
Na primeira segunda-feira do ano no Centro da Terra, Lucas Gonçalves e Lucca Simões selaram sua parceria numa apresentação em dupla. Na apresentação, os dois casaram bem vozes e instrumentos, entrelaçando violão e guitarra para criar uma paisagem sonora doce e bucólica, a partir de seus respectivos repertórios. Suspeito que essa é só a primeira de várias apresentações dos dois com essa formação.
Assista aqui. Continue

Finalmente consegui trazer Lucas Gonçalves para o palco do Centro da Terra, uma conversa que já tínhamos há muito tempo, mas que o semestre passado acabou por adiar por conta do sucesso do novo disco de sua banda, o Maglore, que voltou à atividade em 2022. Para começar o novo ano, Lucas convida seu compadre Lucca Simões para uma sessão intimista com dois violões, em que os dois mostram suas próprias músicas – Gonçalvez passa pelas músicas de seus álbuns solo Se Chover e Verona enquanto Simões passa por seus singles. Os ingressos podem ser comprados com antecedência neste link.

(Foto: Ariel Martini)
O tradicional festival pernambucano Rec Beat volta ao carnaval recifense depois de anos longe de seu ninho, no Cais da Alfândega. É a vigésima sétima edição do festival, que acontece gratuitamente durante o Carnaval, e é a primeira realizada após a pandemia. O festival pernambucano, como todos os outros, se virou de outras formas neste período, fazendo versões online e expandindo a marca por outras fronteiras e o Rec Beat começou o ano acontecendo em Salvador, onde realizou sua primeira volta aos eventos presenciais em janeiro deste ano, e agora no carnaval de 2023, volta ao seu berço num evento que acontece entre os dias 18 e 21 de fevereiro, com mais de vinte atrações nacionais e internacionais. E antes de anunciar todas as atrações brasileiras, o festival mostra quem são os gringos que trará para o Recife, divulgandos em primeira mão aqui no Trabalho Sujo.
Leia abaixo. Continue

Em mais um encontro bissexto deste aparelho chamado Aparelho, cogitamos uma ideia revolucionária para mudar a forma como reconstruímos o Brasil. E tudo a partir da infelizmente incansável cruzada de pessoas que gostam de falar mal do Carnaval – motivados pelo desgosto alheio, propomos um carnaval interminável, constante e para além do calendário, mas com regras específicas para que não ultrapasse os cinco dias de folia. Como? Entre elocubrações sobre os Trapalhões, os tabajara e um seriado sobre prisão que mudou a história da TV, propomos a primeira intenção do Aparelho em 2023. Propomos ou profetizamos?
Assista aqui. Continue

Morreu o pai do surrealismo na moda.

Mais do que uma das principais jornalistas da TV Brasil, Gloria Maria, que faleceu no início desta quarta-feira, era um ícone cultural.

O ano começou em alto nível com a primeira apresentação musical no Centro da Terra neste início de fevereiro. Em rápida passagem pelo Brasil, Carla Boregas e Maurício Takara, que agora residem em Berlim, mostraram a fluidez hipnótica de seu Grande Massa D’Água ao lado da flautista Marina Cyrino, brasileira que foram conhecer em Berlim. Entre percusões hetéreas, sopros percussivos e drones eletrônicos, os três percorreram diferentes áreas do inconsciente coletivo enquanto deformavam nossa noção de tempo em um espetáculo ao mesmo tempo cru e sofisticado. Um jeito fantástico de começar um ano que já começa quente.
Assista abaixo: Continue

Foto: Howard Barlow
De todos seus discípulos do Television, o Wilco talvez seja a banda que mais explicitou a importância do grupo liderado pelo falecido Tom Verlaine em sua obra, tanto que o escalou para tocar em uma das edições de seu próprio festival, em 2017. Mas o tributo que o líder do Wilco, Jeff Tweedy, faz para o recém-falecido mestre vai além das palavras que exaltam seu papel como guitarrista e vem na forma de uma versão simples e direta para uma canção incrível, “Venus”, que ele postou em seu blog, Starship Casual. Ouça abaixo: Continue

Mais uma vez colaboro com mais uma edição impressa da revista Rolling Stone. Depois do especial sobre os 40 anos do rock dos anos 80, desta vez a efeméride é a celebração dos 80 anos da geração nascida em 1942. Na capa da revista, quatro dos principais pilares da música brasileira – Gilberto Gil, Paulinho da Viola, Milton Nascimento e Caetano Veloso – e suas obras dissecadas a partir de suas discografias – e colaborei ao lado de três compadres, cada um encarregado de reluzir a grandeza de seus perfilados através de seus álbuns. Assim, Pablo Miyazwa envereda pela obra de Milton Nascimento, Pedro Só embarca na carreira de Paulinho da Viola e Marcelo Ferla disseca a discografia de Caetano Veloso. Coube a mim deschavar a gigantesca coleção de discos (são SETENTA E TRÊS DISCOS) do maior artista vivo no Brasil hoje, o mestre Gilberto Gil, e ainda repercuti sua importância com dois devotos conterrâneos, Russo Passapusso e Josyara. Só esses trabalhos já tornam a edição suculenta, mas como se não bastasse ainda há pérolas do arquivo da revista – inclusive do tempo em que não era publicada no Brasil – reverenciando outros artistas nascidos neste ano mágico: duas entrevistas com Paul McCartney feitas nos anos 70 (uma antes de ele sair dos Beatles), um perfil de Aretha Franklin feito em 1974, um tributo a Tim Maia, uma reportagem sobre os planos de Jimi Hendrix antes de morrer e uma entrevista com Brian Wilson feita em 2015. A nova Rolling Stone tem uma tiragem baixa e só está às vendas nas bancas do Rio de Janeiro e de São Paulo – é praticamente uma edição de colecionador. E só corrobora minha tese de que a revista é o vinil do jornalismo (e que as redes sociais são o seu Napster), mas isso é outro papo…

Dois ícones da cultura do final do século 20, Patti Smith e Tom Verlaine foram pilares da cena independente nova-iorquina que forjou a cultura punk e ajudou a cidade norte-americana a reerguer-se culturalmente nas três últimas décadas do século. Mais do que isso: eram ídolos do rock e heróis da poesia, reverberavam dois cânones aparentemente alheios na mesma frequência e o que era improvável nos anos 70 tornou-se um cânone em si mesmo, dando uma sobrevida ao rock e alimentando corações e mentes de gerações posteriores e em inúmeras cidades pelo planeta. Patti Smith foi convidada pela revista New Yorker para escrever sobre o amigo íntimo que perdeu esta semana e abaixo traduzo o texto que a poeta escreveu para o guitarrista: Continue