
Com prazer recebemos nesta terça-feira, no Centro da Terra, a cantora Inés Terra, que apresenta uma nova versão de seu espetáculo de performance vocal Língua Fora, que já passou pela Alemanha e Argentina, e que desta vez conta com a participação das vocalistas Panamby e Paola Ribeiro, cada uma delas com um instrumento específico: Inés toca o finis terrae criado por Cadós Sanchez, Panamby um aya e Paola um berimbau, numa apresentação de música livre. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos já estão à venda na bilheteria e no site do Centro da Terra.
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Aconteceu nesta segunda-feira, quando Charli XCX apresentou seu Brat em grande escala no Madison Square Garden de Nova York e, do nada, chamou ninguém menos que Lorde para dividir o hit “Girl, So Confusing” que as duas já haviam dividido na segunda versão que a sensação inglesa fez da música que lançou em seu sexto álbum. E como em se tratando da Charli, muito sempre é pouco, o mesmo show ela ainda contou com as participações o cantor Troye Sivan, com quem dividiu “Talk Talk” num remix que acabaram de lançar, e com a novíssima Addison Rae, que está começando a bombar com o hit viral “Diet Pepsi”, que foi revisitado por Charli e Troye. Nada mal, veja abaixo: Continue

E Nathalie Alvim encerrou a série de apresentações solo que as quatro integrantes do grupo vocal Gole Seco vem apresentando dentro da temporada que elas estão fazendo no Centro da Terra nesta segunda-feira, ao reunir uma banda formada por Wagner Barbosa (teclados, baixo e synths), Ivan Liberato (guitarra) e Marco Trintinalha (bateria híbrida). Ancorando sua apresentação em seu primeiro EP, chamado Outro, ela aproveitou para apresentar músicas inéditas e visitar composições alheias com sua bela voz e sua presença de palco cativante, como quando visitou “Virgem” de Marina Lima acompanhada apenas de seu guitarrista ou “Soluços” de Jards Macalé acompanhada de suas parceiras de Gole Seco num arranjo escrito por ela mesma. Mas ainda não é o fim da temporada Gole a Gole, que aproveita que o mês tem cinco segundas-feiras para encerrar com uma apresentação inédita do grupo, que acontece no último dia deste mês.
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Em mais uma sessão Trabalho Sujo Apresenta realizada no Cine Belas Artes, celebramos o primeiro disco da banda Portishead, Dummy, lançado há exatos 30 anos. Em mais um show que dirijo, reuni três jovens talentos da nova cena paulistana para recriar o disco que elevou o trip hop a um novo patamar a partir do encontro de Manu Julian (vocalista das bandas Fernê e Pelados), Thales Castanheira (que acompanha Manu em seus shows solo) e Lauiz (produtor musical e também integrante do grupo Pelados). Os três contarão com o apoio visual de Danilo Sansão, que, ao lado de Manu, traduz na tela do cinema de rua mais tradicional de São Paulo, a estreia da banda de Bristol no espetáculo Dummy 30 anos – Matar Um Homem Morto, inspirado não apenas no álbum de 1994 mas também no vídeo que o antecedeu, To Kill a Dead Man, quando a banda experimentou misturar jazz dos anos 50 e trilhas sonoras dos anos 60 no amálgama de soul music, música eletrônica, hip hop e reggae que já vinha sendo conduzido pelos conterrâneos de artistas como Massive Atttack e Tricky. A apresentação acontece no dia 17 de outubro e os ingressos já estão à venda neste link.

Quando falamos sobre Andre 3000 já sabemos que podemos esperar o inesperado, mas o público que foi assistir à segunda apresentação ao vivo da turnê em que ele está divulgando o disco de flautas que lançou no ano passado não estava pronto para a surpresa que ele preparou para aquela noite de sábado. Ao passar por Detroit, ele convidou para dividir o palco do Winspear Opera House ninguém menos que uma das principais estrelas da cidade, sua ex-companheira Erykah Badu, madre superiora do soul deste século com quem ele teve um longo relacionamento, que inclusive gerou um filho (Steve, de 26 anos, que por sua vez estava na plateia). Os dois entraram no transe de improviso que é a característica do disco New Blue Sun, o ex-rapper com suas flautas e Badu ao theremin, num registro que Badu – que teria inspirado o hit “Ms. Jackson”, da banda de Andre, Outkast – chamou de “coparentalidade” em sua conta no Instagram, frisando que a relação familiar que ainda mantém com Andre também se expande para a música. Coisa de adulto, sabe. Assista abaixo: Continue

Imagina que no meio do show do The National a banda convida o guitarrista do War on Drugs para tocar uma música do Echo & The Bunnymen. Pois isso aconteceu duas vezes neste fim de semana, quando Adam Granduciel se juntou ao grupo liderado por Matt Berninger na sexta (em Toronto, no Canadá) e no sábado (em Cuyahoga Falls, nos EUA), para tocar o hit “Bring on the Dancing Horses”. Nada mal, dá uma sacada como foi no show de sexta… Continue

O baterista, produtor e agora diretor de documentário Questlove aproveitou o dia internacional do Earth Wind & Fire (“do you remember?”) para anunciar que seu próximo projeto é um filme sobre uma das bandas mais importantes dos anos 70. “Em 2025, a história definitiva dos elementos”, anunciou o líder dos Roots em sua conta no Instagram neste dia 21, “A história sobre como uma banda liderada por um gênio de Chicago mudou nossa forma de pensar, nossas mentes e nossos corações. Tendo sido batizado no rio da alegria afrocêntrica desta unidade poderosa, aprendi sobre eles, aprendi sobre nós e, mais importante, aprendi e me redescobri no processo. Estou muito animado para dirigir um documentário que preserva sua história positiva, mas MUITO vulnerável e real, sobre soul, sobre si mesmo e sobre luta. Esta é a história de alegria, persistência, amor, dor, magia e autodescoberta. Este é o Earth Wind & Fire”. É o segundo filme de Questlove, que estreou lançando o monumental Summer of Soul (…Or, When the Revolution Could Not Be Televised), sobre o festival de música negra que aconteceu no Harlem, em Nova York, simultaneamente ao festival de Woodstock, reunindo Stevie Wonder, Nina Simone, 5th Dimension, as Staple Singers, Gladys Knight & the Pips, Mavis Staples, Sly and the Family Stone, entre outros, cujas imagens não tinham sido vistas até seu filme ser lançado, mais de meio século depois, em 2021. E não custa lembrar que Questlove também já havia prometido outro documentário que já deveria existir faz tempo, sobre Sly & The Family Stone. Mas pelo visto o do Earth Wind & Fire vem antes. Assita abaixo: Continue

“Que Xou da Xuxa é esse?”, esbravejou espantada Letrux logo no início de uma de suas apresentações no Sesc Vila Mariana neste fim de semana. Sampleando a mistura de frustração e indignação do meme recente de uma fã infantil para o contexto do show de seu terceiro álbum, Letrux Como Mulher Girafa, a vocalista Letícia Novais espantou de vez o fantasma da pandemia que ainda ficava à sombra nas últimas vezes que a vi ao vivo, ainda mostrando seu excelente Aos Prantos, segundo disco de tema trágico que teve a má sorte de ser lançado no dia em que o Brasil entrou em quarentena, há longos quatro anos. A nuvem preta que pairava sobre aquele disco e suas apresentações ao vivo já dissipou-se no horizonte (embora ela tenha feito questão de frisar que ainda sente sua inevitável presença), mas no novo show, ela juntou a força animal que dá o tom do disco para retomar a luz solar que vibrava com ela no palco, mesmo nos momentos noturnos, sejam pela melancolia ou pelo clima de balada. E foi nesse ritmo que ela abriu a noite, invertendo expectativas ao começar com a música que seria o bis, a contagiante “Flerte Revival”, chamar a banda para a frente do palco para saudar o público e apresentá-la músico a músico como se o show já estivesse no fim. Ela mesma abriu o show de fora do palco, vestida de leão, e com essa energia não deixou o clima cair em momento algum, mesmo que um fã estivesse disposto a passar o show inteiro conversando com ela – saia justa que Letícia tirou de letra. Ladeada por seus principais braços – o tecladista Arthur Braganti e a guitar heroine Navalha Carrera, ambos brilhando em momentos específicos – ela comandava uma banda que não perdia o pique, mesmo nos momentos mais intimistas e combinou músicas de seus três álbuns sem tirar o foco do disco mais recente, lançado no ano passado, sua arca de Noé particular em que reuniu canções animalescas para expurgar os anos de trevas que atravessamos. E ainda prometeu um show em que vai tocar seus três discos na íntegra. Um show intenso como sempre, mas, principalmente, alto astral.
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E o Air confirmou sua passagem por Buenos Aires ao anunciar que tocará na íntegra seu disco de estreia, Moon Safari, que completou um quarto de século no ano passado, na Movistar Arena no dia 6 de novembro – os ingressos já estão à venda. Alguém anima ir pra Argentina ver a dupla francesa ou será que esperamos algum produtor esperto o suficiente para convencer alguma marca com um pingo de senso estético para trazer esse show para cá?

O senhor Fabio Massari comemorou tornou-se oficialmente sexagenário nesta sexta-feira num evento em que redefiniu o conceito ligado à nova idade, afinal o Fabrique recebeu uma tríade de apresentações ao vivo que reuniu velhos roqueiros que vão para muito além do estereótipo ligado à vertente clássica do gênero, que quase sempre resvala num conservadorismo estético e, portanto, político. A bordoada sonora à qual o público que encheu a casa de shows na Barra Funda foi submetido a anticlichês que superaram probabilidades sonoras neste que esperamos que seja apenas a primeira edição do Massarifest, que poderá se tornar um encontro anual de cabeças abertas esperando por doses cavalares de ruído experimental, um recorte caro à audição do aniversariante. Perdi o show de abertura dos pernambucanos dos Devotos, mas cheguei a tempo de ver Paulo Barnabé desvirtuando andamentos e expectativas enquanto contrapunha vocais e letras tensas à frente de sua Patife Band, que além de engalfinhar-se em solos e mudanças de tempos entre a erudição e o jazz de vanguarda, ainda desfilou pérolas de seu disco de formação – o Corredor Polonês, de 1987, que inaugurou o que chamamos hoje de math rock -, fazendo o público cantar músicas como a faixa-título, “Tô Tenso” e a adaptação do “Poema em Linha Reta” de Fernando Pessoa, tocado logo após o pianista Paulo Braga entortar um improvável “Parabéns a Você”.
Mas as coisas ficaram pesadas mesmo quando o quinteto japonês Acid Mothers Temple subiu ao palco. Liderados pelo inacreditável guitarrista Kawabata Makoto e por seu comparsa Higashi Hiroshi, impávido nos synths apocalípticos, a instituição psicodélica do outro lado do mundo veio ao Brasil pela segunda vez com o novato Jyonson Tsu, que, além de cantar também alterna entre um alaúde grego chamado bouzouki e uma guitarra Telecaster japonesa dos anos 70, e uma cozinha inacreditável formada pelo baterista Satoshima Nani e pelo baixista Wolf. E apesar de Makoto ter o holofote sempre que começa a solar, é impressionante o que o baixista e o baterista fazem quando passam a conduzir as bases para o improviso sonoro, fundindo elementos de rock progressivo alemão a doses cavalares de noise e protopunk, transformando o grupo em uma usina de ruído rítmico de tirar o fôlego. Mas não há como desviar o olhar do guitarrista fundador da banda, que encarna um Jimi Hendrix alienígena, que empilha camadas de microfonia enquanto transforma seu instrumento em uma antena elétrica que capta ruídos do espaço sideral em músicas que ultrapassam os dez minutos. A apresentação culimou com uma tour de force de Makoto, quando este entregou seu instrumento para o público tocar antes de pendurá-lo no teto do palco, deixando-a sozinha ressoando ecos do cosmo. E quem ficou até o final ainda ouviu, sem saber, uma música nova dos Boogarins que o Mancha, que estava discotecando entre as bandas, tocou logo que a banda japonesa terminou.
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