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O Campo Magnético que batizou o encontro de Maurício Takara e Guizado nesta quarta-feira no Centro da Terra é o da convivência artística. Os dois já participaram juntos de inúmeros shows e projetos, tocando seus próprios trabalhos ou em bandas de outros artistas numa amizade que atravessa décadas. Mas os dois nunca tinham estado sozinhos num mesmo espaço para criar juntos e entraram numa sintonia fina cada um com suas ferramentas: Takara disparando samples, bases eletrônicas, puxando percussão e até um trumpete piccolo, enquanto Guizado conduziu a partir de seu instrumento, o trumpete, processado por um computador, em que adicionava efeitos, e também sampleando a própria voz. Foram duas longas imersões em que a conexão musical dos dois era quase palpável.

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Dois instrumentistas gigantes, cada um deles ja dono de uma temporada inteira no Centro da Terra, retornam ao palco do Sumaré para um encontro único. Maurício Takara e Guizado juntam seus instrumentos-base, a bateria e o trompete, respectivamente, a pedais, plugins e synths para desconstruir canções dos respectivos repertórios nesta quarta-feira, na apresentação Campo Magnético. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos podem ser comprados neste link.

Imagine que um dos nomes que você cresceu escutando resolve gravar um disco só com as músicas de sua banda? Essa sensação estranha e única pode ser sentida pelos quatro integrantes do R.E.M. descobriram que Micky Dolenz, o único sobrevivente dos quatro Monkees, lançaria um EP dedicado apenas à obra do seminal quarteto indie norte-americano. Didaticamente batizado de Dolenz Sings R.E.M., o disco, que já está em pré-venda, será lançado no dia 3 de novembro e para anunciar o álbum, Dolenz liberou uma das quatro músicas que regravou, “Shiny Happy People” (ouça abaixo), que entrará no disco ao lado de “Radio Free Europe”, “Man on the Moon” e “Leaving New York” Continue

Que tal acordar com Ana Frango Elétrico? Essa “Insista em Mim” que a carioca lançou na madrugada desta terça pra quarta-feira é outro sinal que seu próximo disco, Me Chama de Gato Que Eu Sou Sua, parece ser tudo isso que promete: uma balada funky com toques de Lincoln Olivetti (sim, sopros e cordas!) sobre a paixão física e as pequenas coisas que tornam outra pessoa tão singular. E fecha com esse verso tão singelo e intenso ao mesmo tempo: “Pegue o que quiser de mim, me plante agora em seu jardim e se eu murchar me regue, insista em mim”. O novo single é um contraponto perfeito a “Electric Fish“, groovezeira que abre o disco que sai no mês que vem em inglês, e vem acompanhado desse belo clipe feito por Marina Zabenzi. Não custa lembrar que, além de músicas com títulos como “Nuvem Vermelha”, “Coisa Maluca”, “Boy of Stranger Things” e “Camelo Azul”, o disco ainda traz versões para “Debaixo do Pano” da Sophia Chablau e “Dr. Sabe Tudo” do Rubinho Jacobina (ou será que é a do Dilermando Reis?), como dá pra ver no Bandcamp da Ana. Isso só aumenta ainda mais a expectativa em relação ao disco. Veja o clipe e a ordem das músicas abaixo: Continue

Finalmente vi Barbie, mas atropelo o comentário sobre o filme de Greta Gerwig para falar sobre o novo filme de Kleber Mendonça Filho, que Dodô usa como gancho para falar sobre museus e acervos – neste caso, pessoais. E em mais um DM emotivo, mergulhamos na coleção de lembranças que cada um de nós carrega e usa como autoficção para definir quem somos, cada um de nós. Isso é deixa para mergulharmos em amizades que nos deixaram, como a do meu querido irmão Fred Leal – que Dodô só conheceu pela internet, como pode? -, a trágica história de seu compadre de adolescência Elmer e, vamos festejar nossos amigos em vida, do grande Fabio Bianchini, o Mumu, uma das melhores pessoas que conhecemos (e olha que conhecemos muita gente boa).

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Três instrumentos de sopro, um contrabaixo elétrico e base eletrônica – sem violão, sem guitarra, sem vocais, sem percussão ou bateria. Essa formação inusitada é a base do Comitê Secreto Subaquático, formado por Clara Kok, Fernando Sagawa, João Barisbe, Helena Cruz e Luiz Martins, que estreou no palco nesta terça-feira, apresentando músicas que vêm trabalhando desde o início do ano. Trajados com capas de chuva amarelas e vasculhando sonoridades que misturam o andamento incomum tanto da música eletrônica mais experimental quanto na música erudita contemporânea em canções com títulos infames e engraçadinhos como os samples e as intervenções vocais feitas por Lauiz. E o melhor: não parece com nada que você possa associar a algum gênero, artista ou cânone musical facilmente identificável. Soando únicos, passearam por diferentes profundidades sonoras sem medo de levar o público do rasinho às fossas abissais, às vezes numa mesma música. Foi mágico.

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Mais uma apresentação de estreia no Centro da Terra, que recebe o primeiro show de um grupo formado por músicos que já circulam na cena independente paulistana, sejam como integrantes das bandas Pelados, Grand Bazaar e Cia do Tijolo ou acompanhando artistas como Ná Ozzetti, Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempó, Sessa, Jadsa e Patrícia Bastos, entre outros. Juntos, Clara Kok (flautas), Fernando Sagawa (saxofones e clarinete), João Barisbe (saxofones e clarinete), Helena Cruz (baixo) e Luiz Martins (bateria eletrônica e programações), formam o Comitê Secreto Subaquático, que investiga os limites entre a a música eletrônica, a música pop e a música de concerto contemporânea e já está engatilhando o primeiro disco ainda para este ano. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos podem ser comprados antecipadamente neste link.

No ano passado, nossa querida Chan Marshall, que a maioria das pessoas conhece por Cat Power, fez um show em homenagem ao clássico concerto que Bob Dylan deu em 1966 quando transitava da fase acústica para a elétrica, negando toda a expectativa que o público criava em relação a ele ser considerado a voz de sua geração. Em turnê pela Inglaterra, encarou fãs raivosos com a transição, que culminou com uma apresentação feita em Manchester, no Free Trade Hall, quando um fã levantou a voz antes da última música e gritou “Judas!” ao considerar Dylan um traidor. “Eu não acredito em você”, menosprezou o mestre, “você é um mentiroso!”, gritou antes de virar-se para sua banda – que já havia assumido o novo nome de The Band – e pedir “PLAY FUCKING LOUD” antes de uma das versões mais clássicas de “Like a Rolling Stone”. Esta apresentação tornou-se um dos primeiros discos piratas da história, outra proeza que Dylan carrega consigo, que erroneamente creditou a apresentação como se ela tivesse acontecido no Royal Albert Hall londrino. Dylan levou a lenda consigo quando relançou o álbum oficialmente nos anos 90, colocando “Royal Abert Hall” entre aspas para deixar claro que fazia referência ao disco pirata. Foi justamente esse show que Cat Power recriou no próprio Royal Albert Hall original, em novembro do ano passado, e que ela acaba de anunciar que se tornará um disco ao vivo. Cat Power Sings Dylan: The 1966 Royal Albert Hall Concert será lançado no dia 10 de novembro, já está em pré-venda e ela já liberou duas versões do disco “She Belongs to Me” e “The Ballad of a Thin Man”, que você pode ouvir abaixo, além de ler a ordem das músicas: Continue

Na segunda noite de sua temporada Águas Turvas, Dinho Almeida começou mais uma vez sozinho e logo passou a divagar sobre amizade, família e sua banda, os Boogarins, enquanto tocava músicas que, como ele mesmo disse, havia feito para sua bandinha mas que por diversos motivos acabaram não entrando nos discos, além de músicas feitas à luz desta safra de shows que ele imaginou para o Centro da Terra. Mas diferente da primeira apresentação, quando atravessou do começo ao fim sem nenhuma companhia no palco, ele desta vez contou com os irmãos Bebé e Felipe Salvengo na parte final, o que abriu novos horizontes para a apresentação, com momentos de pura ternura e celebração da presença. Foi lindo.

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Massacrado e ironizado pelos críticos da época, o disco que registrou a primeira aparição ao vivo de Bob Dylan no Japão será relançado no final do ano reunindo não apenas as canções lançadas à época como o duplo Live at the Budokan, como todas as outras faixas que o bardo norte-americano tocou ao vivo nas duas apresentações que fez naquele país, nos dias 28 de fevereiro e 1° de março de 1978. O disco que completou 45 anos no mês passado agora surge com o título de The Complete Budokan 1978 tanto como uma caixa quádrupla de CDs como um box com oito vinis – além de reproduções do pôster e ingressos originais, fotos da turnê e um encarte colorido com 60 páginas. Na epoca de seu lançamento o disco foi ridicularizado nos Estados Unidos pois Dylan estava justamente forçando a barra em algo que consolidou-se em sua carreira: não tocar as músicas como elas foram gravadas nos discos. Mesmo com um repertório de encher os olhos de qualquer fã, muitos desdenharam da forma como o autor dessacralizava suas próprias criações – sendo que era justamente isso que ele queria. O novo disco não faz parte da série Bootleg Series e será lançado no dia 17 de novembro – suas versões físicas já estão em pré-venda no site do mestre, que ainda oferece um disco chamado Another Budokan em vinil apenas com as músicas inéditas. Ele ainda antecipou uma das muitas inéditas do disco, a versão que fez para “The Man in Me”, com sax e coral que fizeram os fãs xiitas reclamar… Que bobagem. Abaixo você ouve a faixa inédita e vê a caixa com todas as músicas que entraram nessa nova versão: Continue