
Mestre do cinema de horror e ficção científica do final do século passado, John Carpenter também é um dos pioneiros no uso dos sintetizadores na música pop, usando o instrumento como o principal fio condutor musical das trilhas sonoras de seus filmes, que ele mesmo compõe. E desde a década passada o cineasta vem abrindo seus próprios arquivos musicais para lembrar de temas que ficaram de fora de suas trilhas, recriar outros temas clássicos e obscuros de seus filmes, voltando, inclusive, a fazer shows ao vivo com estas composições. Acompanhado sempre do filho Cody Carpenter e do afilhado Daniel Davies (que, por essas coincidências da vida, é filho do guitarrista do Kinks, Dave Davies), ele lançou a série de discos Lost Themes, compôs algumas trilhas sonoras novas (para os remakes que o estúdio Blumhouse fez para Halloween, Halloween Kills e Firestarter) e a coletânea Anthology: Movie Themes 1974–1998, lançada em 2017. Agora o diretor anuncia o segundo volume desta compilação e Anthology II: Movie Themes 1976-1988, que será lançada no início de outubro (já em pré-venda) e reúne temas de filmes como seus três Halloween, Fuga de Nova York, Aventureiros do Bairro Proibido, Príncipe das Sombras, A Bruma Assassina e Assalto à 13ª DP, além de três temas que seriam usados na trilha do clássico O Enigma de Outro Mundo, antes que o italiano Ennio Morricone assume as composições.
Abaixo você ouve a nova versão para “Chariots of Pumpkins”, do terceiro Halloween, de 1982, vê a capa do novo disco e a ordem das músicas regravadas: Continue

Desbravo a seara dos cursos no MAM de São Paulo ao conduzir a série de quatro aulas Música Brasileira no Século XXI, que acontece entre os dias 11 e 20 de setembro, desta vez em versão online. Durante o curso, falo sobre o conceito de música independente e como esse começou a ser ressignificado uma vez que a internet surgiu como um contraponto ao formato vigente no século passado, que trabalhava com parâmetros como rádio e discos, conceitos que, apesar de ainda aí, perderam a importância que tinham. Com a chegada da era digital, novos agentes entraram neste mercado e que também viu a ascensão do funk e do hip hop, a descentralização geográfica cultural do país e, consequentemente, novos assuntos e preocupações vieram à tona. Também falo sobre o impacto da pandemia e da ausência de políticas públicas para este mercado e como sua reconstrução vem sendo feita. Mais informações sobre o curso e o link para realizar as inscrições estão no site do MAM.
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Repetindo a deliciosa dobradinha que fizeram em 2015 (na faixa “Wide Open”), dois titãs dos anos 90 voltam a se reencontrar em um single lançado nesta segunda-feira. “Skipping Like A Stone” é mais uma faixa do próximo disco dos Chemical Brothers, For That Beautiful Feeling, que será lançado no mês que vem, e traz mais uma vez Beck nos vocais de uma música da dupla de dance music. O nerd norte-americano solta todo seu lado de crooner e leva o transe eletrônico de Tom Rowlands e Ed Simons para a seara da soul music e o resultado é deliciosamente irresistível.
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E já que vínhamos falando dos Talking Heads, viram o trailer novo que a A24 preparou para o relançamento de Stop Making Sense, o filme que Jonathan Demme fez sobre a banda de Nova York ao vivo? Ainda não tem notícias sobre a vinda do filme para o Brasil, mas ia ser tão bom se pudéssemos ver por aqui…
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O grupo King Crimson acaba de anunciar uma edição de aniversário para um de seus maiores clássicos, Larks Tongues In Aspic, lançado no início de 1973, que virá a público no próximo dia 13 de outubro. O álbum marcou mais uma mutação na banda dirigida pelo guitarrista Robert Fripp, a terceira, quando recriou o grupo de dispensar Mel Collins, Boz Burrell e Ian Wallace (coautores do soberbo Islands) e convocar o baterista do Yes Bill Bruford, o ex-baixista da Family John Wetton, o violinista e tecladista David Cross e o percussionista Jamie Muir. Na nova formação, o grupo (louvado hoje por Fripp como “a versão mais King Crimson do King Crimson, uma banda mágica!”) começou a explorar novos limites de sua musicalidade, entre as fronteiras do jazz rock, música erudita do leste europeu e improviso livre (chegando a um horizonte de ruído que o metal só atingiria na década seguinte), consolidando-se como a banda mais ímpar do rock progressivo.

A nova edição do disco, já em pré-venda no site da banda, reúne em dois CDs e dois Blurays tudo que já foi reunido nas outras edições de aniversário do disco, além de novas mixes feitos neste ano em Dolby Atmos, DTS-HD MA 5.1 Surround Sound e Estéreo em Alta Resolução, todos feitos por Steven Wilson e outros feitos por David Singleton, que mixou todas as sessões de gravação do disco, além do áudio-documentário Keep That One, Nick, feito para a edição de 30 anos do disco. A nova edição também vem em vinil duplo, ambas versões em capa dupla, com encarte escrito pelo biógrafo da banda, Sid Smith. Coisa fina.

Os fãs dos Mutantes já devem conhecer a participação do grupo paulistano no programa português Discorama, que dedicou meia hora de sua edição ao grupo de Arnaldo Baptista, Rita Lee, Sergio Dias e Dinho Leme em 1969. O programa já circulava online há tempos, mas com a marcação de tempo estampada sobre o vídeo como uma marca d’água. Mas a emissora RTP acaba de disponibilizar a versão do programa na íntegra em seu site oficial (assista aqui).
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Morreu o baterista original do Pavement, Gary Young, veterano da cena punk de Stockton, na Califórnia, quando a então dupla formada por Stephen Malkmus e Scott “Spiral Stairs” Kanneberg resolveram gravar a banda que tinham começado depois de tocar versões de Can e Fall. Caíram no estúdio de Young, onde gravaram seus primeiros discos, trazendo o baterista para a formação original do grupo, que depois contou com Bob Nastanovich e Mark Ibold. O estilo de tocar bateria de Young tornava o Pavement uma banda única na costa oeste norte-americana, além do baterista ser afeito a plantar bananeira no meio dos shows da banda, às vezes por minutos sem parar.

Um passo importante – talvez o mais difícil- em uma reconciliação histórica foi dado quando a revista People publicou uma entrevista com o ex-líder dos Talking Heads David Byrne, que reconheceu ter sido escroto com seus colegas de banda nos últimos anos da carreira do grupo. “Eu não era uma pessoa legal para ficar junto quando eu era mais jovem”, contou o cantor norte-americano para o site da revista. “Quando estava trabalhando com os Talking Heads eu era meio tirânico. Depois eu aprendi a relaxar e também que ao colaborar com outras pessoas os dois lados ganham mais em uma boa relação do que em vez de eu dizer a todos o que fazer. Acho que não lidei bem com isso e o final foi meio feio.” E por mais ególatra que Byrne poderia ser, ele pelo menos manteve essas questões na esfera privada, ao contrário de outros integrantes da banda, como o casal Tina Weymouth e Chris Frantz, que sempre reclamaram em público que Byrne tinha sido egoísta e que a banda só não voltava por culpa dele. O outro integrante do grupo, Jerry Harrison, mantêm uma relação cordial com David e nunca veio a público expor rusgas do passado. Mas às vésperas do primeiro reencontro em duas décadas, o improváveis mea culpa de Byrne pode caminhar para um pedido de desculpas e uma reconciliação transparente e franca, aos olhos dos fãs. Isso ainda é muito longe de uma volta aos palcos, mas sinto que estamos só no começo de uma longa jornada que envolve uma das maiores bandas da história da música pop.
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Uma das principais bandas de rock do inicio dos anos 90, o grupo L7 volta ao Brasil dentro de uma turnê sul-americana com sua formação clássica, que voltou à ativa em 2014, depois de debandar em 2001, com Donita Sparks (guitarra), Suzi Gardner (guitarra), Dee Plakas (bateria) e Jennifer Finch (baixo). As quatro passam por São Paulo no dia 20 de outubro deste ano, quando tocam no Carioca Club com abertura do Cólera e das Mercenárias. Os ingressos já estão à venda neste link. Depois de São Paulo elas passam por São Luís, no Maranhão (dia 22), em Curitiba, no Paraná (dia 24), em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul (dia 25) e no Rio de Janeiro (dia 29).

Na próxima quinta-feira, dia 24, o grupo Garotas Suecas mostra seu recém-lançado disco 1 2 3 4 pela primeira vez ao vivo, no Auditório do Sesc Vila Mariana, num show em que o quarteto paulistano, uma instituição do rock independente da cidade, às vésperas de completar duas décadas em atividade, me convidou para fazer a direção. Assim, pensamos juntos em como mostrar um disco que ao mesmo tempo é um retrato da época trevosa que estamos finalmente saindo, e também tem uma importância crucial nestes quase vinte anos de banda. Os ingressos para o show já estão à venda (neste link) e a banda ainda traz algumas surpresas, que estão preparando nos ensaios. Enquanto isso, vão arredondando cada vez mais o disco novo só os quatro, como filmei nessa versão para “Todo Dia É Dia de Mudança”.
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