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Jornalismo

Morreu, nesta quarta-feira, um dos maiores nomes do free jazz norte-americano, a pianista e compositora Carla Bley, fundadora da Jazz Composers’ Orchestra e autora da jazz ópera Escalator Over The Hill, lançada em 1971.

Madonna superiora

Depois do susto no meio do ano, Madonna mostrou que voltou com tudo. A deusa do pop fez a primeira apresentação de sua Celebration Tour neste fim de semana, em Londres, show que estava programado para acontecer em julho mas foi adiado porque Madonna foi parar na UTI. Mas foi só um susto e neste sábado e domingo ela mostrou que não está pra brincadeira, num longo espetáculo dividido em cinco atos em que ela e um enorme elenco passeiam por quatro décadas de hits, alguns deles ressuscitados apenas para esta turnê (como “Rain”, que ela não tocava ao vivo há 30 anos!). Ela ainda temperou a apresentação ao tocar, sozinha ao violão, uma versão para “I Will Survive”, de Gloria Gaynor, quando comentou o problema de saúde que deixou os fãs preocupados no meio do ano, usando o refrão da música para reforçar sua majestade. A turnê ainda terá 76 shows e passará por 15 países até abril do ano que vem – e não há referência ao Brasil por enquanto. Abaixo, alguns trechos do show de sábado filmados por fãs e o setlist completo do primeiro show: Continue

Bruma cósmica

Na segunda noite de sua temporada Ficções Compartilhadas no Centro da Terra, Paula Rebellato optou por trabalhar num território conhecido, o do improviso livre, ao lado de três músicos com quem já esteve nestas incursões em várias outras ocasiões. Mas em vez de trabalhar numa certa zona de conforto, ela embrenhou-se por caminhos menos espasmódicos que funcionam como caminhos já traçados neste cenário e optou pela sutileza, abrindo trilhas menos óbvias para que o trumpete de Rômulo Alexis, o baixo e os eletrônicos de Berna e a bateria de Cacá Amaral buscassem refúgios inusitados, transformando o que poderia ser uma massa de som extática em uma bruma cósmica que parecia fazer os quatro flutuar, hipnotizando o público presente até o silêncio final.

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“Tenho um segredo sobre aquele final”, disse o comediante Jerry Seinfeld ao ser perguntado por alguém da plateia em um de seus shows em Boston, nos EUA, há uma semana. “Mas eu não posso contar ainda porque é segredo. Alguma coisa vai acontecer que tem a ver com aquele final. Algo que ainda não aconteceu. E do mesmo jeito que vocês estão pensando, eu e Larry (David, cocriador do seriado original) também estamos pensando”. Tudo indica que ele vai reunir o elenco de seu clássico seriado – a melhor série de todos os tempos, por não ter um único episódio ruim – para fazer algo relacionado à infame punição recebida por Jerry, Elaine, Kramer e George depois de nove temporadas de sucesso durante os anos 90. Tomara que não seja só um comercial…

A atriz de 91 anos que morreu neste sábado começou sua carreira na era de ouro de Hollywood fazendo papel de garota inocente ao lado dos galãs da época, como Ronald Reagan, Rock Hudson e Donald O’Connor, até ganhar sua primeira indicação para o Oscar de melhor atriz ao contracenar com Paul Newman em Desafio à Corrupção, de 1961. Após isso, ela aposentou-se do cinema por considerar que sempre fazia o mesmo papel, até retornar às telas nos anos 70 vivendo outros tipos de personagem, como a mãe da protagonista do filme Carrie – A Estranha (1976), de Brian de Palma, em sua performance mais intensa, que lhe rendeu mais uma indicação, agora de atriz coadjuvante, para o Oscar. O retorno lhe garantiu outros papéis memoráveis, em especial no filme Filhos do Silêncio (1986), que lhe valeu outra indicação para o prêmio de melhor atriz coadjuvante. Quatro anos depois, estrearia na TV vivendo a executiva Catherine Martell, na série Twin Peaks.

A aula nem havia começado e Bernardo Oliveira já erguia as sobrancelhas ao olhar para o material que havia preparado enquanto os alunos entravam na sala: “Matias, não vai dar tempo!”, dizia antes de começar as três horas sem intervalo que havia preparado sobre música negra brasileira dentro do curso História Crítica da Música Brasileira, que estou coordenando no Sesc Pinheiros. Não deu, mas deu: Bernardo nos conduziu rumo a jornada que comparava as culturas de diferentes povos africanos e seu impacto em nossa história – e não apenas cultural. Falando sobre ciência, técnica e tecnologia, mostrou tradições que atravessam séculos mesmo vivendo sob violenta opressão e mostrando como elas moldam o próprio conceito de identidade cultural brasileira. E tome doses pesadas de Clementina de Jesus com audições de rituais de celebração de exu por todo o país, citações de José Ramos Tinhorão, o verdadeiro modernismo do Estácio de Sá, o papel político dos terreiros das tias que abrigavam o samba carioca, loas tecida às transformações em Mario de Andrade e como o termo “funk” está sendo descartado para explicitar a raiz africana deste gênero urbano brasileiro, sendo referido atualmente como “macumbinha”. Bernardo poderia falar mais ainda o dobro de tempo porque assunto e eloquência não faltavam, mas conseguiu condensar as principais problemáticas relacionadas à música negra brasileira, principalmente no que diz respeito ao que pode ser considerado brasileiro ou não. “Racionais é música negra brasileira? Eu acho que é, tem gente que acha que não é”, provocou.

Não estava programado, mas encerrar a segunda aula do curso História Crítica da Música Brasileira, que estou fazendo no Sesc Pinheiros, com um show gratuito do Metá Metá convidando Jards Macalé dentro do festival Mario de Andrade (organizado pela Biblioteca Municipal que carrega o nome do escritor e pensador paulista) no Paço das Artes, no Centro de São Paulo, deu um tempero especial para o sábado frio de São Paulo. E a experiência não é só pessoal, uma vez que tanto Bernardo Oliveira (que deu a aula deste sábado) e Rodrigo Caçapa (que dará a aula no próximo e estava como ouvinte na aula passada) também concluíram essa jornada comigo, como alguns alunos que pude reencontrar entre o público. O show pecou pelo som baixo – nada justifica terem colocado as caixas de PA rente ao chão e não apontadas para o público -, mas a química entre o trio paulistano e o mestre carioca é irresistível. O Metá Metá começou a apresentação sozinho, enfileirando seus hits irresistíveis, todos recebidos pelo público como bênçãos coletivas: “Oyá”, “São Jorge”, “Orunmilá”, “Atotô”, “Cobra Rasteira” e “Vias de Fato”, esta última cantada baixinho pelo público e ganhando sua condição de reza. Depois o trio chamou o velho Macau para o palco, que logo depois assumiu o show sozinho puxando hinos como “Soluços” e “Vapor Barato”, esta tocada ao lado do sax de Thiago França. Kiko Dinucci e Juçara Marçal voltaram ao palco para acompanhar o compadre em outros clássicos, como “Pano pra Manga”, a nova “Coração Bifurcado”, a imortal “Negra Melodia”, composta com Waly Salomão (te dedico, Juliana Vettore), e “Let’s Play That”, que o Metá já toca em seu repertório habitual. Os quatro não resistiram ao clamor do público e voltaram para o bis cantando “Juízo Final”, de Nelson Cavaquinho, que transformou o local numa missa sobre a vitória da luz sobre as trevas. Ave música!

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Em mais uma matéria que fiz para a revista da UBC, conversei com Jadsa, Josyara e Anelis Assumpção sobre uma mudança no mercado de música e no processo criativo da música brasileira deste início de século que é a ascensão de mulheres ao cargo de produtora musical, território dominado pelas três a partir de diferentes experiências pessoais. Leia abaixo: Continue

Nascida na Albânia e criada em Nova York desde os oito anos de idade, a cantora e compositora Suzy Clue surge no horizonte com um single perfeito lançado nessa sexta-feira 13: “Remember Me” lida com questões amorosas mal resolvidas e pergunta se a pessoa para quem a canção foi feita ainda “guarda minhas fotos em seu telefone?”. Mas o que chama atenção mesmo, além da doçura e candura do vocal de sua autora, é como a canção vai crescendo do que parece ser apenas uma balada metal dos anos 80 para tornar-se um colosso ruidoso entre o indie rock, o emocore e o shoegaze, ecoando referências clássicas dos anos 90 e 00, empilhadas pelo produtor Dan Carey da gravadora Speedy Underground, que também trabalhou com Fontaines D.C., Kae Tempest e Wet Leg . Uma joia – e é só seu primeiro single. Ouça abaixo: Continue

Lá vem a Dua Lipa

Dua Lipa apagou todos os posts do seu Instagram e postou apenas essa foto, ruiva, perguntando se o público estava sentindo falta dela. Ô se estamos – e aí tem!