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Jornalismo

Morreu nesta terça-feira o autor tcheco de livros clássicos como A Insustentável Leveza do Ser e Amores Risíveis.

Mais uma festa no Picles e desta vez o Inferninho Trabalho Sujo recebe a presença da banda mineira Varanda, em sua primeira apresentação em São Paulo – e quem for vai lembrar-se deste momento, acredite. Mais festa minha com banda tocando ao vivo no sobrado-resistência no coração daquele bairro canteiro de obras que vai se tornar um novo Itaim – e quem chegar até às 21h não paga pra entrar. Depois do Varanda, mais uma vez eu e a querida Francesca Ribeiro derretemos quadris e corações com hits pra ninguém ficar parado – e você sabe que ninguém fica! O Picles fica na Cardeal, 1838, e – de novo – quem chegar até às 21h não paga pra entrar (quem chegar depois, paga R$ 25). Simbora!

Bem bonita a apresentação que Rodrigo Coelho fez nesta terça-feira no Centro da Terra, ao conduzir, entre sintetizadores e um piano, sua peça Six Sines, tocada pela primeira vez ao vivo. Trabalhando entre camadas horizontais de texturas e ciclos sintéticos que se sobrepunham, o compositor foi conduzindo o público por uma paisagem ao mesmo tempo solitária – como ele mesmo no palco – e intensa, devido à quantidade de informações que reunia enquanto disparava os samples que havia preparado. Ele ainda aproveitou a parte final do concerto, quando não contava mais com as projeções feitas por Fernando Velázquez e Leticia RMS para mostrar algumas novas peças que vem trabalhando.

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Cøelho: Six Sines

Satisfação receber mais uma vez Rodrigo Coelho no palco do Centro da Terra nesta terça-feira, quando apresenta um trabalho com nova identidade – Cøelho – sozinho no palco. É a primeira vez que apresenta o espetáculo audiovisual Six Sines, que compôs sem usar instrumentos musicais, apenas sobrepondo filtros binários simples que ganhavam complexidades a partir destas superposições. Ele apresenta esta peça com sintetizadores modulares e piano, além de ter os gráficos feitos pelos artistas Fernando Velázquez e Leticia RMS ilustrando essa apresentação ao vivo. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos podem ser comprados neste link.

Transe elétrico

Sem lançar discos desde 2021 (quando pariu o ótimo Things Take Time, Take Time no segundo ano da pandemia, nossa querida Courtney Barnett acaba de anunciar seu quarto álbum, em clima de despedida. O disco instrumental End Of The Day é a trilha sonora para o documentário Anonymous Club que o diretor Danny Cohen fez sobre a cantora no mesmo ano em que lançou seu disco mais recente e é também o último lançamento que Courtney faz de seu selo, Milk Records, que tinha com a também cantora e compositora Jen Cloher. Este ciclo é fechado com um álbum etéreo, transe elétrico de microfonias de guitarras primo dos experimentos ambient do Sonic Youth em sua gravadora. Para anunciar o disco que será lançado em setembro e já está em pré-venda, ela reuniu as três faixas que abrem o disco (“Start Somewhere”, “Life Balance” e ” First Slow”) num mesmo vídeo.

Veha a capa, o nome das músicas e o clipe com os primeiros singles abaixo: Continue

Retratos Fantasmas, o quarto longa metragem do pernambucano Kleber Mendonça Filho, é uma ode ao cinema, ao cinema de rua e mais especificamente ao cinema de rua do Recife. O filme estreia no próximo dia 24 de agosto e confronta a triste situação das salas de cinema que viraram estacionamento ou igrejas neopentecostais, com a relação comunitária entre os frequentadores deste templo e o papel civilizatório destes estabelecimentos que parecem estar com os dias contados. O próprio diretor coloca-se em cena, deixando o filme naquele limite tênue entre ficção e documentário, que conversa com outro ótimo filme deste século, o Breve em Nenhum Cinema, que Kiko Dinucci lançou em 2015.

Assista ao trailer do filme de Kleber e ao filme de Kiko na íntegra abaixo: Continue

Só as duas

Maria Beraldo começou bem sua temporada Manguezal no Centro da Terra ao apostar num encontro que estava mais à vontade – ao receber a comadre Mariá Portugal, com quem toca no Quartabê e já fizeram tantas coisas juntas, ela sabia que estaria mais tranquila mesmo que para correr riscos. E atravessou quase uma hora de espetáculo alternando entre clarone, clarinete e guitarra elétrica sentada de frente à amiga, em sua bateria, trabalhando diferentes instrumentos de percussão – e vocais. As duas engalfinharam suas vozes entre gritos e sussurros que passearam entre suas próprias canções (como quando misturaram “Petróleo” de Portugal com “Tenso” de Beraldo) e algumas alheias, como “Vaca Profana” eternizada por Gal Costa e uma conveniente e radicalmente desconstruída “Como Nossos Pais”, de Belchior. Uma noite de tirar o fòlego.

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Prazer enorme receber Maria Beraldo para sua temporada no Centro da Terra, que toma conta do palco do teatro do Sumaré a partir desta segunda-feira até o final de julho. Em Manguezal ela recebe chapas e comparsas em fusões de diferentes ecossistemas – daí o título da temporada, esta vegetação que funciona como palco para o encontro de águas, floras e faunas, que ela se refere como berçário do mar. A cada nova segunda ela recebe diferentes convidados para aproveitar o momento de transição entre seu disco de estreia e o próximo álbum, que vem burilando há tempos. Ela começa convidando a irmã Mariá Portugal para uma noite de improviso nessa primeira apresentação, dia 10, e na semana seguinte recebe a maravilhosa Josyara para um tributo a Cássia Eller, no dia 17. Depois, dia 24, ela envereda pelo pagode ao lado do compadre Rodrigo Campos e encerra a temporada no dia 31, reunindo os chapas Marcelo Cabral e Lello Bezerra para mostrar algumas canções inéditas. As apresentações acontecem sempre às 20h e os ingressos podem ser comprados antecipadamente neste link.

A carioca Ana Frango Elétrico encerrou o capítulo Little Electric Chicken Heart há pouco tempo, mas enquanto não lança seu tão aguardado terceiro álbum, que sairá em algum momento deste segundo semestre, ela não consegue parar quieta – e nesse sábado juntou-se a Thomas Jagoda para mostrar uma versão “de bolso” de seu show no Cineclube Cortina, fosse acompanhada apenas do teclado do amigo ou tocando sua guitarra ao mesmo tempo, num formato mais enxuto – mas não propriamente intimista. O público reunido, devoto de sua obra, acompanhava as canções de acordo com o clima que Ana as forjava, em alguns momentos quieto e passivo, em outros com seus berros regidos pela própria Ana. No repertório, ela passeou por faixas de seus dois álbuns, algumas músicas alheias que puxou da cartola (a excelente “O Leão e o Asno” do Vovôbebê, “Não Tem Nada Não” do Marcos Valle, “Cara do Mundo” da Gal em seu Recanto, “Debaixo do Pano” da Sophia Chablau), pinçou duas inéditas (“Insista em Mim” e “A Sua Diversão”) e encerrou com a ótima “Mulher Homem Bicho”, single que lançou neste interregno entre seu disco mais recente e seu próximo trabalho, deixando todo mundo querendo mais.

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Não há nenhuma novidade sobre a possibilidade da nova versão do clássico Stop Making Sense – um dos melhores shows já registrados pelo cinema – chegar às telas brasileiras, mas o relançamento do filme que Jonathan Demme fez com os Talking Heads a partir de três shows que o grupo fez no Pantages Theater, em Hollywood, no mês de dezembro de 1983, está engatilhando uma versão deluxe do disco ao vivo. A nova edição, um vinil duplo que será lançado no mês que vem e já está em pré-venda, desenterra duas faixas que não entraram no disco original – “Cities” (ouça-a abaixo) e “Big Business / I Zimbra” – além de trazer um livro com 28 páginas que inclui fotos inéditas e comentários dos quatro integrantes da banda sobre a experiência. O baterista Chris Frantz comenta sobre a alegria de fazer estes shows no encarte: “Estou falando de alegria de verdade, consciente e transcendental. Estou falando sobre o que as pessoas do gospel do sul do país falam em ‘ficar feliz’, que quer dizer ‘ser preenchdio pelo Espírito’. Era o que acontecia com a gente todas as noites e, sentado atrás da bateria, reconhecia que também estava acontecendo com o público. A alegria era visível à minha frente e ao meu redor em todas as noites.” O vocalista David Byrne fala sobre como o disco aumentou o público da banda. “Como acontece com frequ~encia, as canções ganham mais energia quando são tocadas ao vivo e são inspiradas por estarmos em frente ao público. Em muitas formas, as versões são mais animadas que as gravações de estúdio, talvez por isso muita gente nos descobriu por esse disco”.

Ouça a nova faixa, a nova capa do disco e a ordem das músicas abaixo: Continue