (o diretor João Paulo Bienemann), contando a história e dizendo que isso poderia dar num clipe, e ele e Manoela Aliperti abraçaram a ideia”, lembra o autor da canção. “Começamos a desenvolver um roteiro a partir daí, com muitos colaboradores e colaboradoras e sem nenhum real no bolso, e conseguimos uma estrutura mínima para realizar o projeto com o apoio de uma produtora audiovisual, a Daquela Produtora, que nos cedeu uma câmera e um computador para que pudéssemos editar o clipe”. O clipe conta com a presença de alguns colaboradores de Pedro, como o baterista Pedro Lacerda, o tecladista Leon Perez e a cantora Yma, que assina a direção de arte do clipe. “‘Ultravioleta’ é um devaneio em um dia de calor, sol e suor, é tato e cheiro de pele quente com água doce de rio, sem margem”, continua Pedro, “é o trabalho com mais mãos que já fiz, um aprendizado gigante e um processo lindo e enorme na minha carreira como artista solo.” Assista ao clipe abaixo: Continue

(Foto: Thaysa Paulo/Divulgação)
A dupla fluminense Gorduratrans finalmente sai do casulo criativo que se meteu depois de lançar seu segundo álbum, Paroxismos, em 2017. “Demos uma pausa nas atividades da banda num período crítico pra nós, ali pelo final de 2018”, lembra o guitarrista e vocalista Felipe Aguiar. “Nossos outros trampos consumindo todo nosso tempo, desânimo, Luiz saindo da Baixada Fluminense até a Gávea, na zona sul, todo dia de manhã pra tentar terminar a faculdade. Começamos a compor algumas coisas ainda em 2019 e logo veio a pandemia. Também não tínhamos a infraestrutura pra produzir um trampo novo com a cara que queríamos e foi a soma dessas coisas todas que fez com que passasse tanto tempo até conseguirmos as condições ideais pra produzir e gravar nosso terceiro disco.”
A primeira amostra é “Enterro dos Ossos”, que traz a dupla, que é um dos melhores grupos de indie rock brasileiro atualmente, apontando para um caminho ainda mais tenso e dolorido que o que já percorria – com a inclusão de um novo adjetivo: pesado. “Essa música carrega muito a nossa essência, da linguagem e da nossa identidade sonora até aqui”, continua o guitarrista. “Achamos que ela seria um bom primeiro single por ter esse espírito jovem que sempre foi uma das assinaturas da banda, tem suas diferenças, como a temática, mas, ao mesmo tempo, dá pra visualizar muito do nosso primeiro disco ali.” Assista abaixo: Continue

(Foto: Bel Gandolfo/divulgação)
Uma felicidade encontrar todo o grupo Glue Trip na segunda segunda-feira da temporada que Zé Nigro está fazendo no Centro da Terra – exatamente na mesma semana em que a banda liderada pelo paraibano Lucas Moura começa a mostrar seu novo disco, Nada Tropical, que será lançado ainda neste semestre. Nigro foi o produtor do novo disco do grupo psicodélico, que depois de uma temporada urbana e eletrônica do disco Sea at Night, de 2018, retoma seu calor latino-americano em Nada Tropical, cujos trabalhos são abertos a partir desta quinta-feira quando o single “Lazy Dayz”, que foi arranjado por ninguém menos que Arthur Verocai, chega às plataformas digitais. O grupo antecipa a colaboração histórica em primeira mão aqui no Trabalho Sujo, ouça abaixo: Continue

(Foto: Victor Caldas)
Conhecidos na cena musical paulistana por integrar o grupo Música de Selvagem e trabalhos com outros artistas, o trompetista Amílcar Rodrigues e o baterista Guilherme Marques reuniram forças e a experiência de quinze anos trabalhando com improviso livre num duo que mostra a cara pela primeira vez aqui no Trabalho Sujo, onde eles lançam em primeira mão o primeiro single do projeto chamado (i)miscível, que conta com a participação de Juçara Marçal na faixa “Experimento_14_17.17”. Assista abaixo: Continue

(Foto: Wendey Meyer)
Bons ventos do Rio trazem mais um disco promissor vindo do outro lado da Dutra. Raquel Dimantas toca baixo e synth nas bandas dos compadres Marcelo Callado e Thiago Nassif e está preparando o lançamento de seu primeiro álbum 8 Hits! para ser lançado este mês e dá o ar de sua graça em primeira mão para o Trabalho Sujo (assista abaixo), onde estreia o clipe do primeiro single, “Lunares”, que chega às plataformas digitais nesta quarta-feira. “Foram mil camadas e texturas adicionadas ao longo de três anos de produção, trabalhado junto com os três produtores Jonas Sá, Thiago Nassif e Bruno di Lullo”, ela me explica por email. “No início, imaginei que ele seria um álbum instrumental, mas ele foi ganhando novas formas, textos, cores e canais. Acredito que seja um disco de personagens – cada faixa tem um gosto.” E o primeiro gosto é justamente a lesada “Lunares”, que lentamente abre as cortinas deste espetáculo tropicalista à medida em que mostra o caminho torto e psicodélico para onde o disco vai. Continue

“Parece OK, pode ser que seja legal”, desliza Lau e Eu no refrão de “OK, Legal”, primeiro single de seu novo trabalho, que tira a melancolia da fase anterior para abraçar uma groovezeira perfeita para esse calor do verão de 2022. “Lembro de uma conversa que tivemos em 2019 numa sorveteria em Perdizes que eu havia comentado que tava entrando em uma vibe R&B, e soul”, ele me explica por email a partir de um papo que tivemos sobre shows no Centro da Terra em 2020. “Essa nova onda começou com a paixão por gêneros e artistas mais groovantes, mas por outro lado já fazia um tempo que não tava mais curtindo os temas e as repetições das minhas composições. Precisava dar férias a esse ‘eu adolescente’ que escreve músicas tristes”, explica, antes de mostrar a música nova, que será lançada nesta sexta, em primeira mão aqui no Trabalho Sujo.
Ouça abaixo. Continue

Foto: Mariana Garcia
O indie-mor Fabio Bianchini, guitarrista do clássico Superbug, recepciona esse não-Carnaval com a marchinha twee “Carnaval de Novo”, que ele lança com seu nome solo Gambitos em primeira mão aqui no Trabalho Sujo. “‘Carnaval de Novo’, na real, é uma música de carnaval que não sabe o que vai ser do carnaval, né?”, ele me explica por email. “A gente tá botando ela na rua, é sexta de manhã e ninguém sabe ainda o que vai ser do sábado aqui em Florianópolis, imagino que em mais um monte de lugar também esteja assim.” Ouça abaixo. Continue

“Uma música de acolhimento”, é assim que Fernanda Takai define “Amor em Tempos de Cólera”, parceria que fez à distância com Virginie Boutaud, ex-vocalista do Metrô. A música foi composta pelas duas antes da pandemia, mas só foi lançada em 2020, no álbum Será que você vai acreditar?, à sombra dos dias pesados que ainda atravessamos, e funciona como um raio de sol nesses dias tão tristes (mesmo com seu climinha de chuva). E agora ela ganha um clipe que estreia em primeira mão no Trabalho Sujo (assista abaixo). “Finalmente temos imagens que celebram a inédita parceria que fiz com Virginie”, comemora Fernanda. “A canção foi feita à distância entre Belo Horizonte e Saint Orens no fim de 2019 e lançada em julho de 2020 e o diretor Rodolfo Magalhães nos cedeu imagens que ele fez em sua terra-natal, Muzambinho, em Minas Gerais, enquanto Dudi Polonis editou e animou de forma muito poética. Acho que o vídeo conseguiu trazer toda a suavidade da composição que tenta ser um abraço nesses tempos brutos em que vivemos”. Fernanda lança finalmente o disco de dois anos atrás ao vivo neste fim de semana, quando se apresenta nos dias 25, 26 e 27 de fevereiro no Sesc Vila Mariana (mais informações aqui).
Assista ao clipe aqui. Continue