
A primeira foi épica, a segunda não vai ser diferente, ainda mais que é numa sexta! Puxo mais uma edição do Inferninho Trabalho Sujo, festa que inventei para celebrar a existência – e o habitat natural – para bandas tocarem ao vivo até se acabar e em São Paulo hoje este lugar é o grande Picles, que passou por uma baita reforma em seus cinco anos de aniversário e se firma cada vez mais como uma das principais entidades da vida noturna de São Paulo. Discoteco mais uma vez com minha comadre Francesca Ribeiro, logo depois de mais um shows dos queridos Pelados, mostrando seu excelente Foi Mal num lugar perfeito para a ferveção e a acabação simultânea, sempre naquela sintonia alto astral que já estamos acostumados. O Picles fica na Cardeal, 1838, e quem chegar até às 21h não paga pra entrar (quem chegar depois, paga R$ 25). Vamo nessa!

Ao final de sua apresentação no Centro da Terra nesta terça-feira, Bruno Bruni começou a listar a quantidade de músicos que haviam participado de seu ainda não lançado terceiro disco – que, em vez de trazê-los todos para o palco, preferiu sampleá-los e armazenar em sua MPC – e perdeu a conta quando passou dos vinte convidados. Para não perder-se entre tantas pessoas, fez o show com seu teclado, a bateria de músicos pré-gravados e contou com o sax de Thomaz Souza o acompanhando por todas as músicas e uma sequência de vocalistas de tirar o fôlego – além de Marina Marchi e Flavia K., que já fazem parte de sua entourage musical, Bruni convidou Laura Lavieri, Marina Nemésio e Fernando Soares para acompanhá-los em músicas que nunca foram tocadas ao vivo, com a ênfase no groove que é a característica da trilogia Broovin, que está fechando com o lançamento do próximo álbum, semestre que vem. Foi bonito.
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O jovem maestro Bruno Bruni sobe mais uma vez ao palco do Centro da Terra nesta terça-feira, desta vez para antecipar o final de sua trilogia de discos grooveados. Mas resolveu experimentar e em vez de chamar sua tradicional big band, vem com sua MPC e convida vocalistas como Marina Marchi, Flavia K e Marina Nemésio, além de outros músicos que serão anunciados na hora da apresentação para mostrar suas novas músicas pela primeira vez ao vivo. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos podem ser comprados neste link.

Não sei o que é mais impressionante: o fato de ninguém ter notado o quanto Futurama fez falta nos últimos dez anos ou que o segundo desenho animado mais conhecido de Matt Groening estar voltando ao ar como se nada tivesse acontecido. O serviço de streaming Hulu encomendou 20 novos episódios da série estrelada por Fry, Bender e Leela no início do ano e acabou de liberar o trailer da nova – a décima primeira – temporada do desenho, que estreia no próximo dia 24 e terá dez episódios, o que nos faz supor que a décima segunda temporada já está sendo produzida. O desenho estreou em 1999 e é uma extensa e hilária crítica à ideia de que o futuro é brilhante e que a tecnologia é nossa redentora. Pelo trailer, o desenho parece querer tirar o atraso dos anos sem o seriado com piadas sobre temas já manjados como criptomoedas e testes de covid, mas só o fato de termos seus episódios de volta nos faz dar um desconto para que seu universo em suspensão possa voltar a se realinhar com o nosso. Mesmo sem a popularidade dos Simpsons, a obra mais conhecida de seu criador, Futurama é mais complexo e certeiro que o seriado da família amarela (“não é ficção”, brincam seus autores desde o primeiro episódio, quando levam um jovem do final do século 20 para o ano 3000) e sua volta deve ser celebrada, abrindo uma nesga de esperança que o mundo possa voltar aos trilhos que parecem ter evaporado a partir de 2013.
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Partes iguais de jazz funk e rock psicodélico diluídas em brumas de dreampop com pitadas de música erudita, beats eletrônicos, indie rock e noise e o resultado foi um pós-rock tão doce quanto intempestivo, uma apresentação ao vivo ao mesmo tempo improvisada e familiar, que convertia a estranheza do que era inventado instantaneamente numa sensação de sonho, tirando nossa noção de tempo enquanto nos mergulhavam no transe infinito. Assim foi a última noite da temporada Mil Fitas que Sue e Desirée Marantes fizeram no Centro da Terra nesta segunda-feira, quando reuniram o trio instrumental Ema Stoned, a produtora e musicista gaúcha Saskia e o guitarrista goiano Dinho Almeida. Estas almas se convertiam em música ao trocar de instrumentos para explorar novas fronteiras e assim Desirée revezava-se entre o violino, teclados e o piano, também explorado pela guitarrista do Ema Stoned Al Duarte e pela gaúcha Saskia, que também aventurou-se pelos vocais e com o baixo, enquanto a baterista Theo Charbel assumiu os vocais em certa passagem, enquanto a baixista de sua banda, Elke Lamers, experimentava nos teclados e synths enquanto Dinho cantava e tocava guitarra, como Sue, que também disparava beats e samples de vozes faladas. Foi a primeira vez que os seis tocaram juntos e parecia que se conheciam há anos de palco. Uma apresentação mágica, pronta para circular pelos palcos do Brasil – e que fechou lindamente a safra de shows conduzida pelas duas produtoras.
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E que tal essa: Kendrick Lamar no Brasil! O rapper norte-americano é a mais nova atração do festival GPWeek, que acontece nos dias 4 e 5 de novembro no estádio do Palmeiras e já tinha anunciado Swedish House Mafia, Halsey, Machine Gun Kelly e JXDN em sua programação. Além de Kendrick, também foram anunciados shows do baixista Thundercat e da dupla Sofi Tukker. Pesado, hein? Mais informações neste e neste link.

A gente não tá pronto pra esses shows do Cure que vem aí: postei lá no #trabalhosujo a íntegra do primeiro show que o grupo fez em Nova York na semana passada e putaqueopariu vai ser muito foda. Há quem reclame que o começo do show é só música nova ou desconhecida e que os hits ficam pro final, mas esses infiéis nem deveriam pisar num show do Cure, que é muito mais do que sucessos comerciais pra se cantar junto e sim a criação dessa atmosfera pesada, melancólica e doce ao mesmo tempo. Dá uma sacada nesse setlist (aí embaixo) e na encostadinha de cabeça no ombro que o Robert Smith dá no Simon Gallup no final de “A Forest”. E a voz do sujeito, intacta! Vai ser foda demais 🖤
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Sem avisar ninguém, o guitarrista dos Boogarins, Benke Ferraz, lançou seu primeiro disco solo a partir de uma série de experimentos que vinha fazendo sempre que começava alguma produção, seja dos trabalhos de sua banda ou para outros artistas. Rock eletrônico lo-fi sem cara de canção, o disco tem cinco músicas e foi lançado com o nome Benkes, que o guitarrista usava quando ainda lançava suas músicas no Last.fm, antes dos Boogarins existir. “No meu processo de criação e produção eu acabo acumulando muitas ideias e propostas nos HDs e nas máquinas, tentando atingir sonoridades que façam jus ao que a galera espera”, ele me explica por Whatsapp, falando sobre o disco que só lançou no YouTube, batizado de Babymonster, “esses sons vêm desse lugar totalmente seguro da criação”. O título do disco é referência tanto à recém-patenidade do produtor (o EP sai no mesmo dia em que seu filho Rafael, que estampa a capa, completa cinco meses) quanto ao universo do pop coreano, que foi apresentado por sua filha mais velha, Letícia, que participa do disco tanto quanto sua mãe, Ana Garcia, a dona do festival Coquetel Molotov, que estreia sua voz em disco. “O nome Babymonster assim com os títulos das músicas em coreano tem muito a ver com a minha imersão no mundo do Kpop, não em termos estéticos e sonoros, mas tentar entender quão aleatório esse algoritmo que tanto nos sabota, pra jogar esse rock eletrônico com riffs, beats e sujeira pra uma molecada que nem saberia como procurar esse tipo de som”.
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E o senhor Robert Smith acaba de confirmar no site de sua banda as últimas datas da turnê do Cure pela América do Sul. Além das confirmações nas edições locais dos Primavera Sound que comentei essa semana, o grupo toca em shows fora de festival (ou seja, três horas de show) no Peru (dia 22 de novembro, em Lima), no Uruguai (dia 27, em Montevidéu) e no Chile (dia 30, em Santiago). Os ingressos começam a ser vendidos no dia 28 agora (ou no dia 26, se você se cadastrar na lista de emails da banda neste link).

Dos maiores nomes do free jazz, um deles era europeu e morreu dormindo nesta sexta-feira: o alemão Peter Brötzmann ajudou a espalhar a palavra dessa incrível música abstrata no velho continente e seu Machine Gun, lançado com o octeto que liderava em 1968, até hoje é um dos grandes clássicos do gênero.