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Jornalismo

Imenso prazer em realizar a primeira apresentação autoral de uma artista que vai crescer muito! A violoncelista Francisca Barreto faz seu primeiro solo nesta terça-feira, no Centro da Terra, acompanhada por Victor Kroner (guitarra, violão e sintetizador), Thalis Hashiguti (violino e viola) e Nina Maia (piano e voz), quando passeia por composições próprias e alheias num espetáculo que batizou de Bico de Proa. Ela mesma explica o porquê do título: “Em uma viagem de dois meses em um veleiro, pude reviver memórias da minha infância, que ainda estão muito próximas de mim”, conta no texto de apresentação desta noite. “Trago comigo a cidade onde nasci e moro, São Paulo, centro, caótica e barulhenta, e o lugar onde cresci, Guaraú; entre o rio, o mangue e o mar, passei a infância cantando músicas brasileiras, ouvindo passarinho, vendo animais silvestres e descansando os olhos na paisagem verde da mata.” Além do cello, ela ainda toca violão e percussão, além de passear por canções latinas, brasileiras, norte-americana e composições instrumentais. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos já estão esgotados.

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Uma das principais atrizes da Hollywood desfreada dos anos 70, Terri Garr morreu nesta terça-feira, vítima de complicações de esclerose múltipla, que lhe afligia há décadas. Revelada num episódio da primeira versão de Jornada nas Estrelas, ela participou do filme psicodélico dos Monkees escrito por Jack Nicholson (Head) e do seriado que Sonny Bono e Cher tinham nos anos 60. Na década seguinte, graças à sua atuação carismática que encantava e fazia rir, tornou-se querida da geração de diretores que trouxe o conceito de cinema autoral para os Estados Unidos naquela década, trabalhando com Coppola (A Conversação e Do Fundo do Coração), Spielberg (Contatos Imediatos do Terceiro Grau), Mel Brooks (O Jovem Frankenstein), Carl Reiner (Alguém Lá em Cima Gosta de Mim), Scorsese (Depois de Horas), Sidney Pollack (Tootsie) e Robert Altman (Prêt-à-Porter).

E quem lançou disco nesta terça-feira foi o senhor Flying Lotus, ao revelar o EP Spirit Box, com forte influência de Twin Peaks.

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Paul Morrissey, que morreu vítima de pneumonia nesta segunda num hospital em Nova York, sempre será lembrado como o cineasta que deu dinâmica e movimento às experiências cinematográficas de Andy Warhol – que, por ser fotógrafo e artista plástico, trabalhava apenas com imagens estáticas. Ao lado de Warhol, dirigiu filmes de baixo orçamento sobre a vida marginal na maior cidade norte-americana, filmando histórias com hipsters, traficantes, travestis e viciados em drogas em filmes como Flesh (1968), Trash (1970), Heat (1972), Flesh for Frankenstein (1973) e Blood for Dracula (1974). Mas sua associação com Warhol também foi uma conexão com o Velvet Underground e além de ter dirigido com seu parceiro o único documentário sobre a banda quando ela ainda existia, The Velvet Underground and Nico: A Symphony of Sound (assista-o abaixo), lançado no ano anterior do lançamento do primeeiro disco da banda, que é de 1967, também foi empresário do grupo de Lou Reed e John Cale entre 1966 e 1967 e batizou o happening que colocou a clássica banda no mapa da intelligentsia nova-iorquina, chamado de Exploding Plastic Inevitable.

Assista a The Velvet Underground and Nico: A Symphony of Sound abaixo: Continue

Agora, todo mundo!

E reunindo sua atual banda para repassar seu repertório e visitar algumas músicas alheias, Pélico encerrou a sua temporada Cá Com os Meus Botões no Centro da Terra com o astral lá em cima. Acompanhado por Richard Ribeiro (bateria), Jesus Sanchez (baixo), Regis Damasceno (violão e guitarra) e Pedro Regada (piano e teclados), o cantor e compositor também cantou músicas que alguns fãs pediram anteriormente (como “Se Você Me Perguntar” e “Descaradamente”, ambas tocadas no bis) visitou Lô Borges via Milton Nascimento (“Para Lennon e McCartney”) e Renato Russo (“Vinte e Nove”, desta vez só com Regis) e contou com a presença surpresa do novato Kaboom 23, com quem dividiu uma música (“Coração Congelado”, que fizeram no palco) lançada em 2021. Uma noite quente para encerrar uma temporada emotiva – e rejuvenescedora, para o público e para o artista.

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Eis Chromakopia

Sem o menor alarde, Tyler the Creator acaba de lançar seu novo disco, Chromakopia, em plena manhã de segunda-feira. Ouça abaixo: Continue

Tolice é viver a vida assim, sem aventura.

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A casa de shows Áudio estava lotada neste sábado quando Marcelo D2 veio com seu grupo Um Punhado de Bambas para a festa de lançamento do Toca UOL, nova editoria de música brasileiro do portal citado, transformando sua apresentação numa roda gigante de samba, em que ele era o único músico de pé na maior parte do show, enquanto todos os músicos o cercavam sentados em roda. Usando seu disco mais recente, Iboru, como base da apresentação, ele também visitou seus sambas de discos anteriores (como “1967” de seu disco de estreia e “Pode Acreditar (Meu Laiá Laiá)”, parceria com Seu Jorge no disco A Arte do Barulho) e passeou por clássicos do gênero, cantando Zeca Pagodinho (“Maneiras” e “Cabô Meu Pai”, que usou para encerrar o show), Fundo de Quintal (“Lucidez”), Beth Carvalho (“Água de Chuva no Mar”, que dividiu os vocais com sua companheira Luiza Machado, que também é vocalista na banda) e Leci Brandão (numa versão da pesada de “Zé do Caroço”). fazendo todo mundo cantar junto. Sempre falando pacas entre as músicas – afinal, é o D2 – ele estava abalado pela morte de duas pessoas próximas à banda e ainda deu sua alfinetada no atual prefeito de São Paulo para deixar claro sua posição política na véspera da eleição paulistana, mas nem isso tiro o gás da apresentação, que só pecou por ser curta e não ter um bis. Showzaço.

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Thom Yorke começou sua tão aguardada turnê solo essa semana, fazendo três apresentações na Nova Zelândia em que trouxe algumas inacreditáveis pérolas, como canções que toca pela primeira vez sozinho no palco (como “Kid A”, “Packt Like Sardines in a Crushd Tin Box” e “The Daily Mail” do Radiohead e “Bodies Laughing” do The Smile), outras que não tocava há anos (como “How to Disappear Completely”, “Karma Police”, “Street Spirit (Fade Out)”, “Videotape”, “Let Down” e “Lucky” – esta última ele que não tocava solo há mais de duas décadas!), músicas de seu primeiro disco solo, da trilha de Suspiria e dos grupos U.N.K.L.E. e Atoms for Peace. E como sempre tem um fã salvador filmando as músicas, separei algumas delas aí embaixo, mostrando a versatilidade de Thom entre violões, guitarras, synths, piano, vocais e teclados, sempre esmerilhando, com aquela emoção. Uma maravilha, quem dera assistir a isso.

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Quando Dua Lipa lançou seu clássico instantâneo das pistas, em 2020, foi atropelada, como todos nós, pela pandemia e o que poderia ser um colosso dançante para entrar no imaginário coletivo tornou-se um disco escapista para aquele ano pesadelo em que mergulhamos a partir daquele fatídico março. Sem a possibilidade de fazer shows, ela em vez de optar por lives, propôs uma versão remota do programa Tiny Desk, da emissora pública norte-americana NPR, como um clipe em movimento do que poderiam ser suas apresentações ao vivo, transformando sua edição do programa em um acontecimento online que fez parte do planeta se acabar de dançar mesmo recluso socialmente. A expectativa para o sucessor de Future Nostalgia aumentou quando o homem Tame Impala logo Kevin Parker apareceu na ficha técnica, mas infelizmente Radical Optimism, lançado no início do ano, soa como assistir pela rede de segurança uma trapezista que achávamos que estava voando, com boas músicas mas nada nem remotamente parecido com o assombro dance que foi o disco de quatro anos atrás, quase como uma versão de si mesma gerada por inteligência artificial – funciona, mas parece que não tem alma. E isso foi endossado quando ela voltou ao programa que bateu recorde de audiência em sua aparição em 2020: a nova edição do programa traz versões que parecem soar chochas comparadas às músicas originais, que no entanto só revelam sua fragilidade musical, tornando o programa tão esquecível quanto o anterior fora memorável. Uma pena.

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