
Sempre chega essa época do ano e dá aquela saudade de Barcelona, quando o festival catalão Primavera reúne artistas de diferentes vertentes numa mesma semana realizando sonhos ininterruptos. E por mais que a escalação desse ano não tivesse ninguém que tivesse feito brilhar meus olhos (grandes shows, mas nada que me fizesse sair de São Paulo), confesso ter sofrido um pouco ao ver que o querido trio Yo La Tengo dedicou um show inteirinho na sala Apolo às canções de seus ídolos nessa terça passada, misturando Velvet Underground com Sun Ra, Temptations com Neil Young, Bob Dylan com Daniel Johnston, Kinks com Black Flag, Who com Jackson Browne, Dream Syndicate com Sandy Denny. E felizmente não tínhamos apenas um, mas dois heróis em ângulos diferentes, apontando suas câmeras para o palco e registrando esse momento único para posteridade. Os vídeos seguem abaixo, bem como o repertório.
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(Foto: Rui Mendes/Divulgação)
Lendária banda do ABC paulista, a Nomade Orquestra prepara-se para um lançamento de mais um álbum ao começar a mostrar seu Terceiro Mundo a partir desta sexta-feira, quando lançam o single “Peixeira Amolada & Quebra Queixo” pela gravadora nova-iorquina Nublu Records e o antecipam em primeira mão aqui no Trabalho Sujo. A banda traz novidades na formação e além de Guilherme Nakata, Ruy Rascassi, Marcos Mauricio, Beto Malfatti, Marco Stoppa, Bio Bonato, Luiz Galvão e Victor Fão, o grupo agora conta com o percussionista Raphael Coelho e a saxofonista Ana Eliza Colomar, que entram na big band dispostos a explorar sonoridades não-ocidentais que são sempre postas sob o rótulo terceiro-mundista, temática do disco. A primeira música do novo disco tem ênfase na música brasileira ao ser conduzida por um violão, estética sonora pouco explorada pelo grupo. Ouça abaixo: Continue

Maio não terminou mas a queda na temperatura já anuncia a chegada de junho – e assim podemos anunciar a programação de música no Centro da Terra, que começa já na semana que vem. Quem toma conta das segundas-feiras é a dupla de noise extremo Test, que em cada uma das quatro noites, convida diferentes músicos para releituras ainda mais experimentais das faixas de seu álbum mais recente, Disco Normal, numa temporada que estão chamando de Curadoria do Medo. Nas duas primeiras terças-feiras do mês, dias 4 e 11, Juçara Marçal retoma as apresentações que tínhamos começado a fazer no infame março de 2020, quando ela iria fazer apresentações tocando seu primeiro disco solo, Encarnado, em versão completamente acústico, cuja única eletricidade da apresentação seriam as luzes – acompanhada de Kiko Dinucci (violão), Rodrigo Campos (cavaquinho) e Thomas Rohrer (rabeca), ela percorre o disco que agora completa 10 anos sem microfones nem amplificadores. Na terceira terça do mês, dia 18, é a vez do brasiliense Paulo Ohana fazer a transição entre seu disco mais recente e o que está prestes a lançar num espetáculo que mistura os dois títulos, O Que Aprendi Com a Língua dos Homens na Minha Orelha, ao lado dos músicos Fernando Sagawa (saxofone e flauta), Ivan Gomes (baixo), Ivan Santarém (guitarra), Bianca Godoi (bateria) e Gabriel Milliet. O mês termina na terça 25 com a apresentação conjunta do casal mineiro Clara Castro e Nathan Itaborahy que mostram seus respectivos trabalhos solo na apresentação dupla Prefixo Quase. Os espetáculos começam sempre às 20h e os ingressos já estão à venda na bilheteria e no site do Centro da Terra.
#centrodaterra2024

À frente de sua Unidade, o guitarrista paraense Saulo Duarte foi um dos responsáveis por impregnar a sonoridade nortista no pop brasileiro deste início de século, mas quando saiu em carreira solo, ainda em 2018, resolveu explorar o universo da canção e do violão para descobrir uma musicalidade que o levasse para além do trabalho que o estabeleceu no cenário independente brasileiro, com o disco Avante Delírio, de 2018. Agora ele prepra sua volta ao seu instrumento de origem e para o ambiente sonoro que o consagrou ao lançar, nesta quinta-feira, “Labareda”, mais uma faixa de seu próximo álbum, batizado de Digital Belém, que ele antecipa em primeira mão para o Trabalho Sujo. A canção, feita em dupla com a baiana Larissa Luz, enfatiza a temática do próximo trabalho, “que tem como premissa misturar elementos eletrônicos e digitais aos ritmos paraenses e latino amazônicos”, me explica por email, reforçando a presença de beats, samplers e sintetizadores, que aproximam o disco da sonoridade tradicional, de nomes como Aldo Sena e Raimundo Soldado, e contemporânea, de soundsystems e aparelhagens, que está produzindo ao lado do compadre Lucas Martins.
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As atrações de música no mês de maio no Centro da Terra encerraram nesta terça-feira, quando o duo (I)miscível, formado por Guilherme Marques e Amilcar Rodrigues, recebeu o contrabaixista Marcelo Cabral para explorar novas fronteiras musicais a partir de uma sessão de improviso livre que, como é característica do trabalho do duo, busca novas sonoridades a partir das já estabelecidas por seus instrumetos. Enquanto Amílcar reveza-se entre o trompete, o trompete piccolo e o bombardino, Guilherme buscava detalhes e nuances de uma bateria desconstruída enquanto Cabral ia para além das quatro cordas de seu instrumento, usando tanto o corpo, quanto arco e pedais para deformar seus timbres característico, numa apresentação que ia da quietude à expansão, com direito ao público assistindo a tudo no próprio palco.
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E nesta terça-feira encerramos a programação de música no Centro da Terra deste mês de maio com a apresentação do duo (I)miscível, formado pelo baterista Guilherme Marques e pelo trompetista Amilcar Rodrigues, que recebe o contrabaixista Marcelo Cabral para uma noite de improviso livre batizada de Música para um Futuro Presente. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos estão à venda na bilheteria e no site do Centro da Terra.
#imiscivelnocentrodaterra #imiscivel #centrodaterra2024

O encerramento da temporada Cosmofonias de Romulo Alexis nesta segunda-feira no Centro da Terra foi apoteótico, quando chamou seu compadre Wagner Ramos, que, com Romulo, forma o duo Rádio Diáspora, para uma versão intensa dessa formação, chamada de Ensemble Cachaça!, que contou ainda com o trombone de Allan Abbadia, o contrabaixo de Clara Bastos, a voz e o berimbau de Paola Ribeiro e o sax de Stefani Souza. O sexteto partiu de momentos soturnos e silenciosos para picos de estridência e dissonância, quando timbres graves e agudos se encontravam canalizados pelo trompete e bateria do duo proponente do encontro, com direito a instrumntos de sopro desmontados para buscar novas sonoridades e um berimbau tocado com arco, além da voz livre e espacial de Paola. A última de quatro intensas noites de improviso e exploração musical foi um encerramento desnorteador.
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Um beijo, mulher.
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Eis o trailer de Frank Miller: American Genius, documentário sobre um dos maiores nomes da cultura pop estadunidense que será lançado nos EUA neste mês de junho. Autor, desenhista, roteirista e diretor, Miller é um dos maiores nomes da história do quadrinho mundial e seu talento não apenas revolucionou o formato super-herói como abriu a porta para autores que ajudariam a evolução da mídia que ele começou no início dos anos 80 (principalmente a safra britânica puxada por Neil Gaiman, Alan Moore, Grant Morrison e Mark Millar). Ao reinventar primeiro o Demolidor e depois o Batman com obras definitivas, ele mudou a cara do formato nas duas últimas décadas do século passado, tornando-a adulta e distópica numa época em que isso parecia impossível e, principalmente, bem sucedida comercialmente. A partir de graphic novels como o Cavaleiro das Trevas, Elektra Assassina e Batman: Ano Um, ele criou uma nova fase para os quadrinhos como fez sua ponte definitiva com o cinema, parindo outras obras que em pouco tempo tornariam-se marcos comerciais de Hollywood, como 300 e Sin City, este último dividido em dois filmes que dirigiu ao lado de Robert Rodriguez. Sua ida para o cinema o colocou na cadeira de diretor da adaptação do clássico Spirit para a telona. O documentário é dirigido por Silenn Thomas, que além de produtora de seus filmes é a diretora executiva da empresa que controla a carreira do artista, que deu a seguinte declaração ao jornal Hollywood Reporter: “A origem do documentário vem de várias fontes e fãs que nos incitaram a documentar esse grande gênio americano que recentemente sobreviveu a uma experiência de quase morte”, conta a produtora. “Quando iniciamos esse processo, Miller estava apenas começando sua recuperação e tinha um claro desejo pela vida, um desejo de recuperar anos de ‘tempo perdido’ e promover a sua identidade artística. Antes da pandemia, Miller voltou a viajar e a trabalhar em uma série de novos projetos. Quanto mais o acompanhávamos nessa jornada, mais descobríamos sobre a arte de fazer histórias em quadrinhos. Foi e continua a ser um mundo inspirado por mulheres, artistas, escritores, artesãos e um grupo global de fãs ávidos e espertos. Este filme é para eles; para se tornar parte e explorar ainda mais o funcionamento interno de seu ídolo e sensei, Frank Miller.” O documentário conta com entrevistas com Neal Adams, Robert Rodriguez, Jessica Alba, Jim Lee, Zack Snyder, Stan Lee, entre outros. Assista ao trailer abaixo: Continue

O disco novo da Billie Eilish ainda não desceu direito por aqui – boas músicas, mas sem a pegada dos discos anteriores, nem seu senso de completude. As canções parecem pedir remixes e foi assim que pensou o brasileiro Mulu, que deu aquele tapinha funk em uma delas, a sensível (até demais) “Chihiro”, colocando-a em outro patamar. Ficou fino, saca só: Continue