
Um mês sem DM – o último foi antes do carnaval! – e isso é motivo para eu e Dodô não apenas revermos o mês passado, que passou voando pra ele e bem devagar pra mim, como também fazer um balanço destes três primeiros meses do novo ano, falando tanto da guerra na Europa e da iminente crise econômica mundial como do começo do governo Lula e como isso tem impactado em nossas rotinas. É claro que isso é a deixa pra falarmos de tudo quanto é assunto, desde a violência desse começo de ano, do disco inédito dos Tincoãs (e seu desdobramento histórico, mais que musical), a secessão brasileira, o filme novo de Martin Scorsese em Cannes, a série que o Dodô escreveu e sobre mais um encontro presencial, porque um só pro começo do ano não foi suficiente.
Assista aqui. Continue

O disco mais emblemático do Pink Floyd completa meio século de existência neste 2023 e o programa Em Movimento, do canal Arte 1, me chamou pra falar sobre a importância deste disco, que mesmo 50 anos depois, continua tão moderno quanto atemporal.
Assista aqui. Continue

Robert Smith está mais uma vez testando nossa paciência para um novo disco do Cure e transformou essa espera numa extensa turnê que começou no ano passado, logo que anunciou o título do novo álbum: Songs of a Lost World. A turnê Shows of a Lost World causou rebuliço típico de suas excursões esporádicas e atropelou inclusive a gigante Ticketmaster numa polêmica que o próprio Smith se envolveu pra contornar preços extorsivos e cambistas online como poucos artistas já fizeram, quando anunciou mais datas para 2023, marcando shows em países do hemisfério norte. E como quem não quer nada, no início da semana, twittou com seu CAPS LOKI característico, que está apontando sua mira para a América Latina:
PS. DETAILS OF SHOWS IN MEXICO AND SEVEN OF THE TWELVE SOVEREIGN STATES OF SOUTH AMERICA BEFORE THE END OF THE MONTH… #ShowsOfALostWorld2023
— ROBERT SMITH (@RobertSmith) April 4, 2023
E anunciou quando o aniversário do último show de sua banda em São Paulo completa dez anos – sim, aquele show memorável no Anhembi aconteceu no dia 6 de abril de 2013 e eu tava ali na grade, vendo o cara de pertinho… Com a mesma voz e o mesmo som de guitarra que atravessam décadas intactos – gravei alguns vídeos, claro.
Assista aqui. Continue

Você já sabe se quer ver um documentário sobre música brasileira no cinema em São Paulo já tem dia e hora marcada toda semana: graças à parceria que o Centro da Terra fez com o festival de documentários In Edit Brasil, sempre trazemos filmes novos e clássicos sobre grandes nomes e cenas da nossa cultura musical. E nesta primeira quarta de abril, mergulhamos no grande Paulo César Pinheiros, um dos maiores letristas do Brasil, que é dissecado no documentário que Andrea Prates e Cleisson Vidal lançaram em 2021. Paulo César Pinheiro – Letra e Alma aprofunda-se na importância deste poeta que fez exemplos clássicos de nosso cancioneiro ao lado de artistas tão diferentes quanto Ivan Lins, Edu Lobo, João Nogueira, Francis Hime, Dori Caymmi, Pixinguinha, Sueli Costa, Raphael Rabello, Tom Jobim, Lenine, Guinga, Carlinhos Vergueiro, Toquinho e Baden Powell Maria Bethânia, eternizado por intérpretes como Maria Bethânia, Elis Regina, Simone, Nelson Gonçalves, Emílio Santiago e Clara Nunes, com quem foi casado. A sessão começa pontualmente às 20h e os ingressos podem ser comprados neste link.

Só a notícia que existe um disco novo inédito dos Tincoãs que nunca foi lançado já seria suficiente para segurar o fôlego de qualquer um que goste de música. Mas não para por aí: esse disco, engavetado há quarenta anos, finalmente verá a luz do dia, trazendo Dadinho (violão), Mateus Aleluia (atabaques) e Badu (agogô e ganzá) acompanhados do Coral dos Correios e Telégrafos do Rio de Janeiro, um projeto que foi idealizado pelo produtor Adelzon Alves, que trabalhava com o grupo. O primeiro aperitivo de Canto Coral Afrobrasileiro, que será lançado ainda este semestre, é o single “Oiá Pepê Oiá Bá”, que chega às plataformas digitais nesta quinta-feira, mas já dá pra sentir um gostinho em primeira mão aqui no Trabalho Sujo.
Ouça aqui. Continue

Que maravilha a estreia do Guaxe ao vivo. A dupla formada por um boogarin e um supercorda finalmente debutou nos palcos depois de quase dez anos de parceria – Dinho e Bonifrate começaram a compor desde o primeiro dia em que se conheceram, em 2015, e lentamente seguiram maturando composições entre a guitarra do goiano e a viola do paratiense até que elas tomaram forma no ano anterior à pandemia e o encontro no palco foi suspenso pelos motivos que conhecemos. Este primeiro reconhecimento finalmente aconteceu nesta terça, quando Bonifrate disparava bases eletrônicas num Casiotone – ou simplesmente fazia o teclado cantarolar uma melodia – para que seus instrumentos de corda e suas vozes se encontrassem num ponto perfeito entre a desconfiança caipira e a ingenuidade lo-fi, num show memorável que terminou com os dois reverenciando Spacemen 3, numa versão para “The Sound of Confusion”. Lindaço.
Assista aqui. Continue

Vocalistas de duas das principais bandas psicodélicas brasileiras deste século, Dinho e Bonifrate atravessaram os anos pós-golpe lapidando, nas idas do goiano à Paraty, um disco que só foi lançado depois em 2019. E como aconteceu com todo mundo em 2020, o projeto que une o boogarin e o supercorda criaram em casa, não se materializou nos palcos pelos motivos que a gente sabe, ressurgindo apenas em 2023 na primeira apresentação ao vivo, que recebemos com prazer neste início de abril no Centro da Terra. A dupla Guaxe mistura as sensibilidades caipira e lo-fi entre violas e teclados de brinquedo nessa que já uma das apresentações mais disputadas no Centro da Terra neste ano. O espetáculo Desafio do Guaxe começa pontualmente às 20h e ainda há ingressos à venda online – mas estão quase no fim!

Jadsa escolheu a canção como fio da meada da primeira noite de sua temporada no Centro da Terra e convidou o conterrâneo e contemporâneo Giovani Cidreira para cair no Big Buraco que vai tomar conta das segundas-feiras no palco mais ousado do Sumaré. Juntos e acompanhados apenas de seus instrumentos – Jadsa na guitarra e Giovani ao violão -, os dois foram do céu ao inferno entrelaçando vozes e instrumentos em canções cruas que eram distorcidas pelos efeitos de Felipe Galli, que fez timbres e ecos dar novas dimensões a um encontro tão afetivo e importante. E pensar que foi só a primeira noite…
Assista aqui. Continue

Quem toma conta das noites de segunda-feira no Centro da Terra é a baiana Jadsa, que completa dois anos de lançamento de seu disco de estreia, o lírico-paulistânico Olho de Vidro, olhando para o que construiu neste início de carreira e como isso misturou-se com o nefasto período pandêmico. Ela reúne a velhos e novos compadres e comadres para revisitar o disco em encontros que prometem ser históricos. No primeiro deles, dia 3 de abril, ela convida o conterrâneo Giovani Cidreira para mergulhar em seu passado comum. Na segunda que vem, dia 10, é a vez de se encontrar com o guitarrista Kiko Dinucci. Na semana seguinte, dia 17, ela junta-se às cantoras e compositoras Marcelle, Josyara e Marina Melo, e termina a temporada, chamada de Big Buraco, no dia 24, quando recebe, na mesma noite, Alessandra Leão e Juçara Marçal. Vai ser lindo e intenso, como só Jadsa sabe fazer. Os espetáculos começam sempre pontualmente às 20h e os ingressos podem ser comprados antecipadamente neste link.

À frente da Sire Records, Seymour Stein ajudou a consolidar a geração punk do CBGB’s ao assinar com os Ramones e com os Talking Heads, além de descobrir uma certa novata chamada Madonna e a revelar artistas em ascensão durante os anos 80, como os Smiths, os Pretenders, Depeche Mode, os Replacements e o Echo & The Bunnymen, entre outros. Morreu neste domingo.