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Jornalismo

Morreu nesta sexta-feira um dos trovadores pop mais conhecidos dos EUA, um nome que se estabeleceu graças a seus shows desde os anos 70 mais do que seus discos.

Trupe azeitada

A Trupe Chá de Boldo está em ponto de bala! Depois do recolhimento do período pandêmico, o grupo paulistano voltou aos palcos em 2023 para lançar o resultado deste tempo fora de cena, o ótimo Rua Ria, que pode lançar no Sesc Pinheiros nesta sexta-feira. E é tão bom ver quando uma banda tão numerosa – são doze integrantes! – funciona de forma tão orgânica e sincronizada, incluindo as trocas de funções durante o show: o vocalista Gustavo Galo vai para a guitarra em alguns momentos, enquanto Tomás Bastos e Gustavo Cabelo revezam-se entre o baixo e a guitarra e o percussionista Rafael Werblowsky troca de lugar com o baterista Pedro Gongom e o outro percussionista Guto Nogueira vai para a frente assumir os vocais. As três vocalistas – Ciça Góes, Julia Valiengo e Leila Pereira – são a alma da banda, entrelaçando seus vocais com os de Galo e Guto e com direito a momentos solo deslumbrantes, enquanto o trio de saxes Marcos Grinspum Ferraz, Remi Chatain e Juliene Bellingeri (esta última gravidaça!) dá o molho que engrossa o groove da banda. Passaram por várias faixas do disco mais recente mas não deixaram músicas de outros discos de fora. Bem bom!

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(Foto: Biel Basile/Divulgação)

Conheci Gabriel Milliet no ano passado, quando ele participou da temporada que o Biel Basile fez no Centro da Terra e aos poucos ele foi me apresentando ao seu trabalho solo, que desenvolveu nos anos em que esteve fora do Brasil, quando mudou-se para a Holanda. Longe do país, começou a compor suas músicas num misto de saudade e sensação de deslocamento e pertencimento, que, quando voltou ao Brasil, começaram a se tornar um disco. Gravado em dois continentes, o disco batizado Um reúne a paixão de Millet pela canção e pelo violão de nylon à sensação de descolamento que sentiu ao ficar longe do país e está sendo lançado neste início de setembro. Gabriel me chamou para escrever o texto de apresentação do trabalho, que republico abaixo:

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(Foto: Mariama Palahares/Divulgação)

Depois de um período hibernando à força, a Trupe Chá de Boldo está lançando seu Rua Rio, disco que foi concebido durante a pandemia e que retoma questões que já haviam começado a discutir nos discos anteriores, em especial no que diz respeito à vida na cidade. E prestes a fazer mais um show de lançamento do disco nessa sexta-feira, no Sesc Pinheiros (ainda há ingressos há venda aqui neste link), o grupo também aproveita para mostrar o clipe de um dos singles do álbum. “Ouça Onça” foi dirigido por Julia Valiengo (da Trupe), pela ilustradora Bruna Barros e pelo animador Pedro Gallego e estreia nessa sexta-feira, mas o grupo antecipou em primeira mão aqui pro Trabalho Sujo. “Para construir a narrativa do clipe nos inspiramos nas mulheres que vivem nas periferias, acerca das florestas, e que enfrentam diariamente grandes jornadas até o centro das cidades”, conta Julia. “Quando surgiram algumas perguntas: quem são e o que desejam essas mulheres? Será que a cidade ainda é capaz de ouvir a floresta? Numa linguagem que mistura ilustrações animadas e colagens de fotos e vídeos, este videoclipe traz uma realidade fantástica de mulheres que, ao chegarem na cidade, viram bicho. Verdadeiras musas felinas que com garras, poder e certo feitiço, unem-se para transformar o que está à sua volta.” Além do show de São Paulo, o grupo ainda tem outras datas agendadas para o interior do estado, quando tocam no Sesc São José do Rio Preto (dia 7 de setembro), no Armazém Baixada em Ribeirão Preto (no dia seguinte) e no Galpão Busca Vida em Bragança Paulista (dia 23).

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E pra esquentar esse clima, vou ficar publicando sobre Talking Heads aqui de vez em quando, como esse show maravilhoso que o grupo fez no festival de Montreux, na Suíça, no dia 9 de julho de 1982, e está na íntegra no YouTube. Além da banda principal, o grupo é acompanhado mais uma vez de vários músicos, como o guitarrista Alex Weir, o tecladista Raymond Jones, o percussionista Steve Scales e a vocalista e percussionista Dolette McDonald. além do tecladista Tyrone Downey e as irmãs de Tina, Lani e Laura Weymouth, que entram no bis para tocar “Take Me To The River”. No mesmo dia, Tina Weymouth e Chris Franz acompanhados de Lani, Laura, Steve, Alex e Tyrone abriram para o grupo com seu projeto paralelo Tom Tom Club (e esse show também pode ser assistido abaixo): Continue

“Acho que tem sido uma experiência de cura para todos. É como se ‘é, nós podemos trabalhar juntos e fazer isso’ e isso é algo que todos nós estamos orgulhosos”, explicou o guitarrista dos Talking Heads Jerry Harrison em entrevista ao programa que o jornalista norte-americano Kyle Meredith apresenta em seu canal no YouTube. E assim, em mais uma notícia sobre a volta do filme Stop Making Sense aos cinemas, aos poucos vamos assistindo à dissolução da treta master que tornava a volta dos Talking Heads aos palcos algo impensável e impossível. A segunda metade da carreira da banda tornou a convivência entre os integrantes cada vez mais tensa e quando o grupo oficializou que seu término era óbvio, no início dos anos 90, seus integrantes passaram a se falar cada vez menos, à medida em que o vocalista e principal compositor David Byrne se estabelecia como uma personalidade distante do grupo e tanto ele quanto o casal Tina Weymouth e Chris Franz trocaram farpas pesadas em declarações em público. Mas quando o estúdio A24 se dispôs a relançar o filme de Jonathan Demme no cinema, inevitavelmente fez com que os quatro voltassem a se conversar. “Nós somos donos do filme, por isso tínhamos que trabalhar juntos para tomar uma decisão”, continuou o guitarrista na mesma entrevista. “‘Será que a A24 é a melhor distribuidora, o melhor parceiro pra gente?’, tínhamos que ter esse tipo de conversa e tínhamos que tê-las juntos.” Harrison continua: “Podemos deixar de lado conflitos sobre os quais as pessoas passaram muito tempo falando. Não é como se os sentimentos que fizeram as pessoas dizerem várias coisas não existam mais ou algo do tipo, mas é que agora que eles foram ditos, precisamos repeti-los o tempo todo? Eu já dei minha opinião”. Na entrevista, além de falar sobre o processo de masterização do som, o guitarrista também deixa no ar que outros anúncios relacionados à banda podem vir em breve… Ainda coloco minhas fichas em “turnê de despedida”. Imagina isso!

Assista à íntegra da entrevista (em inglês) abaixo: Continue

Antes de Nick Cave liderar seus Bad Seeds, ele era o principal nome do grupo Birthday Party, uma das principais bandas pós-punk da Austrália, que pavimentou o caminho para o surgimento de uma cena rock que não existia naquele país até os anos 80. Misturando barulho, drogas e violência no palco, o grupo é o foco do documentário Mutiny in Heaven, que estreia no próximo mês nos EUA e não tem previsão de chegada ao Brasil. Dirigido por Ian White, o documentário mistura entrevistas recentes, cenas de época e quadrinhos e um trailer recém-lançado dá uma ideia do nível de periculosidade do grupo australiano.

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Que beleza o show que Rubinho Jacobina fez no Centro da Terra nesta terça-feira, desfilando seu repertório balançado com dois compadres de longa data, cuja química musical vem de tempos imemoriais: quando Gustavo Benjão assumiu o baixo e Marcelo Callado a bateria, metade do quarteto Do Amor tornou-se base para o show do compositor carioca, que não teve dificuldade para se soltar. Seu suíngue irrefreável conduzia a apresentação sempre cima e para a frente, mesmos nos momentos mais delicados, quando, por exemplo, convidou Iara Rennó para sua participação a partir da música que compuseram juntos para seu disco mais recente, Amor Universal, a hipnótica e triste “É Demais”. Mas logo o show partiu literalmente para memórias de outros carnavais e os quatro dispararam marchinhas modernas de um carnaval do século 21 com tempero do século passado, numa noite muito astral.

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Encerrando a temporada de música em agosto no Centro da Terra, chega a vez do carioca Rubinho Jacobina estrear em nosso palco, trazendo músicas de seu disco mais recente, Amor Universal, e outras de sua carreira ao lado de uma banda que é metade do grupo Do Amor: Marcelo Callado na bateria e Gustavo Benjão no baixo. Rubinho repassa os dez anos que esteve na França num show que ainda terá a participação de Iara Rennó. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos podem ser comprados neste link.

Parceiros de longa data, a Bike fecha sua parceria com o boogarin Benke Ferraz em mais um remix de seu Arte Bruta, lançado no início do ano. “Filha do Vento/Clara-Luz” será lançado nesta quarta-feira e conta com a participação de outro compadre da banda, o pernambucano Tagore, que canta na nova versão, que você pode ouvir em primeira mão aqui no Trabalho Sujo.